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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O caso de Rosa e de outras mulheres e homens que celebram uma “missa” que não é bem missa




Uma das fotografias reproduzidas na galeria de imagens disponível aqui
(foto Miguel Manso)

No Público de domingo passado, Margarida David Cardoso publicou uma reportagem sobre as celebrações dominicais na ausência de presbítero. Na Igreja Católica, estas celebrações generalizaram-se em Portugal, em dioceses mais dispersas e com problemas de falta de clero, a partir da década de 1980. A realização da celebrações da palavra (em tudo semelhantes à eucaristia, mas sem o gesto da consagração do pão e do vinho) é aqui retratada a partir do que se passa na região de Reguengos de Monsaraz, em que várias celebrações são animadas por mulheres e homens, mais jovens e mais velhos. Como Rosa: 

(...) Rosa, 55 anos, empregada fabril em Évora, ainda tem um “santo tremor” que sobe sempre consigo ao altar. Apesar de já ter dirigido centenas de celebrações dominicais, ao longo das mais de duas décadas que as tem a seu cargo. Começou de forma pontual, quando o padre tinha que ir à terra. Ou Rosa ia ou a igreja fechava. “O Nosso Senhor havia de meter as palavras certas na minha boca”, acreditou.
Se dependesse dela, aquela igreja, que quase parece uma pequena casa, nunca fecharia a porta. É pequena, caiada de branco, com um altar de pedra. Cá fora, emoldurada pelo olival e campos de pasto, cor de folhas e terra molhada.
Dentro, Rosa celebra uma espécie de missa que não é missa. Chama-se celebração da palavra, em substituição da eucaristia, que, diz a Igreja Católica, apenas pode ser feita por um padre. Na sua ausência, os cristãos designados para orientar as cerimónias seguem um guia de celebração. Há leituras, salmos, as mesmas orações, os mesmos cânticos, a comunhão e a oração dos fiéis. Só não há homilia — em sua substituição, os leigos fazem uma interpretação do evangelho – e a consagração das hóstias – estas são consagradas pelo presbítero numa missa anterior.

(a reportagem pode ser lida na íntegra aqui; no mesmo endereço pode ser vista uma galeria de imagens, da autoria de Miguel Manso, que pode ser acedida clicando sobre a fotografia que aparece na página)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Perguntas sobre a “santa das sarjetas” e perguntas sobre a missa

A canonização de Madre Teresa de Calcutá, dia 4 de Setembro, é o tema de duas crónicas deste fim-de-semana. No DN de sábado, Anselmo Borges escrevia, com o título As dúvidas da santa da sarjeta, que “a prova e o milagre da fé de Madre Teresa foi o amor vivo, numa dedicação sem desânimo, aos mais pobres dos pobres. A fé é um combate que se ganha no amor” (texto integral aqui).
No CM de sexta, Fernando Calado Rodrigues considerava que Madre Teresa é “a santa à imagem” do Papa Francisco. Sob o título A Santa de Francisco, acrescentava que nela “confluem duas das principais preocupações do Papa: os mais pobres; e ‘a Igreja em saída’ para as periferias” (texto integral aqui)

Domingo, frei Bento Domingues perguntava no Público, sobre Que fazer da missa? Para afirmar que “importa criar uma circulação permanente entre o que se passa no mundo e na Missa. Uma Missa sem mundo em transfiguração só pode gerar um mundo sem missa e sem o seu desejo”. (texto integral aqui)

Publicação anterior
A difícil questão da laicidade - crónica de António Guerreiro

sábado, 28 de maio de 2016

Eucaristia: a revolução

Crónicas

Na sua crónica de hoje no DN, Anselmo Borges escreve sobre Eucaristia: a revolução


O peixe e o pão eucarístico, pintura do séc. II na cripta de Lucina; 
Catacumbas de São Calisto (Roma)

Paradoxalmente, com a interpretação coisista da presença de Cristo, muitos cristãos, indo à Missa e não comungando, vêem-se libertos da urgência da conversão ao projecto de Jesus. Ora, precisamente nesta não conversão é que São Paulo via que "comemos o pão e bebemos o cálice do Senhor indignamente", tornando-nos "réus do corpo e do sangue do Senhor", isto é, culpados da sua morte: de facto, o que ele condena na comunidade de Corinto são as suas divisões e que, enquanto uns comem lautamente e se embebedam, outros passam fome.

