sábado, 30 de maio de 2009
Pentecostes - Vamos dançar?
(Jo 20, 22)
No pairar sobre as águas e nas chamas de fogo,
no sopro primeiro e no forte vento,
no balbuciar da primeira palavra e na abundância das línguas,
Tu vens, ó Espírito, dançar a festa da vida
e entretecer esta história de homens e mulheres,
eternamente aprendizes da Tua surpresa.
Andamos esquecidos de dançar,
e de ouvir a melodia que sopras cada manhã.
Ainda que corramos de um ao outro lado dos dias,
os pés andam pesados e as asas prenderam-se
nas amarras de tantas coisas tornadas essenciais.
Frágeis e receosos diante da grandeza que nos confias,
presos aos barro que emperra os passos
e desejosos de uma mão que molde os sonhos,
custa-nos a Tua discrição que parece ausência,
como um jogo de escondidas
onde ganha quem se perde,
e perde quem não se deixa encontrar por Ti.
Convidas para a dança da vida
com a alegria e o encanto do apaixonado no salão de baile.
Passo a passo nos ensinas
a encontrar asas na estátua de pedra
em que os corpos se tornaram,
e abres as pétalas da flor que não ousava abrir-se.
Rodopias connosco e em nós
e dás aos nossos sonhos a consistência dos milagres
às nossas palavras o dom do entendimento,
aos nossos gestos o fermento da paz e do perdão.
Contigo gravamos nos corações
o constante palpitar de amor que Deus tem por nós
e como fica rubra a sua face quando nos convida:
“Queres dançar Comigo?”
P. Vítor Gonçalves
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Um Papa entre dois muros, na TSF
Manuel Vilas Boas acompanhou a viagem do Papa e conta agora, no programa "Um Papa entre dois muros", os sons, as músicas, as imagens mais marcantes desta viagem. O programa passa na TSF neste sábado, às 18h (com repetição na madrugada de domingo, à uma da manhã) e tem sonoplastia de Luís Borges
O programa estará disponível em www.tsf.pt
"Uma sociedade em que nos escutemos uns aos outros"
"Procuremos ser uma sociedade em que genuinamente nos escutemos uns aos outros, em que o desacordo sincero não seja transformado em insulto ou hostilidade, em que princípios argumentados não sejam tomados como preconceitos, e em que estejamos preparados para atribuir uns aos outros os melhores e não os piores dos motivos. Nestas matérias, nós próprios, nas Igrejas, temos muito a aprender e a fazer".Estas são palavras do novo arcebispo de Westminster, Inglaterra, Vincent Nichols, que há dias iniciou funções, no decorrer de uma celebração solene eucarística.
A homilia então proferida merece ser lida com atenção, em particular o que diz sobre a fé, inspirado na leitura da conversão de S. Paulo.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
"Plano Poupança Reincarnação"
"Uma das coisas em que, como os clientes do BPP, mais firmemente acredito é nas boas intenções dos bancos". Assim abre a ironia da crónica de Manuel António Pina, no JN de hoje, dedicada às ofertas, promessas e garantias extraordinárias das instituições bancárias.Lê-se num instante e termina assim:
Banqueiros como os do 2i Limited Reincarnation Bank (www.reincarnationbank. com), por exemplo, têm lugar certo no Céu, sentados à direita de Deus Pai. Não sabendo que mais fazer por mim, propõem-me agora (como é que o BPP não se lembrou disso?) assegurar o meu bem-estar na próxima reincarnação: "Se você não poupar nada para depois de morrer, o que terá quando renascer? (…) Poupe agora para quando reincarnar". Para isso, só tenho que pôr as minhas poupanças no 2i Limited, morrer e, depois de ter reincarnado, ir lá buscá-las com juros extraordinários. Infelizmente não tenho poupanças. Mas irei pedir um empréstimo ao 2i Limited e pagar-lho-ei (tenciono reincarnar como marmota) quando reincarnar.
Ilustração: Knocking on Heaven's Door,Vision Blue.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Ouvir ler cartas de S. Paulo aos Coríntios

Entretanto, a quem não pôde participar na sessão do passado dia 15 de Maio com Luís Miguel Cintra, aqui fica um vídeo com a Leitura da Carta a Filémon:
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Feira das Espiritualidades na Assírio & Alvim

Imagens de uma peregrinação (8)
A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.
A fé monoteísta destruiu muitos ídolos e rituais. Coloca sua confiança num Deus Todo-Poderoso, que nos legou a mensagem da igualdade; declarando que todos os seres humanos foram criados à Sua imagem. (…)
Os líderes políticos e espirituais de hoje enfrentam um profundo desafio: como separar religião de terrorismo. Como evitar que terroristas se apoderem da consciência religiosa disfarçada em um ato de terrorismo na falsa aparência de uma missão religiosa.
