quinta-feira, 23 de abril de 2015

"Somos todos pessoas" - De branco, no Domingo, pelas vítimas da indiferença no Mediterrâneo


Migrantes socorridos no Mediterrâneo (foto reproduzida daqui)

Um pano branco à janela ou uma peça branca de roupa é o apelo de um conjunto de organizações católicas para o próximo Domingo. O objectivo é que cada pessoa manifeste a sua indignação pela tragédia que se tem consumado no Mediterrâneo e “pelos milhares de pessoas que têm sido engolidas pelo oceano”, como afirmou o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, citado na Ecclesia.
A iniciativa inclui uma prece no momento da oração dos fiéis, em cada eucaristia celebrada, pedindo a Deus que ajude a construir “uma só família humana”.
Convocada poucas horas antes da reunião dos responsáveis políticos da União Europeia, a iniciativa #somostodospessoas pretende afirmar a solidariedade para com as vítimas dos naufrágios no Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, os seus promotores pretendem afirmar a possibilidade de medidas “de maior humanização” para com os migrantes, mais do que a “excessiva preocupação securitária” por parte da Europa.
Na página da Cáritas na internet, afirma-se que estes migrantes que naufragam e morrem no Mediterrâneo “têm sido ultrajados na sua dignidade humana ao tentarem atravessar fronteiras à procura das mais básicas condições para a sua sobrevivência”.
Só nestes primeiros 112 dias de 2015, morreram já mais de 1500 pessoas, número 50 vezes superior ao de 2014. “Os acontecimentos dos últimos dias, nomeadamente a morte de mais de 700 pessoas que se viram trancadas no porão do navio, e muitos outros já vividos não só no nesta região mas também noutros lugares onde a imigração é considerada irregular face às leis humanas vigentes, obrigam-nos a não ficar calados, sob pena de sermos cúmplices de um verdadeiro massacre que deveria envergonhar o mundo, particularmente os que têm responsabilidades políticas”, lê-se no site da Cáritas Portuguesa.
Os promotores da iniciativa recordam uma frase do Papa Francisco: “São homens e mulheres como nós, irmãos que procuram uma vida melhor, famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas de guerras. Procuram uma vida melhor, procuravam a felicidade.” E acrescentam: “Acreditamos que a União Europeia pode e deve fazer mais por cada uma destas pessoas, nomeadamente, olhando de forma diferente para os seus países de origem. As organizações da Igreja Católica pedem medidas que ultrapassem a excessiva preocupação securitária e de controlo de fronteiras e que se pensem alternativas de maior humanização.”

As organizações que convocam a iniciativa, com o apoio da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, são Agência Ecclesia, Cáritas Portuguesa, Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, Comissão Nacional Justiça e Paz, Comissão Nacional Justiça, Comissão Paz e Ecologia dos Religiosos, Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Obra Católica Portuguesa de Migrações, Rádio Renascença, Serviço Jesuíta aos Refugiados, Sociedade de São Vicente de Paulo. O Santuário de Fátima também já anunciou juntar-se à ideia.

domingo, 19 de abril de 2015

A barbárie, a indiferença e o silêncio da esquerda

As perseguições e massacres de cristãos


(foto: Ajuda à Igreja que Sofre, reproduzida daqui)

Na sua crónica de sábado, no DN, Anselmo Borges escreve sobre A barbárie e a indiferença, a propósito das perseguições e massacres de que têm sido vítimas os cristãos em vários países de África e do Médio Oriente, e do silêncio que sobre esses factos tem dominado:

O agnóstico Régis Debray aponta realisticamente para o politicamente correcto, interesses políticos e económicos e a indiferença religiosa do Ocidente. Afinal, as vítimas são “demasiado cristãs” para poderem interessar a esquerda e “demasiado estrangeiras” para poderem interessar a direita.
Mas o filósofo André Comte-Sponville, que professa um ateísmo com espiritualidade, chama justamente a atenção para o facto de ninguém poder ignorar as perseguições operadas pela Igreja, “mas isso não é razão para fazer recair sobre os cristãos de hoje as faltas e os crimes dos seus predecessores. Ninguém é culpável pelos pecados dos seus pais. Os direitos dos seres humanos transmitem-se pelo nascimento; a culpabilidade não. Os cristãos são, antes de mais, seres humanos. O que é suficiente para outorgar-lhes direitos e, por conseguinte, para obrigar-nos a deveres para com eles”.
(O texto pode ser lido aqui na íntegra)


