(ilustração: Twitter)
O anúncio de
que o Vaticano teria concedido indulgências a todos os que participassem à
distância na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) fez levantar uma pequena
polémica nos media. Afinal, os
católicos podem agora ser perdoados através das redes sociais? E faz sentido
manter a prática das indulgências, que se tornou um dos temas mais importantes
a conduzir à Reforma de Lutero?
Verdade seja
dita que, ao contrário do que foi publicado em muitos sítios, os sete milhões
de seguidores do Papa na rede social Twitter não terão o perdão dos seus
pecados apenas porque acompanham a JMJ.
Num texto
publicado hoje pelo semanário francês La Vie, explica-se que
o decreto do Vaticano sobre o tema apenas refere que os fiéis podem beneficiar
das indulgência mediante certas condições: confessar-se, participar na missa,
rezar e submeter-se filialmente “ao soberano pontífice”. Depois, seguindo pela
rádio, televisão ou pelos “novos meios de comunicação” os principais actos da
JMJ, poder-se-à beneficiar do perdão da indulgência. A medida, explica ainda o
semanário, pretende atingir sobretudo os jovens que quereriam ir ao Rio de
Janeiro mas que, não podendo fazê-lo, podem seguir o acontecimento através de
telefones ou computadores.
A pergunta
que se coloca é se faz sentido, para as actuais gerações de cristãos – e mais
ainda para os jovens – manter uma prática como esta. Além da linguagem, que já
pouco tem a ver com a cultura contemporânea, a própria teologia evoluiu e fala
hoje muito mais do perdão gratuito de Deus do que de práticas quase mecânicas
para o obter.