A sua [do Papa] busca por paz e segurança entre nós e os nossos vizinhos e em todo o planeta aborda uma necessidade vital e promete: vida sem medos; vida sem lágrimas. (…)
Tudo o que podemos dizer é simplesmente agradecê-lo. Vossa Santidade veio em paz e partirá em paz e desejamos dizer a Vossa Santidade: Shalom.
Nas palavras do profeta Isaías: “Sim, saireis radiantes de alegria e sereis reconduzidos em paz à vossa casa.” (Isaías, 55, 12)
[O Presidente Peres, emocionado, já não conseguiu citar esta frase de Isaías; apenas se dirigiu ao Papa e disse: “Shalom, Deus o abençoe.” Bento XVI levantou-se e os dois homens abraçaram-se.]
(Discurso do Presidente israelita, Shimon Peres, na despedida do Papa, em Telavive, 15 de Maio; texto na íntegra, em português do Brasil e em outras línguas, em http://www.mfa.gov.il/PopeinIsrael/Portuguese/Pronunciamento_Presidente_Cerimonia_Despedida_Santo_Papa_15-May-2009.htm)
(Vídeo: canção final do encontro inter-religioso em Nazaré, com o Papa, 14 de Maio)
Imagens de uma peregrinação (7)
(Discurso do Papa Bento XVI no Santo Sepulcro, em Jerusalém, 15 de Maio)
Estendendo os seus braços sobre a Cruz, Jesus revelou a amplitude do seu desejo de atrair todos os homens a ele, unindo-os para que eles sejam um. Insuflando-nos o seu Espírito, ele desvelou o seu poder de nos tornar capazes de participar na sua missão de reconciliação. Nesse sopro, através da redenção que une, está a nossa missão! (…) No nosso desejo ardente de levar Cristo aos outros, de fazer conhecer a sua mensagem de reconciliação, experimentamos a vergonha das divisões. Todavia, enviados por Cristo ao mundo, fortificados pelo poder unificador do Espírito Santo, proclamando a reconciliação que conduz cada um a acreditar que Jesus é o filho de Deus, devemos encontrar a força para redobrar os nossos esforços para aperfeiçoar a nossa comunhão, para torná-la completa, para dar um testemunho comum.
(Discurso do Papa no encontro ecuménico, no Patriarcado greco-ortodoxo de Jerusalém, 15 de Maio)
domingo, 24 de maio de 2009
Imagens de uma peregrinação (6)
“Não permitais que as perdas de vidas e as destruições de que tenham sido testemunhas suscitem amargura ou ressentimento nos vossos corações. Resisti a qualquer tentação de recorrer a actos de violência ou terrorismo.”
(Bento XVI ao ser recebido, em Belém, pelo Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, 13 de Maio)
(Foto: portão da escola das Nações Unidas para rapazes no campo de refugiados de Aida, junto a Belém)
Imagens de uma peregrinação (5)
(Discurso do Papa Bento XVI, ao despedir-se do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, Belém, 13 de Maio)
Imagens de uma peregrinação (4)
Imagens de uma peregrinação (3)
A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.
Os líderes religiosos devem estar conscientes de que qualquer divisão ou tensão, qualquer tendência à introversão ou à suspeita entre crentes ou entre as nossas comunidades pode facilmente levar a uma contradição que ofusca a unidade do Omnipotente, atraiçoa a nossa unidade e contradiz o Único que se revela a si mesmo como "rico de amor e de fidelidade" (Êx 34, 6; Sl 138, 2; Sl 85, 11).
Jerusalém, que desde há muito tempo tem sido uma encruzilhada de povos de diferentes origens, é uma cidade que permite a judeus, cristãos e muçulmanos assumir o dever e, ao mesmo tempo, gozar do privilégio de dar testemunho conjunto da coexistência pacífica há muito tempo almejada pelos adoradores do único Deus; revelar o desígnio do Omnipotente, anunciado a Abraão, para a unidade da família humana; e proclamar a verdadeira natureza do homem, que procura Deus.
Comprometamo-nos a assegurar que, mediante o ensino e a orientação das nossas respectivas comunidades, as sustentaremos na sua fidelidade àquilo que verdadeiramente são como crentes, sempre conscientes da bondade infinita de Deus, da dignidade inviolável de cada ser humano e da unidade de toda a família humana.
