António Marujo recebe prémio
de jornalismo sobre temáticas religiosas
O jornalista do Público António Marujo recebe depois de amanhã, quinta-feira, em Lisboa, o prémio da Conferência das Igrejas Europeias para jornalistas da imprensa não-confessional que tratam informação religiosa.
Na cerimónia, que decorrerá às 18h30, na catedral da Igreja Lusitana (anglicana) de Lisboa, em Santos-o-Velho, conta com a participação do bispo D. Fernando Soares, Presidente do COPIC, Pamela Thompson, Vice-Presidente da Fundação John Templeton, Luca Negro, Secretário para as Comunicações da CEC, José Manuel Fernandes, Director do Público, e, claro, do jornalista premiado.
Na altura em que divulgou a notícia, o Público divulgou informações complementares que vale a pena relembrar:
"António Marujo venceu este prémio na edição de 1995, tornando-se agora no primeiro jornalista europeu a ser distinguido por duas vezes, refere o comunicado do gabinete de comunicação da CEC.
Entre os trabalhos que lhe valeram o prémio, com um valor monetário de cinco mil francos suíços (3227 euros), está uma entrevista ao padre, teólogo e poeta Tolentino Mendonça, intitulada "Jesus é um mistério fascinante, ainda em aberto" (26/02/05) e uma reportagem sobre o Congresso da Nova Evangelização, com o título "Bono Vox, bebedor de vinho e leitor da Bíblia" (11/09/2005)."Esta é a autêntica escrita sobre religião, mais do que a escrita ligada à Igreja, e é da melhor qualidade", afirmou um dos juízes do prémio, para quem o jornalista do PÚBLICO "não é fascinado pela Igreja, mas por algo mais profundo, que é o mistério da religião em si".
terça-feira, 4 de julho de 2006
quinta-feira, 8 de junho de 2006
Visita de Bento XVI a Auschwitz: ideias para debate
O diário El País traz hoje um texto de opinião de Daniel Jonah Goldhagen, intitulado El histórico fracaso de Benedicto XVI en Auschwitz, no qual defende as seguintes posições:
O diário El País traz hoje um texto de opinião de Daniel Jonah Goldhagen, intitulado El histórico fracaso de Benedicto XVI en Auschwitz, no qual defende as seguintes posições:
- Lo que tuvo de bueno [la visita del papa] a Auschwitz quedó anulado por el discurso que pronunció, que no mostró nada parecido ni a la sincera emoción de Brandt ni a la humildad de Juan Pablo, y que se apartó escandalosamente de lo que el propio Benedicto XVI ha llamado su obligación de decir la verdad. Por el contrario, el Papa emborronó la interpretación histórica, eludió la responsabilidad moral y rehuyó el deber político.
- Benedicto exoneró injustamente a los alemanes de su responsabilidad en el Holocausto y atribuyó la culpa exclusivamente a "una banda de criminales" que "usaron y abusaron" del pueblo alemán, engañado y presionado, como "instrumento" de destrucción. Lo cierto es que los alemanes, en general, apoyaron la persecución de los judíos, y muchos de los cientos de miles que la llevaron a cabo eran ciudadanos corrientes que actuaban de buen grado. No se puede atribuir la culpa del Holocausto, por completo o incluso principalmente, a una "banda criminal". Ningún especialista alemán, ningún político alemán, se atrevería hoy a proponer el relato mitológico que hace Benedicto XVI del pasado.
- Benedicto exoneró injustamente a los alemanes de su responsabilidad en el Holocausto y atribuyó la culpa exclusivamente a "una banda de criminales" que "usaron y abusaron" del pueblo alemán, engañado y presionado, como "instrumento" de destrucción. Lo cierto es que los alemanes, en general, apoyaron la persecución de los judíos, y muchos de los cientos de miles que la llevaron a cabo eran ciudadanos corrientes que actuaban de buen grado. No se puede atribuir la culpa del Holocausto, por completo o incluso principalmente, a una "banda criminal". Ningún especialista alemán, ningún político alemán, se atrevería hoy a proponer el relato mitológico que hace Benedicto XVI del pasado.
Está aberto o debate.
Complementos:
- Texto integral do discurso de Bento XVI em Auschwitz (em inglês)
- Leitura de John L. Allen Jr, jornalista do National Catholic Reporter. correspondente em Roma: Attempting to slay God was Auschwitz's greatest evil, pope says Benedict prayed that love would prevail over 'a spurious and godless reason' .
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Conferências de Maio, 2006, do CRC
IMAGEM DO SAGRADO, IMAGENS DO MUNDO
O Centro de Reflexão Cristã promove, no próximo mês, as suas já conhecidas "Conferências de Maio", desta vez com o tema geral "Imagem do sagrado, imagens do Mundo". As sessões terão lugar no Centro de Estudos da Ordem do Carmo, na Rua de Santa Isabel, 128-130, Lisboa (Metro: Rato).
É o seguinte o calendário:
3 de Maio, 4ª feira, 18:30
A REPRESENTAÇÃO DO SAGRADO NO MUNDO DA IMAGEM
· Clara Menéres
· João Bénard da Costa
· Pe. Peter Stilwell
Moderador: Guilherme d?Oliveira Martins
10 de Maio, 4ª feira,18:30
PATRIMÓNIO DA FÉ E LIBERDADE CRIADORA
· Faranaz Keshavjee
· José Luís de Matos
· Nuno Teotónio Pereira
Moderador: José Leitão
17 de Maio, 4ª feira, 18:30
IMAGENS DO RELIGIOSO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL
· Abdool Karim Vakil
· Esther Mucznik
· Pe. José Manuel Pereira de Almeida
Moderador: Fr. Bento Domingues
24 de Maio, 4ª feira,18:30
A LIBERDADE RELIGIOSA NUM MUNDO PLURAL
. Pastora Idalina Sitanela
. José Vera Jardim
. D. Manuel Clemente
Moderador: Maria Cristina Clímaco
IMAGEM DO SAGRADO, IMAGENS DO MUNDO
O Centro de Reflexão Cristã promove, no próximo mês, as suas já conhecidas "Conferências de Maio", desta vez com o tema geral "Imagem do sagrado, imagens do Mundo". As sessões terão lugar no Centro de Estudos da Ordem do Carmo, na Rua de Santa Isabel, 128-130, Lisboa (Metro: Rato).
É o seguinte o calendário:
3 de Maio, 4ª feira, 18:30
A REPRESENTAÇÃO DO SAGRADO NO MUNDO DA IMAGEM
· Clara Menéres
· João Bénard da Costa
· Pe. Peter Stilwell
Moderador: Guilherme d?Oliveira Martins
10 de Maio, 4ª feira,18:30
PATRIMÓNIO DA FÉ E LIBERDADE CRIADORA
· Faranaz Keshavjee
· José Luís de Matos
· Nuno Teotónio Pereira
Moderador: José Leitão
17 de Maio, 4ª feira, 18:30
IMAGENS DO RELIGIOSO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL
· Abdool Karim Vakil
· Esther Mucznik
· Pe. José Manuel Pereira de Almeida
Moderador: Fr. Bento Domingues
24 de Maio, 4ª feira,18:30
A LIBERDADE RELIGIOSA NUM MUNDO PLURAL
. Pastora Idalina Sitanela
. José Vera Jardim
. D. Manuel Clemente
Moderador: Maria Cristina Clímaco
domingo, 9 de abril de 2006
Obras de misericórdia
O Governo de Bush pretende restringir os direitos dos imigrantes ilegais a ponto de criminalizar quem os ajude. Se uma lei que está neste momento em apreciação (Sensenbrenner Bill 4437)fosse aprovada, poderia ser castigado quem desse uma sanduíche a um desses estrangeiros.
O cardeal Roger Mahony, de Los Angeles, que já tinha alertado para a possibilidade da desobediência civil, caso a lei avançasse, acaba de explicar melhor a sua posição, em entrevista dada ao correspondente em Roma da revista National Catholic Reporter. Um podcast da conversa com o jornalista John L. Allen Jr está também disponível.
Mahoney concretiza, neste seu combate, uma pastoral sobre a imigração, elaborada pelo episcopado norteamericano, que se resume em cinco pontos: 1) Global Anti-Poverty Efforts, 2) Reunifying Families, 3) A Temporary Worker Program, 4) Broad-Based Legalization, and 5) Restoring Due Process.
O Governo de Bush pretende restringir os direitos dos imigrantes ilegais a ponto de criminalizar quem os ajude. Se uma lei que está neste momento em apreciação (Sensenbrenner Bill 4437)fosse aprovada, poderia ser castigado quem desse uma sanduíche a um desses estrangeiros.
O cardeal Roger Mahony, de Los Angeles, que já tinha alertado para a possibilidade da desobediência civil, caso a lei avançasse, acaba de explicar melhor a sua posição, em entrevista dada ao correspondente em Roma da revista National Catholic Reporter. Um podcast da conversa com o jornalista John L. Allen Jr está também disponível.
Mahoney concretiza, neste seu combate, uma pastoral sobre a imigração, elaborada pelo episcopado norteamericano, que se resume em cinco pontos: 1) Global Anti-Poverty Efforts, 2) Reunifying Families, 3) A Temporary Worker Program, 4) Broad-Based Legalization, and 5) Restoring Due Process.
O enigma do mal
"(...) O mal físico talvez seja explicável; mas como compreender o mal moral? Porque é que não somos sempre bons e, pelo contrário, criamos infernos de desumanidade? Há aquele enigma que amargurava São Paulo: "Ai de mim, que sou um homem desgraçado, pois faço o mal que não quero e não faço o bem que quero!"(...)"
Anselmo Borges, in Diário de Notícias, 9.4.2006
"(...) O mal físico talvez seja explicável; mas como compreender o mal moral? Porque é que não somos sempre bons e, pelo contrário, criamos infernos de desumanidade? Há aquele enigma que amargurava São Paulo: "Ai de mim, que sou um homem desgraçado, pois faço o mal que não quero e não faço o bem que quero!"(...)"
Anselmo Borges, in Diário de Notícias, 9.4.2006
quarta-feira, 22 de março de 2006
"Pray-as-you-go"
Joaquim Fidalgo
Na sua coluna semanal "Crer para Ver", no Público (acesso para assinantes), escreve hoje o autor:
"A aplicação pode ser moderna, mas o princípio é antigo: se Moisés não vai à montanha, vai a montanha a Moisés... Dito de outro modo: se quem reza não vai à casa da oração, pois vai a oração à casa de quem reza. E quem diz à casa, diz aos bocadinhos de "casa" que cada vez mais levamos connosco para qualquer lado, assim a modos de caracol.
