(foto reproduzida daqui)
No
último texto do blogue que alimentava, escreveu, em dia da festa de Santo
António: “Os pobres são os porteiros do Reino de Deus.” José Dias da Silva
manteve até ao fim a fidelidade a profundas convicções de quem aliava a fé em
Jesus à confiança num futuro mais justo e solidário para a humanidade. Por
isso, pediu que, no seu funeral, não houvesse flores e que, quem quisesse,
substituísse esse gesto pela contribuição para o fundo solidário do Instituto
Universitário Justiça e Paz, que apoia estudantes do universitários com
dificuldades económicas.
O
funeral de José Dias da Silva realiza-se esta manhã, da Igreja de São José para
o cemitério da Conchada, em Coimbra. Despedimo-nos, assim, de alguém que sabia
aliar fé e compromisso, como diz o título do blogue onde escrevia.
Essa
síntese foi sempre, aliás, uma das preocupações maiores do Zé Dias, como o tratavam
os seus amigos. A sua preocupação era ser coerente com a fé em Jesus, que o
animava, e com aquilo que lia da Bíblia e do pensamento social da Igreja, que
conhecia como poucos. Apesar de há vários anos lutar contra a doença que o
minava, tinha ainda tempo para telefonar e escrever a outros a perguntar pela
saúde, a animá-los nas desventuras da vida, para ser solidário, para desejar
que a vida fosse mais benévola para todos ou para programar actividades que
ajudassem a divulgar a doutrina social da Igreja, para continuar como membro da
Comissão Nacional Justiça e Paz, da Comissão Coordenadora Nacional das Semanas
Sociais e da Comissão Permanente do Conselho Pastoral Diocesano de Coimbra.
Pode
dizer-se que essa reflexão sobre as consequências sociais e políticas do
evangelho era uma das suas grandes paixões. Era ele o responsável pelo módulo
de Doutrina Social da Igreja na Escola de Leigos da diocese de Coimbra, além de
ter orientado e participado em dezenas de cursos e encontros. Colaborador do
Instituto de Estudos Teológicos, publicou os livros Viver o Evangelho Servindo a Pessoa e a Sociedade – Introdução à
Doutrina Social da Igreja (ed. Gráfica de Coimbra) e Memórias de um Tempo Futuro, que reúne crónicas publicadas na
revista Além-Mar, dos Missionários
Combonianos, e no jornal Correio de
Coimbra.
