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sexta-feira, 5 de junho de 2015

“Sem o domingo não podemos viver”!”



Crónica


O pão e o peixe, símbolos eucarísticos dos primeiros cristãos

Na sua crónica À procura da Palavra, comentando os textos da liturgia católica do próximo Domingo, Vítor Gonçalves escreve sobre a festa do Corpo de Deus, cujo feriado teria sido assinalado ontem, quinta-feira. Sob o título “Sem o domingo não podemos viver!”, escreve:

Esta foi a resposta de Emérito, diante do pró-consul de Cartago, no ano 304, quando interpelado por estarem a celebrar a Eucaristia apesar das proibições do imperador Diocleciano. Ele e outros 48 cristãos de Abitene, na actual Tunísia, foram torturados e mortos, por quererem celebrar a sua fé. Hoje, na festa do Corpo de Deus, quase nem nos damos conta dos muitos lugares do mundo onde tantos, que vivendo a mesma fé que nós, não se poderão reunir, pelo perigo de morte que isso representa. Com procissão ou sem ela, não celebramos nenhum triunfo mundano, mas a entrega de amor de Jesus, feito alimento para que ninguém tenha fome de Deus.
Vivemos num tempo de grandes perseguições aos cristãos e a outros crentes em muitos países. Num recente relatório da Open Doors, uma organização protestante norte-americana, diz-se que 75% da população mundial vive hoje em países com sérias restrições ao exercício da liberdade religiosa. A perseguição aos cristãos chega a “extrema” em alguns países: Coreia do Norte, Arábia Saudita, Afeganistão, Iraque, Somália, Maldivas, Mali, Irã, Iêmen, Eritreia, Síria. Não é a liberdade religiosa um direito humano fundamental consagrada no artigo 18 da Declaração dos Direitos do Homem? E quantos outros continuam a ser atropelados?

quinta-feira, 14 de maio de 2015

1º de Maio, dia do consumidor

Crónica

Na crónica semanal que publica no Diário do Minho, Eduardo Jorge Madureira Lopes reflectia, dia 3 de Maio, sobre a questão do descanso semanal e sobre a simbólica associada aos feriados. Apesar de terem passado alguns dias, e porque o tema continuará no debate nacional nos próximos tempos, aqui fica o texto, que vale a pena ler:

Uma sociedade decente não dispensa a memória, não se esquece de honrar aqueles a quem deve as mais significativas conquistas civilizacionais. Foi muito útil que Acílio Estanqueiro Rocha tenha lembrado, aqui no Diário do Minho, a 1 de Maio, que, nesse dia, em 1886, nas ruas de Chicago, centenas de milhares de trabalhadores se revoltaram contra as condições desumanas de trabalho e lutaram para que diariamente se trabalhasse oito horas e não, como sucedia, catorze ou dezasseis. Essa luta e as que se seguiram foram violentamente reprimidas pelas forças policiais, mas valeram a pena. O heroísmo e a coragem dos trabalhadores, como Acílio Estanqueiro Rocha também recordou, levou o Senado americano a aprovar, em 1890, a redução da jornada de trabalho. Desde o final do século XIX, celebra-se a 1 de Maio o Dia do Trabalhador para homenagear os “mártires de Chicago”, pela sua luta em prol da dignificação do trabalho.
As campanhas de instigação ao consumo agendadas para o Dia do Trabalhador, iniciadas pelo Pingo Doce há três anos, humilham a memória dos que lutaram – sacrificando a vida, em tantos casos – para que cada pessoa pudesse ser bem mais importante do que o seu trabalho. O que o Pingo Doce vem dizer com as suas promoções do 1.º de Maio é que o consumo é mais importante do que o trabalho e que o trabalho é mais importante do que a pessoa. Poucas greves foram, por isso, simbolicamente tão importantes quanto a que foi feita no dia 1 de Maio por trabalhadores dos super e hipermercados.