(Discurso do Papa Bento XVI na recepção de Shimon Peres, no Palácio Presidencial em Jerusalém, 11 de Maio)
Os líderes espirituais podem preparar o caminho para os líderes políticos. Eles podem limpar os campos minados que obstruem a estrada da paz. Os líderes espirituais podem reduzir a animosidade, de forma a que os líderes políticos não procurem meios destrutivos. (…) Todos nós: judeus, cristãos, muçulmanos, todas as pessoas de fé, reconhecemos que o desafio de hoje não é a separação entre religião e estado, mas a separação intransigente entre religião e violência.
Este ano pode-se revelar uma oportunidade para nós e nossos vizinhos alcançarmos a paz. Enquanto muitas nuvens da política continuam a escurecer o horizonte; e as vozes de incitamento obscurecem o som da paz; e muita violência convergiu para as encruzilhadas das nossas vidas; a maioria das pessoas desta região deseja a paz. (…)
Daqui, de Jerusalém, desta terra sobre a qual os profetas caminharam, gostaria de fazer uma oração: Que os muros de hostilidade possam cair, que os ódios do passado possam desaparecer, que uma nova história traga um novo amanhecer, que permita que as próximas gerações possam nascer em paz, para viver em paz e para transmitir um legado de paz aos seus descendentes. Que possamos ver-nos livres de ameaças e violência e que a justiça seja garantida para todos os povos.
(Discurso de Shimon Peres na recepção ao Papa, no Palácio Presidencial em Jerusalém, 11 de Maio)
(Vídeo: Dudu Fisher e David D'Or, com as vozes do Coro da Paz, cantando em hebraico, árabe e inglês uma oração de paz, unidade e reconciliação entre povos e religiões; Palácio Presidencial de Jerusalém, 11 de Maio)
Imagens de uma peregrinação (2)

Tragicamente, o povo judeu experimentou as terríveis consequências de ideologias que negam a dignidade fundamental de cada pessoa humana. É justo e conveniente que, durante a permanência em Israel, eu tenha a ocasião de honrar a memória dos seis milhões de Judeus vítimas do Shoah e de rezar a fim de que a humanidade nunca mais tenha que ser testemunha de um crime de semelhante enormidade.
Infelizmente, o anti-semitismo continua a erguer a sua cabeça repugnante em muitas partes do mundo. Isto é totalmente inaceitável. Devem ser feitos todos os esforços para combater o anti-semitismo onde quer que seja e promover o respeito e a estima pelos membros de cada povo, raça, língua e nação em todo o mundo.
(Discurso do Papa Bento XVI na chegada a Jerusalém, 11 de Maio)
Alguém pode privar o vizinho das suas propriedades, das ocasiões favoráveis ou da liberdade. Pode tecer uma traiçoeira rede de mentiras para convencer os outros que certos grupos não merecem respeito. Todavia, por mais que se esforce, nunca pode apagar o nome de outro ser humano.
A Sagrada Escritura ensina-nos a importância dos nomes quando a alguém é confiada uma missão única ou um dom especial. Deus chamou a Abrão "Abraão" porque devia tornar-se o "pai de muitas nações" (Gn 17, 5). Jacob foi chamado "Israel" porque tinha lutado "com Deus e com os homens, e tinha vencido" (cf. Gn 32, 29).
Os nomes conservados neste venerado monumento para sempre terão um lugar sagrado entre os inúmeros descendentes de Abraão. Como aconteceu com Abraão, também a sua fé foi provada. Como com Jacob, também eles foram mergulhados na luta entre o bem e o mal, enquanto lutavam para discernir os desígnios do Todo-Poderoso.
Os nomes destas vítimas nunca possam perecer! Os seus sofrimentos nunca possam ser negados, diminuídos ou esquecidos! E possam todas as pessoas de boa vontade permanecer vigilantes a fim de desarraigar do coração do homem qualquer aspecto capaz de produzir uma semelhante tragédia!
(Discurso do Papa Bento XVI no Yad Vashem - Memorial do Holocausto, 11 de Maio)
(Foto: o Papa na Tenda da Memória do Yad Vashem, GPO de Israel)
Imagens de uma peregrinação (1)
Que disse o Papa a Deus?
Regressado a casa, Bento XVI terá dito a Deus que fez o que tinha podido, segundo a sua consciência e a dignidade; que fizesse Ele, agora, o resto. Deus terá respondido, lembrando um ditado, julgo que belga, que gosta de ajudar aqueles que O ajudam a Ele.
Passei recentemente pela Síria, Jordânia, Israel e Territórios Palestinianos e pude perceber melhor que o caminho da paz é dificílimo, exigindo um trabalho hercúleo. Mas, como disse Ernst Bloch, a partir de uma palavra enigmática de Heraclito: "Quem não espera o inesperado não o encontrará."