(O texto pode ser lido aqui na íntegraficam a seguir as ligações para os textos de Anselmo Borges dos dois últimos meses:
21 de Maio – Uma sociedade ameaçada14 de Maio – Deus, obsoleto?7 de Maio – Quem manda na Igreja?30 de Abril – Os doutores da letra9 de Abril – Laicidade e laicismo2 de Abril – Sobre o radicalismo islâmico.)



Texto anterior no blogue
O ateu e o bispo - crónicas de Fernando Calado Rodrigues

sábado, 21 de junho de 2014

Celibato e liberdade, missa e eucaristia

Crónicas

Na sua crónica no DN deste sábado, Anselmo Borges escreve sobre O celibato não é dogma:

As razões para impor o celibato obrigatório foram múltiplas: imitar os monges e o seu voto de castidade, não dispersar os bens eclesiásticos, evitar o nepotismo, a desconfiança em relação ao corpo, ao sexo e ao prazer, manter os padres e os bispos mais disponíveis para o ministério. Determinante foi a reinterpretação da Eucaristia, que era um banquete em memória da Última Ceia e dos banquetes de Jesus enquanto experiência da presença do Reino de Deus, como sacrifício. Esta concepção sacrificial pôs duas questões cruciais e desastrosas: por um lado, é contraditória com a revelação de que Deus é Amor incondicional, Pai querido, Mãe querida, que não precisa de sacrifícios, mas de misericórdia, e, por outro, impôs o sacerdote, embora a palavra hiereus (sacerdote), no Novo Testamento, tenha sido evitada, e a consequente pureza ritual, com o celibato. As mulheres, evidentemente, dada a impureza ritual, ficavam definitivamente excluídas.
(texto integral disponível aqui)


No comentário às leituras da liturgia católica deste domingo, publicado na Voz da Verdade, Vítor Gonçalves analisa como se é difícil passar Da missa à Eucaristia:

A festa do “Corpus Christi” que hoje celebramos é oportunidade para uma maior vivência “eucarística” de cada um de nós e das nossas comunidades. Não seria importante reflectir sobre o que faz aproximar ou afastar os cristãos das nossas eucaristias? A iniciação cristã das crianças e da catequese em geral como desperta e fortalece a alegria deste encontro que Jesus realiza para nós e connosco? O Concílio Vaticano II disse que a eucaristia “é a fonte e o centro de toda a vida cristã”: não haverá algum trabalho, com partilha, diálogo, criatividade, e ousadia, que é importante fazer? A vida que Jesus nos dá na Eucaristia como transforma a nossa vida?
(texto integral disponível aqui)



quarta-feira, 29 de maio de 2013

No meio da crise


José Antonio Pagola

A crise económica vai ser longa e dura. Não nos enganemos. Não poderemos olhar para o outro lado. À nossa volta, mais ou menos próximo, iremos encontrando famílias obrigadas a viver da caridade, pessoas ameaçadas de despejo, vizinhos atingidos pelo desemprego, doentes sem saber como resolver os seus problemas de saúde ou medicação.

Ninguém sabe muito bem como irá reagir a sociedade. Sem dúvida, irá crescendo a impotência, a raiva e a desmoralização de muitos. É previsível que aumentem os conflitos e a delinquência. É fácil que cresça o egoísmo e a obsessão pela própria segurança.

Mas também é possível que vá crescendo a solidariedade. A crise pode-nos fazer mais humanos. Pode ensinar-nos a partilhar mais o que temos e aquilo de que necessitamos. Podem-se estreitar os laços e a ajuda mútua dentro das famílias. Pode crescer a nossa sensibilidade para com os mais necessitados. Seremos mais pobres, mas podemos ser mais humanos.

