No final da semana passada, soube-se que o mordomo do Papa foi detido, acusado
de ter em sua posse documentos confidenciais. Esse facto sucedeu à publicaçãode um livro com vários documentos que traduzem pequenas questiúnculas e
supostas guerras de poder no interior da estrutura do Vaticano. E acontece
também na sequência da demissão forçada do presidente do banco do Vaticano, o
Instituto das Obras da Religião. Mas tudo isto acontece também num contexto em que se pressentem pequenos jogos de antecipação da sucessão de um Papa que,
supostamente, já não controla a máquina governativa da Igreja.
Vale a pena atentar nas duas fraquezas apontadas por Mounier no La Croix:
Antes de mais, uma fraqueza estrutural. Para lá das aparências enganosas do
poder imperial do Vaticano, a realidade quotidiana do mais pequeno Estado do
mundo é constituída por um pessoal pouco numeroso, raramente coordenado,
trabalhando com frequência numa espantosa improvisação duplicada por pesos
burocráticos.
Mas também uma fraqueza italiana. Estes jogos de poder permanentes, estes
clãs, estes pequenos arranjos entre amigos ou entre famílias, de que o
presidente do conselho Mario Monti quer fazer tábua rasa na península, são os
mesmos que aprisionam em engodos a missão evangélica da Santa Sé.
Pode acrescentar-se ainda a fraqueza de qualquer instituição humana, onde vêm ao de cima os pequenos jogos de poder, as questiúnculas. Há vinte séculos, já Jesus perguntava: Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?
Pode acrescentar-se ainda a fraqueza de qualquer instituição humana, onde vêm ao de cima os pequenos jogos de poder, as questiúnculas. Há vinte séculos, já Jesus perguntava: Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?
O artigo de Mounier pode ser lido na íntegra aqui.





Deus - precisa de re-equacionar a sua atitude para com os sobreviventes de abuso sexual. (...) [N]ão devemos olhar para as vítimas de abuso simplesmente como clientes ou problemas com que temos de lidar (...) precisamos de ver os sobreviventes de abuso como pessoas que podem ensinar-nos o que significa ser cristão, o que significa ser igreja. Ninguém que ouve as suas histórias pode deixar de ser tocado por eles. Isto significa que não podemos responder a cada nova vítima que surge com "Oh, não, mais outro!" Ao contrário, temos de vê-los como parte integrante da nossa comunidade, pessoas que devem ser acolhidas. Tal atitude encorajaria a igreja a chegar aos milhares de vítimas de abuso sexual que não se manifestaram. Queremos que eles se cheguem à frente, a igreja precisa deles". (...)