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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

As palavras e os gestos de D. António Francisco


Velório do corpo de D. António Francisco na sé do Porto 
(foto diocese do Porto, reproduzida daqui)

O padre Lino Maia contava que, no primeiro Natal passado como bispo do Porto, em 2014, D. António Francisco dos Santos convidou uma pessoa sem-abrigo da cidade, para a sua mesa de Natal.
Por causa de atitudes como esta, não soam ocas as palavras de D. António quando prometia uma acção pastoral de proximidade junto das pessoas mais vulneráveis – pobres, desempregados, doentes, idosos – ou também para com comunidades onde o conflito com a Igreja institucional assumiam manifestações duras, como foi o caso de Canelas, mal chegou à diocese do Porto.
De tudo isso o então novo bispo do Porto falava em Julho de 2014, na entrevista que então deu a Manuel Vilas Boas, para a TSF, e que se pode escutar aqui.

No dia em que o país e os católicos se despedem do bispo do Porto (hoje, às 15h, na catedral da cidade), pode ler-se também esta evocação do eurodeputado Paulo Rangel.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Vai fazer-nos muita falta, D. António!

António Francisco dos Santos (1948-2017) – In memoriam



D. António Francisco em Fátima, em 2015 (foto António Marujo)

Era um homem, um padre e um bispo com uma visão rara, que colocava as pessoas, cada pessoa, no centro da acção da Igreja – e da sua própria. D. António Francisco dos Santos, padre da diocese de Lamego, onde nasceu, era bispo do Porto desde 2014. Tinha sido bispo de Aveiro entre 2006 e 2014 e bispo auxiliar de Braga de 2004 a 2006. Morreu esta manhã, na casa episcopal do Porto. Vai fazer-nos muita falta. Pelo seu carácter, pela sua proximidade com as pessoas, pela sua visão pastoral.
D. António Francisco completou 69 anos no passado dia 29 de Agosto. Acabara de estar em Fátima, sábado passado, presidindo à peregrinação diocesana ao santuário. Na sua homilia, disse que os cristãos devem ser capazes de “construir uma Igreja bela, como uma casa de família” e que seja capaz de atender sobretudo aos mais frágeis: “Não podemos viver distantes dos dramas humanos nem ficar insensíveis aos seus clamores e indiferentes aos seus sofrimentos”, declarou, convidando os diocesanos a “entrarem na vida concreta dos que sofrem” (a homilia pode ser lida aqui na íntegra). 
A sua visão e acção pastoral tinham uma perspectiva muito coincidente com a do Papa Francisco: centrada na misericórdia, na atenção a cada pessoa, na proximidade quotidiana com todos – clero, fiéis, não-crentes, na dedicação aos mais pobres e a quem mais sofre. Isso mesmo é recordado por várias pessoas, de diferentes âmbitos, no perfil que se pode ler no Público.
Nessa perspectiva, D. António Francisco apoiou com vigor intenso as muitas iniciativas pastorais de padres e leigos que, na diocese de Aveiro, faziam um caminho de busca de novas soluções para a integração eclesial dos divorciados que tinham voltado a casar, também na linha (mas já antes) do que o Papa Francisco tem proposto.
A propósito dessa realidade, e numa entrevista que lhe fiz, em 2015, para a revista espanhola Vida Nueva, dizia D. António: “Diante da Igreja e na Igreja todas as pessoas têm nome, rosto, alma e coração. Muitas vezes, um coração partido, a sofrer, dorido, por muitas desventuras! Mas a Igreja tem de saber acolher e fazer um caminho em comum nesse sentido.”
Este modo de actuar não perspectivava, no entanto, apenas uma atitude passiva ou a imposição de decisões, mesmo que abertas. Ele entendia que os interessados deveriam também participar no processo de reflexão: “Temos também de saber reflectir com eles, não apenas acolher. Importa saber ouvir e decidir com os casais divorciados recasados os caminhos de cada um no empenhamento concreto na vida da Igreja. Mesmo com aqueles que estejam em situações de ruptura ou de não aceitação das orientações da Igreja, sabemos que nunca podem ser marginalizados e que podem sempre encontrar a Igreja aberta.”
Quando tomou posse do lugar de bispo do Porto, apontou ainda o combate à pobreza como horizonte da acção da Igreja. Na mesma entrevista, justificava: “Temos áreas muito marcadas pela fragilidade, pela pobreza, pela injustiça, pelo desemprego. Somos muitos e, por isso, maior é também o número dos que sofrem. Mais atento tem de estar o bispo e mais presente tem de estar a Igreja, junto de todos, com iniciativas próprias que eu desejo que sejam criativas e ousadas. E não podemos esperar, como dizia o Papa, pois quando alguém sofre não pode esperar para o dia seguinte.” E acrescentava, no que era uma crítica severa a muitas das coisas que se fazem, não apenas na Igreja: “Temos de dar lugar aos pobres e não apenas esmola.” No sábado, em Fátima, a participação de 50 pessoas sem-abrigo na peregrinação diocesana foi uma forma de concretizar em gesto as ideias que D. António Francisco defendia (ver aqui a sua última entrevista, dada em Fátima à agência Ecclesia). 
D. António sofreu muito com a saída de Aveiro e a sua nomeação para o Porto. Em Aveiro, houve quem tentasse evitar a saída, como na altura se noticiou no RELIGIONLINENa entrevista já citada, esse processo levava-o a admitir que “as Igrejas locais deviam ser chamadas a intervir na nomeação dos seus bispos”. Num caso como o que acabara de viver, acrescentava que, na “mudança de diocese apenas é ouvida a diocese para onde vai o bispo e não aquela de onde sai”.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

