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quarta-feira, 7 de março de 2018

Cerejeira: príncipe da Igreja, homem de uma época, vivendo épocas opostas

Agenda/Livro

No congresso da JOC (Juventude Operária Católica), em 1935, o cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira apresentou-se dizendo “Moi, prince de l’eglise” (“eu, príncipe da Igreja”). O título “corresponde a um estilo” e “permeia toda a actividade” do homem que foi patriarca de Lisboa entre 1929 e 1971 e que, nesse lugar, promoveu o papel dos leigos na Igreja Católica, incrementou a formação do clero e dotou a Igreja de Lisboa de diversas estruturas de modernização.
Estas são algumas das ideias do livro Cardeal Cerejeira –Um Patriarca de Lisboa no Século XX Portuguêsde Luís Salgado de Matos (ed. Gradiva). A obra será apresentada amanhã, dia 8 de Março, pelo patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. A sessão decorre às 18h30 no Museu de São Roque (Largo Dr. Trindade Coelho), na capital.
Trata-se da reescrita de um texto antes publicado em duas versões, mas aqui sujeito a uma reedição profunda. Além disso, o livro é enriquecido com um conjunto de ilustrações, muitas delas inéditas ou que revelam pormenores quase desconhecidos da actividade do antigo patriarca.
No livro, o investigador Salgado de Matos esboça um retrato de Cerejeira que, como dizia Sousa Franco em 1971, foi primeiro um “intelectual de combate” e, depois, bispo. Ou que, como refere o actual patriarca no prefácio que assina no livro, juntou “o social, o político, o eclesial e o existencial”. Manuel Clemente acrescenta que “a investigação do autor apresenta‑se original e estimulante, pela variedade das fontes que utiliza e pelo modo como ensaia um retrato mais completo e complexo do biografado.”
Fazendo um retrato impressivo, o autor percorre a biografia de Cerejeira, desde o seu nascimento minhoto, passando pela época de estudante em Coimbra, altura em que muitas das suas convicções e modos de ver se formam, com a frequência dos cursos de teologia e Direito (incompletos) e, depois, Letras.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Natal: Médio Oriente, guerras e refugiados - cenas de guerra em zona de paz



O Papa fez votos de que Israel e a Palestina “retomem um diálogo directo e cheguem a um acordo” de paz, superando um conflito “com graves repercussões” na região, conforme disse na sua mensagem urbi et orbi (à cidade e ao mundo) deste dia de Natal (o vídeo mostra todo o discurso do Papa e imagens da praça de São Pedro durante a alocução).
Francisco destacou os acordos alcançados em relação à Síria e à Líbia, apelou ao fim das “atrocidades” que “ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural”. E recordou as vítimas de “hediondos” atentados terroristas, nomeadamente os ocorridos no Egipto, Beirute, Paris, Bamaco e Tunis, além de referir vários países em guerra situações como os cristãos perseguidos, as crianças-soldado, as mulheres vítimas de violência, as vítimas de tráfico humano e os refugiados que “fogem da miséria ou da guerra” (ver notícia mais desenvolvida aqui)

Também na sua mensagem de Natal, o patriarca de Lisboa referiu a questão dos refugiados como “um problema estrutural” que as sociedades europeias devem resolver através de um empenhamento solidário no acolhimento.

Em Lesbos, uma das ilhas gregas que é actualmente um dos portos de chegada de milhares de refugiados, o fotógrafo Aris Messinis fez uma reportagem sobre os que chegam à ilha (incluindo alguns que chegam já cadáveres).
“O que me choca mais nesta cobertura é de me dizer que não estou em zona de guerra. Que se trabalha em zona de paz. Mas as emoções que passam pela minha objectiva são dignas de uma cena de guerra”, escreve, na apresentação da reportagem “Cenas de guerra em zona de paz.
O fotógrafo acrescenta: “Trabalhei na Síria e na Líbia. Conheço o que é fotografar a guerra. Quando vamos a esses sítios, esperamos esse tipo de cenas. Mas não em Lesbos. Em Lesbos, o sofrimento humano não difere daquele com que nos cruzamos numa guerra. Saber que não é o caso torna as coisas mais emocionais. E muito mais dolorosas.”
A reportagem de Messinis, que inclui a foto que se reproduz abaixo, pode ser vista aqui.



