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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O “problema grave” e as questões “ambientais, económicas e éticas” do desperdício alimentar

Livros para oferecer no Natal (III)

Texto de Eduardo Jorge Madureira

É possível que o livro Desperdício alimentar, de Iva Pires, professora da Universidade de Lisboa, não seja para muitos um livro oportuno para a quadra natalícia. Os que pouco se apoquentam em multiplicar o esbanjamento de comida nesta altura do ano acharão, com certeza, impertinente a ocasião escolhida para ouvir falar do tema.
Os que se encontram no lote de perdulários são, aliás, abundantes. A autora chama a atenção para a circunstância de não passar um dia sem vermos comida em perfeitas condições para consumo depositada no lixo: “Estima-se que cada português desperdice 100 quilos de alimentos por ano. Responda honestamente: qual foi o último alimento que pôs no lixo – e porquê?”
Em Desperdício alimentar, Iva Pires pede mais acção para lutar contra o que é tanto mais grave quanto se sabe que, no mundo, anualmente, ao mesmo tempo que se estragam 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos, há 805 milhões de pessoas a padecer de subnutrição ou a viver numa situação de insegurança alimentar.
O livro começa com um exemplo simples: “Se em minha casa se estragar uma laranja numa semana, porque se compraram demasiadas e uma acabou por apodrecer, tendo em conta que somos 4 043 726 famílias em Portugal (em 2016, segundo a Pordata) e que uma laranja pesa em média 80 gramas, nessa semana deitaram-se para o lixo em Portugal 323 toneladas de laranjas, e por ano 16 800 toneladas”. Iva Pires calcula que isto se traduz num desperdício de 25 200 euros. Depois, sugere: “Façamos o mesmo exercício incluindo maçãs, peras, pão, alfaces ou iogurtes que, semanalmente e por razões variadas, acabam no lixo”. A dúvida colocada no fim do livro é pertinente: “Já pensaram o que representaria para a redução do desperdício alimentar em Portugal se todas as quatro milhões de famílias dessem um pequeno contributo?”