A coisa chama-se "pray-as-you-go". Para consultar na Net, basta acrescentar o ".com" da praxe e já está. É um sítio onde ir buscar downloads, ou peças para, mais portuguesmente falando, descarregarmos nos nossos computadores e afins. E afins, sim, que aqui trata-se de descarregar para os aparelhinhos portáteis de Mp3, aqueles minileitores de pôr à cinta, com dois minúsculos auscultadores de meter no ouvido. Sabem decerto do que falo: quem tem tem; quem não tem tem-se fartado de ver por aí tanto quem já tem.
Mas não se trata de descarregar músicas; trata-se de descarregar orações. Daí o nome, "pray-as-you-go". É do mais fácil que há. Vai-se ao sítio, clica-se no dia da semana e descarrega-se. Sim, que há orações diferentes para cada um dos dias da semana, para variar. E, sendo no essencial orações, não são só orações: é um pacote completo, com a duração aproximada de dez minutos ("Nunca mais de 12 minutos", prometem os promotores), composto de som de sinos a abrir ("chamada à oração"), depois uma musiquinha de abertura para criar o ambiente, a seguir uma passagem das Escrituras, adiante algumas "questões para reflexão pessoal", depois a repetição da passagem das Escrituras para uma melhor apreciação, ainda uma "reflexão final" e, a fechar, um "Glória". Um pacote inteiro, dez a 12 minutos, para descarregar no leitor de Mp3 e ouvir / rezar no meio das músicas com que a gente se vai fazendo acompanhar nas lides diárias, na viagem para o trabalho, no passeio de ginástica ou lazer, no estudo, enfim, por aí, por onde e como se ande.
A produção é de uma entidade chamada "Jesuit Media Initiatives", que se afirma empenhada em nos ajudar a "perceber a presença de Deus nas nossas vidas", a "reflectir nas palavras de Deus", a "crescer na nossa relação com Deus". Se isso se pode fazer em qualquer lado e de tantos diferentes modos, por que não no meio dos sons preferidos do nosso leitor de Mp3, enquanto caminhamos por aí a caminho de algum sítio - ou de nenhum?
"Pray-as-you-go". Reza enquanto andas. Por um lado, não está mal visto: já chega de enfiarmos Deus num compartimento apartado da vida real, rezando quando é de rezar, mas não permitindo que a oração se misture com o que somos e fazemos no nosso quotidiano. Por outro lado, soa meio estranho ver Deus assim descarregado para o nosso leitor de Mp3, entre dois boleros, um adagio e um standard, e o valor da sua mensagem - que nos convida a parar, a parar mesmo - apreciado numa fila confusa de autocarro ou numa corrida musculada para perder gorduras. Não sei... Mas os jesuítas, esses, sabem bem da outra velha máxima: se não podes vencê-los (por exemplo, aos leitores de Mp3...), então junta-te a eles.
Joaquim Fidalgo
Na sua coluna semanal "Crer para Ver", no Público (acesso para assinantes), escreve hoje o autor:
"A aplicação pode ser moderna, mas o princípio é antigo: se Moisés não vai à montanha, vai a montanha a Moisés... Dito de outro modo: se quem reza não vai à casa da oração, pois vai a oração à casa de quem reza. E quem diz à casa, diz aos bocadinhos de "casa" que cada vez mais levamos connosco para qualquer lado, assim a modos de caracol.
A coisa chama-se "pray-as-you-go". Para consultar na Net, basta acrescentar o ".com" da praxe e já está. É um sítio onde ir buscar downloads, ou peças para, mais portuguesmente falando, descarregarmos nos nossos computadores e afins. E afins, sim, que aqui trata-se de descarregar para os aparelhinhos portáteis de Mp3, aqueles minileitores de pôr à cinta, com dois minúsculos auscultadores de meter no ouvido. Sabem decerto do que falo: quem tem tem; quem não tem tem-se fartado de ver por aí tanto quem já tem.
Mas não se trata de descarregar músicas; trata-se de descarregar orações. Daí o nome, "pray-as-you-go". É do mais fácil que há. Vai-se ao sítio, clica-se no dia da semana e descarrega-se. Sim, que há orações diferentes para cada um dos dias da semana, para variar. E, sendo no essencial orações, não são só orações: é um pacote completo, com a duração aproximada de dez minutos ("Nunca mais de 12 minutos", prometem os promotores), composto de som de sinos a abrir ("chamada à oração"), depois uma musiquinha de abertura para criar o ambiente, a seguir uma passagem das Escrituras, adiante algumas "questões para reflexão pessoal", depois a repetição da passagem das Escrituras para uma melhor apreciação, ainda uma "reflexão final" e, a fechar, um "Glória". Um pacote inteiro, dez a 12 minutos, para descarregar no leitor de Mp3 e ouvir / rezar no meio das músicas com que a gente se vai fazendo acompanhar nas lides diárias, na viagem para o trabalho, no passeio de ginástica ou lazer, no estudo, enfim, por aí, por onde e como se ande.
A produção é de uma entidade chamada "Jesuit Media Initiatives", que se afirma empenhada em nos ajudar a "perceber a presença de Deus nas nossas vidas", a "reflectir nas palavras de Deus", a "crescer na nossa relação com Deus". Se isso se pode fazer em qualquer lado e de tantos diferentes modos, por que não no meio dos sons preferidos do nosso leitor de Mp3, enquanto caminhamos por aí a caminho de algum sítio - ou de nenhum?
"Pray-as-you-go". Reza enquanto andas. Por um lado, não está mal visto: já chega de enfiarmos Deus num compartimento apartado da vida real, rezando quando é de rezar, mas não permitindo que a oração se misture com o que somos e fazemos no nosso quotidiano. Por outro lado, soa meio estranho ver Deus assim descarregado para o nosso leitor de Mp3, entre dois boleros, um adagio e um standard, e o valor da sua mensagem - que nos convida a parar, a parar mesmo - apreciado numa fila confusa de autocarro ou numa corrida musculada para perder gorduras. Não sei... Mas os jesuítas, esses, sabem bem da outra velha máxima: se não podes vencê-los (por exemplo, aos leitores de Mp3...), então junta-te a eles.
quarta-feira, 15 de março de 2006
Em Leiria, neste fim de semana

Tendo como tema "Redescobrir a Cidadania ? contributos para a mudança", realizam-se em Leiria, neste fim de semana, as IX Jornadas de Universitários Católicos, promovidas pelo Movimento Católico de Estudantes (MCE) em parceria com o Serviço Nacional de Pastoral do Ensino Superior. O programa engloba diversos paineis que desdobram o debate por vasto leque de áreas nas quais se coloca o problema da redescoberta da cidadania.
Tendo como tema "Redescobrir a Cidadania ? contributos para a mudança", realizam-se em Leiria, neste fim de semana, as IX Jornadas de Universitários Católicos, promovidas pelo Movimento Católico de Estudantes (MCE) em parceria com o Serviço Nacional de Pastoral do Ensino Superior. O programa engloba diversos paineis que desdobram o debate por vasto leque de áreas nas quais se coloca o problema da redescoberta da cidadania.
domingo, 5 de março de 2006
Por causa da lei sobre imigração
Arcebispo dos EUA admite desobediência civil
O arcebispo de Los Angeles, Roger Mahony, deixou aberta a possibilidade de um apelo à desobediência civil relativamente a uma lei de imigração já apresentada na Câmara dos representantes dos EUA, que exige que as confissões religiosas façam depender a assistência aos imigrantes da apresentação de provas de que eles se encontram legalmente no país. A posição deste bispo americano foi já apoiada pelo diário The New York Times, num editorial publicado sexta-feira.
Calcula-se em perto de 11 milhões o número de imigrantes, grande parte deles vindos de países da América Latina.
O arcebispo Mahony pronunciou-se sobre o assunto na celebração de Arata-Feira de Cinzas, altura em que apresentou uma mensagem quaresmal centrada no problema da imigração.
"Diria aos sacerdotes, diáconos e membros da igreja que não iremos cumprir esta lei" - avisou Mahony, ao mesmo tempo que apelou a todos os católicos a que acolham os imigrantes.
Sublinha ainda o arcebispo, na sua mensagem de Qauresma:
"Our Lenten practices, whatever they may be, are much more than pious devotions. Whether our practice takes the form of 'giving up' dessert during Lent, redoubling our efforts at prayer, increasing our contribution to help those in need, fasting, or abstaining from meat, they are all to be understood as a Spirit-assisted effort to empty ourselves of all that would stand in the way of being filled to overflowing with the light and life and love of God. Do we really have room enough for God? So many of us live amid so much clutter, so much noise. We travel through life at breakneck speed. Lent is the time to empty ourselves not only of the seemingly never-ending stuff, sound and speed in our lives, but also of our pettiness, our prejudice, our anxiety, our fear. It is an opportunity to make room, not only for God, but for those who come our way. How open is our door to those who come to us? Is there room enough in our hearts and our homes for those in need?"
O dever moral de acolher os imigrantes não levanta problemas apenas nos Estados Unidos da América. Recentemente, elementos dos episcopados francês e belga insurgiram-se também contra declarações de autoridades dos respctivos países, que consideraram ser criminoso dar assistência a imigrantes ilegais.
Arcebispo dos EUA admite desobediência civil
O arcebispo de Los Angeles, Roger Mahony, deixou aberta a possibilidade de um apelo à desobediência civil relativamente a uma lei de imigração já apresentada na Câmara dos representantes dos EUA, que exige que as confissões religiosas façam depender a assistência aos imigrantes da apresentação de provas de que eles se encontram legalmente no país. A posição deste bispo americano foi já apoiada pelo diário The New York Times, num editorial publicado sexta-feira.
Calcula-se em perto de 11 milhões o número de imigrantes, grande parte deles vindos de países da América Latina.
O arcebispo Mahony pronunciou-se sobre o assunto na celebração de Arata-Feira de Cinzas, altura em que apresentou uma mensagem quaresmal centrada no problema da imigração.