Acerca do mesmo tema, a directora da edição italiana do L'Huffington Post escreve um texto sobre a solidão do Papa na denúncia destes factos e o silêncio da esquerda. No artigo, Lucia Annunziata confessa-se ateia, diz que não foi nem é católica e afirma que o Papa Francisco “está fazendo uma revolução e que ele é o verdadeiro líder da esquerda”, neste momento. E, sobre o que pode ser feito, acrescenta, na tradução castelhana:

Hay que actuar con celeridad. Los gobiernos pueden y deben trazar un plan para poner a salvo a los miles de refugiados, no solo con la asistencia básica (medicina, escuela y vivienda), sino también ofreciendo de forma generosa y amplia la nacionalidad a todas las familias que huyan de sus propios países.
Con especial atención a todos los jóvenes que quieren venir a Italia a estudiar o a trabajar. Es parecido a lo que hicieron los países occidentales antes de la segunda guerra mundial acogiendo a los judíos y otros perseguidos del nazismo incipiente. No es mucho, pero es el principio y también es un mensaje eficaz de fuerza moral y solidaridad para aquellos que desafían y se oponen a la violencia del Estado Islámico.
La izquierda no puede quedarse callada, repito. Al contrario, su silencio, su miedo pusilánime a provocar críticas de unos y de otros, su falta de coraje para asumir riesgos es, en esta encrucijada, también la mejor forma para declarar su propia disolución moral.
(o texto pode ser lido na íntegra, nesta mesma versão castelhana, aqui)


Dias antes da Páscoa, a Comissão Nacional Justiça e Paz divulgara um comunicado com o título Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar, em que pede mais acção quer aos cristãos, quer aos media, quer aos governos e autoridades políticas internacionais. Nos dois últimos parágrafos, diz o texto:

A Páscoa e o génesis; a ressurreição; e o Papa em contracorrente

Crónicas

No seu comentário aos textos da liturgia católica deste Domingo, Vítor Gonçalves visita a exposição de Sebastião Salgado, Génesis, para escrever sobre A Páscoa e o génesis:

A ressurreição de Jesus é também ressurreição da criação. Sem cair num panteísmo ou na exaltação do primitivismo e do selvagem, a responsabilidade confiada à humanidade no Génesis (primeiro livro da Bíblia) amplia-se com a Boa Nova de Jesus. Ao oferecer a salvação em Jesus, o Pai confirma-nos na comum missão de cuidar das questões relativas aos recursos naturais e ao alimento para todos, ao respeito pela diversidade da natureza, e ao bem comum da família humana. A beleza, a bondade e a verdade da criação são a base sustentável para uma existência humana mais digna e mais fraterna, que é a consequência da ressurreição de Jesus. Quem poderá esquecer S. Francisco de Assis quando nos convida a dizer: “Louvado seja Deus na natureza, / Mãe gloriosa e bela da Beleza, E com todas as suas criaturas…”!
(texto completo aqui)


No Público de Domingo, frei Bento Domingues escreve o seu segundo texto com o título A ressurreição não pode ser adiada. Citando uma entrevista ao historiador Antony Beevor, diz:

À medida que o Estado Islâmico avançar, aumentarão as migrações e as tensões sociais. Mesmo assim, a Europa será olhada, cada vez mais, como o salva-vidas do mundo. A democracia, com todos os seus defeitos, é considerada o melhor regime político, mas está em risco, mesmo nos países onde tinha mais raízes. Perdeu-se a autoconfiança nas suas capacidades. Também aqui estamos no fim das possibilidades, acima evocadas.
Os governos, ao ficarem nervosos, passam a ser ligeiramente autoritários e a tomar decisões arriscadas, por falta de contacto com a realidade do dia-a-dia dos seus povos.
É verdade: pessoas, povos e testemunhos de civilizações estão ameaçados. Os cristãos que o digam! A ressurreição e a expansão da democracia – o poder do povo – não podem ser adiadas. São um bem cada vez mais escasso. Importa ressuscitá-las, dentro e fora da Igreja. 
(texto completo aqui)


No CM de sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escreve a propósito das declarações do Papa Francisco sobre o “genocídio” arménio e a “teoria do género”. Com o título Papa em contracorrente, conclui:

Nestas como noutras questões, é de louvar que Francisco não se submeta à lógica do “politicamente correto”. Precisamos dele como uma consciência crítica de um mundo que se submete com facilidade às modas intelectuais e culturais.
(texto completo aqui)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Escutar a cidade sobre pobreza, emprego e crise financeira