D. António Francisco: desemprego é um dos maiores problemas resultantes da crise



O novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, afirma, em entrevista ao Diário Económico e Antena 1, que o desemprego é um dos maiores problemas resultantes da crise em que o país está mergulhado. 
Afirma D. António: Encontro dificuldade, privação e alguma ansiedade em relação ao futuro é a ameaça do desemprego. O desemprego é um dos dramas maiores, sobretudo quando é demorado. Quando encontro famílias que depois de dois ou três anos batendo a tantas portas, com talentos, capacidades e até com experiência de trabalho já realizado, não encontram emprego, começa a desmoronar-se a esperança. O risco maior. As pessoas que não encontram emprego começam a viver uma certa desilusão, que para lá da ansiedade pode causar frustração. Isso é o maior perigo para a coesão social e para futuro das pessoas e para um ambiente sereno das famílias e, inclusivamente, para o desenvolvimento do país.
Na entrevista, D. António Francisco critica os erros na distribuição da austeridade, que considera ter recaído essencialmente sobre os mais frágeisE acrescenta ainda que a intervenção dos cristãos na política deve espelhar a autenticidade e os valores cristãos.


domingo, 20 de abril de 2014

Patriarca: abstenção, espaço para extremistas; Bispo do Porto: uma mais justa distribuição de sacrifícios

A abstenção nas eleições europeias é “preocupante” e o campo deixado aberto por ela “geralmente é tomado por forças extremistas” que neste momento “são muito xenófobas, nada amigas de estrangeiros nem de gente pobre, cuja pobreza muitas vezes foi da responsabilidade europeia” – são afirmações de D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, numa entrevista ao jornalista Manuel Vilas Boas.
Na conversa, Manuel Clemente passa em revista memórias pessoais do seu antecessor, dizendo que os documentos do episcopado onde se trata da relação da Igreja com a sociedade têm “normalmente a mão de José Policarpo”.
Sobre a actual situação portuguesa, o patriarca afirma que só graças às instituições sociais no terreno “as circunstâncias são menos gravosas” para muitas pessoas. E admite que chamou a atenção de diversos responsáveis para a necessidade de a troika financeira que negociou com Portugal falar com as instituições sociais: “Se calhar não ouviu tanto quanto devia”, diz.
O patriarca diz ainda que prefere a internacionalização da Cúria decidida pelo Papa Francisco a ter sido já nomeado cardeal no consistório de Fevereiro.
A entrevista pode ser ouvida na íntegra no site da TSF.

