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sábado, 15 de dezembro de 2018

A magia do artesanato palestino, o Natal duro dos cristãos da Terra Santa

Texto de António Marujo
Vídeo de Maria Wilton


Um presépio com caixa de música: este poderia ser o símbolo da magia de Natal, 
representa a dureza da vida dos cristãos palestinos de Belém

Este poderia ser um Natal mágico: um presépio com uma caixa de música a tocar os acordes de Stille Nacht (Noite feliz), talvez a mais bela canção do tempo... 
Mas, para muitos cristãos da Terra Santa – e, em especial, da Palestina, o Natal não é mágico. É verdade que é em Belém que está a Igreja da Natividade, construída no local onde, segundo a tradição, Jesus teria nascido. É verdade que, por estes dias, muitos peregrinos vão à cidade, celebrar uma das festas mais importantes do cristianismo. Nada disto leva magia aos cristãos que ali vivem.  
“O que acontece é que nos sentimos abandonados”, diz Nicolas, um jovem palestino “cristão católico, da cidade de Belém, o berço da fé e da paz, onde nasceu o nosso salvador do mundo, Jesus”, como se apresenta quando falamos com ele em Lisboa. Pelo quinto ano consecutivo, Nicolas está em Lisboa, até ao Natal, a vender artesanato de Belém, feito em madeira de oliveira. Presépios, imagens de Santo António, cruzes, estrelas, representações da Sagrada Família – tudo pode ser encontrado na Rua Anchieta, número 10 (ao Chiado) – ou ainda, neste domingo, 16 de Dezembro, na paróquia do Cristo-Rei, no Porto. 
Nicolas trabalha na cidade de Belém como guia turístico. Para os cristãos da Cisjordânia (Palestina), a única fonte de rendimento são as actividades ligadas ao turismo. “Imaginem que os cristãos que vão visitar Fátima não ficam a dormir lá, nem vão aos restaurantes. O que está a acontecer é isso: os cristãos passam em Belém duas, três horas, visitam a Igreja da Natividade e voltam para Jerusalém.” 
Deste modo, não dá para ter um mínimo de rendimento. Resultado? “Muitos pensam em emigrar.” Muitos outros já o fizeram: em menos de 50 anos, o número de cristãos em Israel e na Palestina reduziu de vinte por cento para dois por cento – são agora uns 130/140 mil em nove milhões de habitantes; em Belém, a população cristã era, em 1948 (data da fundação do Estado de Israel) oitenta por cento cristã; hoje, são caiu para menos de vinte por cento. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Trindade, Médio Oriente e um diamante



Santíssima Trindade, vitral de Almada Negreiros 
na Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa

Crónicas

Ponhamos a escrita em dia, relativamente às crónicas de imprensa das últimas duas semanas. A celebração cristã da Santíssima Trindade foi tema para a crónica de Vítor Gonçalves. Deus surpreendente é o título do texto na Voz da Verdade de 15 de Junho:

Apreciando o esforço intelectual que nos leva sempre mais perto do mistério (quando é busca humilde e aberta) creio que são os pintores, os poetas, os músicos, os artistas,… enfim, quem melhor nos aproxima deste “ver Deus como Ele é”, prometido por S. João (cf. 1 Jo 3, 2). Como não ficar maravilhado perante o ícone da Trindade de A. Rublev, os poemas de S. João da Cruz, ou as melodias de Hildegarda de Bingen? Há um dinamismo de alegria e de festa quando se fala da Trindade ou quando se procura representá-la, pois é esse o dinamismo de amor das Pessoas Divinas, como um abraço de amor em que se entrelaçam. Disse um dia Nietzche: “Só acreditaria num Deus que soubesse dançar!” 
(texto integral para ler aqui)

O mesmo tema, sob o título Poderemos viver juntos?, foi o ponto de partida para frei Bento Domingues, no Público de dia 15:

