domingo, 28 de janeiro de 2018
Os que “resgataram da morte” as vítimas do ódio nazi
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Padre Joaquim Carreira: o quarto português “Justo entre as Nações” por ter salvo judeus em Roma
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Auschwitz: lembrar para quê?
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| (foto reproduzida daqui) |
sábado, 25 de maio de 2013
Imãs muçulmanos rezam em Auschwitz
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Duas notas fundamentais na chegada do Papa a Israel
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Para quem quiser reflectir
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Pode-se ser bispo e negacionista?
"(...) Convém agora explicar (para quem não saiba) que o "negacionismo" não é parte de uma polémica histórica: historicamente, não há menor dúvida que houve campos de extermínio, onde a SS assassinou entre quatro e cinco milhões de judeus. O "negacionismo" é uma pura tentativa de reabilitar Hitler e o nazismo; e uma tentativa que, pela sua natureza, implica um extremo fanatismo. Talvez se possa discutir se, numa sociedade democrática, o "negacionismo" deve ou não deve ser criminalmente punido. Mas não se pode discutir se um "negacionista" deve ou não deve ser bispo da Igreja Católica Apostólica Romana, sob pena de retirar qualquer espécie de autoridade moral à referida Igreja. Não basta obrigar; como o Vaticano obrigou, o sr. Williamson a pedir desculpa. Se o Papa não afastar o sr. Williamson diminui sem remédio o seu pontificado."
Vasco Pulido Valente in Público, 6.2.2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Um tiro no porta-aviões
É interessante notar que o bispo em causa, que entretanto pediu desculpa pelas declarações que fizera (antes do levantamento da excomunhão), nunca negou o que tinha declarado, mas apenas se disse arrependido dos problemas causados a Bento XVI.
Os estragos da medida da Santa Sé não são despiciendos, incluindo dentro da Igreja Católica.
É caso para perguntar que unidade da Igreja quer Bento XVI refazer. A medida tomada acabou por ser um verdadeiro tiro no 'porta-aviões' da própria Igreja.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Lembrar as vítimas do Holocausto
Sendo judia, Hélène Berr não parece simpatizar com o ideal sionista, que julga “demasiado estreito”. Não consegue, aliás, ter o sentimento de pertença a qualquer grupo. “Sofro por ver o mal abater-se sobre a humanidade; mas como não sinto que faça parte de nenhum grupo racial, religioso, humano (porque isso implica sempre orgulho), não tenho para me sustentar senão os meus debates e as minhas reacções, a minha consciência pessoal”, escreve ela no dia 31 de Dezembro de 1943.
O Diário testemunha eloquentemente a ferocidade crescente do ocupante da capital francesa. No dia 10 de Julho de 1942, por exemplo, Hélène Berr regista que os judeus deixaram de ter o direito de atravessar os Champs-Élysées. O impedimento resultava da nona ordenança alemã, que estabelecera, no dia anterior, que os judeus não poderiam, doravante, entrar em cinemas, teatros, museus, bibliotecas, estádios, piscinas, jardins públicos, restaurantes e salões de chá. Nos grandes armazéns ou nos estabelecimentos comerciais, haveria uma permissão de acesso, mas apenas entre as 15 e as 16 horas.
Esta rapariga de vinte e poucos anos vai também anotando a reacção dos parisienses ao terror que se vai instalando, à tragédia pressentida. Num sábado de Julho, observa “a simpatia das pessoas na rua, no metro” ou “o olhar franco dos homens e das mulheres, que enche o coração de um sentimento inexprimível”. O que vê dá-lhe a consciência de ser superior aos “brutos” que a fazem sofrer e de estar unida “aos verdadeiros homens e às verdadeiras mulheres”.
Nesse sábado, o pai de Hélène Berr encontrava-se detido. O pretexto tinha sido a circunstância de a estrela amarela, que todos os judeus, desde os seis anos de idade, eram obrigados a usar desde 29 de Maio de 1942, não se encontrar bem cosida. Tinha sido fixada com o recurso a agrafes e molas para poder ser colocada em todos os fatos, não se cumprindo assim a oitava ordenança alemã que estabelecia que a estrela contendo a inscrição “Judeu” teria de ser solidamente cosida.
No dia 18 de Setembro, Hélène Berr refere uma nova detenção por causa da estrela: “O Dr. Charles Mayer foi preso porque usava a estrela demasiado acima...” As leis alemãs, “ilegais e obra do capricho”, anota a jovem francesa, são “um pretexto para prender, é este o seu único objectivo”. Todavia, a estrela colocada demasiado acima do sítio indicado suscita a uma senhora que repara no que se passa um comentário de uma elucidativa estupidez: “Isso prova verdadeiramente a má-fé deles!!!”. A tal senhora, numa curta afirmação, invertia a realidade e transformava uma vítima inocente num culpado por premeditação e tendência. Se a crueldade do ocupante alemão não é causa de espanto, o comportamento dos parisienses é, amiúde, surpreendente, umas vezes, pelos gestos bondosos e inesperados; outras, pelas atitudes mesquinhas ou vis.
Às vezes, Hélène Berr sente-se incomodada com a indiferença de certos católicos perante o sofrimento dos judeus. Uns acreditam na vinda do Messias, outros continuam à espera dele, escreve a jovem, acrescentando: “Mas o que fizeram eles do Messias? Continuam tão maus como antes da sua vinda. Crucificam Cristo todos os dias. E se Cristo voltasse, não teria ele de responder com as mesmas palavras? Quem sabe se a sua sorte não seria a mesma?”
