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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Vaticano, Guterres e o inventor da Internet pedem mais responsabilidade na rede

Texto de Maria Wilton



A importância de uma utilização responsável da internet e das redes sociais foi uma das ideias deixada na Web Summit, em Lisboa, pelo secretário do Conselho Pontifício da Cultura e responsável pela comunicação do Vaticano, o bispo irlandês Paul Tighe. Quarta-feira, dia 7, no penúltimo dia de conferências na cimeira tecnológica, Tighe falou num painel de debate sobre a importância da utilização responsável das redes: “A cultura da Internet é algo que é gerado pelos utilizadores, e se nós a usarmos bem, se interagirmos de forma positiva, podemos mudar essa cultura.”
O bispo acrescentou que o que está em causa não é rotular a Internet ou o espaço digital como algo negativo. No entanto, em entrevista à Renascença, deixou um apelo: “Antes de partilharem alguma coisa interroguem-se se é verdade.
Paul Tighe, que contribuiu para que o Papa Bento XVI passasse a ter uma conta na rede social Twitter referiu-se ainda ao papel da Igreja Católica nas redes sociais como o de “estar presente nesta comunicação, não primeiramente para evangelizar, mas para tomar parte num diálogo”.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que esteve na sessão de abertura, dia 5, reconheceu as vantagens da tecnologia, mas alertou para as dificuldades que ela pode trazer: “Máquinas que têm o poder e a capacidade de escolher para matar pessoas são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser banidas pelas leis internacionais”, disse.
Numa intervenção intitulada “Cultivando um futuro digital que é seguro e benéfico para todos”, o antigo primeiro-ministro português defendeu ainda que cabe a todos os atores da comunidade internacional transformar as potencialidades da evolução digital numa “força do bem”.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Pode amar-se um computador?


(vídeo - Luís A. Santos)

O director da revista jesuíta La Civiltà Cattolica, padre Antonio Spadaro, começa por contar uma história de um aluno nigeriano: ele ama o seu computador “porque lá dentro estão todos os [seus] amigos”.
Foi sexta-feira passada, em Fátima, nas Jornadas das Comunicações Sociais da Igreja Católica, dedicadas ao tema da evangelização em ambiente digital. Spadaro, responsável directo pela recente entrevista do Papa Francisco às revistas jesuítas – entre as quais a portuguesa Brotéria – sublinhou por diversas vezes a ideia de que a internet e as redes sociais são um ambiente e não um instrumento. O que muda tudo, na forma como se olha e se actua. Há distinções a abolir: o online e o offline, o real e o virtual... O ambiente digital é um ambiente ordinário de experiência de vida, não um ambiente de casulo ou paralelo, dizia, recordando a mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano.
“Evangelizar em rede não é criar um perfil facebook e colocar um anjinho”, ironizou Spadaro, recordando as palavras do Papa Francisco, nessa mesma manhã, em Assis, apelando a que ninguém seja “cristão de pastelaria”.
Spadaro, de quem as Paulinas acabaram de editar Ciberteologia - Pensar o Cristianismo na Era da Internetdefende que, se a internet altera o nosso modo de ver a realidade, então ela terá também influência sobre o modo de pensar a fé – já que a teologia é precisamente um modo de pensar a fé. Por isso, a tecnologia não é apenas um conjunto de instrumentos, mas uma parte do viver, acrescentou.
O também autor do blogue CyberTeologia recordou ainda um discurso de Paulo VI aos jesuítas, em 1964 quando o Papa Montini disse que “o cérebro mecânico vem em ajuda do cérebro espiritual”.  Por isso, acrescentou, “o campo para compreender a fundo a tecnologia é a teologia espiritual” e “ a experiência religiosa exprime-se também no ambiente digital”.
A proposta de Spadaro como que torna ultrapassada a ideia do decreto Inter Mirifica, do Concílio Vaticano II sobre a comunicação social, que considerava estes meios como instrumentos. Mesmo o nosso modo de fazer a pesquisa mudou, disse: “Na Idade Média, o homem orientava-se para o norte, que era Deus; na II Guerra Mundial, passou a ser um radar, à procura de um sinal [Karl Rahner falava do homem que procura Deus, que procura um sentido]; hoje, o homem não está à procura, mas está à espera de um sinal que o ligue ao mundo; o homem actual tem é de permanecer ligado; é um descodificador; já não é a busca que caracteriza o homem.”