Mostrar mensagens com a etiqueta Roma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Roma. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Roma: distinção católica para um filme sobre a coragem solidária das mulheres

Texto de Sérgio Dias Branco


Uma das imagens de Roma

O filme Roma - realizado pelo mexicano Alfonso Cuarón -, que venceu o Leão de Ouro, prémio principal do Festival de Cinema de Veneza, foi galardoado também com o prémio da Signis – Associação Católica Mundial para a Comunicaçãona 75ª edição do certame, que terminou no passado dia 8 de setembro. 
Os jurados da Signis realçaram o “estilo ao mesmo tempo clássico e inovador e um uso sábio do preto e branco”, acrescentando que o realizador “constrói uma sugestiva e poética narrativa sobre o México dos anos 70”. “O filme captura as fraturas de uma sociedade que sofre mudanças profundas do ponto de vista familiar, e sublinha o papel essencial das mulheres, capazes de reagir com coragem e solidariedade face às dificuldades constantes. Roma ilustra brilhantemente as capacidades artísticas de Cuarón, com uma mise en scènerica e pessoal”, pode ler-se na nota divulgada à comunicação social.
O cineasta ganhou em 2014 o Óscar para melhor realizador com Gravidade, filme que obteve sete estatuetas. Para Roma, escreveu o argumento e co-assinou a fotografia e a montagem. Ao receber os prémios em Veneza, elogiou o elenco “por ter retratado as mulheres que [o] criaram”.
A Signis participa há 70 anos no Festival de Veneza e é representada em Portugal pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. O júri daquele organismo foi constituído por Magali Van Reeth (França, presidente), Ivan Giroud (Cuba), Guido Convents (Bélgica), Massimo Giraldi e Sergio Perugini (Itália).
Fica a seguir o trailer do filme:


terça-feira, 25 de agosto de 2015

José Ornelas Carvalho, uma missão em Angola "trocada" por Setúbal


Padre José Ornelas Carvalho 
(foto reproduzida daqui)

O padre José Ornelas Carvalho, superior-geral dos Padres Dehonianos até Junho deste ano, foi nomeado nesta segunda-feira como novo bispo de Setúbal.
Preparava-se, depois de deixar o cargo que ocupou desde 2003, para ser missionário em Angola. “Queres ir em missão, a tua missão vai ser em Setúbal”, disse-lhe o Papa, segundo contou o próprio à Ecclesia, depois de ter sido convocado para um encontro pessoal, no qual lhe pediu para aceitar o cargo de bispo de Setúbal.
Biblista de formação, José Ornelas já antes se vira de voltas trocadas, como contava, há cinco anos, num curto perfil que escrevi no Público (1 de Maio de 2010) e no qual falava também da sua relação com a cidade de Roma. Reproduz-se a seguir esse texto:

Mãos na Bíblia e o espanto no Panteão

O padre José Ornelas Carvalho, nascido em 1954 em Porto da Cruz (Madeira), gosta de Roma, do cruzamento de civilizações e movimentos de todo o género que aqui se vê. A cidade é "fácil de viver, é internacional, multicolor, mesmo dentro da Igreja". Mas também tem dificuldades: “Por exemplo, a impressão de 'nadar' em água benta.”
Numa das suas primeiras visitas como superior-geral dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, ou dehonianos (do nome do fundador, no século XIX, o francês Léon Dehon), José Ornelas esteve no Congo. Foi no pós-guerra civil e nada fácil: apanhou tifo e malária ao mesmo tempo, sentiu “o sofrimento e a dificuldade de poder ajudar”.
Teve de “aceitar que não se pode fazer tudo”, vendo a fome e a miséria. “É uma realidade dramática onde se toca o mais doloroso da humanidade.” Padre desde 1981, José Ornelas decidira ser missionário. Ainda viu as revoltas dos musseques em Luanda, viveu a independência de Moçambique (“Vi depois o descalabro do sonho, os campos de concentração, as nacionalizações...”), acabando em Roma, em 1976, para se doutorar em Bíblia.