Augusto de Almeida Esperança (1928-2018), In memoriam
Augusto Esperança, em Outubro de 2004, na Igreja Inglesa, em Lisboa,
na celebração dos 200 anos das Sociedades Bíblicas; ao lado, a viúva, Felícia Fiandor Esperança
No início, parecia uma aventura “irrealizável”: Portugal tornava-se, em 1972, o sexto ou sétimo país, no mundo inteiro, a fazer uma tradução da Bíblia, directamente dos originais, com uma equipa interconfessional. “Não tínhamos dinheiro nem tínhamos tradutores, especialmente no meio evangélico. Tive que os escolher a dedo depois de muita ponderação e oração”, recordava, em 13 de Julho de 2002, o pastor Augusto de Almeida Esperança, da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal (IEPP), que morreu ontem, domingo, dia 5 de Agosto, em Lisboa. O funeral será esta quarta-feira, 8 de Agosto, às 10h, saindo da Igreja Presbiteriana, na Rua Tomás da Anunciação, onde o corpo ficará a partir das 21h desta terça-feira, dia 7.
Na mesma evocação, Augusto Esperança recordava algumas peripécias: “Fizemos o primeiro seminário, ou curso de tradução, durante uma semana no Centro Ecuménico [Reconciliação] da Igreja Presbiteriana, em Buarcos [Figueira da Foz]. (...) Arrisquei convidar biblistas católicos mesmo sem os conhecer, mas de quem tive as melhores referências. Foram eles o Dr. Carreira das Neves e o Dr. António Tavares, escolha de que nunca me arrependi. (O Dr. José Ramos entrou mais tarde para a equipa).”
Desses convites, ficaram amizades para a vida. Augusto Esperança recordava ainda que esse curso especializado teve a orientação dos melhores biblistas das Sociedades Bíblicas Unidas. Entre eles, o Dr. Bratcher, Dr. Wonderly, Dr. Eugene Nida e Dr.Tippox. Mais tarde, tivemos como consultores o Dr. Ellingworth, o Dr. Jan de Waard,o Dr. Mendoza e o Dr. Jean-Claude Margot. Do nosso meio protestante português tínhamos o Dr. Soares de Carvalho, o Rev. Pinto Ribeiro, o bispo Emílio de Carvalho de Angola e o Dr. Almeida Penicela, de Moçambique. (O pastor Pedro Cardoso e o Dr. Alexandre Júnior que colaboraram na tradução experimental de Marcos não estiveram presentes. Aliás os dois não puderam continuar, por motivos particulares).”
