sábado, 19 de maio de 2012

B. Häring: "Vejo com profunda preocupação..."


Escrevia assim o P. [Bernard] Häring há 20 anos (in “La teología ante el tercer milenio”, en: Marciano Vidal, Conceptos fundamentales de ética teológica, ed. Trotta, Madrid, 1992, 15-33):
… Vejo com profunda preocupação como nesta última década do século XX se vai agudizando uma neurose coletiva, de tipo paternalista... Todos desconfiam de todos, recompensa-se os delatores, e há sempre arrivistas dóceis e sem escrúpulos, que medram com as circunstâncias…
… Há uma minoria, em sintonia com o até há pouco chamado Santo Oficio e profundamente envolvida na nomeação de bispos, que pretende impor a toda a Igreja os seus critérios particulares: aos ‘bons’ católicos, que muitas vezes se sentem inseguros e mesmo perplexos, oferece-lhes o seu monopólio de seguranças, a sua verdade absoluta, … aos católicos críticos impõe-lhes o reconhecimento desse monopólio absoluto em todas as questões relativas à fé e aos costumes, sob pena de sanção disciplinar ou mediante a exigência de um juramento de fidelidade às suas directrizes.

Uma empresa que, após ter perdido os seus direitos de exclusividade, continua a comportar-se como se continuasse a possuir todos os seus monopólios e corta sistematicamente as asas às suas forças mais criativas, não demorará a ver-se sem clientela e inclusivamente privada dos seus mais dinâmicos colaboradores…” A voz profética do P. Häring não necessita de comentário.

Post de Juan Massiá en Religión Digital a propósito da advertência da Comissão Episcopal da Doutrina da Fé de Espanha ao teólogo Andrés Torres Queiruga 

1 comentário:

Helena disse...

Não sei se a tal empresa se vê sem clientela. Parece-me que está a fidelizar um outro tipo de clientela, que não tem muito a ver com o meu grupo. Está, inclusivamente, a atrair clientes novos. As missas em latim, por exemplo, têm muita saída entre os jovens.
Estaremos a caminhar para alguma espécie de cisma? Ou faz cada um de nós o seu cisma individual, com o par de sapatos que calça ao domingo e não leva à igreja?
Será que o catolicismo de muitos está a dar cada vez mais lugar a um misticismo vivido individualmente?