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terça-feira, 15 de dezembro de 2015
"Em teu seio amadurece a manhã"
Oração à Senhora do Advento
Avé Maria, Senhora do Advento
A misericórdia de Deus esplende em ti
Bendita és tu entre as mulheres
Em teu seio amadurece a manhã
Ó Mãe propícia
leve, magnífica e atenta
aos amplos pátios da nossa solidão
És aquela que melhor apascenta
a turbulenta forma da nossa sede:
Roga por nós que atravessamos o mundo agora
roga por nós que atravessamos esta hora
José Tolentino Mendonça
Imagem: Senhora do Parto, Igreja de S. Pedro, Leonessa (Italia). Crédito da imagem: aqui
Texto anterior no blogue
O Papa em África: uma mensagem em miniatura
domingo, 6 de dezembro de 2015
Novas figuras do Advento, a mulher mais poderosa e uns sapatos
Crónicas
Na crónica deste Domingo, no Público,
frei Bento escreve sobre Novas figuras do Advento, citando o ex-presidente do Uruguai e o novo presidente da Tanzânia.
Pela primeira vez em 54 anos, a
Tanzânia não vai celebrar oficialmente o dia da Independência, porque Magufuli
defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando o nosso
povo está a morrer de cólera. Só nos últimos três meses vitimou, pelo menos, 60
pessoas. Acabaram-se as viagens dos governantes ao estrangeiro. As embaixadas
deverão tratar dos assuntos que lhes competem. Se for necessário viajar, terá
de pedir uma licença especial ao Presidente ou ao seu Chefe de Gabinete. Em 1ª
classe e executiva só o Presidente, o Vice-Presidente e o Primeiro-Ministro.
Acabaram-se os workshops e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas
de ministérios vazias.
(texto na íntegra aqui)
Ontem, no DN, Anselmo Borges
escrevia sobre A mulher mais poderosa:
A quem estiver habituado a
associar a devoção a Nossa Senhora só à beatice, lembro o hino revolucionário
que o Evangelho de São Lucas colocou na sua boca, o Magnificat: "A minha
alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão
bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas. Santo
é o seu nome. A sua misericórdia estende-se de geração em geração. Manifestou o
poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus
tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu
de mãos vazias."
(texto na íntegra aqui)
No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica de hoje, 2º
Domingo do Advento, Vítor Gonçalves escreve, sob o título Os sapatos do
Papa:
Preparam-se os caminhos do Senhor
ao endireitar os caminhos dos homens. Porque não foram outros que Jesus
escolheu percorrer. Os caminhos servem para irmos ao encontro uns dos outros,
para fazer circular a vida, como veias deste corpo que é a terra. Em tempo de
guerra e medo destroem-se as estradas e as pontes, para isolar e melhor
conquistar, e o isolamento das pessoas, e dos corações, mata muito. Parece
insignificante o trabalho do cantoneiro mas quando falta, o mato invade o
caminho, os buracos não são reparados, o caminho deixa de ser escolhido. Que
caminhos precisamos reparar (dentro e fora de nós!) para que a humanidade se
eleve? Será preciso pedir os sapatos do Papa Francisco?
(texto na íntegra aqui)
Texto anterior no blogue:
Laicidade e respeito: livrai-nos do mal - Crónicas de Paulo Terroso e Isabel Stilwell
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Maria e o Menino – um álbum iconográfico na internet
Virgem navajo e Menino, da autoria do padre John Giuliani,
um dos postais do álbum de Manuel Pinto
Maio é, no catolicismo, mês
consagrado à figura de Maria. Dizia Santa Teresa de Lisieux (do Menino Jesus).
“Para que um sermão sobre a Santa Virgem dê frutos, é necessário que ele mostre
a sua vida real, tal como o Evangelho a deixa entrever, e não a sua vida
suposta.”
Ao longo de vinte séculos,
construiu-se à volta de Maria de Nazaré uma vida suposta que não corresponde de
facto à sua vida real. A exegese bíblica das últimas décadas tem, no entanto, ajudado
também a reconstruir a sua vida e personalidade. Mesmo se sobre ela pouco ainda
se sabe, como reconhece Jacques Duquesne, no início do livro Maria – A Verdadeira História da Mãe de
Jesus (ed. Asa): “A mulher mais célebre de toda a História do mundo surgiu
da noite, do desconhecido.”
Apesar disso, os poucos elementos
da sua vida – nomeadamente, o facto de ter sido mãe de Jesus e de o ter
acompanhado no momento da morte – fizeram dela alguém que muitas pessoas sentem
próxima. Foi isso que, ao longo dos séculos, transformou Maria de Nazaré numa
referência para milhões e milhões de cristãos.