Jesus Cristo testemunhou, em expressões escandalosamente familiares, que Deus – limite de todos os conceitos - não é solidão. Quando Tertuliano cunhou a palavra trindade pretendia dizer que Deus é a misteriosa coincidência da máxima unidade na máxima diversidade, a insondável comunhão de relações pessoais de conhecimento e amor.
(texto integral para ler aqui)

Na semana anterior, frei Bento perguntava De que Espírito Somos?:
Nos Actos, não há clivagem entre o espiritual e o material, a vida interior e as relações sociais. O sinal mais inequívoco da presença actuante do Espírito Santo é a partilha dos bens espirituais e materiais. Nunca haverá boa partilha de uns sem a partilha dos outros. O Papa, arreliado com as histórias em torno do Banco do Vaticano, disse numa das Missas matinais, em Santa Marta, que S. Pedro não tinha conta bancária. 
(texto integral para ler aqui)

Nas duas últimas crónicas no DN, Anselmo Borges analisava ainda as declarações e consequências da viagem do Papa à Jordânia, Palestina e Israel. A 14 de Junho, escrevia, sobre Jerusalém e Roma:

O conflito do Médio Oriente é sobretudo político. Mas lá não haverá paz enquanto os membros das três religiões monoteístas, que se reclamam de Abraão, se não tornarem politicamente activos, impedindo o fanatismo religioso. Com base nos seus livros sagrados - Bíblia hebraica, Novo Testamento, Alcorão -, judeus, cristãos e muçulmanos devem reconhecer-se mutuamente e lutar a favor da paz. Esta é a mensagem de Roma para Jerusalém.
(texto integral para ler aqui)

Na semana anterior, sobre A entrevista de Francisco no avião, escrevia:
Sobre o encontro de amanhã, no Vaticano, de Abbas e Peres: trata-se de um dia de oração juntos, sendo preciso "negociar com honestidade, fraternidade, muita confiança". Sobre Jerusalém, a Igreja Católica já estabeleceu a sua posição, a partir do ponto de vista religioso: "A capital das três religiões. Uma cidade santa, de paz, de religião." Aqui, lembro o facto de, no acordo das Nações Unidas em 1947, para lá dos dois Estados soberanos, constar "a internacionalização de Jerusalém sob a administração das Nações Unidas".
(texto integral para ler aqui) 

No Correio da Manhã de dia 13, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre O diamante Taizé:
Mas este é, de facto, um local especial. Onde é possível um pastor protestante desempregado abeirar-se de um sacerdote católico paramentado e pedir-lhe que o abençoe para que Deus o ajude a encontrar emprego. Onde se vive e respira o acolhimento e a reconciliação. Onde o ritmo diário é marcado pelos sinos que convocam milhares de pessoas à oração na Igreja da Reconciliação, de manhã, ao meio da jornada e ao fim do dia.
(texto integral para ler aqui)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!



«Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!

Tentámos tantas vezes e durante tantos anos
resolver os nossos conflitos com as nossas forças
e também com as nossas armas;
tantos momentos de hostilidade e escuridão;
tanto sangue derramado;
tantas vidas despedaçadas; tantas esperanças sepultadas...
Mas os nossos esforços foram em vão.
Agora, Senhor, ajudai-nos Vós!
Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós para a paz.

Abri os nossos olhos e os nossos corações
e dai-nos a coragem de dizer: «nunca mais a guerra»;
«com a guerra, tudo fica destruído»!

Infundi em nós a coragem
de realizar gestos concretos para construir a paz.
Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas,
Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos,
dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz;
dai-nos a capacidade de olhar com benevolência
todos os irmãos que encontramos no nosso caminho.

Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos
que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz,
os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão.

Mantende acesa em nós a chama da esperança
para efectuar, com paciente perseverança,
opções de diálogo e reconciliação,
para que vença finalmente a paz.
E que do coração de todo o homem
sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra!

Senhor, desarmai a língua e as mãos,
renovai os corações e as mentes,
para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre «irmão»,
e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam!
Amen.»