"Diria aos sacerdotes, diáconos e membros da igreja que não iremos cumprir esta lei" - avisou Mahony, ao mesmo tempo que apelou a todos os católicos a que acolham os imigrantes.
Sublinha ainda o arcebispo, na sua mensagem de Qauresma:
"Our Lenten practices, whatever they may be, are much more than pious devotions. Whether our practice takes the form of 'giving up' dessert during Lent, redoubling our efforts at prayer, increasing our contribution to help those in need, fasting, or abstaining from meat, they are all to be understood as a Spirit-assisted effort to empty ourselves of all that would stand in the way of being filled to overflowing with the light and life and love of God. Do we really have room enough for God? So many of us live amid so much clutter, so much noise. We travel through life at breakneck speed. Lent is the time to empty ourselves not only of the seemingly never-ending stuff, sound and speed in our lives, but also of our pettiness, our prejudice, our anxiety, our fear. It is an opportunity to make room, not only for God, but for those who come our way. How open is our door to those who come to us? Is there room enough in our hearts and our homes for those in need?"
O dever moral de acolher os imigrantes não levanta problemas apenas nos Estados Unidos da América. Recentemente, elementos dos episcopados francês e belga insurgiram-se também contra declarações de autoridades dos respctivos países, que consideraram ser criminoso dar assistência a imigrantes ilegais.
domingo, 12 de fevereiro de 2006
Dios se siente solo
SAMIR GHARBI - 12/02/2006
JEUNE AFRIQUE L´INTELLIGENT, París, 11 / II / 2006
La Vanguardia
Según dos sondeos realizados en 65 países por el acreditado Instituto Gallup Internacional, el número de personas que afirman estar vinculados a una religión, sea cual sea, o afirman creer en cualquier Dios no cesa de disminuir: eran el 87% en el 2000, y sólo un 66% en el 2005. En todas partes, salvo en África, la práctica religiosa ha retrocedido: menos de un 21% en cinco años. Más de 50.000 personas han sido encuestadas. Según Gallup, son representativas de la opinión de 1.300 millones de habitantes. Pero el instituto no da ninguna explicación que pruebe el fenómeno y se limita a avanzar que el cambio de milenio ha suscitado un efímero empujón de fervor religioso... La regresión es casi general. El número de los que se vinculan a una religión ha pasado del 88% al 60% en Europa Occidental; del 84% al 65% en Europa del Este; del 77% al 50% en Asia-Pacífico; del 91% al 71% en América del Norte, y del 96% al 82% en Sudamérica. Sólo en África la situación prácticamente no ha evolucionado. Este continente sigue siendo el más religioso, con una tasa de creyentes del 91%, contra el 1% de ateos y el 8% sin religión. En Asia, que, desde este punto de vista, cierra la marcha, las cifras son respectivamente de 50%, de creyentes, 12% de ateos y 38% sin religión. Los resultados por países colocan a Ghana en primer lugar mundial por el número de creyentes (96%), seguido de otro país africano, Nigeria (94%). El jefe de filas de los ateos es Hong Kong (54%). Y los de sin religión, Tailandia (65%) ante Japón (59%). El sondeo de 2005 hace aparecer una relación de causa efecto entre el hecho religioso y la situación socioeconómica de la gente: a más nivel de educación, menos fenómeno religioso. Igualmente, el porcentaje de los creyentes baja a medida que los ingresos de un país aumentan... El único consuelo para los prosélitos de toda índole es que el envejecimiento se acompaña con una progresiva vuelta a Dios.
SAMIR GHARBI - 12/02/2006
JEUNE AFRIQUE L´INTELLIGENT, París, 11 / II / 2006
La Vanguardia
Según dos sondeos realizados en 65 países por el acreditado Instituto Gallup Internacional, el número de personas que afirman estar vinculados a una religión, sea cual sea, o afirman creer en cualquier Dios no cesa de disminuir: eran el 87% en el 2000, y sólo un 66% en el 2005. En todas partes, salvo en África, la práctica religiosa ha retrocedido: menos de un 21% en cinco años. Más de 50.000 personas han sido encuestadas. Según Gallup, son representativas de la opinión de 1.300 millones de habitantes. Pero el instituto no da ninguna explicación que pruebe el fenómeno y se limita a avanzar que el cambio de milenio ha suscitado un efímero empujón de fervor religioso... La regresión es casi general. El número de los que se vinculan a una religión ha pasado del 88% al 60% en Europa Occidental; del 84% al 65% en Europa del Este; del 77% al 50% en Asia-Pacífico; del 91% al 71% en América del Norte, y del 96% al 82% en Sudamérica. Sólo en África la situación prácticamente no ha evolucionado. Este continente sigue siendo el más religioso, con una tasa de creyentes del 91%, contra el 1% de ateos y el 8% sin religión. En Asia, que, desde este punto de vista, cierra la marcha, las cifras son respectivamente de 50%, de creyentes, 12% de ateos y 38% sin religión. Los resultados por países colocan a Ghana en primer lugar mundial por el número de creyentes (96%), seguido de otro país africano, Nigeria (94%). El jefe de filas de los ateos es Hong Kong (54%). Y los de sin religión, Tailandia (65%) ante Japón (59%). El sondeo de 2005 hace aparecer una relación de causa efecto entre el hecho religioso y la situación socioeconómica de la gente: a más nivel de educación, menos fenómeno religioso. Igualmente, el porcentaje de los creyentes baja a medida que los ingresos de un país aumentan... El único consuelo para los prosélitos de toda índole es que el envejecimiento se acompaña con una progresiva vuelta a Dios.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Signis: Declaração sobre a controvérsia acerca das caricaturas de Maomé
SIGNIS (World Catholic Association for Communication)
Brussels, February 10th 2006
As a worldwide association of Catholic media professionals we join with all those who have strongly criticised the decision to publish the cartoons depicting the Prophet Muhammad which were published recently in the Danish newspaper, Jyllands Posten.
We wish, however, also to reiterate our unswerving commitment to the principles of freedom of speech and expression. Freedom of speech is a fundamental human right and the basis of free and democratic societies.
Freedom of speech, of course, is a responsibility as well as a right and in this instance the publication of the cartoons was deeply irresponsible. The cartoons were nothing more than stereotypical smears which were neither insightful nor effective.
But the provocation of the cartoons does not justify the violence and fanaticism of some of those who have protested against them. We support those Muslims who have condemned the violence and urged the protestors to rely solely on peaceful means. Furthermore, we condemn all forms of incitement to hatred on the grounds of religion, race or other characteristics. The antidote to extremism is dialogue and understanding between communities, whether religious or secular.
At our recent World Congress in Lyon we committed ourselves to joining with all those who are contributing to a Culture of Peace through the media. We reiterate that commitment and pledge ourselves anew to communicate through the media in ways that contribute to peace, build inter-religious and intercultural dialogue and foster democratic debate based on mutual respect and tolerance.
Marc Aellen, Secretary General
Augustine Loorthusamy, President
SIGNIS (World Catholic Association for Communication)
Brussels, February 10th 2006
As a worldwide association of Catholic media professionals we join with all those who have strongly criticised the decision to publish the cartoons depicting the Prophet Muhammad which were published recently in the Danish newspaper, Jyllands Posten.
We wish, however, also to reiterate our unswerving commitment to the principles of freedom of speech and expression. Freedom of speech is a fundamental human right and the basis of free and democratic societies.
Freedom of speech, of course, is a responsibility as well as a right and in this instance the publication of the cartoons was deeply irresponsible. The cartoons were nothing more than stereotypical smears which were neither insightful nor effective.
But the provocation of the cartoons does not justify the violence and fanaticism of some of those who have protested against them. We support those Muslims who have condemned the violence and urged the protestors to rely solely on peaceful means. Furthermore, we condemn all forms of incitement to hatred on the grounds of religion, race or other characteristics. The antidote to extremism is dialogue and understanding between communities, whether religious or secular.
At our recent World Congress in Lyon we committed ourselves to joining with all those who are contributing to a Culture of Peace through the media. We reiterate that commitment and pledge ourselves anew to communicate through the media in ways that contribute to peace, build inter-religious and intercultural dialogue and foster democratic debate based on mutual respect and tolerance.
Marc Aellen, Secretary General
Augustine Loorthusamy, President
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006
Cartoons sobre Maomé
O que mais me tem impressionado, no debate suscitado pela publicação das caricaturas de Maomé, é a afirmação de que a consideração da sensibilidade do outro, no exercício da liberdade de expressão, constitui uma fraqueza e uma ameaça a essa liberdade.
Sâo condenáveis as violências várias que a este propósito, os sectores radicais islâmicos desencadearam em diversas partes do mundo árabe, como são condenáveis os aproveitamentos do caso das caricaturas para outras "guerras". Mas, ao mesmo tempo, também não pode ser aceitável uma concepção da liberdade erigida em princípio supremo, sem cuidar dos efeitos do seu exercício, sem cuidar da existência de outras formas de ver o mundo e a vida. A existência individual e colectiva decorre de uma procura de equilíbrio entre vários valores fundadores dessa mesma existência, e não da sobreposição de um deles sobre todos os outros.
Custou ver, no debate de há dias do programa Prós e Contras, o especialista de relações internacionais Vasco Rato dizer com toda a clareza que, se para exercer a liberdade de expresão, tivesse de se preocupar com o que outros pensam ou sentem, a consequência seria ficar mudo e quedo, isto é, seria a anulação da liberdade.
O que mais me tem impressionado, no debate suscitado pela publicação das caricaturas de Maomé, é a afirmação de que a consideração da sensibilidade do outro, no exercício da liberdade de expressão, constitui uma fraqueza e uma ameaça a essa liberdade.
Sâo condenáveis as violências várias que a este propósito, os sectores radicais islâmicos desencadearam em diversas partes do mundo árabe, como são condenáveis os aproveitamentos do caso das caricaturas para outras "guerras". Mas, ao mesmo tempo, também não pode ser aceitável uma concepção da liberdade erigida em princípio supremo, sem cuidar dos efeitos do seu exercício, sem cuidar da existência de outras formas de ver o mundo e a vida. A existência individual e colectiva decorre de uma procura de equilíbrio entre vários valores fundadores dessa mesma existência, e não da sobreposição de um deles sobre todos os outros.