Texto anterior no blogue
O pequeno Aylan na manjedoura do presépio - crónica de Manuel Pinto


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Papa quer Igreja compassiva, que não seja surda à realidade

Sínodo sobre a família: entreaberta a porta para bispos decidirem caso a caso sobre as situações de ruptura matrimonial 


Foto Ricardo Perna/Família Cristã (reproduzida daqui)

O Papa Francisco diz que é tempo de a Igreja ser compassiva e ter misericórdia. E, perante as necessidades e a realidade vivida pelas pessoas, os católicos, e de modo especial os bispos, não devem ser surdos: “Uma fé que não sabe radicar-se na vida das pessoas permanece árida e, em vez de oásis, cria outros desertos”.
Na homilia da missa conclusiva do Sínodo dos Bispos, que desde dia 4 debateu no Vaticano os desafios colocados pela realidade da família ao catolicismo, o Papa não se referiu directamente aos temas tratados na assembleia, mas não deixou de apontar critérios para a actuação dos responsáveis da Igreja.
“Podemos caminhar através dos desertos da humanidade não vendo aquilo que realmente existe, mas o que nós gostaríamos de ver”, afirmou Francisco. Para acrescentar: “Somos capazes de construir visões do mundo, mas não aceitamos aquilo que o Senhor nos coloca diante dos olhos.”
O documento final do Sínodo, com 94 pontos que, na véspera, foram aprovados todos por maioria qualificada, reflecte a tensão entre o desejo do Papa em debater essa realidade e aquilo que, para já, a hierarquia católica foi (ou não) capaz de fazer: tímidas aberturas na questão dos divorciados que voltaram a casar, doutrina inamovível sobre a contracepção ou a homossexualidade, afirmações contundentes sobre as dificuldades económicas e sociais vividas por muitas famílias...

Consenso ainda difícil

O acesso dos divorciados recasados à comunhão foi um dos temas que dominou os últimos dias de trabalho. E foi aquele onde o consenso apareceu mais difícil: os três pontos sobre o assunto foram aprovados também por maioria qualificada de dois terços (eram necessários pelo menos 177 votos), mas à tangente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A política entra nas igrejas, mas a campanha eleitoral fica à porta

Reportagem


Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa 
(foto © Carlos Manuel Martins/Global Imagens)

No DN de hoje, uma reportagem assinada por Miguel Marujo, sobre o modo como, afinal, os textos do Evangelho podem ajudar a formar opinião política em tempo de campanha:

Sem iniciativas de campanha à porta de igrejas, as leituras deste fim de semana tinham uma linguagem política dura sobre a exploração dos trabalhadores e a capacidade de acolhimento pelos cristãos
Longe da prática que se vê na Madeira, com os candidatos que acorrem de microfone à saída das missas, à porta das igrejas no centro de Lisboa não há campanha eleitoral e visíveis só os cartazes que andam pelas ruas. No interior menos ainda, mas a política entra pela porta das leituras deste domingo. A democracia amadureceu, como também os cidadãos - e, entre estes, padres e leigos. São raros os que debitam votos do púlpito. A César o que é de César, no apelo direto ao voto, mas Deus não se afasta das coisas do mundo, avisou o Papa Francisco, ainda agora no Congresso dos EUA. "Envolver-se na política é um dever cristão", disse. Assim seja.
São Tiago, de quem se leu neste fim de semana a sua epístola (Tg 5,1-6), é claro como a água. "É uma linguagem violenta mas também colorida em que São Tiago diz verdades fortes", antecipou o padre António Janela, na missa das 18.30 de sábado, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, a meia dúzia de passos do Marquês de Pombal, em Lisboa.
O autor denuncia os ricos que acumularam tesouros. "Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo. Levastes na terra uma vida regalada e libertina, cevastes os vossos corações para o dia da matança. Condenastes e matastes o justo e ele não vos resiste."
É uma leitura inequívoca para estes tempos de crise, em que os salários e as pensões foram cortadas e o fosso entre rendimentos mais altos e os mais baixos aumentou em Portugal, em que o desemprego disparou e os apoios sociais diminuíram. Tiago escreve que acumular bens à custa da miséria e da exploração dos trabalhadores é um crime abominável a que Deus não pode fechar os olhos e deixar impune.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Taizé e a nova solidariedade: Europa só crescerá se acolher quem a procura, diz patriarca

