domingo, 15 de dezembro de 2013

A alegria de ler Francisco (9) - Uma vontade intrínseca de partilhar


Depoimento de João Gonçalves, mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho:

Não é uma tarefa fácil comentar uma exortação tão vasta como a Evangelii Gaudium. Vasta não pela sua extensão textual, mas pela reflexão e paixão latente em cada palavra de Francisco que desperta com a leitura. Assim, em vez de ambicionar comentar as diferentes vertentes desta Exortação, procurarei antes expor aquela que me pareceu ser a natureza deste texto e forma como a encarei.
A natureza da alegria não é individual, é partilhada. A Evangelii Gaudium é uma alegria e somos impelidos a partilhá-la. Não tanto pelo apelo que o texto faz à partilha e à vivência do cristão com o outro, mas porque, tal como uma conquista pessoal ou uma notícia feliz, ao lê-lo sentimos uma vontade intrínseca de partilhar a experiência com outros. Durante a leitura, não consegui evitar fazer algumas interrupções para ler e comentar passagens da Exortação com os que estavam comigo naquele momento.
A segunda particularidade deste texto é a sua ligação à realidade. Encontrei lá uma abordagem direta a muitas das questões que me inquietam enquanto cristão. Sem ser um texto que pretende substituir os outros e abordar todos os temas exaustivamente, o diálogo que Francisco enceta connosco tem o mérito de oferecer orientações claras quanto à situação em que nos encontramos e a posição da Igreja sobre ela. Este é um texto “em saída”, que traz muito não só aos cristãos mas a todos os que se inquietam com a injustiça no mundo. É um texto que evangeliza pelo coração e pela razão.
Por fim, saliento a relevância que Francisco atribui aos “pequeninos” e à missão. São estes os dois pontos fulcrais para a jornada evangelizadora da Igreja, num mundo de desafios. Mostrar ao mundo a alegria através do exemplo e da humildade, essa não é apenas a proposta da Evangelii Gaudium, é a experiência que a missão nos oferece. Falo disto como alguém que se aproximou da Igreja pelo exemplo e que vê neste texto uma esperança contra a indiferença de muitos que comigo têm em comum a idade. Não é possível ficar indiferente a esta Exortação.

1 comentário:

Neves ANTÓNIO disse...

fantástico João. abraço sem fronteiras