A arte não ficou alheia a essa
veneração e ela própria ajudou a construir imagens, venerações e proximidades. Na
internet, é hoje possível descobrir muitos dos caminhos artísticos percorridos
na representação de Maria, seja através da pintura ocidental, dos ícones
orientais ou dos ex-votos e das representações populares.
Manuel Pinto, um dos autores deste
blogue, criou no Pinterest um álbum com algumas dessas representações, que pode ser visto aqui (o álbum pode ser
visto sem registo mas, se cada pessoa quiser tornar-se seguidora do álbum, terá
de fazer um registo para esse efeito).
São postais sobre o
tema de Maria com o Menino, ou grávida, nas figuras de Senhora do Ó ou Senhora
da Esperança. Nestas representações, procura-se um valor estético que
ultrapasse o mau gosto com que tantas vezes estas representações são feitas,
mas que dê também uma ideia da diversidade de olhares e da perspectiva do
tempo. Fica, por isso, o convite à contemplação artística.
domingo, 8 de dezembro de 2013
À procura da palavra - O encontro
Crónica
Na
sua crónica “À Procura da Palavra”, Vítor Gonçalves escreve este domingo sobre
os encontros com Deus, a propósito dos encontros de Maria de Nazaré:
As
palavras e os silêncios, do anjo e de Maria, são condição para o diálogo. Não
há relação com Deus que não seja diálogo, que não seja mútuo acolhimento,
espaço para colocar as perguntas (e só pergunta quem quer saber, e, no fundo,
quem ama, não é verdade?) e para acolher os sinais. Deste encontro de Nazaré,
nasce o encontro de Ain-Karim com Isabel, e Maria é imagem da Igreja no
dinamismo constante de multiplicar os encontros que Deus quer fazer com todos.
Estar em anunciação e visitação constantes é condição para vencer o isolamento
e a autosuficiência, tantas vezes geradores de tristeza e dureza de coração.
Algum encontro dependerá de nós?
Texto
integral da crónica para ler aqui
(ilustração: Visitação, de Marko Rupnik, 2006; pormenor do painel Anunciação e Visitação, na igreja das Irmãs Ursulinas Filhas de Maria Imaculada, Verona, Itália; reproduzido daqui)
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
A vida desta mulher permanece um mistério

Afinal, o que sabemos sobre Maria de Nazaré? Teve vários filhos ou só foi mãe de Jesus? Por que foi ela quase divinizada? Permanecem muitos mistérios sobre a vida de Maria de Nazaré. Uma mulher única, cuja história é lida de forma polémica no interior do cristianismo, tendo dado origem a profundas divisões. Hoje, no Público/P2, um texto que pode ser lido também aqui.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Calendário de Advento (19) - Teofania no Natal ortodoxo

No calendário ortodoxo, hoje é dia 6 de Dezembro, data para festejar de novo S. Nicolau. Tudo por causa de uma diferença de calendário estabelecida há pouco mais de 400 anos. Para os cristãos ortodoxos, o Natal é uma festa menos importante que a Páscoa, mas nem por isso ela deixa de ser festejada como manifestação de Deus.
(Ilustração: Natividade, ícone da escola de Pskov, séc. XVI )
“Não imagino Deus dividido entre o céu e a terra, mas como uma presença que mora em todas as direcções, no infinito.” (Aleksej Remizov, Prado Espiritual)
(Ilustração: Natividade, ícone da escola de Pskov, séc. XVI )
“Não imagino Deus dividido entre o céu e a terra, mas como uma presença que mora em todas as direcções, no infinito.” (Aleksej Remizov, Prado Espiritual)
Para os ortodoxos, o Natal não é uma festa com a importância que ganhou no mundo católico. A Páscoa tem, entre os cristãos da ortodoxia, a primazia. Depois desta, aparece a Teofania, ou manifestação de Deus. Há notícias de que esta era teria tido origem em Roma, celebrando diversos acontecimentos relatados nos evangelhos: a adoração dos magos, o baptismo de Jesus por João Baptista e as bodas de Caná, onde Cristo teria realizado o que seria considerado o seu primeiro milagre (nos textos bíblicos, o significado da palavra remete para a noção de sinal da sua divindade).