No JN, há hoje uma entrevista do novo bispo do Porto. D. António Francisco Santos diz que Portugal precisa de uma mais justa distribuição dos sacrifícios forçados pela crise e pela austeridade. “Custa-me que a austeridade pese sobre os mais frágeis”, diz, acrescentando: “Precisamos de nos educar todos para a sobriedade; não só os pobres, mas aqueles que usufruem ordenados superiores ao necessário ou ao justo, esses deviam ter o sentido da sobriedade para partilhar com os que não têm.”
António Francisco dos Santos acrescenta: “Temo que alguns tenham sido sacrificados sem a justiça ser aplicada; há alguns que mais sofrem e outros que aparentemente menos têm sentido o peso da austeridade.”
Para já, na internet, está disponível apenas um excerto da entrevista em vídeo, que pode ser visto aqui.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

D. António Francisco: “Não podemos ficar silenciosos diante dos que clamam por casa, emprego ou pão”

O novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, reafirmou, numa curta entrevista à RTP, que “não podemos ficar silenciosos e silenciados diante daqueles que clamam por pão, por casa, por emprego, e que sobretudo reclamam que se lhes anuncie um caminho de esperança para o futuro”.
A declaração, que pode ser ouvida aqui na íntegrainsiste em algumas das ideias que D. António Francisco fez questão de sublinhar na sua tomada de posse, na semana passada. Na ocasião, o novo bispo do Porto pediu que as pessoas sejam “ousadas, criativas e decisivas sempre, mas sobretudo quando e onde estiverem em causa os frágeis, os pobres e os que sofrem”.
Na homilia, da qual se podem ouvir pequenos excertos aquiD. António referiu-se ainda aos traços da comunidade humana do Porto e ao diálogo como “timbre” do seu viver como bispo. 

(aqui pode ler-se um pequeno perfil do novo bispo do Porto)


No vídeo, pode ouvir-se na íntegra a homilia da posse de D. António:



sábado, 1 de março de 2014

Eles já não são os mesmos

Crónica

Na sua crónica de hoje no DN, Anselmo Borges escreve sobre o Sínodo de Outubro próximo, que tratará as questões da família; aborda nomeadamente a questão dos divorciados recasados e termina referindo-se à pergunta que muitos grupos católicos têm feito: “Que seria um ‘Sínodo da Família’ sem incluir aqueles que vivem numa família?”:

Olhei para a imagem daqueles 150 cardeais em Roma e perguntei a mim mesmo: vão ser estes homens, só homens, solteiros e alguns com idade avançada, que, por mais dignos e competentes que sejam, vão, sozinhos, decidir da família do futuro, da moral sexual e da pastoral familiar? E aplaudi com as duas mãos a pergunta que organizações cristãs de todo o mundo fizeram ao Papa e ao G8 cardinalício: "Que seria um 'Sínodo da Família"'sem incluir aqueles que vivem numa família?" Evidentemente, um Sínodo autêntico sobre a família requer a participação de mulheres e homens comprometidos, vindos de todas as partes.

Num P.S. final, escreve ainda o autor sobre o novo bispo do Porto:

Depois dos descaminhos da imprensa no ensaio de nomes, o Papa Francisco nomeou finalmente o novo bispo do Porto: António Francisco dos Santos, até agora bispo de Aveiro. Homem simples, humilde e sábio, vem como pastor para uma diocese tão importante quanto difícil. Também se chama Francisco, e, neste caso, o nome não é mera coincidência.

(O texto integral da crónica pode ser lido aqui)