Custou ver, no debate de há dias do programa Prós e Contras, o especialista de relações internacionais Vasco Rato dizer com toda a clareza que, se para exercer a liberdade de expresão, tivesse de se preocupar com o que outros pensam ou sentem, a consequência seria ficar mudo e quedo, isto é, seria a anulação da liberdade.
sábado, 28 de janeiro de 2006
Jesuíta Juan Masiá destituído da cátedra da Universidade de Comillas
Uma informação da revsita espanhola "Vida Nueva" que não vi referenciada nos media portugueses:
"Vida Nueva, Nº 504, 28/01/06.- Las presiones ejercidas por una parte de la jerarquía eclesiástica estarían detrás del cese del jesuita Juan Masiá Clavel como director de la Cátedra de Bioética de la Universidad Pontificia Comillas de Madrid la pasada semana.
La destitución le fue notificada por el rector, José Ramón Busto Saiz, tras mantener conversaciones con el propio Masiá y con el Provincial de Castilla y Vice Gran Canciller de la universidad jesuita, según ha sabido ?Vida Nueva?.
El jesuita murciano, que este mes de marzo cumplirá 65 años, también dejará completamente de desarrollar su labor docente en Comillas al finalizar el presente curso académico. Su sustituto al frente de la Cátedra podría darse a conocer el 15 de febrero.
Juan Masiá, que ocupaba la dirección desde febrero de 2004, rechazó la posibilidad planteada por sus superiores de flexibilizar sus opiniones, orales y escritas, sobre cuestiones bioéticas y de renunciar a divulgarlas a través de los medios de comunicación, lo que ha precipitado su cese.
Aunque las presiones a la Compañía de Jesús a propósito de los escritos de Masiá se remontan a hace más de un año, habrían arreciado tras la reciente publicación del libro Tertulias de Bioética (ver Vida Nueva, nº (ver Vida Nueva, nº 2.500, p. 44), en donde aborda, con un tono coloquial y desenfadado, las consecuencias bioéticas que para la vida y la sexualidad se derivan de la evolución social y de la fe.
Previendo la polémica que este escrito podría suscitar, el religioso hacía constar en esas páginas que ?por fidelidad a la Iglesia, por sentirnos Iglesia y sentirnos en la Iglesia, nos vemos obligados, no sólo a sentir con la Iglesia sino, en algunas ocasiones, a disentir en la Iglesia, a disentir razonable y responsablemente dentro de la Iglesia?.
La Cátedra de Bioética, creada en 1987, y de la que fue buque insignia hasta su muerte el también jesuita Javier Gafo, tiene, entre sus principales objetivos, ?contribuir a iluminar los dilemas morales suscitados por los espectaculares avances de las ciencias biomédicas?.
José Lorenzo "
O Blogue de Eclesalia, que divulga esta informação, transcreve igualmente a última lição do Prof. Masiá:
?CAMINAR, TENDER PUENTES Y VIVIR EN LA FRONTERA?
Lección final, antes de la jubilación
JUAN MASIÁ CLAVEL, jesuita; profesor propio ordinario de Antropología filosófica en la Facultad de Ciencias humanas y sociales, y de Teología Moral en la Facultad de Teología de la Universidad Pontificia Comillas; Director de la Cátedra de Bioética de la misma Universidad.
MADRID.
ECLESALIA, 27/01/06.- Con la brevedad aconsejable para estas ocasiones, elijo los tres textos bíblicos siguientes:
- Ellos, por su parte, contaron lo que había pasado en el camino y cómo le habían conocido en la fracción del pan (Lc 24, 35).
- Según el Camino, que ellos llaman secta, doy culto al Dios de mis padres (Hechos 24, 14).
- Y he aquí que \nyo estoy con vosotros todos los días hasta el fin del mundo (Mt 28,
- Y he aquí que yo estoy con vosotros todos los días hasta el fin del mundo (Mt 28, 20).
El primer texto está tomado del camino de Emaús. Invita a encontrar a Jesús en el camino, en el pan y en la palabra; es decir, en la vida cotidiana, el compartir fraternal y el repartir justo, y en la comunicación alegre y esperanzadora de su Buena Noticia.
En el segundo texto, Pablo opta por el Camino y rechaza las estrecheces del grupo exclusivista (?secta?) y de la institución inmovilista (?ellos?).
En el tercer texto convergen los diversos lenguajes sobre la presencia del Crucificado Vivo para siempre. A la pregunta ?¿Dónde está?? se responde de cinco maneras:
A) Está arriba: es el lenguaje de la Ascensión en clave apocalíptica de victoria. (Lc 24, 51)
B) Está a la derecha del Dios Padre/Madre: es el lenguaje escatológico recapitulación definitiva. (cgf. Heb 10, 12-13).
C) Está delante: es el lenguaje de la praxis y la cotidianidad. (Mc 16, 15).
D) Está en todo: es el lenguaje místico-cósmico. (Ef 4, 10; Jn 20, 17).
E) Está al lado: es el lenguaje de la comunidad en misión ad extra para tender puentes y vivir en la frontera. En este lenguaje se concentran los otros cuatro, es paradigma para pensar la iglesia, la comunidad y la misión. (Mt 28, 20).
La comunidad que camina, practicando el mensaje de Emaús, confronta tres tentaciones:
A) Reducirse a ser una institución y vivir para mantener la institución.
B) Convertirse, en el extremo opuesto, en secta, rechazando lo de fuera con exclusivismo e idolatrando a fundadores con culto a la personalidad.
C) Mantener un equilibrio diplomático entre ambos extremos, mediante el recurso a dobles estándares o dobles vidas, callar lo que se piensa y silenciar a quien se atreva a destapar el fraude.
Estas tres tentaciones se superan mediante la ?cuarta vía?, mostrada en el citado texto de los Hechos: el Camino, la conversión, cambio y reforma continuos, la renuncia a instalarse en instituciones o encerrarse en sectas y el ánimo para conjugar mística y política, reconciliación y profecía.
Ignacio de Loyola captó esto muy bien. Quienes hemos heredado su pedagogía espiritual a través de los Ejercicios espirituales sentimos la vocación para vivir caminando, tendiendo puentes y haciendo equilibrios en la frontera. A veces habrá que hacer equilibrios de cuerda floja para estar en la frontera: entre la investigación y la divulgación, entre la investigación y la educación, entre estar presente en los medios y no dejarse manipular por ellos, entre la pastoral y la labor en tierras de marginación, entre la espiritualidad y la moral, entre Oriente y Occidente, entre Roma y Jerusalén, entre ciencias y creencias, entre la fidelidad y la creatividad, entre la pastoral ad intra, y la misión ad extra.
Para vivir con optimismo y alegría bailando en la cuerda floja nos anima la esperanza, ?segura y sólida ancla del alma? (Heb. 6, 19). (Eclesalia Informativo autoriza y recomienda la difusión de sus artículos, indicando su procedencia).
En Madrid, en la Cátedra de Bioética de la Universidad Pontificia Comillas, a 18 de enero, del 2006.
Uma informação da revsita espanhola "Vida Nueva" que não vi referenciada nos media portugueses:
"Vida Nueva, Nº 504, 28/01/06.- Las presiones ejercidas por una parte de la jerarquía eclesiástica estarían detrás del cese del jesuita Juan Masiá Clavel como director de la Cátedra de Bioética de la Universidad Pontificia Comillas de Madrid la pasada semana.
La destitución le fue notificada por el rector, José Ramón Busto Saiz, tras mantener conversaciones con el propio Masiá y con el Provincial de Castilla y Vice Gran Canciller de la universidad jesuita, según ha sabido ?Vida Nueva?.
El jesuita murciano, que este mes de marzo cumplirá 65 años, también dejará completamente de desarrollar su labor docente en Comillas al finalizar el presente curso académico. Su sustituto al frente de la Cátedra podría darse a conocer el 15 de febrero.
Juan Masiá, que ocupaba la dirección desde febrero de 2004, rechazó la posibilidad planteada por sus superiores de flexibilizar sus opiniones, orales y escritas, sobre cuestiones bioéticas y de renunciar a divulgarlas a través de los medios de comunicación, lo que ha precipitado su cese.
Aunque las presiones a la Compañía de Jesús a propósito de los escritos de Masiá se remontan a hace más de un año, habrían arreciado tras la reciente publicación del libro Tertulias de Bioética (ver Vida Nueva, nº (ver Vida Nueva, nº 2.500, p. 44), en donde aborda, con un tono coloquial y desenfadado, las consecuencias bioéticas que para la vida y la sexualidad se derivan de la evolución social y de la fe.
Previendo la polémica que este escrito podría suscitar, el religioso hacía constar en esas páginas que ?por fidelidad a la Iglesia, por sentirnos Iglesia y sentirnos en la Iglesia, nos vemos obligados, no sólo a sentir con la Iglesia sino, en algunas ocasiones, a disentir en la Iglesia, a disentir razonable y responsablemente dentro de la Iglesia?.
La Cátedra de Bioética, creada en 1987, y de la que fue buque insignia hasta su muerte el también jesuita Javier Gafo, tiene, entre sus principales objetivos, ?contribuir a iluminar los dilemas morales suscitados por los espectaculares avances de las ciencias biomédicas?.
José Lorenzo "
O Blogue de Eclesalia, que divulga esta informação, transcreve igualmente a última lição do Prof. Masiá:
?CAMINAR, TENDER PUENTES Y VIVIR EN LA FRONTERA?
Lección final, antes de la jubilación
JUAN MASIÁ CLAVEL, jesuita; profesor propio ordinario de Antropología filosófica en la Facultad de Ciencias humanas y sociales, y de Teología Moral en la Facultad de Teología de la Universidad Pontificia Comillas; Director de la Cátedra de Bioética de la misma Universidad.
MADRID.
ECLESALIA, 27/01/06.- Con la brevedad aconsejable para estas ocasiones, elijo los tres textos bíblicos siguientes:
- Ellos, por su parte, contaron lo que había pasado en el camino y cómo le habían conocido en la fracción del pan (Lc 24, 35).
- Según el Camino, que ellos llaman secta, doy culto al Dios de mis padres (Hechos 24, 14).
- Y he aquí que \nyo estoy con vosotros todos los días hasta el fin del mundo (Mt 28,
- Y he aquí que yo estoy con vosotros todos los días hasta el fin del mundo (Mt 28, 20).