Comunidades religiosas italianas ecoaram fortemente o apelo do Papa para abrirem instalações em desuso a quem precisa


Imigrantes africanos no Mediterrâneo (foto reproduzida daqui)

A Europa só crescerá na medida em que for capaz de acolher as pessoas que a procuram, afirmou o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, numa conferência de imprensa segunda-feira, em Taizé. O cardeal-patriarca de Lisboa está em Taizé, a comunidade ecuménica de monges, acompanhando meia centena de jovens do patriarcado.
Durante esta semana, decorre em Taizé o encontro Por uma Nova Solidariedade, que assinala os 100 anos do nascimento do irmão Roger, fundador de Taizé, e os 10 anos da sua morte (16 de Agosto de 2005) e os 75 anos da sua chegada à aldeia para fundar a comunidade, que reúne monges católicos e protestantes.
Carlotta Carpi, responsável do JRS (Serviço Jesuíta aos Refugiados) afirmou à ECCLESIA que o apelo do Papa Francisco, para que as congregações e ordens religiosas ponham à disposição dos refugiados, pobres e migrantes instalações menos utilizadas, teve eco em Itália: “Várias comunidades contactaram o JRS [Serviço Jesuíta aos Refugiados] para oferecer disponibilidade de quartos ou de instalações que já não utilizavam.”
Carlotta Carpi, que participa também nesta semana especial em Taizéacrescenta que, em Itália, o apelo do Papa levou as comunidades a questionar-se fortemente.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Taizé e a nova solidariedade: D. Manuel Clemente destaca «lugar profético para a Europa e para o mundo»

Cardeal-patriarca de Lisboa recordou primeiro contacto com a comunidade ecuménica que assinala 75 anos


O patriarca de Lisboa na conferência de imprensa em Taizé 
(foto Patriarcado de Lisboa)

O cardeal-patriarca de Lisboa considera que a comunidade monástica e ecuménica de Taizé é “um lugar profético para a Europa e para o mundo”. Numa conferência de imprensa, em Taizé, na Borgonha (França), D. Manuel Clemente recordou as primeiras vezes que esteve na região, nas décadas de 1960-70, para sublinhar que “há uma continuidade profunda” entre o que viu nessa altura e o que se vê hoje. Numa época, disse o responsável católico, em que os mais novos se afastavam muito das questões religiosas, “foi uma surpresa ver jovens como eu a rezar, em silêncio, com os monges”. E estes tinham tempo sobretudo para a escuta, “o que foi tocante”.
Já tinha sido assim após a II Guerra Mundial, quando Taizé deu os primeiros passos (a comunidade assinala este mês os 75 anos da chegada do irmão Roger à aldeia, em 1940, bem como os 100 anos do nascimento do fundador e os dez anos da sua morte, em 16 de Agosto de 2005). Continuou a ser assim nas décadas sucessivas e é assim ainda hoje, disse o cardeal-patriarca aos jornalistas. “Isto mostra que há uma continuidade profunda da tradição cristã, no encontro com Cristo, na oração e na partilha de vida", observou.