Oração do Papa Francisco no encontro de oração que reuniu, neste domingo, dia 6 de junho, nos jardins do Vaticano, os Presidentes de Israel e da Palestina

domingo, 8 de junho de 2014

Encontro de oração que junta os presidentes Peres, Abbas e o Papa Francisco em directo

Siga aqui este encontro que, aconvite do Papa Francisco junta hoje no Vaticano os Presidentes Shimon Perez, de Israel e Mahmoud Abbas, da Palestina. Junta-se também o patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu:
http://www.news.va/pt
Só a fé no poder da oração pode atribuir valor e eficácia - e não mero simbolismo ou boas intenções - a um acontecimento como este.

sábado, 7 de junho de 2014

Uma oração à espera de um milagre na Terra Santa

O Papa Francisco renova a influência política do Vaticano no Médio Oriente ao juntar, num jardim da Santa Sé, os presidentes de Israel e da Palestina.

texto de Margarida Santos Lopes*

Dois ateus – o judeu Shimon Peres e o muçulmano Mahmoud Abbas – vão encontrar-se, neste domingo, com o chefe da Igreja Católica Romana, Papa Francisco, numa oração colectiva. Não é uma tentativa de mediação do conflito israelo-palestiniano, garantiu o porta-voz da Santa Sé, mas todos os analistas reconhecem o peso político desta prece no Domingo de Pentecostes.
O convite para a reunião inter-religiosa (que incluirá também a presença do patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu, e de líderes espirituais da comunidade drusa) foi endereçado aos dois presidentes durante a primeira, e histórica, visita do Papa à Terra Santa, de 24 a 26 de Maio. Francisco voltou a surpreender e marcar a diferença ao começar a viagem, de carácter oficial, no Reino da Jordânia, de onde partiu, de helicóptero, para Belém, na Cisjordânia ocupada.
As duas anteriores visitas papais começaram em Telavive; por isso, este gesto simbólico de dar a primazia a Mahmoud Abbas não passou despercebido. “O facto de ele ter vindo da Jordânia directamente para Belém, sem passar por Israel, foi um reconhecimento tácito do Estado da Palestina”, disse ao diário The Guardian a cristã Hanan Ashrawi, influente figura política palestiniana.
“Estado da Palestina” foi, aliás, uma expressão que o sucessor de Bento XVI usou, por diversas vezes, não apenas em Belém, cidade-berço do cristianismo, onde foi acolhido por milhares de fiéis, vindos de vários países do Médio Oriente, mas também durante a sua passagem por território israelita. Esta incluiu igualmente paragens emblemáticas: o memorial às vítimas de terrorismo no Monte Herzl (o “pai” do sionismo) e o Museu do Holocausto de Yad Vashem.

“Queremos justiça”

A simpatia que o Papa demonstrou para com os palestinianos não foi ignorada pelo lado israelita, que tentou retirar qualquer carga política aos seus gestos. Um dos mais extraordinários foi uma paragem espontânea junto ao que uns chamam de “barreira de separação” e outros condenam como “muro do apartheid”.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Abrir portas para o futuro, tocar a tecla apropriada

Crónicas

Na sua crónica deste Domingo, no Público, intitulada Corações ao Alto, frei Bento Domingues escrevia, partindo da narrativa dos evangelhos sobre a Ascensão de Jesus:

Na sua peregrinação à Terra dos conflitos mortais – Jesus Cristo também os conheceu – ninguém podia esperar ver o milagre dos muros a ruir, as armas a cair das mãos e todos envolvidos num grande abraço. O Papa, ao abandonar o calculismo político, não privilegiou nem cristãos, nem muçulmanos nem judeus. Ao ser tudo para todos, abriu portas para o futuro, a nossa morada. 
(o texto pode ser lido aqui na íntegra)

Sexta-feira, no CM, Fernando Calado Rodrigues falava da Diplomacia Papal, a propósito da viagem do Papa Francisco à Terra Santa:

Nesta deslocação à Terra Santa o Papa Francisco demonstrou a sua habilidade na abordagem de questões sensíveis, como a conturbada convivência entre os povos do Médio Oriente ou o diálogo com a Igreja Ortodoxa – e recuperou para o papado e para o Vaticano um papel destacado na cena diplomática mundial. “Francisco tem essa capacidade de tocar a tecla apropriada em todos os momentos, que torna fácil o difícil”, conclui José Manuel Vidal.
(o texto pode ser lido aqui na íntegra)

sábado, 31 de maio de 2014

Papa Francisco na Terra Santa e Ascensão: A glória de Deus é o homem vivo

Crónicas

No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, Vítor Gonçalves refere a viagem do Papa Francisco à Terra Santa, no início da semana. Com o título No céu e na terra, acrescenta depois, sobre o tema da ascensão de Jesus, festa litúrgica deste domingo:

Aquele “ensinai todas as nações” que Jesus confiou aos apóstolos, não é apenas um conteúdo intelectual: é uma vida renovada com Ele. Abraça todas as dimensões humanas, leva luz à escuridão e quebra as correntes que aprisionam. Bem dizia S. Ireneu: “A glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus”!
(o texto integral pode ser lido aqui)

No DN de hoje, Anselmo Borges comenta exclusivamente a viagem do Papa à Jordânia, Palestina e Israel. O título da crónica é Francisco no Médio Oriente. "Conseguimos!":

E sucederam-se os encontros ecuménicos e inter-religiosos. Com o Patriarca ortodoxo Bartolomeu, assumiu a urgência da união de todos os cristãos, propondo "um novo modo" de exercer o primado papal, tendo talvez no horizonte a ideia de um primus inter pares (o primeiro entre iguais). Na Esplanada das Mesquitas, encontrou-se com o Grande Mufti, pedindo aos "amigos muçulmanos" um trabalho em conjunto pela justiça e pela paz. "Que ninguém instrumentalize o nome de Deus para a violência!" Depois do muro de Belém, rezou no Muro das Lamentações. E, num encontro com rabinos, um rabino proclamou: "Em Jerusalém, não deve existir mais ódio nem inimizade entre os irmãos."
(o texto integral pode ser lido aqui)





sexta-feira, 23 de maio de 2014

Patriarca de Jerusalém, Fouad Twal: Nunca haverá paz na Terra Santa só para um povo, sem o outro


O patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, em Fátima, 
durante a entrevista (foto Ecclesia)

Espera que os discursos do Papa durante os seus três dias de visita à Terra Santa “toquem a cabeça e o coração dos líderes políticos para que tenham a coragem de mudar, para que haja mais paz” na região. “Nunca haverá paz na Terra Santa só para um povo sem o outro”, diz o patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, que a 13 de Maio presidiu à peregrinação do santuário de Fátima. Nesta entrevista que me deu para a Vida Nueva, em conjunto com a Ecclesia (Octávio Carmo) e a SIC (Joaquim Franco), Fouad Twal antecipa a tripla dimensão ecuménica, inter-religiosa e política da visita do Papa Francisco, que estará na Jordânia, Palestina e Israel de sábado a segunda-feira.

P. – Que expectativas tem para a visita do Papa Francisco?
Fouad Twal – A situação é muito complicada na Terra Santa. Esperamos que as pessoas não se contentem com a manifestação e o espetáculo da chegada do Papa, mas que tenham tempo de estudar profundamente os discursos do Santo Padre, que devem ser uma mensagem para os líderes políticos, para os crentes – crentes cristãos, muçulmanos e judeus.
Ali há uma verdadeira guerra mundial, o Papa tem uma mensagem mundial. Esperamos que esses discursos sejam um programa de vida, uma mensagem a seguir no futuro. Estou certo de que ele não vai mudar a situação imediatamente, mas espero e rezo para que ele mude ao menos o coração dos homens, que ele toque o coração dos homens. Tocar o coração dos homens é falar da conversão. Estamos em Jerusalém, e quando falamos de conversão estamos em Fátima de novo. É essa unidade de mensagem da Virgem que nos une mais do que nunca.
A entrevista pode continuar a ser lida aqui.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Um Papa entre dois muros, na TSF

De 8 a 15 de Maio, o Papa Bento XVI fez a viagem mais arriscada do seu pontificado não deixando de se colocar entre o Muro das Lamentações e o polémico muro de segurança, levantado entre Israel e a Palestina. O líder da Igreja Católica dirigiu ainda os passos pelo Jordão e o monte Nebo, na Jordânia, e o campo de refugiados de Aida, em Belém. Visitou Nazaré e o Santo Sepulcro, além de se ter encontrado com Shimon Peres, Benjamin Netanyau e Mahmoud Abbas.