Em 380, já há referências de que as festas da Teofania teriam chegado a Constantinopla, por acção de S. Gregório o Teólogo. Agora, o Advento é, no mundo ortodoxo, um tempo de purificação, um pouco à semelhança da Quaresma, o período de 40 dias que antecede a Páscoa. Por isso, as quatro semanas que antecedem o Natal são também um tempo de jejum à carne e ao peixe. A festa do nascimento de Jesus é encarada principalmente como uma antecipação da Páscoa.
Hoje, no entanto, dia de S. Nicolau no calendário juliano (ainda usado na Europa Oriental, sobretudo pela Igreja Ortodoxa), haverá como que uma pequena pausa no jejum. Os crentes podem beber vinho e comer aves, e fazem uma refeição comunitária mais festiva.
Em Portugal, a festa é assinalada por muitos ortodoxos – sobretudo os mais de 70 mil ucranianos, russos, arménios, georgianos, arménios, romenos, búlgaros e de outras nacionalidades, que imigraram dos países do Leste europeu. Em regiões como Lisboa, Porto, Aveiro, Portimão, juntam-se comunidades de cristãos ortodoxos a festejar S. Nicolau, uma das figuras importantes do seu calendário, cuja história foi aqui contada no passado dia 6.
Mas porquê tal diferença? Foi o Papa Gregório XIII que, em Outubro de 1582, decidiu acertar o passo dos dias com o sol: a contagem do tempo do calendário juliano [designação tomada do imperador romano Júlio César] deixava de fora alguns segundos por ano. A soma desses segundos totalizava então, em relação à rotação do sol, dias completos. Com a ajuda dos estudos de um astrónomo jesuíta, Gregório XIII decidiu anular 14 dias perdidos, saltando-os no calendário.
No Natal, que os ortodoxos festejam daqui a quase três semanas, a liturgia será solene, mas a festa não assume a proporção que adquiriu no Ocidente. Uma das orações da Igreja Ortodoxa para este dia diz: “A Virgem hoje dá à luz Aquele que está acima de toda a essência e a terra oferece uma gruta Àquele que é inacessível. Os anjos e os pastores glorificam-no. Os magos caminham seguindo a estrela. Por nós nasceu o Menino Deus que existe antes de todos os séculos.”
O Natal traduz, assim, o amor que Deus Pai tem pela humanidade e se manifesta através de Jesus, por meio do Espírito Santo. Depois do Natal, a Teofania ou Epifania serão as grandes festas litúrgicas para os ortodoxos, assinalando a manifestação de Jesus aos magos – que simbolizam toda a humanidade.
No seu Prado Espiritual (designação da literatura ascética para uma colecção de ditos e narrações edificantes), Aleksej Remizov (1877-1957) escreve: “Os que dormiam despertaram do sonho e a luz encheu as suas almas./ Aguardavam algo, esperavam./ Acreditavam e não ousavam crer./ Mas o coração cantava./ O espírito fervia./ Reuniam-se nas praças e olhavam para o longínquo…/ E os olhos voltavam a colher vida, voltavam a florescer como flores regadas.”
Quadros da vida de Maria em paralelo com os de Jesus
Mais do que na tradição católica, os ortodoxos recuam até à Natividade de Nossa Senhora na memória aos episódios relacionados com a vida de Jesus. Essa referência não tem fundamento bíblico, mas é da ordem da tradição e da devoção à Theotokos, ou Mãe de Deus, da qual a arte dos ícones acabou também por se aproximar. Tal é o caso do ícone da Natividade da Mãe de Deus (séc. XVII, Museu Andrei Rubliov, Moscovo), que tenta reconstruir vários episódios da vida de Maria de Nazaré. O ícone apresenta outras cenas, como Ana a receber oferendas, Maria a ser embalada ou a ser apresentada no Templo de Jerusalém, como era costume entre os judeus. O paralelismo com as narrativas da infância de Jesus é evidente. Aqui, as cenas pretendem induzir também nos fiéis a ideia de que Maria foi educada num ambiente de religiosidade. Como que uma preparação remota para o grande acontecimento que a esperava.
Poema - Natal, de Rui Cinatti
Inverno lactescente, adormecido
Em 380, já há referências de que as festas da Teofania teriam chegado a Constantinopla, por acção de S. Gregório o Teólogo. Agora, o Advento é, no mundo ortodoxo, um tempo de purificação, um pouco à semelhança da Quaresma, o período de 40 dias que antecede a Páscoa. Por isso, as quatro semanas que antecedem o Natal são também um tempo de jejum à carne e ao peixe. A festa do nascimento de Jesus é encarada principalmente como uma antecipação da Páscoa.
