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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Pessoas que são um caminho para Deus

Estas pessoas são um caminho para Deus. Jean Vanier, fundador d’A Arca e do Movimento Fé e Luz, prémio Templeton no ano passado, explica, em entrevista ao programa Setenta Vezes Sete, porque é que as pessoas com deficiência são pessoas da festa e do coração e são capazes, por isso, de ensinar e de ser um caminho para Deus.
Nesta emissão, várias pessoas com deficiência dizem porque foi importante, para elas, encontrar uma comunidade. E responsáveis da Casa de Betânia (que se inspira n’A Arca) e do Movimento Fé e Luz falam da experiência de acompanhar estas pessoas e dos desafios que a sua situação ainda coloca à Igreja e aos cristãos.



Texto anterior no blogue
Deus é o Existirmos, e Isto Não Ser Tudo - apresentação de livro esta terça-feira, em Lisboa


domingo, 15 de março de 2015

Jean Vanier, companheiro de excluídos e fundador d'A Arca, recebe Prémio Templeton

Jean Vanier, que dedicou a vida a favor das pessoas com deficiência, foi distinguido quinta-feira passada com o Prémio Templeton, um dos mais importantes, a nível internacional, na área da religião. Esta distinção junta-se a muitas outras já recebidas ao longo da vida pelo fundador de L’Arche (A Arca), onde pessoas com e sem deficiência vivem juntas, em comunidade. Com esse pretexto, recorda-se aqui o seu itinerário, num texto de Alice Caldeira Cabral, ex- responsável do Movimento Fé e Luz em Portugal e agora numa comunidade do mesmo movimento, criado por Jean Vanier.


Jean Vanier (foto reproduzida daqui)

Texto de Alice Caldeira Cabral

Nascido a 10 de Setembro de 1928, Jean Vanier é o quarto e penúltimo filho do casal Pauline e Georges Vanier. O pai foi governador-geral do Canadá entre 1959 e 1967, depois de uma carreira como diplomata que levou a que Jean tenha nascido na Suíça e crescido em França e em Inglaterra.
De regresso ao Canadá, quando começa a II Guerra Mundial, Jean, com apenas 13 anos, pede ao pai para integrar a Marinha inglesa. O pai manifesta confiança nele, o que o marca de forma importante. Integra primeiro a Marinha inglesa e, mais tarde, a canadiana.
Aos 22 anos, Jean compreende que a vida militar não o preenche. Vive uma intensa procura espiritual. Entra para o Centro Internacional de Ensino de Teologia dos Leigos, L’Eau Vive, dirigido pelo padre dominicano Thomas Philippe, que se torna seu director espiritual. Pensa tornar-se padre, o que não chega a concretizar. Estuda Filosofia, faz um doutoramento sobre a Ética em Aristóteles e inicia uma carreira académica na Sorbonne. A sua tese, apresentada em 1962, será publicada mais tarde, numa versão simplificada, com o título Le Gout du Bonheur (O gosto da felicidade), ed. Presses De la Renaissance, Paris 2000.

“Quando voltas?...”

Em 1964, Jean foi professor de filosofia na Universidade de Toronto (Canadá). O seu amigo padre Thomas fora entretanto nomeado capelão da Val Fleuri, instituição com cerca de 30 pessoas com deficiência intelectual, situada em Trosly-Breuil, perto de Compiègne (na região de Oise, em França). Thomas Philippe convidou-o a ir conhecer essas pessoas porque, dizia, “são as pessoas marginais e excluídas da vida duma sociedade que podem melhor revelar-nos o sentido da vida humana.” (1)