Foto © Adriano Miranda

Desde sempre a Igreja apresenta-se como “perita em humanidade” e “cuidadora dos pobres”. Mas nesta quinta-feira, 16 de Abril, no Fórum Lisboa, entre as 19h e as 21h00, é ela que vai ouvir as reflexões, os desafios e os reptos formulados por vozes autorizadas conhecedoras da cidade e dos seus mecanismos da produção e da reprodução da pobreza. É mais um encontro da iniciativa Escutar a Cidade com o título Pobreza, emprego e crise financeira.
O jornalista da TSF Fernando Alves, o perito em relações laborais António Brandão Guedes, a socióloga Isabel Guerra e o economista Pedro Lains serão os oradores de uma sessão em que a observação, a participação em muitos programas de luta contra a pobreza, o conhecimento das situações de desemprego e a análise do impacto da crise financeira nas classes de menores rendimentos estarão em diálogo com a percepção que a Igreja da diocese de Lisboa tem da crise social em que vivemos e com as respostas que tem procurado dar-lhe.

Identidades, comportamentos e modos de vida

Os encontros do Escutar a Cidade permitiram já um conjunto de enunciados importantes para a caminhada do Sínodo que os católicos do patriarcado estão a realizar até ao Outono de 2016.
No primeiro encontro, sobre Identidades, Comportamentos e Modos de Vida, o crítico e ensaísta António Guerreiro propôs Um breve léxico do nosso tempo, a partir de palavras como crise, economia, futuro, política/biopolítica/despolitização, precariedade e trabalho. E afirmava: “Não existe Igreja senão comprometida com este tempo, capaz de agarrar a ocasião histórica. A história apresenta-se como um campo de tensões percorrido por duas forças opostas: a primeira, a que S. Paulo chamava catechon é aquela que adia o fim ao longo do curso linear e homogéneo do tempo cronológico; a segunda é a de um tempo messiânico, a sua economia é a economia da salvação.” (o texto pode ser lido aqui na íntegra)

terça-feira, 14 de abril de 2015

Ressurreição, verdade, silêncio e esquerda

No fim-de-semana passado, não houve comentário de Vítor Gonçalves aos textos da liturgia católica; já no Domingo, no Público, frei Bento Domingues escreveu sobre A ressurreição não pode ser adiada:

A nossa linguagem sobre a ressurreição está cheia de metáforas mortas. Mas quando me deixo levar pelo que dizem as narrativas da Paixão e medito no Crucificado encontro-me dentro do poema de Herberto Helder: Estava tão morto que vivia unicamente…Renascia. O apóstolo Pedro chegou à mesma conclusão: a morte não O podia reter em seu poder (Act.2, 22-36).
Os cemitérios dizem-me que a “ressurreição” é a ideia mais justa do mundo e não pode ser adiada. A personalidade viva de cada ser humano só tem casa e jardim no coração de Deus, morada de todos, transfigurados. O ensaio começa aqui na transformação das relações humanas. Consta dos Actos dos Apóstolos 4, 32-35: não havia entre eles qualquer necessitado. Distribuía-se a cada um conforme a sua necessidade. O costume ainda não pegou. 
(texto integral aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges escrevia sobre A verdade nua e crua:

O pensamento da posse da verdade toda é a ilusão dos fundamentalismos. Por isso, quem julga detê-la não pode ter o poder político coactivo do seu lado. É que, nessas circunstâncias, a Inquisição queimou os que considerou hereges e o comunismo soviético ergueu o gulag e, agora, o Estado Islâmico degola, decapita, queima, vivos, os "infiéis". E aí está o horror da verdade na nudez da barbárie.
(texto integral aqui)


No CM de sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre O silêncio da esquerda:

Muitos dos políticos de esquerda reveem-se nestas e noutras críticas. Por diversas vezes já manifestaram o seu apoio às posições do Papa em matéria económica. Mas têm-no deixado a falar sozinho quando pede à “comunidade internacional que não fique muda” perante a matança de cristãos, como tem acontecido recentemente.
(texto integral aqui)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Cardeal Maradiaga no encontro Terra Justa, em Fafe: “É preciso acrescentar lugares à mesa”

Reportagem


O cardeal Óscar Rodriguez Maradiaga nesta quarta-feira, em Fafe
(foto Manuel Meira)

