(foto: o Papa Francisco na Varginha; foto reproduzida daqui)
Queria
bater a cada porta, pedir um copo de água fresca, beber um cafezinho mas não um
copo de cachaça. Foi desse modo que o Papa Francisco se dirigiu a mais de 30
mil pessoas que o escutaram na favela da Varginha, em Manguinhos (Rio de
Janeiro), na tarde de hoje.
Em
pouco mais de uma hora, o Papa saudou e conversou com muitas pessoas, esteve
quase dez minutos em casa de uma família, fez um enorme elogio à generosidade
dos mais pobres, um apelo à mudança das estruturas sociais e à redução da
miséria e um desafio aos jovens a que mantenham viva a esperança de que a
realidade pode ser melhor.
Começando
por ouvir um clamoroso “bom dia” (a visita decorreu ao final da manhã, hora
local), o Papa disse ainda que os pobres podem dar uma “grande lição de
solidariedade” – palavra que, acrescentou, é “frequentemente esquecida e
desprezada, porque é incómoda”
O
Papa Francisco acrescentou que, quando as pessoas são generosas, são capazes de
partilhar algo com quem aparece, seja o acolhimento em casa, seja a comida. “Quando
alguém precisa de comer e batem à vossa porta, sempre se pode colocar mais água
no feijão”, acrescentou, citando o provérbio popular e arrancando risos e
aplausos á multidão. Não se fica mais pobre quando se partilha, disse, pois “a
verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração”. O texto completo do discurso pode ser lido aqui.
A
visita, que decorreu sempre sob chuva, foi muito calorosa. Havia famílias que
tinham testemunhado ter café preparado para oferecer ao Papa Bergoglio – e até
uma feijoada, como noticiou a Renascença. A favela (uma das mais de 170
recenseadas no Rio de Janeiro, onde vive um quinto da população da cidade) saiu
em peso para acolher Francisco. Todos queriam saudar o Papa, havia mesmo quem
literalmente se atirasse por cima dos cordões de segurança para o cumprimentar.
Em momentos diferentes, Bergoglio recebeu um cachecol do San Lorenzo, a sua
equipa de futebol, e duas t-shirts de oferta, que colocou diante de si, como
quem experimentava o tamanho. Depois desse passeio lento pelas ruas da favela,
e antes do discurso que fez, o Papa deteve-se dez minutos numa das casas.