No meio da crise, também as nossas comunidades cristãs podem crescer em amor fraterno. É o momento de descobrir que não é possível seguir Jesus e colaborar no projeto humanizador do Pai sem trabalhar por uma sociedade mais justa e menos corrupta, mais solidária e menos egoísta, mais responsável e menos frívola e consumista.

É também o momento de recuperar a força humanizadora que se encerra na eucaristia quando é vivida como uma experiência de amor confessado e partilhado. O encontro dos cristãos, reunidos cada domingo em torno de Jesus, há-de converter-se em lugar de consciencialização e de impulso de solidariedade prática.

A crise pode sacudir a nossa rotina e mediocridade. Não podemos comungar com Cristo na intimidade do nosso coração sem comungar com os irmãos que sofrem. Não podemos partilhar o pão eucarístico ignorando a fome de milhões de seres humanos privados de pão e de justiça. É uma burla darmos a paz uns aos outros esquecendo os que vão ficando excluídos socialmente.

A celebração da eucaristia vai ajudar-nos a abrir os olhos para descobrir a quem temos de defender, apoiar e ajudar neste momento. Há de despertar-nos da “ilusão da inocência” que nos permite viver tranquilos, movendo-nos e lutando apenas quando vemos em perigo os nossos interesses. Vivida cada domingo com fé, pode fazer-nos mais humanos e melhores seguidores de Jesus. Pode ajudar-nos a viver a crise com lucidez cristã, sem perder a dignidade nem a esperança.

Distribuição: EcleSALia; apoio na tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

domingo, 23 de setembro de 2012

Queimar o país?



Do texto de Bento Domingues, no Público de hoje:


"1. Contaram-me que o padre Victor Melícias, quando estava ligado aos Bombeiros, perante um incêndio enorme, terá insistido numa linha de intervenção que indignou o responsável pelo comando das operações: "Cale-se, padre Melícias! O senhor pode entender muito de fogo do Inferno, mas deste não percebe nada!" Menos sei eu, mas não estou obrigado a calar-me, quando o país está a ser todo queimado e os sacrifícios dos bombeiros só conseguem que ainda fique alguma coisa para arder no ano seguinte! É estranho que este crime, esta destruição de recursos essenciais para o presente e para o futuro, não signifique nada, absolutamente nada, no debate político actual. Nenhum compromisso com a troika nos pode obrigar a entregar o país ao abandono e às chamas. Pode-se dizer que, se tenho obrigação de saber alguma coisa de missas e religiões, estou dispensado de tocar num assunto que exige formação específica e informações rigorosas, analisadas num quadro pluridisciplinar. É verdade que não sou engenheiro florestal, nem teórico do desenvolvimento sustentável.

Acontece, porém, que é a participação na Eucaristia que obriga os católicos a não passar ao lado das questões ecológicas e sociais. É o próprio Ofertório da missa que implica o casamento do Céu e da Terra: "Bendito sejais, Senhor, Deus do Universo, pelo pão e pelo vinho que recebemos da vossa bondade, frutos da terra e do trabalho humano que hoje Vos apresentamos e que para nós se vão tornar pão da vida e vinho da salvação."

Se trairmos esta aliança do divino e do humano na relação com a natureza, comemos e bebemos a nossa condenação na Eucaristia. É nela e por ela que dizemos o sentido do cosmo, da história humana e da vida espiritual de cada participante. Sem integrar a promoção do bem comum das comunidades locais e o cuidado pelo presente e futuro da terra, casa de todos, a missa renega o Cristo cósmico. (...)"