O Diário termina no dia 15 de Fevereiro de 1944, mas a vida da autora prossegue. Por pouco tempo, é verdade. Em 27 de Março, no dia em que celebrava 23 anos, é deportada com os pais para o campo de concentração e de extermínio de Auschwitz. Após a execução do pai e, a seguir, da mãe, conduzida à câmara de gás no dia 30 de Abril, Hélène Berr é remetida para Bergen-Belsen, onde morre no início de Abril de 1945, dias antes da libertação do campo pelas tropas britânicas. Auschwitz-Birkenau havia sido libertado pelo exército soviético no dia 27 de Janeiro de 1945. No aniversário desta data, por iniciativa da Organização das Nações Unidas, assinala-se, desde 2005, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
A efeméride este ano foi marcada pelo eco de uma entrevista de um bispo integrista ao programa Uppdrag gransning (Missão investigação), da televisão pública sueca, exibida dois dias antes de Bento XVI ter anunciado a anulação da excomunhão desse e de mais três bispos ordenados por Marcel Lefebvre. Na ocasião, o prelado negou a existência das câmaras de gás e reduziu absurdamente o número de judeus assassinados nos campos de extermínio ou em outras execuções em massa, tentando, assim, diminuir o carácter hediondo do Holocausto.
No início semana que passou, Bento XVI considerou necessário vir pedir que o Holocausto “seja para todos uma advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo”, lembrando que “a violência feita contra um só ser humano é violência contra todos”. Ontem, a imprensa revelava que o bispo integrista tinha apresentado “sinceras desculpas” pelo “sofrimento” causado ao Papa pelas suas “declarações imprudentes”. O bispo teimou, portanto, na má-fé. Pediu desculpa pelo incómodo causado a Bento XVI, mas não pela ofensa à memória das vítimas do Holocausto e adjectivou com uma generosidade imprópria as suas infames declarações.
Hélène Berr, que atravessou uma época terrível com uma admirável “doçura de coração”, teria talvez julgado oportuno reler o que escrevera no dia 11 de Outubro de 1943: “Por vezes pensava que estava mais perto de Cristo do que muitos cristãos, e disso eu tive a prova”.
Eduardo Jorge Madureira
[Diário do Minho. 1 de Fevereiro de 2009]
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Bento XVI, os integristas e a Shoah
Por Inma Álvarez
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa pessoalmente explicou hoje, durante a audiência geral, por que decidiu revogar a excomunhão dos bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre, tal como a Santa Sé deu a conhecer no sábado passado, 24 de janeiro.
Foi, explicou, um «ato de misericórdia paterna», em cumprimento do «serviço à unidade» próprio do «ministério do Sucessor de Pedro», e acrescentou que «espera um empenho» por parte destes bispos «para chegar à plena comunhão».
Ao término da audiência geral, e em meio às saudações aos diferentes grupos de peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, o próprio Papa leu três comunicados, o primeiro sobre a eleição do novo patriarca de Moscou.
No segundo, o Papa se referiu à revogação da excomunhão dos quatro bispos, recordando algumas palavras da primeira homilia de seu pontificado, nas quais afirmou que é «explícito» dever do pastor «o chamado à unidade».
Referiu-se a suas próprias palavras comentando a passagem evangélica da pesca milagrosa: «’ainda que havia tantos peixes, a rede não se rompeu’, e prossegui após estas palavras evangélicas: ‘Ai de mim, amado Senhor, esta – a rede – agora está arrebentada, queríamos dizer com dor’. E continuei: ‘Mas não – não devemos estar tristes! Alegremo-nos por vossa promessa que não decepciona e façamos todo o possível para percorrer o caminho rumo à unidade que vós prometestes... Não permitais, Senhor, que vossa rede se rompa e ajudai-nos a ser servidores da unidade’».
«Precisamente em cumprimento deste serviço à unidade, que qualifica de modo específico meu ministério de Sucessor de Pedro, decidi há dias conceder a remissão da excomunhão em que haviam incorrido os quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Lefebvre sem mandato pontifício», declarou.
O Papa explicou que o motivo deste «ato de misericórdia paterna» foi que «repetidamente estes prelados me manifestaram seu vivo sofrimento pela situação na qual se encontravam».
Contudo, recordou que este ato não supõe ainda a reintegração à comunhão plena e confiou em que, «a este gesto meu siga o solícito empenho de sua parte por levar a cabo ulteriores passos», entre eles «o verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II».
Sobre a Shoah
Logo depois, o Papa leu um terceiro comunicado no qual expressou sua firme condenação do Holocausto, e expressou sua solidariedade com o povo hebreu. Nele expressou seu desejo de que «a Shoah seja para todos advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo».
Com estas palavras, ainda que sem mencionar explicitamente, o Papa saia ao passo das polêmicas declarações de um dos quatro bispos a quem se levantou a excomunhão, Dom Richard Williamson, que havia negado a existência do Holocausto em uma entrevista concedida à televisão sueca.
O próprio Papa quis dar seu testemunho pessoal, recordando «as imagens recolhidas em minhas repetidas visitas a Auschwitz, um dos lugares nos quais se consumou o brutal massacre de milhões de hebreus, vítimas inocentes de um cego ódio étnico e religioso».
As declarações de Dom Williamson haviam sido comentadas nestes dias como «inaceitáveis» e «ignominiosas» por vários cardeais da Cúria Romana, assim como pela Conferência Episcopal Suíça.
Precisamente ontem, Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade de São Pio X, emitia um comunicado no qual pedia perdão ao Papa por tais declarações.