(o texto pode continuar a ser lido aqui)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

D. Manuel Clemente: ideias sobre a actualidade e as memórias da infância e do estudante


Manuel Clemente no jardim de casa da família

A propósito da sua nomeação como cardeal, D. Manuel Clemente deu uma entrevista a Joaquim Franco, da SIC, em que dá a conhecer aspectos do seu pensamento sobre temas da actualidade como o islão, a situação na Grécia e em Portugal, o eventual acesso dos divorciados à comunhão depois de voltarem a casar e da adopção por casais homossexuais.
Na entrevista, o patriarca de Lisboa afirma ter “dificuldade em acreditar” que o filho de um casal homossexual “apreenda tão facilmente como outra criança que a complementaridade de sexos é importante para a realização de uma humanidade total”.
Uma das outras questões que tem estado em debate, nomeadamente no Sínodo sobre a Família, é a do acesso dos divorciados à comunhão, depois de voltarem a casar. “A misericórdia não exclui a responsabilidade”, diz D. Manuel Clemente sobre o tema, preferindo a anulação do primeiro matrimónio: “Se o matrimónio não é nulo, é válido, e se é válido, continua.”
Sobre o papel das mulheres na Igreja, afirma que não vê dificuldade em que elas assumam dicastérios na Cúria Romana, mas diz que o sacerdócio é para os homens: “Igualdade não quer dizer indistinção”, diz o patriarca, acrescentando que não aceitaria facilmente concelebrar com uma mulher no altar e dizendo que “não é indistinto que Cristo se tenha apresentado masculinamente”.
Confessando a sua “grande ignorância” sobre as questões da Cúria Romana, afirma que esta estrutura “juntou muita coisa ao longo dos séculos que é dispensável”.
Os atentados de Paris, a liberdade de expressão e a blasfémia são outra das questões abordadas na entrevista, a par da situação na Grécia depois da vitória do Syriza e da realidade portuguesa durante a crise.
A entrevista pode ser vista aqui na íntegra.

Num outro trabalho, de Rosário Lira, na Antena 1, dá-se a conhecer o percurso de Manuel Clemente, “de menino a cardeal”. Aqui se fala da boa disposição do patriarca de Lisboa, da sua proximidade e do lado mais pessoal, que acaba por influenciar aquilo que ele é, enquanto padre e, depois, como bispo.
A reportagem pode ser ouvida aqui.

Na Renascença, está também disponível um outro trabalho em vídeo e texto, de Matilde Torres Pereira e Joana Bourgard, que recorda sobretudo a infância e os tempos de estudante de Manuel Clemente.
A reportagem pode ser lida e vista aqui.

domingo, 26 de outubro de 2014

Sínodo sobre a família: os desejos de Bento XVI, os balanços da assembleia e o caminho do futuro

Os documentos, os balanços e as crónicas


(foto reproduzida daqui)

O Papa emérito tomou posição acerca das conclusões do Sínodo dos Bispos sobre a Família? Se relermos, por exemplo, o seu discurso ao clero da diocese de Aosta, a 25 de Julho de 2005 (ano da sua eleição), até parece que sim. Na altura, disse Bento XVI, num parágrafo que vale a pena reter integralmente:
Ninguém de nós dispõe de uma receita já feita, também porque as situações são sempre diversificadas. Diria que é particularmente dolorosa a situação de quantos tinham casado na Igreja, mas não eram verdadeiramente crentes e só o fizeram por tradição, e depois, contraindo um novo matrimónio não válido, converteram-se, encontraram a fé e agora sentem-se excluídos do Sacramento. Este é realmente um grande sofrimento e quando fui Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé convidei várias Conferências Episcopais e especialistas a estudarem este problema: um sacramento celebrado sem fé. Se realmente é possível encontrar nisto uma instância de invalidade, porque ao sacramento faltava uma dimensão fundamental, não ouso dizer. Eu pessoalmente pensava assim, mas dos debates que tivemos compreendi que o problema é muito difícil e ainda deve ser aprofundado. Mas considerando a situação de sofrimento destas pessoas, deve ser aprofundado.” (O texto completo do discurso pode ser lido aqui)
Essa vontade de Ratzinger em aprofundar esta questão, para resolver situações de sofrimento das pessoas, tinha sido notícia, aliás, na altura da sua eleição. Seria mesmo um dos assuntos pendentes na sua secretária de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que desempenhara até ser eleito Papa.
Não vale a pena, portanto, olhar para o que se passou na assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, que terminou domingo passado, como um corpo extemporâneo, estranho ao debate eclesial. O que ali se passou resulta de várias questões que há muito vêm sendo colocadas na mesa por muitas vozes, agora confirmadas por uma assembleia cuja função essencial é a de aconselhar o Papa.