Hoje, no entanto, dia de S. Nicolau no calendário juliano (ainda usado na Europa Oriental, sobretudo pela Igreja Ortodoxa), haverá como que uma pequena pausa no jejum. Os crentes podem beber vinho e comer aves, e fazem uma refeição comunitária mais festiva.
Em Portugal, a festa é assinalada por muitos ortodoxos – sobretudo os mais de 70 mil ucranianos, russos, arménios, georgianos, arménios, romenos, búlgaros e de outras nacionalidades, que imigraram dos países do Leste europeu. Em regiões como Lisboa, Porto, Aveiro, Portimão, juntam-se comunidades de cristãos ortodoxos a festejar S. Nicolau, uma das figuras importantes do seu calendário, cuja história foi aqui contada no passado dia 6.
Mas porquê tal diferença? Foi o Papa Gregório XIII que, em Outubro de 1582, decidiu acertar o passo dos dias com o sol: a contagem do tempo do calendário juliano [designação tomada do imperador romano Júlio César] deixava de fora alguns segundos por ano. A soma desses segundos totalizava então, em relação à rotação do sol, dias completos. Com a ajuda dos estudos de um astrónomo jesuíta, Gregório XIII decidiu anular 14 dias perdidos, saltando-os no calendário.
No Natal, que os ortodoxos festejam daqui a quase três semanas, a liturgia será solene, mas a festa não assume a proporção que adquiriu no Ocidente. Uma das orações da Igreja Ortodoxa para este dia diz: “A Virgem hoje dá à luz Aquele que está acima de toda a essência e a terra oferece uma gruta Àquele que é inacessível. Os anjos e os pastores glorificam-no. Os magos caminham seguindo a estrela. Por nós nasceu o Menino Deus que existe antes de todos os séculos.”
O Natal traduz, assim, o amor que Deus Pai tem pela humanidade e se manifesta através de Jesus, por meio do Espírito Santo. Depois do Natal, a Teofania ou Epifania serão as grandes festas litúrgicas para os ortodoxos, assinalando a manifestação de Jesus aos magos – que simbolizam toda a humanidade.
No seu Prado Espiritual (designação da literatura ascética para uma colecção de ditos e narrações edificantes), Aleksej Remizov (1877-1957) escreve: “Os que dormiam despertaram do sonho e a luz encheu as suas almas./ Aguardavam algo, esperavam./ Acreditavam e não ousavam crer./ Mas o coração cantava./ O espírito fervia./ Reuniam-se nas praças e olhavam para o longínquo…/ E os olhos voltavam a colher vida, voltavam a florescer como flores regadas.”
Quadros da vida de Maria em paralelo com os de Jesus
Mais do que na tradição católica, os ortodoxos recuam até à Natividade de Nossa Senhora na memória aos episódios relacionados com a vida de Jesus. Essa referência não tem fundamento bíblico, mas é da ordem da tradição e da devoção à Theotokos, ou Mãe de Deus, da qual a arte dos ícones acabou também por se aproximar. Tal é o caso do ícone da Natividade da Mãe de Deus (séc. XVII, Museu Andrei Rubliov, Moscovo), que tenta reconstruir vários episódios da vida de Maria de Nazaré. O ícone apresenta outras cenas, como Ana a receber oferendas, Maria a ser embalada ou a ser apresentada no Templo de Jerusalém, como era costume entre os judeus. O paralelismo com as narrativas da infância de Jesus é evidente. Aqui, as cenas pretendem induzir também nos fiéis a ideia de que Maria foi educada num ambiente de religiosidade. Como que uma preparação remota para o grande acontecimento que a esperava.
Poema - Natal, de Rui Cinatti
Inverno lactescente, adormecido
Querer, noite encantada.
Já não sinto, porém, aquele amor,
Nem a vida sonhada.
Tudo se foi, pouco nos resta,
Tudo se foi, pouco nos resta,
Ilhas não há. Montanhas só no espírito
Se elevam, distantes e coroadas
Pela solidão.
No muro da minha alma há uma fresta.
No muro da minha alma há uma fresta.
Por ela entra o vento e a multidão
Das vozes e dos signos.
Quando a certeza chega, o coração
Quando a certeza chega, o coração
Lança de si os trajes mais indignos
E entra, sorrindo, na festa.
(In Natal... Natais – Oito Séculos de Poesia sobre o Natal,
antologia de Vasco Graça Moura, ed. Público)
(In Natal... Natais – Oito Séculos de Poesia sobre o Natal,
antologia de Vasco Graça Moura, ed. Público)
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