El primer texto está tomado del camino de Emaús. Invita a encontrar a Jesús en el camino, en el pan y en la palabra; es decir, en la vida cotidiana, el compartir fraternal y el repartir justo, y en la comunicación alegre y esperanzadora de su Buena Noticia.
En el segundo texto, Pablo opta por el Camino y rechaza las estrecheces del grupo exclusivista (?secta?) y de la institución inmovilista (?ellos?).
En el tercer texto convergen los diversos lenguajes sobre la presencia del Crucificado Vivo para siempre. A la pregunta ?¿Dónde está?? se responde de cinco maneras:
A) Está arriba: es el lenguaje de la Ascensión en clave apocalíptica de victoria. (Lc 24, 51)
B) Está a la derecha del Dios Padre/Madre: es el lenguaje escatológico recapitulación definitiva. (cgf. Heb 10, 12-13).
C) Está delante: es el lenguaje de la praxis y la cotidianidad. (Mc 16, 15).
D) Está en todo: es el lenguaje místico-cósmico. (Ef 4, 10; Jn 20, 17).
E) Está al lado: es el lenguaje de la comunidad en misión ad extra para tender puentes y vivir en la frontera. En este lenguaje se concentran los otros cuatro, es paradigma para pensar la iglesia, la comunidad y la misión. (Mt 28, 20).
La comunidad que camina, practicando el mensaje de Emaús, confronta tres tentaciones:
A) Reducirse a ser una institución y vivir para mantener la institución.
B) Convertirse, en el extremo opuesto, en secta, rechazando lo de fuera con exclusivismo e idolatrando a fundadores con culto a la personalidad.
C) Mantener un equilibrio diplomático entre ambos extremos, mediante el recurso a dobles estándares o dobles vidas, callar lo que se piensa y silenciar a quien se atreva a destapar el fraude.
Estas tres tentaciones se superan mediante la ?cuarta vía?, mostrada en el citado texto de los Hechos: el Camino, la conversión, cambio y reforma continuos, la renuncia a instalarse en instituciones o encerrarse en sectas y el ánimo para conjugar mística y política, reconciliación y profecía.
Ignacio de Loyola captó esto muy bien. Quienes hemos heredado su pedagogía espiritual a través de los Ejercicios espirituales sentimos la vocación para vivir caminando, tendiendo puentes y haciendo equilibrios en la frontera. A veces habrá que hacer equilibrios de cuerda floja para estar en la frontera: entre la investigación y la divulgación, entre la investigación y la educación, entre estar presente en los medios y no dejarse manipular por ellos, entre la pastoral y la labor en tierras de marginación, entre la espiritualidad y la moral, entre Oriente y Occidente, entre Roma y Jerusalén, entre ciencias y creencias, entre la fidelidad y la creatividad, entre la pastoral ad intra, y la misión ad extra.
Para vivir con optimismo y alegría bailando en la cuerda floja nos anima la esperanza, ?segura y sólida ancla del alma? (Heb. 6, 19). (Eclesalia Informativo autoriza y recomienda la difusión de sus artículos, indicando su procedencia).
En Madrid, en la Cátedra de Bioética de la Universidad Pontificia Comillas, a 18 de enero, del 2006.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Olhar para as implicações
Manuela Silva, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), defende que é indispensável olhar para as implicações práticas da leitura da primeira encíclica de Bento XVI, que se mostra ?muito exigente?.?Na linha da tradição das primeiras comunidades, o Papa afirma que não é tolerável que continue a haver, nas nossas comunidades, pessoas a quem falta o indispensável para uma vida digna?, afirma à Agência Ecclesia. Se esta afirmação fosse levada às últimas consequências, precisa, ?isso implicaria um novo dinamismo nas comunidades cristãs, quer na sua organização, quer na busca de soluções mais justas para a sociedade humana?.Para esta responsável, é ?extremamente positivo e encorajador? que o Papa tenha escolhido um tema tão central como a ?revelação de Deus que é amor? para a sua primeira encíclica.?Este documento vem abrir caminho a uma reflexão, por parte das comunidades cristãs?, assinala. Após uma reflexão ?do tipo filosófico e antropológico? a respeito do amor, Bento XVI apresenta um convite a todas as comunidades cristãs a ?serem mais sensíveis às necessidades da justiça e da paz?.Por explorar, segundo Manuela Silva, ficaram os desafios levantados pelo processo de globalização que a sociedade moderna vive. ?O Papa optou por concentrar-se naquilo que chama de respostas de caridade das comunidades cristãs e, nesse sentido, ficou aquém de outras posições já assumidas pelos seus predecessores, que indicavam um conceito alargado de caridade, estendido até à transformação das estruturas económicas e sociais?, conclui.
Manuela Silva, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), defende que é indispensável olhar para as implicações práticas da leitura da primeira encíclica de Bento XVI, que se mostra ?muito exigente?.?Na linha da tradição das primeiras comunidades, o Papa afirma que não é tolerável que continue a haver, nas nossas comunidades, pessoas a quem falta o indispensável para uma vida digna?, afirma à Agência Ecclesia. Se esta afirmação fosse levada às últimas consequências, precisa, ?isso implicaria um novo dinamismo nas comunidades cristãs, quer na sua organização, quer na busca de soluções mais justas para a sociedade humana?.Para esta responsável, é ?extremamente positivo e encorajador? que o Papa tenha escolhido um tema tão central como a ?revelação de Deus que é amor? para a sua primeira encíclica.?Este documento vem abrir caminho a uma reflexão, por parte das comunidades cristãs?, assinala. Após uma reflexão ?do tipo filosófico e antropológico? a respeito do amor, Bento XVI apresenta um convite a todas as comunidades cristãs a ?serem mais sensíveis às necessidades da justiça e da paz?.Por explorar, segundo Manuela Silva, ficaram os desafios levantados pelo processo de globalização que a sociedade moderna vive. ?O Papa optou por concentrar-se naquilo que chama de respostas de caridade das comunidades cristãs e, nesse sentido, ficou aquém de outras posições já assumidas pelos seus predecessores, que indicavam um conceito alargado de caridade, estendido até à transformação das estruturas económicas e sociais?, conclui.
domingo, 15 de janeiro de 2006
Cristianismo e dignidade
Anselmo Borges
in Diário de Notícias, 15.1.2006
(...) Agora, tudo isso [Natal] é passado. Regressou o quotidiano, prosaico, baço, exaltante. Já à distância, talvez possamos ir ao que é mais essencial daquela festa mágica, que nos mimou a infância e que alguns dizem que devia ser todos os dias - o Natal.
Mesmo que muitos já se não lembrem disso, o que é facto é que o Natal se refere ao nascimento de Jesus Cristo, figura determinante da história universal. Quer se seja crente quer não, é preciso reconhecer que a ideia de pessoa enquanto dignidade intangível e sujeito de direitos invioláveis, porque divinos, se impôs por causa dos debates à volta da tentativa de compreensão do mistério de Cristo.
Embora, historicamente, os Direitos Humanos tenham tido de abrir caminho contra a Igreja oficial, há quem lembre, não sem razão, que eles têm na sua raiz também a mensagem bíblica, não sendo por acaso que "nasceram" em sociedades marcadas pelo cristianismo.
Pensadores da estatura de Hegel, Ernst Bloch e Jürgen Habermas reconheceram que foi pela fé no Deus feito homem em Jesus Cristo que se explicitou no mundo a consciência da dignidade infinita de ser homem.
Hegel afirmou expressamente que na religião cristã está o princípio de que "o homem tem valor absolutamente infinito".
E. Bloch, o ateu religioso, repetia que foi pelo cristianismo que veio ao mundo a consciência explícita do valor infinito de ser homem, de tal modo que nenhum ser humano pode ser tratado como "gado".
Mais recentemente, J. Habermas, agnóstico e um dos maiores filósofos vivos, escreveu que a democracia se não entende sem a compreensão judaico-cristã da igualdade radical de todos os homens, por causa da "igualdade de cada indivíduo perante Deus". O núcleo da mensagem de Jesus é este todo o ser humano tem uma dignidade que não pode ser violada, porque o seu fundamento é Deus.
O Deus que Jesus anuncia é aquele cuja causa é a causa do homem e a sua plena realização. Por isso, os Evangelhos proclamam que, logo no nascimento de Jesus, esta mensagem foi anunciada a todos os homens de boa vontade, a começar pelos mais pobres e fracos, concretamente pelos pastores, malvistos porque "impuros" e se encontravam à margem da prática da religião.
Mas esta boa nova é para todos, portanto, para lá do chamado povo eleito ela abrange os pagãos.
É inútil procurar possíveis acontecimentos astronómicos em ordem a esclarecer a estrela dos reis magos, que surge no Oriente, como não tem sentido investigar quantos eram e donde vinham.
De facto, aqui utiliza-se linguagem simbólica para transmitir o essencial do Evangelho Deus manifestou-se como favorável a todos os homens e está do seu lado, também dos pagãos, e sobretudo dos mais fracos, marginalizados e abandonados. Foi no quadro da influência cristã que Immanuel Kant apresentou como núcleo da moral o respeito para com a humanidade "Trata a humanidade na tua pessoa e na pessoa de todos os outros sempre como fim, nunca como simples meio."As coisas são meios e, por isso, compram-se e vendem-se e têm um preço. O homem, porém, não tem preço, porque é fim e não meio. Ele tem dignidade.Aí está a razão por que é discutível que Portugal seja um país católico.
De facto, a maioria da população declara-se católica nas estatísticas. Ora, talvez seja católica, mas cristã não é com certeza. Se o fosse, não haveria dois milhões de pobres e 200 mil pessoas que lutam com a fome.
Por outro lado, uma sociedade equilibrada e justa caminha para um tipo de figura que se aproxima da do ovo: a parte do meio é vasta e as pontas (os ricos e os pobres) são arredondadas. Entre nós, porém, cava-se cada vez mais fundo o abismo entre os muito ricos e os pobres e muito pobres: a ponta da pirâmide aguça-se e a base é cada vez mais ampla".
Anselmo Borges
in Diário de Notícias, 15.1.2006
(...) Agora, tudo isso [Natal] é passado. Regressou o quotidiano, prosaico, baço, exaltante. Já à distância, talvez possamos ir ao que é mais essencial daquela festa mágica, que nos mimou a infância e que alguns dizem que devia ser todos os dias - o Natal.