(o link remete para o texto integral do artigo)
Músicas que falam com Deus (1) Vinde e Contemplai - a música no Carmelo

sábado, 23 de maio de 2009
Esta vida não acabou aqui
Antítese do homem indistinto, amoral e neutro, João Bénard da Costa foi, ao longo do último meio século, um homem de qualidades transbordantes, com a paixão dos que querem converter os outros.
Desta forma começa o obituário que Alexandra Lucas Coelho escreveu no P2, no Público de sexta-feira. Aqui pode ler-se o texto completo.
João Bénard da Costa: porquê e a quê chamamos Belo?
Quando me sentei aqui e olhei à volta, pensei que estava numa situação paradoxal. Ou seja, vinha falar sobre o Belo, num sítio que nos impõe imediatamente o conceito de Beleza.
Este é um lugar de beleza. Se podemos secundarizar a Sé de Lisboa em relação a outras grandes catedrais românicas anteriores ou da mesma época, se podemos e devemos recordar todas as destruições, modificações, restauros que sofreu durante os tempos, nenhuma dessas contingências ou comparações diminui a beleza deste espaço.
E aqui começa a primeira pergunta ou o primeiro mistério. Porquê e a quê chamamos Belo?
(Aqui podemos ler a continuação do texto)
Viver Hoje a Esperança do Evangelho
Neste Encontro de Reflexão Teológica de 2009, a partir da reflexão proposta por D. Manuel Clemente (bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais) o tema será a Esperança do Evangelho para os tempos de hoje - como afirma S. Paulo, "foi na esperança que fomos salvos".
D. Manuel Clemente escreve: "A esperança leva por diante o diálogo entre Deus e cada um de nós (...), devolve a Deus o melhor que Ele mesmo colocou em nós, como semente e desejo de realização plena". Ainda nas suas palavras, "a esperança liberta e potencia infinitamente cada momento da vida, fazendo-nos tomá-lo como ocasião e estímulo para a actualidade definitiva, quando tudo for plenamente vivido, realizando o futuro - e dispensando-o assim - num eterno presente."
Mais informações e inscrições estão disponíveis no site do Metanoia.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Carta de Bento a Jerusalém
Bento XVI prometeu e cumpriu. Tal como nos Camarões e Angola, o Papa alemão, que chegou no passado dia 8 à Terra Santa, veio para perturbar o status quo das governações. Viagens anunciadas como pastorais, mas eminentemente políticas.
Fixo-me no último dia. O muro já tinha sido arrasado em Belém e na terra do carpinteiro, em Nazaré, ficou o convite à resistência dos cristãos. Em Jerusalém, no engalanado patriarcado greco-ortodoxo, o Papa comprometia-se coma a comissão internacional de diálogo teológico, tendo quatro vezes falado de reconciliação. E dizendo que são uma vergonha as divisões das igrejas. Fez regressar a sua tese preferencial: o cristianismo só poderá ter futuro se for assegurado através das novas gerações que hão-de ou não acreditar no testemunho dos mais velhos. As igrejas não podem ser mera arqueologia.
Na despedida, em Telavive, Shimon Peres vergou-se à emoção quando ia citar o profeta Isaías. Não foram de circunstância as palavras do Presidente israelita, que sublinhou o importante contributo desta viagem para as relações entre os cristãos e os judeus. Peres recordou de modo solene que o terrorismo e as religiões não podem andar de mãos dadas.
Bento XVI acolheu a emoção do Presidente, mas não poupou nas palavras, mesmo lembrando a oliveira plantada pelo Papa no jardim de Peres. Evocou o Yad Vashem, símbolo do nazismo, que não pode ser negado nem apagado. Peres agradeceu. O Papa voltou à carga com o muro que trazia atravessado. Desnecessário como escândalo trágico.
Ficava para a história a carta de Jerusalém: “Não mais banhos de sangue, não mais confrontos, não mais terrorismo, não mais guerra, vamos quebrar o círculo vicioso da violência. Construa-se uma paz duradoura baseada na justiça. Que seja genuína a reconciliação. Reconheça-se o direito do Estado de Israel a existir e disfrutar de paz e segurança, com fronteiras internacionalmente estabelecidas. Reconheça-se, igualmente, que o povo palestiniano tem direito à soberania de uma pátria independente, a viver com dignidade e a deslocar-se livremente. Que a solução dois estados seja uma realidade e não apenas um sonho. Deixemos que a paz se estenda a estes territórios, para que seja uma luz para as nações, trazendo esperança para as muitas outras regiões afectadas pelo conflito.” Shalom.