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os Mistérios da Missa, de Calderón de la Barca

O Teatro do Ourives, um grupo recém-formado cujo nome se inspira na peça de Karol Wojtyla/João Paulo II, apresenta-se esta sexta-feira na sua estreia, com a peça Os Mistérios da Missa, de Pedro Calderón de la Barca. Será no Castelo de Sesimbra, às 21h30 com reposição dia 2 de Junho no Seminário de S. Paulo (Almada), às 21h30 e a 11 de Junho, no Lavradio, às 21h00 (sempre com entrada livre). A peça será representada por José Nogueira Ramos, José Reis Jorge e ainda Sara Ideias, Carla do Carmo Bulhões, José Sebastião, Bruno Couto e Bruno Moreira. Na apresentação, escreve Júlio Martin da Fonseca, que encena:

Religando o que foi com o que será
(Karol Wojtyla in "A Loja do Ourives")

Ao reler estas palavras, revemo-nos na presença dialogante entre a tradição cultural e espiritual e o futuro como uma realidade aberta. A viagem anunciada é a de procurar e encontrar na contemporaneidade, para além do imediatismo estéril, a fértil intemporalidade.

A obra de Pedro Calderón de la Barca é um destes casos exemplares. Os seus Autos Sacramentais, coetaneamente representados na rua, em ambiente de festa social, no dia do Corpo de Deus, continuam a potenciar, para além de um género dramático-religioso, uma fonte de participação estética e emocional, aberta a uma constante reelaboração das mundividências pessoais e colectivas, sendo Os Mistérios da Missa, uma verdadeira obra-prima de didactismo teatral, que dá a ver a Liturgia como uma Poética de construção de sentidos e de relações.

Este é o caminho do Teatro do Ourives, a atenção à presença encarnada e a escuta às palavras, aos gestos e à suave brisa de uma Nova Primavera!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Interrogações sobre a celebração da Eucaristia

Sendo a Eucaristia - que é, no dia de hoje, motivo de festa no Catolicismo e que já foi um dia festivo esplendoroso no passado - o centro celebrativo da experiência cristã, deveria ser motivo de exame e consequência a deserção crescente dos católicos, especialmente no assim chamado Ocidente. É esse o motivo do post que acaba de publicar o blog ecleSALia:

Corpus Christi, de Amadeo de Sousa-Cardozo

"Los estudios sociológicos lo destacan con datos contundentes: los cristianos de nuestras iglesias occidentales están abandonando la misa dominical. La celebración, tal como ha quedado configurada a lo largo de los siglos, ya no es capaz de nutrir su fe ni de vincularlos a la comunidad de Jesús.

Lo sorprendente es que estamos dejando que la misa « se pierda » sin que este hecho apenas provoque reacción alguna entre nosotros. ¿No es la eucaristía el centro de la vida cristiana? ¿Cómo podemos permanecer pasivos, sin capacidad de tomar iniciativa alguna? ¿Por qué la jerarquía permanece tan callada e inmóvil? ¿Por qué los creyentes no manifestamos nuestra preocupación con más fuerza y dolor?

La desafección por la misa está creciendo incluso entre quienes participan en ella de manera responsable e incondicional. Es la fidelidad ejemplar de estas minorías la que está sosteniendo a las comunidades, pero ¿podrá la misa seguir viva sólo a base de medidas protectoras que aseguren el cumplimiento del rito actual?

Las preguntas son inevitables: ¿No necesita la Iglesia en su centro una experiencia más viva y encarnada de la cena del Señor, que la que ofrece la liturgia actual? ¿Estamos tan seguros de estar haciendo hoy bien lo que Jesús
quiso que hiciéramos en memoria suya?

¿Es la liturgia que nosotros venimos repitiendo desde siglos la que mejor puede ayudar en estos tiempos a los creyentes a vivir lo que vivió Jesús en aquella cena memorable donde se concentra, se recapitula y se manifiesta cómo y para qué vivió y murió Jesús? ¿Es la que más nos puede atraer a vivir como discípulos suyos al servicio de su proyecto del reino del Padre?

Hoy todo parece oponerse a la reforma de la misa. Sin embargo, cada vez será más necesaria si la Iglesia quiere vivir del contacto vital con Jesucristo. El camino será largo. La transformación será posible cuando la Iglesia sienta con más fuerza la necesidad de recordar a Jesús y vivir de su Espíritu. Por eso también ahora lo más responsable no es ausentarse de la misa sino contribuir a la conversión a Jesucristo".