Mesmo que muitos já se não lembrem disso, o que é facto é que o Natal se refere ao nascimento de Jesus Cristo, figura determinante da história universal. Quer se seja crente quer não, é preciso reconhecer que a ideia de pessoa enquanto dignidade intangível e sujeito de direitos invioláveis, porque divinos, se impôs por causa dos debates à volta da tentativa de compreensão do mistério de Cristo.
Embora, historicamente, os Direitos Humanos tenham tido de abrir caminho contra a Igreja oficial, há quem lembre, não sem razão, que eles têm na sua raiz também a mensagem bíblica, não sendo por acaso que "nasceram" em sociedades marcadas pelo cristianismo.
Pensadores da estatura de Hegel, Ernst Bloch e Jürgen Habermas reconheceram que foi pela fé no Deus feito homem em Jesus Cristo que se explicitou no mundo a consciência da dignidade infinita de ser homem.
Hegel afirmou expressamente que na religião cristã está o princípio de que "o homem tem valor absolutamente infinito".
E. Bloch, o ateu religioso, repetia que foi pelo cristianismo que veio ao mundo a consciência explícita do valor infinito de ser homem, de tal modo que nenhum ser humano pode ser tratado como "gado".
Mais recentemente, J. Habermas, agnóstico e um dos maiores filósofos vivos, escreveu que a democracia se não entende sem a compreensão judaico-cristã da igualdade radical de todos os homens, por causa da "igualdade de cada indivíduo perante Deus". O núcleo da mensagem de Jesus é este todo o ser humano tem uma dignidade que não pode ser violada, porque o seu fundamento é Deus.
O Deus que Jesus anuncia é aquele cuja causa é a causa do homem e a sua plena realização. Por isso, os Evangelhos proclamam que, logo no nascimento de Jesus, esta mensagem foi anunciada a todos os homens de boa vontade, a começar pelos mais pobres e fracos, concretamente pelos pastores, malvistos porque "impuros" e se encontravam à margem da prática da religião.
Mas esta boa nova é para todos, portanto, para lá do chamado povo eleito ela abrange os pagãos.
É inútil procurar possíveis acontecimentos astronómicos em ordem a esclarecer a estrela dos reis magos, que surge no Oriente, como não tem sentido investigar quantos eram e donde vinham.
De facto, aqui utiliza-se linguagem simbólica para transmitir o essencial do Evangelho Deus manifestou-se como favorável a todos os homens e está do seu lado, também dos pagãos, e sobretudo dos mais fracos, marginalizados e abandonados. Foi no quadro da influência cristã que Immanuel Kant apresentou como núcleo da moral o respeito para com a humanidade "Trata a humanidade na tua pessoa e na pessoa de todos os outros sempre como fim, nunca como simples meio."As coisas são meios e, por isso, compram-se e vendem-se e têm um preço. O homem, porém, não tem preço, porque é fim e não meio. Ele tem dignidade.Aí está a razão por que é discutível que Portugal seja um país católico.
De facto, a maioria da população declara-se católica nas estatísticas. Ora, talvez seja católica, mas cristã não é com certeza. Se o fosse, não haveria dois milhões de pobres e 200 mil pessoas que lutam com a fome.
Por outro lado, uma sociedade equilibrada e justa caminha para um tipo de figura que se aproxima da do ovo: a parte do meio é vasta e as pontas (os ricos e os pobres) são arredondadas. Entre nós, porém, cava-se cada vez mais fundo o abismo entre os muito ricos e os pobres e muito pobres: a ponta da pirâmide aguça-se e a base é cada vez mais ampla".
quarta-feira, 4 de janeiro de 2006
Fazer férias de si próprio
"Detesto a mania pós-moderna das viagens e gente que não pode estar quieta. A meu ver, esta moda que tantos pensam ser sinal de sofisticação só revela almas inquietas, que não se suportam a si mesmas e mudam constantemente de sítio no desespero de fazerem férias de si próprias, que é afinal aquilo que sem saber procuram".
Luís Fernandes, in Público, 4.1.2006
"Detesto a mania pós-moderna das viagens e gente que não pode estar quieta. A meu ver, esta moda que tantos pensam ser sinal de sofisticação só revela almas inquietas, que não se suportam a si mesmas e mudam constantemente de sítio no desespero de fazerem férias de si próprias, que é afinal aquilo que sem saber procuram".
Luís Fernandes, in Público, 4.1.2006
terça-feira, 3 de janeiro de 2006
Casiano Florestán e Lorenzo Gomis
Acabo de saber da morte do teólogo Casiano Florestán. O seu amigo Juan Tamayo inicia assim um longo depoimento em que recorda a figura de Florestán:
"Al amanecer del 1 de enero de hoy fallecía en Pamplona mi entrañable amigo Casiano Floristán, que había nacido en Arguedas (Navarra) el 4 de noviembre de 1926. Ha sido una de las personalidades más relevantes del panorama teológico español de la segunda mitad del siglo XX. (...)". (Continuar a ler AQUI)
Outra figura que marcou o catolicismo aberto e interventivo, em Barcelona, que faleceu igualmente, mas no último dia de 2005, foi Lorenzo Gomis. Era conhecido sobretudo pela sua actividade como jornalista, como professor e investigador de jornalismo e como poeta. Mas foi igualmente o fundador, com sua mulher, da revista El Ciervo, fundada em 1951, perseguida pelo franquismo, e que ainda se publica.
Acabo de saber da morte do teólogo Casiano Florestán. O seu amigo Juan Tamayo inicia assim um longo depoimento em que recorda a figura de Florestán:
"Al amanecer del 1 de enero de hoy fallecía en Pamplona mi entrañable amigo Casiano Floristán, que había nacido en Arguedas (Navarra) el 4 de noviembre de 1926. Ha sido una de las personalidades más relevantes del panorama teológico español de la segunda mitad del siglo XX. (...)". (Continuar a ler AQUI)
Outra figura que marcou o catolicismo aberto e interventivo, em Barcelona, que faleceu igualmente, mas no último dia de 2005, foi Lorenzo Gomis. Era conhecido sobretudo pela sua actividade como jornalista, como professor e investigador de jornalismo e como poeta. Mas foi igualmente o fundador, com sua mulher, da revista El Ciervo, fundada em 1951, perseguida pelo franquismo, e que ainda se publica.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Três figuras luminosas
No diário "Le Monde", Henri Tincq escreve sobre L'héritage de trois témoins du christianisme. Três figuras maiores que se foram em 2005, deixndo um testemunho luminoso. Alguns excertos:
"L'année 2005 gardera le souvenir de la disparition de trois figures exceptionnelles ? Jean Paul II, le Frère Roger, Paul Ricoeur ? que la foi et la date de la mort ont réunis. Leur vie fut un chemin, long et exemplaire pour les hommes d'aujourd'hui dans chacun des trois ordres de la vie chrétienne : le magistère, la contemplation, la philosophie. "Laissez-moi aller vers la maison du Père", a murmuré Karol Wojtyla avant de s'éteindre, à près de 85 ans, le soir du 2 avril. Le Frère Roger, 90 ans, est mort le 16 août dans des conditions dramatiques, poignardé à l'heure de l'office par une démente. Quand au grand philosophe protestant Paul Ricoeur, à 92 ans, il s'est éteint le 20 mai dans la paix de l'âge. Ces trois hommes ont eu en commun, outre leur foi et leur notoriété mondiale, d'avoir été d'authentiques hommes de Dieu et de leur temps. (...)
"Des hommes comme Jean Paul II, le Frère Roger ou Paul Ricoeur furent à la fois des signes de contradiction et d'unité. Le premier a suscité autant de controverses par son intransigeance morale et politique que de fascination par son intériorité, son goût de la rencontre et des foules. Avant d'imposer Taizé comme lieu de la réconciliation, le Frère Roger suscita aussi la haine, à une époque où protestants, catholiques et orthodoxes continuaient de s'ignorer, voire de se détester. Ses obsèques ont été célébrées sous le signe du pardon : pardon pour la meurtrière, pardon pour les confessions divisées, pardon pour les jeunes désorientés. De ce pardon dont le philosophe Paul Ricoeur faisait aussi, dans La Mémoire, l'Histoire, l'Oubli (Seuil, 2000), la clé de toute vie en communauté.(...)
"L'héritage de ces trois défunts a toute sa place dans le débat sur la "déliaison" sociale ou ce que Paul Ricoeur appelait la difficulté à vivre l'"altérité". L'écart se creuse, constate Marcel Gauchet, entre l'époque où "être soi" signifiait échapper à son individualité pour tendre vers un idéal collectif et aujourd'hui, où, à l'inverse, "être soi", c'est revendiquer sa différence sociale, ethnique, cultuelle, sexuelle et exiger qu'elle soit protégée par la loi. Sur des matières qui touchent à la solidarité, à la citoyenneté, à la famille, à la santé, à l'éthique, l'Eglise peine à se faire entendre. N'aurait-elle plus rien à dire ou est-elle condamnée, par son affaiblissement, à adopter un profil de plus en plus bas ? (...)".
No diário "Le Monde", Henri Tincq escreve sobre L'héritage de trois témoins du christianisme. Três figuras maiores que se foram em 2005, deixndo um testemunho luminoso. Alguns excertos:
"L'année 2005 gardera le souvenir de la disparition de trois figures exceptionnelles ? Jean Paul II, le Frère Roger, Paul Ricoeur ? que la foi et la date de la mort ont réunis. Leur vie fut un chemin, long et exemplaire pour les hommes d'aujourd'hui dans chacun des trois ordres de la vie chrétienne : le magistère, la contemplation, la philosophie. "Laissez-moi aller vers la maison du Père", a murmuré Karol Wojtyla avant de s'éteindre, à près de 85 ans, le soir du 2 avril. Le Frère Roger, 90 ans, est mort le 16 août dans des conditions dramatiques, poignardé à l'heure de l'office par une démente. Quand au grand philosophe protestant Paul Ricoeur, à 92 ans, il s'est éteint le 20 mai dans la paix de l'âge. Ces trois hommes ont eu en commun, outre leur foi et leur notoriété mondiale, d'avoir été d'authentiques hommes de Dieu et de leur temps. (...)