Manuel Vilas Boas acompanhou a viagem do Papa e conta agora, no programa "Um Papa entre dois muros", os sons, as músicas, as imagens mais marcantes desta viagem. O programa passa na TSF neste sábado, às 18h (com repetição na madrugada de domingo, à uma da manhã) e tem sonoplastia de Luís Borges

O programa estará disponível em www.tsf.pt

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Imagens de uma peregrinação (8)

A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.

A fé monoteísta destruiu muitos ídolos e rituais. Coloca sua confiança num Deus Todo-Poderoso, que nos legou a mensagem da igualdade; declarando que todos os seres humanos foram criados à Sua imagem. (…)
Os líderes políticos e espirituais de hoje enfrentam um profundo desafio: como separar religião de terrorismo. Como evitar que terroristas se apoderem da consciência religiosa disfarçada em um ato de terrorismo na falsa aparência de uma missão religiosa.


A sua [do Papa] busca por paz e segurança entre nós e os nossos vizinhos e em todo o planeta aborda uma necessidade vital e promete: vida sem medos; vida sem lágrimas. (…)
Tudo o que podemos dizer é simplesmente agradecê-lo. Vossa Santidade veio em paz e partirá em paz e desejamos dizer a Vossa Santidade: Shalom.
Nas palavras do profeta Isaías: “Sim, saireis radiantes de alegria e sereis reconduzidos em paz à vossa casa.” (Isaías, 55, 12)


[O Presidente Peres, emocionado, já não conseguiu citar esta frase de Isaías; apenas se dirigiu ao Papa e disse: “Shalom, Deus o abençoe.” Bento XVI levantou-se e os dois homens abraçaram-se.]

(Discurso do Presidente israelita, Shimon Peres, na despedida do Papa, em Telavive, 15 de Maio; texto na íntegra, em português do Brasil e em outras línguas, em
http://www.mfa.gov.il/PopeinIsrael/Portuguese/Pronunciamento_Presidente_Cerimonia_Despedida_Santo_Papa_15-May-2009.htm)

(Vídeo: canção final do encontro inter-religioso em Nazaré, com o Papa, 14 de Maio)

Imagens de uma peregrinação (7)

A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.

Esta antiga igreja (...) dá um testemunho mudo da pesada herança do nosso passado, com os seus erros, as suas incompreensões e os seus conflitos. (...) Que a esperança se erga, sempre nova (...) no coração de todas as pessoas que permanecem nestas terras. (...) O evangelho ensina-nos que Deus pode fazer novas todas as coisas, que a história não se repete, que as memórias podem ser curadas, que os frutos amargos da recriminação e da hostilidade podem ser ultrapassadas e que um futuro de justiça, paz, prosperidade e cooperação pode erguer-se para cada homem e mulher, para toda a família humana, de uma maneira particular para o povo que mora nesta terra tão cara ao coração do Salvador.”
(Discurso do Papa Bento XVI no Santo Sepulcro, em Jerusalém, 15 de Maio)

Estendendo os seus braços sobre a Cruz, Jesus revelou a amplitude do seu desejo de atrair todos os homens a ele, unindo-os para que eles sejam um. Insuflando-nos o seu Espírito, ele desvelou o seu poder de nos tornar capazes de participar na sua missão de reconciliação. Nesse sopro, através da redenção que une, está a nossa missão! (…) No nosso desejo ardente de levar Cristo aos outros, de fazer conhecer a sua mensagem de reconciliação, experimentamos a vergonha das divisões. Todavia, enviados por Cristo ao mundo, fortificados pelo poder unificador do Espírito Santo, proclamando a reconciliação que conduz cada um a acreditar que Jesus é o filho de Deus, devemos encontrar a força para redobrar os nossos esforços para aperfeiçoar a nossa comunhão, para torná-la completa, para dar um testemunho comum.
(Discurso do Papa no encontro ecuménico, no Patriarcado greco-ortodoxo de Jerusalém, 15 de Maio)

(Foto: Santo Sepulcro, mosaico representando a deposição e sepultura de Jesus)

domingo, 24 de maio de 2009

Imagens de uma peregrinação (6)

A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.