À mesa do café Arcada, no centro de Fafe, o cardeal Óscar Rodriguez Maradiaga lembrou: “Todos estamos convidados à mesa. Não é preciso excluir ninguém, mas antes ir acrescentando lugares à mesa.”
A afirmação surgiu num dos momentos altos do primeiro dia do Terra Justa – Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade. A iniciativa do Município de Fafe, editorial Novembro e Observatório para a Liberdade Religiosa prolonga-se até sábado, na cidade, com homenagens a duas personalidades e duas organizações: o cardeal Maradiaga, Maria de Jesus Barroso, a Amnistia Internacional e os Médicos do Mundo.
Óscar Maradiaga, que preside à Caritas Internationalis e coordena o grupo de nove cardeais conselheiros do Papa Francisco, utilizou a imagem da mesa para falar de economia e da exclusão que ela tem provocado em tantos lugares do mundo – também em Portugal. “A austeridade é uma palavra pouco querida na Europa. A austeridade não é um mal, é uma virtude. Mas se for entendida apenas como ajustes de macroeconomia, deve ser recusada, porque ajusta a macroeconomia mas produz mais pobreza.” E, parafraseando uma frase de Jesus, acrescentou: “A economia é para o homem e não o homem para a economia.” 
(Texto na íntegra aqui)



terça-feira, 7 de abril de 2015

7 de Abril do ano 30: Sete verdades sobre o homem que abalou o mundo

Sabemos que Jesus existiu, era um judeu na forma de viver e de rezar, não nasceu a 25 de Dezembro, era visto como profeta, foi condenado à morte pelo procurador romano e morreu, com forte probabilidade, a 7 de Abril do ano 30. Segundo os seus seguidores, ressuscitou dois dias depois – no Domingo de Páscoa, que hoje os cristãos assinalam. Começou aí um mistério e um fascínio que perdura.  

Ninguém sabe exactamente o que sucedeu na madrugada daquele 9 de Abril do ano 30. “O que se pode dizer é que se passou alguma coisa naqueles dias, um acontecimento que, abalando aqueles homens e mulheres, abalou o mundo.”
A frase é do jornalista francês Jacques Duquesne que, há década e meia, agitou o cristianismo europeu com um livro polémico sobre Jesus. No dia 7 de Abril – tudo aponta para essa data –, Jesus, chamado Cristo (Messias) pelos seus companheiros, tinha sido morto pelo suplício da cruz. Sepultado na mesma tarde, alguns dos seus amigos – mulheres, primeiro, os líderes do grupo, depois – dirigiram-se depois ao sepulcro, na madrugada do primeiro dia da semana. Voltaram, dizendo que Jesus ressuscitara. Nesse instante, começa um fascínio que atravessa os séculos.

1. Uma personagem histórica


Hipótese de reconstituição do rosto de Jesus 
feita pela BBC em 2001

A busca do mistério permanece após quase 2000 anos. Mas, durante dezoito séculos, ninguém se preocupou sequer em averiguar se Jesus teria realmente existido, escreve Frédéric Lenoir. “Não se punha o problema da crítica literária e histórica”, diz o padre e biblista Joaquim Carreira das Neves.
O panorama muda a partir do século XVIII. O Iluminismo e o progresso científico começam a ser também aplicados à investigação bíblica. Graças a este processo, sabemos hoje muito mais sobre Jesus do que há 200 anos – mesmo mais do que há duas décadas. Crítica literária, descobertas arqueológicas, antropologia cultural, economia das sociedades mediterrânicas são temas e métodos dissecados por investigadores e teólogos.
David Friedrich Strauss, Hermann Samuel Reimarus, Ernest Renan, Joseph Lagrange são nomes incontornáveis na “primeira investigação”. O protestante Rudolf Bultmann é o inspirador da “nova” (ou segunda) investigação acerca do Jesus histórico. Em alguns casos – Bultmann é o extremo – vai-se ao ponto de defender que o Jesus da história nunca poderá ser conhecido, pois os relatos dos evangelhos são reflexo do Cristo da fé das primeiras comunidades cristãs e já não da personagem histórica.
Só desde há duas décadas a terceira vaga de investigação começou a trazer ao de cima aspectos até aqui ignorados acerca de Jesus. E o primeiro deles foi reconhecer que ele era, afinal, um judeu do seu tempo. Outra diferença importante em relação às duas primeiras fases de investigação: considera-se que o Jesus da fé é a continuação natural do Jesus da história.

