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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Variações sobre o corpo e as mulheres nos evangelhos

Agenda

Variações sobre o corpo – uma aproximação estética, erótica e ética é o título do curso livre que hoje, amanhã (terça) e quarta-feira decorre na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, orientado pelo padre jesuíta brasileiro Nilo Ribeiro Júnior.
Professor na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia da Universidade Católica de Pernambuco, Nilo Ribeiro Júnior desenvolve a sua investigação na área da Ética e Filosofia contemporânea, sobretudo em questões como a fenomenologia, alteridade, ética, responsabilidade e corporeidade.
Num texto sobre O Ser Humano como corpo e o Cristianismo, escreve: “o corpo é considerado lugar por excelência no qual o Deus dos cristãos experimenta a humanidade por dentro. Ele contrai com a humanidade uma cumplicidade corpórea tal a ponto de tornar a carne humana lugar da revelação da interioridade do próprio Deus. Na perspectiva cristã o simbolismo do corpo excede toda a significação anterior: em Jesus de Nazaré o Verbo se faz carne reconciliando o humano e o divino sem separação e sem confusão, sem contudo perder sua mundaneidade, isto é, sem qualquer traço de espiritualismo abstrato e desencarnado. Em termos antropológicos, significa dizer que o Verbo (palavra) assume a carne humana para que nossa humanidade se torne um ‘corpo de carne’, isto é, que o corpo não seja privado de transformar-se numa carnalidade humano-divina. Nesse sentido, referir o humano à carnalidade significa outrossim voltar-se a significação genuinamente humana do corpo que só a carne pode assegurar. A carne, portanto, assume a significação que transcende os aspectos meramente exteriores do corpo humano, sem contudo negar sua dimensão material.
(o texto pode ser lido aqui na íntegra; o curso implica uma inscrição paga e decorre das 18h às 20h, nos três dias; mais informações podem ser encontradas aqui)

Nas próximas duas terças-feiras (amanhã e dia 2 de Fevereiro), a Capela do Rato (Lisboa) organiza duas sessões sobre As mulheres nos Evangelhos e na Igreja, orientadas pela irmã Maria Julieta Mendes Dias, que tem feito investigação bíblica sobre o tema – é coautora, por exemplo, de A Verdadeira História de Maria Madalena (ed. Casa das Letras) e orientou já o Encontro de Reflexão Teológica do Metanoia – Movimento Católico de Profissionais, sobre A originalidade de Jesus acolhida pelas mulheres.
Nestas duas sessões da Capela do Rato, Julieta Dias propõe olhar para a atitude de Jesus para com as mulheres e perceber a reacção das mesmas à Boa Nova de Jesus, para tentar compreender a situação das mulheres na Igreja ao longo dos tempos. As sessões decorrem às 21h30, na Capela do Rato.

Texto anterior no blogue
Viagens, pesadelos, pobres e ricos - crónicas de Anselmo Borges, Vítor Gonçalves e Fernando Calado Rodrigues

sexta-feira, 7 de março de 2014

Para uma alegria mais completa

Antologia de crónicas de frei Bento Domingues sobre questões sociais e políticas está desde hoje à venda. 

Com edição do Círculo de Leitores e da Temas & Debates é posto hoje à venda, no circuito comercial, o livro Um Mundo que Falta Fazer, antologia de crónicas de frei Bento Domingues no Público. Dedicado a questões sociais e políticas, este volume pretende ser o primeiro de outros dedicados a diferentes temas, abordados nestes mais de 20 anos e mil crónicas que frei Bento já escreveu, desde 2 de Maio de 1992. Reproduz-se a seguir a apresentação deste volume.


Texto de António Marujo e Maria Julieta Mendes Dias

A 28 de janeiro de 2001, sob o título “O centro na periferia”, frei Bento Domingues escrevia assim: “Foi rebentado o Muro de Berlim. É preciso quebrar a redoma de vidro dos privilegiados. Os gritos e as denúncias, as recomendações, as esmolas, os remendos, as solidariedades e os perdões da dívida não bastam. São urgentes propostas discutíveis que coloquem o centro na periferia. Cristo não nos deixou uma teoria para realizar essa deslocação. na periferia estabeleceu a sua tenda.”
Foi isto escrito doze anos antes de o cardeal Jorge Mario Bergoglio ser eleito Papa com o nome de Francisco e ter começado a falar da importância de dar atenção às periferias – seja na Igreja seja na sociedade e na política.
Uma das coisas que impressiona em frei Bento Domingues é, precisamente, a sua capacidade de perscrutar sinais do porvir no presente que nos envolve. Desde há muito que a sua voz lúcida, livre e bem‐humorada nos habituou a esse exercício – seja nas suas crónicas semanais, seja em livros ou em intervenções públicas. O seu modo de fazer teologia na praça pública há muito que o converteu numa voz original e incontornável na sociedade portuguesa e na Igreja Católica, em particular.
Seria, assim, uma lacuna grave para a cultura portuguesa e a teologia cristã se não pudéssemos voltar a reler muitas das crónicas que, desde há mais de vinte anos e de mil semanas completadas neste final de 2013, frei Bento Domingues nos dá a ler no Público, domingo a domingo.