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domingo, 27 de dezembro de 2015

Do Natal intemporal ao diálogo inter-religioso

Parte-se dos atentados em Paris a 13 de Novembro, para falar depois sobre o olhar dos três monoteísmos acerca da guerra e da violência e do conceito de Deus. O diálogo inter-religioso é o mote para esta conversa moderada por Manuel Vilas Boas na TSF e na qual participam a muçulmana ismaili Faranaz Keshavjee, Joshua Ruah, da Comunidade Judaica de Lisboa e o padre católico Joaquim Carreira das Neves, franciscano e investigador da Bíblia.

Também da autoria de Manuel Vilas Boas é a reportagem com frei Lopes Morgado, dos franciscanos capuchinhos, durante a apresentação do livro Natal Intemporal, feita em Areias de Vilar (Barcelos), terra do autor. Além dos poemas, o livro mostra 121 dos cerca de 1300 presépios da colecção Evangelho da Vida.



Texto anterior no blogue
Natal: Médio Oriente, guerras e refugiados - cenas de guerra em zona de paz (mensagens de Natal e uma reportagem fotográfica na ilha de Lesbos)




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O psicodrama, a palavra e a fé de Lutero


Agenda/Livro

Nesta sexta-feira, dia 30, às 18h30, o padre franciscano e biblista Joaquim Carreira das Neves irá estar numa conversa a propósito do seu livro Lutero – Palavra e Fé. O encontro decorre na sede da Liga Evangélica (R. Raul Mesnier Du Ponsard 7-D, perto do Hospital Pulido Valente e da Alameda das Linha de Torres, em Lisboa; metro: Quinta das Conchas, linha amarela).
Joaquim Carreira andou dois anos a ler as obras de Lutero e, no final perguntou-se: Como é que vivi a minha vida de biblista e teólogo sem ler repousada e reflexivamente as obras de Lutero? Com essa pergunta partiu para a escrita deste livro. Que não é uma biografia, nem um estudo das obras de Lutero, nem uma explicação da teologia do reformador. Antes, Carreira das Neves pretende dar a palavra a Lutero, fazendo uma espécie de biografia comentada, através dos elementos históricos disponíveis, pelos humanistas do século XVI e pela obra do próprio Lutero.
Carreira das Neves lê a história de Lutero em chave de psicodrama pessoal. Nesse sentido, a história da sua vida, da sua obra, dos debates com Erasmo ou da sua impiedosa condenação da revolta dos camponeses, por exemplo, são lidas e contadas de forma dinâmica. Por vezes, mesmo, Carreira das Neves chega a encetar com o iniciador da Reforma um diálogo fraternal e crítico, como se estivesse num debate público: Desculpa, meu caro Lutero, mas neste ponto vais longe de mais!
O autor confessa ainda ter recebido um impacto importante da afirmação do grande teólogo Yves Congar, segundo o qual Lutero é um dos maiores génios religiosos de toda a história, no mesmo plano de Santo Agostinho, Tomás de Aquino e Pascal. Congar acrescentava: Posso afirmar que ainda é maior. Ele repensou todo o cristianismo. Ofereceu-nos uma nova síntese, uma nova interpretação.
Regressar a Lutero é regressar a Jesus Cristo, a São Paulo, aos Evangelhos, à história dos Padres da Igreja, à Igreja como tal, escreve Carreira das Neves. Por isso, este livro sobre a palavra e a fé do reformador é imprescindível para conhecer a sua vida e perceber tantos debates que ainda hoje estão presentes no interior do cristianismo.

(Os quatro parágrafos sobre o livro reproduzem um texto que publiquei na revista Mensageiro de Santo António, em Maio de 2014) 

Lutero, Palavra e Fé
Autor: Joaquim Carreira das Neves

Ed. Presença

segunda-feira, 14 de março de 2011

Inquérito Nova Evangelização (3) - Joaquim Carreira das Neves

O desejo de preencher o “vazio” existencial

Joaquim Carreira das Neves, 76 anos, padre franciscano, exegeta bíblico

Retenho que a expressão “nova evangelização” pode ser admitida a partir do pressuposto que há “novos paradigmas” culturais na sociedade em que vivemos. Para “novos paradigmas” exige-se “nova evangelização”. Como dizia Jesus: “Não se pode meter vinho novo em odres velhos”. De qualquer modo, há sempre uma ambiguidade por causa do termo “evangelização”. Trata-se de um termo abstracto radicado num substantivo concreto: evangelho.

O evangelho não é um livro, mas uma “proclamação”. Proclama-se aquilo que o Papa diz ser “um acontecimento”. Não se trata, pois, de uma ideia, uma doutrina, uma ética, mas de um “encontro com um acontecimento”. Semelhante acontecimento é causado ou proporcionado por uma pessoa – a pessoa de Jesus que, no dizer do Papa, dá à vida um novo horizonte e, com isto, a orientação decisiva.”

Esta maneira de proclamar já é, em si mesma, muito diferente das nossas catequeses formais. Não há, assim, qualquer proclamação contra nada nem contra ninguém. Nem contra protestantes, judeus, islâmicos, ateus, ciência, evolucionismo. Há, simplesmente, o desejo de preencher o “vazio” existencial, próprio do ser humano. Mas, também aqui, há que considerar a ambiguidade deste “vazio”. Nas sociedades modernas e democráticas contactamos com pessoas que preenchem este “vazio” com a cultura, a ciência, a liberdade. São respostas sem religião que devemos considerar e respeitar.

Prometo continuar a reflectir convosco sobre esta temática.

(Foto copiada daqui)