Páscoa, sistema financeiro e cristãos do Médio Oriente

O tempo de Páscoa dominou as crónicas de fim-de-semana, a partir de diferentes perspectivas. No DN de sábado, Anselmo Borges escrevia, sob o título É em Sábado que vivemos:

Aparentemente, no horror daquela Sexta-Feira Santa, foi o fim. Mas, lentamente, reflectindo sobre a experiência que Jesus fez de Deus, sobre o modo como viveu, como agiu, como morreu, os discípulos fizeram a experiência avassaladora de que o Deus-amor, a quem Jesus se dirigia como Abbá, Pai-Mãe querido, não o abandonou nem sequer na morte. Jesus não morreu para o nada, mas para Deus. Na morte, não encontrou o nada, mas a plenitude da vida de Deus.
(texto integral aqui)


Vítor Gonçalves, com A corrida pascal, comentava deste modo os textos da liturgia católica de domingo de Páscoa:

A Páscoa de Jesus desinstala-nos e “despantufa-nos” das rotinas e da preguiça. E também desfaz o medo, esse um autêntico “colesterol mau”, a entupir as artérias e veias por onde quer correr o sangue da vida abundante de Deus. Sem a Páscoa tornamo-nos obesos, cheios de mil e uma justificações para ficar no quentinho de uma “vidinha” religiosa, bem medida e suficiente, de livro de “Deve e Haver” que havemos de apresentar a Deus com saldo a nosso favor. Mas a “Igreja em saída”, de que tanto fala o Papa Francisco, pode comparar-se a esse dinamismo que convida à simplicidade de calçar uns ténis e vestir uns calções e percorrer os caminhos habituais ou desconhecidos com uma presença mais fraterna e disponível para o encontro com outros
(texto integral aqui)


No Público de domingo, frei Bento Domingues escrevia sobre a Páscoa de muitas páscoas, terminando a evocar Pedro Meca, já aqui referido aquando da sua morte:

Entrou, aos 21 anos, em França, para a Ordem dos Pregadores. Viveu a partilha das múltiplas dimensões do Evangelho na cidade que o seu confrade e amigo (P. Blanquart) investigava e da qual, ele Pedro Meca, vivia a rua e a noite, a companhia dos “contrabandistas da esperança”, os marginalizados, com os quais morria e ressuscitava todos os dias. Para mim, dizia o Pedro, a rua não é um lugar de passagem, mas um lugar de vida que amo e que, desde sempre, me é familiar. Na rua, as noites escuras são mais escuras do que as dos místicos e quantas não são precisas para “uma só manhã” (H. Michaux)! Não se passa uma noite de Páscoa, confessa Pedro Meca, sem que eu não esteja num café ou na rua e, de repente, exclame: é a Páscoa!
(texto integral aqui)

  
Sexta-feira, no CM, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre a Crítica ao sistema económico:


O Secretário de Estado do Vaticano e o Presidente do Senado Italiano uniram as suas vozes na crítica ao sistema económico vigente, que promove a exploração dos mais fracos e a promiscuidade ente a finança e o poder, durante a apresentação de um volume da revista italiana “Limes”, dedicada ao tema “Moeda e império” , na passada terça-feira em Roma.
O cardeal Parolin denunciou que “os grandes capitais tendem a financiar os poderes estabelecidos e as atividades mais rentáveis”, enquanto o povo se vê arredado do acesso ao crédito.
(texto integral aqui)


Na crónica Os dias da semana,  que mantém aos domingos no Diário do Minho, Eduardo Jorge Madureira escreveu, sob o título Eu sou um cristão do Oriente:

O mundo tem-se mostrado impassível perante o extermínio dos cristãos do Oriente. Um certo sentido das proporções ditaria que o vasto desinteresse pelo destino destas vítimas dos islamistas não contrastasse tanto com a compaixão e indignação que amplamente provocam, por exemplo, as notícias de maus-tratos de animais domésticos. Em Portugal, em favor dos cristãos do Oriente, quase só se escuta a voz da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que tem evocado a via-sacra que eles têm sido forçados a percorrer. Em França, controvérsias de interesse secundário opõem pessoas respeitáveis que não se entendem sobre o termo certo para classificar o que se está a passar. Genocídio, garantem uns. Erradicação, contrapõem outros, como se fosse preciso poupar palavras perante uma realidade que se tem imposto com tanta e tão continuada brutalidade.