“Não permitais que as perdas de vidas e as destruições de que tenham sido testemunhas suscitem amargura ou ressentimento nos vossos corações. Resisti a qualquer tentação de recorrer a actos de violência ou terrorismo.”
(Bento XVI ao ser recebido, em Belém, pelo Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, 13 de Maio)

(Foto: portão da escola das Nações Unidas para rapazes no campo de refugiados de Aida, junto a Belém)

Imagens de uma peregrinação (5)


A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.
Dominante por trás de nós, enquanto nos reunimos aqui nesta tarde, dura lembrança do ponto morto a que parecem ter chegado os contactos entre israelitas e palestinianos, ergue-se o muro.
Num mundo em que as fronteiras estão cada vez mais abertas – ao comércio, às viagens, à mobilidade das pessoas, ao intercâmbio sócio-cultural – é trágico ver que ainda continuam a ser erigidos muros. Como tardamos em ver os frutos de uma tarefa bem mais difícil, a de construir a paz! Como rezamos constantemente pelo fim as hostilidades que estão na origem deste muro!
(Discurso do Papa Bento XVI, no campo de refugiados de Aida, junto a Belém, 13 de Maio)

Se os muros podem facilmente ser construídos, todos sabemos que não duram para sempre. (...) Mas antes de tudo é necessário abater os muros que construímos em redor dos nossos corações, as barreiras que levantamos contra o nosso próximo.”
(Discurso do Papa Bento XVI, ao despedir-se do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, Belém, 13 de Maio)
(Foto: O muro de segurança construído por Israel, junto a Belém)

Imagens de uma peregrinação (4)

A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.

Deus de Abraão, Isaac e Jacob, ouvi o clamor dos aflitos, dos amedrontados e dos desesperados; enviai a vossa paz sobre esta Terra Santa, sobre o Médio Oriente e sobre toda a família humana; estimulai os corações de todos aqueles que invocam o vosso nome,a percorrer humildemente o caminho da justiça e da compaixão.
(Oração do Papa Bento XVI deixada no Muro das Lamentações, 12 de Maio)
(Foto: o Papa colocando a sua oração nas frestras do Muro Ocidental do Templo de Salomão)

Imagens de uma peregrinação (3)

A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.

Os líderes religiosos devem estar conscientes de que qualquer divisão ou tensão, qualquer tendência à introversão ou à suspeita entre crentes ou entre as nossas comunidades pode facilmente levar a uma contradição que ofusca a unidade do Omnipotente, atraiçoa a nossa unidade e contradiz o Único que se revela a si mesmo como "rico de amor e de fidelidade" (Êx 34, 6; Sl 138, 2; Sl 85, 11).

Jerusalém, que desde há muito tempo tem sido uma encruzilhada de povos de diferentes origens, é uma cidade que permite a judeus, cristãos e muçulmanos assumir o dever e, ao mesmo tempo, gozar do privilégio de dar testemunho conjunto da coexistência pacífica há muito tempo almejada pelos adoradores do único Deus; revelar o desígnio do Omnipotente, anunciado a Abraão, para a unidade da família humana; e proclamar a verdadeira natureza do homem, que procura Deus.