Uma assembleia extraordinária

O que se passou nesta assembleia sinodal já foi um grande passo. Desde logo, no sentido originário da palavra Sínodo (caminhar juntos) e daquilo que se pretendeu quando Paulo VI – beatificado durante a missa de encerramento – instituiu o Sínodo dos Bispos. Como disse o Papa na sua homilia:
 “Neste dia da beatificação do Papa Paulo VI , voltam-me à mente estas palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: ‘Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (...) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade’.”
Num texto no Público, Paulo Terroso, padre de Braga a estudar Comunicação Institucional em Roma, escrevia que esta assembleia do Sínodo foi verdadeiramente extraordinária: “Nisto, estou certo, até os padres sinodais estarão de acordo. Mas o que é que faz deste sínodo um momento extraordinário na vida da Igreja? A possibilidade de todos os participantes falarem claro, sem hesitações e sem medos, ‘a ousadia da franqueza’ tal como o Papa Francisco pediu na abertura dos trabalhos. (o texto pode ser lido aqui)

domingo, 20 de abril de 2014

Patriarca: abstenção, espaço para extremistas; Bispo do Porto: uma mais justa distribuição de sacrifícios

A abstenção nas eleições europeias é “preocupante” e o campo deixado aberto por ela “geralmente é tomado por forças extremistas” que neste momento “são muito xenófobas, nada amigas de estrangeiros nem de gente pobre, cuja pobreza muitas vezes foi da responsabilidade europeia” – são afirmações de D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, numa entrevista ao jornalista Manuel Vilas Boas.
Na conversa, Manuel Clemente passa em revista memórias pessoais do seu antecessor, dizendo que os documentos do episcopado onde se trata da relação da Igreja com a sociedade têm “normalmente a mão de José Policarpo”.
Sobre a actual situação portuguesa, o patriarca afirma que só graças às instituições sociais no terreno “as circunstâncias são menos gravosas” para muitas pessoas. E admite que chamou a atenção de diversos responsáveis para a necessidade de a troika financeira que negociou com Portugal falar com as instituições sociais: “Se calhar não ouviu tanto quanto devia”, diz.
O patriarca diz ainda que prefere a internacionalização da Cúria decidida pelo Papa Francisco a ter sido já nomeado cardeal no consistório de Fevereiro.
A entrevista pode ser ouvida na íntegra no site da TSF.

No JN, há hoje uma entrevista do novo bispo do Porto. D. António Francisco Santos diz que Portugal precisa de uma mais justa distribuição dos sacrifícios forçados pela crise e pela austeridade. “Custa-me que a austeridade pese sobre os mais frágeis”, diz, acrescentando: “Precisamos de nos educar todos para a sobriedade; não só os pobres, mas aqueles que usufruem ordenados superiores ao necessário ou ao justo, esses deviam ter o sentido da sobriedade para partilhar com os que não têm.”
António Francisco dos Santos acrescenta: “Temo que alguns tenham sido sacrificados sem a justiça ser aplicada; há alguns que mais sofrem e outros que aparentemente menos têm sentido o peso da austeridade.”
Para já, na internet, está disponível apenas um excerto da entrevista em vídeo, que pode ser visto aqui.