"Des hommes comme Jean Paul II, le Frère Roger ou Paul Ricoeur furent à la fois des signes de contradiction et d'unité. Le premier a suscité autant de controverses par son intransigeance morale et politique que de fascination par son intériorité, son goût de la rencontre et des foules. Avant d'imposer Taizé comme lieu de la réconciliation, le Frère Roger suscita aussi la haine, à une époque où protestants, catholiques et orthodoxes continuaient de s'ignorer, voire de se détester. Ses obsèques ont été célébrées sous le signe du pardon : pardon pour la meurtrière, pardon pour les confessions divisées, pardon pour les jeunes désorientés. De ce pardon dont le philosophe Paul Ricoeur faisait aussi, dans La Mémoire, l'Histoire, l'Oubli (Seuil, 2000), la clé de toute vie en communauté.(...)
"L'héritage de ces trois défunts a toute sa place dans le débat sur la "déliaison" sociale ou ce que Paul Ricoeur appelait la difficulté à vivre l'"altérité". L'écart se creuse, constate Marcel Gauchet, entre l'époque où "être soi" signifiait échapper à son individualité pour tendre vers un idéal collectif et aujourd'hui, où, à l'inverse, "être soi", c'est revendiquer sa différence sociale, ethnique, cultuelle, sexuelle et exiger qu'elle soit protégée par la loi. Sur des matières qui touchent à la solidarité, à la citoyenneté, à la famille, à la santé, à l'éthique, l'Eglise peine à se faire entendre. N'aurait-elle plus rien à dire ou est-elle condamnée, par son affaiblissement, à adopter un profil de plus en plus bas ? (...)".
sexta-feira, 9 de dezembro de 2005
Laicidade e liberdade religiosa
Esther Mucznik
Público, 9.12.2005
Sobre a polémica em torno da retirada de crucifixos em algumas escolas:
"(...) eu diria que o "combate" de uma associação como a Associação República e Laicidade - que denunciou a existência de crucifixos em determinadas escolas - não é o mesmo do das confissões não católicas, que na sua maioria não se revêem no "militantismo" laico que se dedica a esquadrinhar o país à caça de símbolos católicos para os erradicar do espaço público.Gostaria de dizer com toda a clareza que, de uma forma geral, não sou favorável à proliferação desses ou de outros símbolos religiosos nos edifícios públicos. Liberdade religiosa e liberdade de manifestação religiosa nem sempre coincidem e há momentos em que determinadas manifestações religiosas podem colidir com a liberdade religiosa alheia. Mas não faço disto uma questão principal e decisiva e acredito que, mais do que a legislação, é o bom senso que deve prevalecer, equilibrando sem dramas as regras decorrentes do estatuto de Estado não confessional, por um lado, o costume e as tradições, por outro. Se o consenso de pais e alunos de uma determinada escola for no sentido de porem o crucifixo, sinceramente não vejo qualquer problema. E não vejo qualquer problema porque, contrariamente à postura dos "laicistas", acredito que a liberdade religiosa não tem um conteúdo essencialmente negativo, mas sim positivo: possibilidade de expressão, de associação, de ensino, de visibilidade, de diálogo e reconhecimento público e institucional. Estas sim, são de facto questões decisivas, não negociáveis, da liberdade religiosa, e que não se obtêm através da erradicação da religião majoritária. Esta é uma visão negativa da liberdade religiosa que entretém a ilusão de que a liberdade de uns se faz à custa da liberdade dos outros. A história da humanidade já mostrou sobejamente as consequências trágicas dessa visão que no limite é uma visão revanchista e totalitária.Na raiz da argumentação "laicista" estão dois erros de base: o primeiro é o que identifica a laicidade com a não confessionalidade do Estado; o segundo é o que considera que a não confessionalidade do Estado é condição indispensável da liberdade religiosa. Com efeito, a laicidade, ou melhor, a laicização - palavra que traduz melhor a ideia de um processo em movimento -, é uma marca comum a todas as sociedades democráticas: significa a autonomização da sociedade em relação à religião, processo através do qual a religião deixa de estruturar a organização social e legal. As diferentes instituições religiosas podem fazer campanha em defesa dos seus valores e ideias, mas não têm força legal para os impor. (...)
Outra ideia generalizada é que a autonomia da religião em relação ao Estado obriga a banir Deus do espaço público. A América é a ilustração mais evidente da negação desta ideia: dotada de um sistema de clara separação entre o Estado e a Igreja, a religião tem no entanto uma forte presença não só na sociedade, mas nos próprios actos públicos. De maneira diferente, a Alemanha é outro exemplo disso: ainda muito recentemente, ao nomear formalmente Angela Merkel chanceler, o Presidente da República desejou-lhe "muito êxito, muita força e a bênção de Deus", tendo Merkel respondido com a fórmula prevista na Constituição "Assim Deus me ajude." Em Portugal, isto seria considerado uma ofensa à laicidade e uma "beatice". Podemos entender esta perspectiva do ponto de vista histórico, mas, em minha opinião, isto revela uma visão errada da laicidade, entendida não como a condição de liberdade religiosa, mas como a condição da erradicação da religião. É que apesar das juras em contrário, esta continua a ser encarada por muitos como "o ópio do povo".
Esther Mucznik
Público, 9.12.2005
Sobre a polémica em torno da retirada de crucifixos em algumas escolas:
"(...) eu diria que o "combate" de uma associação como a Associação República e Laicidade - que denunciou a existência de crucifixos em determinadas escolas - não é o mesmo do das confissões não católicas, que na sua maioria não se revêem no "militantismo" laico que se dedica a esquadrinhar o país à caça de símbolos católicos para os erradicar do espaço público.Gostaria de dizer com toda a clareza que, de uma forma geral, não sou favorável à proliferação desses ou de outros símbolos religiosos nos edifícios públicos. Liberdade religiosa e liberdade de manifestação religiosa nem sempre coincidem e há momentos em que determinadas manifestações religiosas podem colidir com a liberdade religiosa alheia. Mas não faço disto uma questão principal e decisiva e acredito que, mais do que a legislação, é o bom senso que deve prevalecer, equilibrando sem dramas as regras decorrentes do estatuto de Estado não confessional, por um lado, o costume e as tradições, por outro. Se o consenso de pais e alunos de uma determinada escola for no sentido de porem o crucifixo, sinceramente não vejo qualquer problema. E não vejo qualquer problema porque, contrariamente à postura dos "laicistas", acredito que a liberdade religiosa não tem um conteúdo essencialmente negativo, mas sim positivo: possibilidade de expressão, de associação, de ensino, de visibilidade, de diálogo e reconhecimento público e institucional. Estas sim, são de facto questões decisivas, não negociáveis, da liberdade religiosa, e que não se obtêm através da erradicação da religião majoritária. Esta é uma visão negativa da liberdade religiosa que entretém a ilusão de que a liberdade de uns se faz à custa da liberdade dos outros. A história da humanidade já mostrou sobejamente as consequências trágicas dessa visão que no limite é uma visão revanchista e totalitária.Na raiz da argumentação "laicista" estão dois erros de base: o primeiro é o que identifica a laicidade com a não confessionalidade do Estado; o segundo é o que considera que a não confessionalidade do Estado é condição indispensável da liberdade religiosa. Com efeito, a laicidade, ou melhor, a laicização - palavra que traduz melhor a ideia de um processo em movimento -, é uma marca comum a todas as sociedades democráticas: significa a autonomização da sociedade em relação à religião, processo através do qual a religião deixa de estruturar a organização social e legal. As diferentes instituições religiosas podem fazer campanha em defesa dos seus valores e ideias, mas não têm força legal para os impor. (...)
Outra ideia generalizada é que a autonomia da religião em relação ao Estado obriga a banir Deus do espaço público. A América é a ilustração mais evidente da negação desta ideia: dotada de um sistema de clara separação entre o Estado e a Igreja, a religião tem no entanto uma forte presença não só na sociedade, mas nos próprios actos públicos. De maneira diferente, a Alemanha é outro exemplo disso: ainda muito recentemente, ao nomear formalmente Angela Merkel chanceler, o Presidente da República desejou-lhe "muito êxito, muita força e a bênção de Deus", tendo Merkel respondido com a fórmula prevista na Constituição "Assim Deus me ajude." Em Portugal, isto seria considerado uma ofensa à laicidade e uma "beatice". Podemos entender esta perspectiva do ponto de vista histórico, mas, em minha opinião, isto revela uma visão errada da laicidade, entendida não como a condição de liberdade religiosa, mas como a condição da erradicação da religião. É que apesar das juras em contrário, esta continua a ser encarada por muitos como "o ópio do povo".
quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
"God isn't big enough for some people"
Umberto Eco
Daily Telegraph, 27/11/2005
God isn't big enough for some people:
"(...) Human beings are religious animals. It is psychologically very hard to go through life without the justification, and the hope, provided by religion. You can see this in the positivist scientists of the 19th century.
They insisted that they were describing the universe in rigorously materialistic terms - yet at night they attended seances and tried to summon up the spirits of the dead. Even today, I frequently meet scientists who, outside their own narrow discipline, are superstitious - to such an extent that it sometimes seems to me that to be a rigorous unbeliever today, you have to be a philosopher. Or perhaps a priest.
And we need to justify our lives to ourselves and to other people. Money is an instrument. It is not a value - but we need values as well as instruments, ends as well as means. The great problem faced by human beings is finding a way to accept the fact that each of us will die.
Money can do a lot of things - but it cannot help reconcile you to your own death. It can sometimes help you postpone your own death: a man who can spend a million pounds on personal physicians will usually live longer than someone who cannot. But he can't make himself live much longer than the average life-span of affluent people in the developed world.
And if you believe in money alone, then sooner or later, you discover money's great limitation: it is unable to justify the fact that you are a mortal animal. Indeed, the more you try escape that fact, the more you are forced to realise that your possessions can't make sense of your death.
It is the role of religion to provide that justification. Religions are systems of belief that enable human beings to justify their existence and which reconcile us to death. We in Europe have faced a fading of organised religion in recent years. Faith in the Christian churches has been declining.
The ideologies such as communism that promised to supplant religion have failed in spectacular and very public fashion. So we're all still looking for something that will reconcile each of us to the inevitability of our own death.
G K Chesterton is often credited with observing: "When a man ceases to believe in God, he doesn't believe in nothing. He believes in anything." Whoever said it - he was right. We are supposed to live in a sceptical age. In fact, we live in an age of outrageous credulity.
The "death of God", or at least the dying of the Christian God, has been accompanied by the birth of a plethora of new idols. They have multiplied like bacteria on the corpse of the Christian Church -- from strange pagan cults and sects to the silly, sub-Christian superstitions of The Da Vinci Code.
It is amazing how many people take that book literally, and think it is true. Admittedly, Dan Brown, its author, has created a legion of zealous followers who believe that Jesus wasn't crucified: he married Mary Magdalene, became the King of France, and started his own version of the order of Freemasons. Many of the people who now go to the Louvre are there only to look at the Mona Lisa, solely and simply because it is at the centre of Dan Brown's book.
The pianist Arthur Rubinstein was once asked if he believed in God. He said: "No. I don't believe in God. I believe in something greater." Our culture suffers from the same inflationary tendency. The existing religions just aren't big enough: we demand something more from God than the existing depictions in the Christian faith can provide. So we revert to the occult. The so-called occult sciences do not ever reveal any genuine secret: they only promise that there is something secret that explains and justifies everything. The great advantage of this is that it allows each person to fill up the empty secret "container" with his or her own fears and hopes.
As a child of the Enlightenment, and a believer in the Enlightenment values of truth, open inquiry, and freedom, I am depressed by that tendency. This is not just because of the association between the occult and fascism and Nazism - although that association was very strong. Himmler and many of Hitler's henchmen were devotees of the most infantile occult fantasies.
The same was true of some of the fascist gurus in Italy - Julius Evola is one example - who continue to fascinate the neo-fascists in my country. And today, if you browse the shelves of any bookshop specialising in the occult, you will find not only the usual tomes on the Templars, Rosicrucians, pseudo-Kabbalists, and of course The Da Vinci Code, but also anti-semitic tracts such as the Protocols of the Elders of Zion.
I was raised as a Catholic, and although I have abandoned the Church, this December, as usual, I will be putting together a Christmas crib for my grandson. We'll construct it together - as my father did with me when I was a boy. I have profound respect for the Christian traditions - which, as rituals for coping with death, still make more sense than their purely commercial alternatives.
I think I agree with Joyce's lapsed Catholic hero in A Portrait of the Artist as a Young Man: "What kind of liberation would that be to forsake an absurdity which is logical and coherent and to embrace one which is illogical and incoherent?" The religious celebration of Christmas is at least a clear and coherent absurdity. The commercial celebration is not even that."
Umberto Eco
Daily Telegraph, 27/11/2005
God isn't big enough for some people:
"(...) Human beings are religious animals. It is psychologically very hard to go through life without the justification, and the hope, provided by religion. You can see this in the positivist scientists of the 19th century.
They insisted that they were describing the universe in rigorously materialistic terms - yet at night they attended seances and tried to summon up the spirits of the dead. Even today, I frequently meet scientists who, outside their own narrow discipline, are superstitious - to such an extent that it sometimes seems to me that to be a rigorous unbeliever today, you have to be a philosopher. Or perhaps a priest.
And we need to justify our lives to ourselves and to other people. Money is an instrument. It is not a value - but we need values as well as instruments, ends as well as means. The great problem faced by human beings is finding a way to accept the fact that each of us will die.
Money can do a lot of things - but it cannot help reconcile you to your own death. It can sometimes help you postpone your own death: a man who can spend a million pounds on personal physicians will usually live longer than someone who cannot. But he can't make himself live much longer than the average life-span of affluent people in the developed world.
And if you believe in money alone, then sooner or later, you discover money's great limitation: it is unable to justify the fact that you are a mortal animal. Indeed, the more you try escape that fact, the more you are forced to realise that your possessions can't make sense of your death.
It is the role of religion to provide that justification. Religions are systems of belief that enable human beings to justify their existence and which reconcile us to death. We in Europe have faced a fading of organised religion in recent years. Faith in the Christian churches has been declining.
The ideologies such as communism that promised to supplant religion have failed in spectacular and very public fashion. So we're all still looking for something that will reconcile each of us to the inevitability of our own death.
G K Chesterton is often credited with observing: "When a man ceases to believe in God, he doesn't believe in nothing. He believes in anything." Whoever said it - he was right. We are supposed to live in a sceptical age. In fact, we live in an age of outrageous credulity.
The "death of God", or at least the dying of the Christian God, has been accompanied by the birth of a plethora of new idols. They have multiplied like bacteria on the corpse of the Christian Church -- from strange pagan cults and sects to the silly, sub-Christian superstitions of The Da Vinci Code.
It is amazing how many people take that book literally, and think it is true. Admittedly, Dan Brown, its author, has created a legion of zealous followers who believe that Jesus wasn't crucified: he married Mary Magdalene, became the King of France, and started his own version of the order of Freemasons. Many of the people who now go to the Louvre are there only to look at the Mona Lisa, solely and simply because it is at the centre of Dan Brown's book.
The pianist Arthur Rubinstein was once asked if he believed in God. He said: "No. I don't believe in God. I believe in something greater." Our culture suffers from the same inflationary tendency. The existing religions just aren't big enough: we demand something more from God than the existing depictions in the Christian faith can provide. So we revert to the occult. The so-called occult sciences do not ever reveal any genuine secret: they only promise that there is something secret that explains and justifies everything. The great advantage of this is that it allows each person to fill up the empty secret "container" with his or her own fears and hopes.
As a child of the Enlightenment, and a believer in the Enlightenment values of truth, open inquiry, and freedom, I am depressed by that tendency. This is not just because of the association between the occult and fascism and Nazism - although that association was very strong. Himmler and many of Hitler's henchmen were devotees of the most infantile occult fantasies.
The same was true of some of the fascist gurus in Italy - Julius Evola is one example - who continue to fascinate the neo-fascists in my country. And today, if you browse the shelves of any bookshop specialising in the occult, you will find not only the usual tomes on the Templars, Rosicrucians, pseudo-Kabbalists, and of course The Da Vinci Code, but also anti-semitic tracts such as the Protocols of the Elders of Zion.
I was raised as a Catholic, and although I have abandoned the Church, this December, as usual, I will be putting together a Christmas crib for my grandson. We'll construct it together - as my father did with me when I was a boy. I have profound respect for the Christian traditions - which, as rituals for coping with death, still make more sense than their purely commercial alternatives.
I think I agree with Joyce's lapsed Catholic hero in A Portrait of the Artist as a Young Man: "What kind of liberation would that be to forsake an absurdity which is logical and coherent and to embrace one which is illogical and incoherent?" The religious celebration of Christmas is at least a clear and coherent absurdity. The commercial celebration is not even that."
domingo, 4 de dezembro de 2005
Para reflectir sobre a secularização
A propósito dos crucifixos nas escolas, levantou-se uma tempestade, com manifestos exageros dos laicistas e de alguns eclesiásticos (ou de leigos que são, frequentemente, mais papistas do que o papa).
Para reflectir sobre o que, nas sociedades ocidentais, está subjacente a este debate, vale a pena ler o livro "Sacred and Secular - Religion and Politics Worldwide", de Ronald Inglehart e Pippa Norris, publicado em 2004, e que acaba de receber o "Virginia Hodgkinson Research Prize". Encontra-se quase integralmente disponível online.
Destaco, da sinopse:
"Seminal thinkers of the nineteenth century -- Auguste Comte, Herbert Spencer, Emile Durkheim, Max Weber, Karl Marx, and Sigmund Freud -- all predicted that religion would gradually fade in importance and cease to be significant with the emergence of industrial society. The belief that religion was dying became the conventional wisdom in the social sciences during most of the twentieth century.
During the last decade, however, the secularization thesis has experienced the most sustained challenge in its long history. Critics point to multiple indicators of religious health and vitality today, from the continued popularity of churchgoing in the United States, to the emergence of New Age spirituality in Western Europe, the surge of fundamentalist movements and Islamic parties in the Muslim world, the evangelical revival sweeping through Latin America, and the widespread ethno-religious conflicts in international affairs.
The traditional secularization thesis needs updating. Religion has not disappeared and is unlikely to do so. Nevertheless, the concept of secularization captures an important part of what is going on. This book develops a theory of secularization and existential security, building on key elements of traditional sociological theories and revising others. This book demonstrates that: (1) The publics of virtually all advanced industrial societies have been moving toward more secular orientations during the past fifty years; but (2) The world as a whole now has more people with traditional religious views than ever before-- and they constitute a growing proportion of the world's population. Though these two propositions may seem contradictory, they are not. The fact that the first proposition is true, helps account for the second?because secularization has a surprisingly powerful negative impact on human fertility rates."
A propósito dos crucifixos nas escolas, levantou-se uma tempestade, com manifestos exageros dos laicistas e de alguns eclesiásticos (ou de leigos que são, frequentemente, mais papistas do que o papa).
Para reflectir sobre o que, nas sociedades ocidentais, está subjacente a este debate, vale a pena ler o livro "Sacred and Secular - Religion and Politics Worldwide", de Ronald Inglehart e Pippa Norris, publicado em 2004, e que acaba de receber o "Virginia Hodgkinson Research Prize". Encontra-se quase integralmente disponível online.
Destaco, da sinopse:
"Seminal thinkers of the nineteenth century -- Auguste Comte, Herbert Spencer, Emile Durkheim, Max Weber, Karl Marx, and Sigmund Freud -- all predicted that religion would gradually fade in importance and cease to be significant with the emergence of industrial society. The belief that religion was dying became the conventional wisdom in the social sciences during most of the twentieth century.
During the last decade, however, the secularization thesis has experienced the most sustained challenge in its long history. Critics point to multiple indicators of religious health and vitality today, from the continued popularity of churchgoing in the United States, to the emergence of New Age spirituality in Western Europe, the surge of fundamentalist movements and Islamic parties in the Muslim world, the evangelical revival sweeping through Latin America, and the widespread ethno-religious conflicts in international affairs.
The traditional secularization thesis needs updating. Religion has not disappeared and is unlikely to do so. Nevertheless, the concept of secularization captures an important part of what is going on. This book develops a theory of secularization and existential security, building on key elements of traditional sociological theories and revising others. This book demonstrates that: (1) The publics of virtually all advanced industrial societies have been moving toward more secular orientations during the past fifty years; but (2) The world as a whole now has more people with traditional religious views than ever before-- and they constitute a growing proportion of the world's population. Though these two propositions may seem contradictory, they are not. The fact that the first proposition is true, helps account for the second?because secularization has a surprisingly powerful negative impact on human fertility rates."
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