Comprometamo-nos a assegurar que, mediante o ensino e a orientação das nossas respectivas comunidades, as sustentaremos na sua fidelidade àquilo que verdadeiramente são como crentes, sempre conscientes da bondade infinita de Deus, da dignidade inviolável de cada ser humano e da unidade de toda a família humana.
(Discurso do Papa Bento XVI na recepção de Shimon Peres, no Palácio Presidencial em Jerusalém, 11 de Maio)


Os líderes espirituais podem preparar o caminho para os líderes políticos. Eles podem limpar os campos minados que obstruem a estrada da paz. Os líderes espirituais podem reduzir a animosidade, de forma a que os líderes políticos não procurem meios destrutivos. (…) Todos nós: judeus, cristãos, muçulmanos, todas as pessoas de fé, reconhecemos que o desafio de hoje não é a separação entre religião e estado, mas a separação intransigente entre religião e violência.

Este ano pode-se revelar uma oportunidade para nós e nossos vizinhos alcançarmos a paz. Enquanto muitas nuvens da política continuam a escurecer o horizonte; e as vozes de incitamento obscurecem o som da paz; e muita violência convergiu para as encruzilhadas das nossas vidas; a maioria das pessoas desta região deseja a paz. (…)

Daqui, de Jerusalém, desta terra sobre a qual os profetas caminharam, gostaria de fazer uma oração: Que os muros de hostilidade possam cair, que os ódios do passado possam desaparecer, que uma nova história traga um novo amanhecer, que permita que as próximas gerações possam nascer em paz, para viver em paz e para transmitir um legado de paz aos seus descendentes. Que possamos ver-nos livres de ameaças e violência e que a justiça seja garantida para todos os povos.
(Discurso de Shimon Peres na recepção ao Papa, no Palácio Presidencial em Jerusalém, 11 de Maio)

(Vídeo: Dudu Fisher e David D'Or, com as vozes do Coro da Paz, cantando em hebraico, árabe e inglês uma oração de paz, unidade e reconciliação entre povos e religiões; Palácio Presidencial de Jerusalém, 11 de Maio)

Imagens de uma peregrinação (2)


A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.

Tragicamente, o povo judeu experimentou as terríveis consequências de ideologias que negam a dignidade fundamental de cada pessoa humana. É justo e conveniente que, durante a permanência em Israel, eu tenha a ocasião de honrar a memória dos seis milhões de Judeus vítimas do Shoah e de rezar a fim de que a humanidade nunca mais tenha que ser testemunha de um crime de semelhante enormidade.

Infelizmente, o anti-semitismo continua a erguer a sua cabeça repugnante em muitas partes do mundo. Isto é totalmente inaceitável. Devem ser feitos todos os esforços para combater o anti-semitismo onde quer que seja e promover o respeito e a estima pelos membros de cada povo, raça, língua e nação em todo o mundo.
(Discurso do Papa Bento XVI na chegada a Jerusalém, 11 de Maio)

Alguém pode privar o vizinho das suas propriedades, das ocasiões favoráveis ou da liberdade. Pode tecer uma traiçoeira rede de mentiras para convencer os outros que certos grupos não merecem respeito. Todavia, por mais que se esforce, nunca pode apagar o nome de outro ser humano.

A Sagrada Escritura ensina-nos a importância dos nomes quando a alguém é confiada uma missão única ou um dom especial. Deus chamou a Abrão "Abraão" porque devia tornar-se o "pai de muitas nações" (Gn 17, 5). Jacob foi chamado "Israel" porque tinha lutado "com Deus e com os homens, e tinha vencido" (cf. Gn 32, 29).

Os nomes conservados neste venerado monumento para sempre terão um lugar sagrado entre os inúmeros descendentes de Abraão. Como aconteceu com Abraão, também a sua fé foi provada. Como com Jacob, também eles foram mergulhados na luta entre o bem e o mal, enquanto lutavam para discernir os desígnios do Todo-Poderoso.

Os nomes destas vítimas nunca possam perecer! Os seus sofrimentos nunca possam ser negados, diminuídos ou esquecidos! E possam todas as pessoas de boa vontade permanecer vigilantes a fim de desarraigar do coração do homem qualquer aspecto capaz de produzir uma semelhante tragédia!
(Discurso do Papa Bento XVI no Yad Vashem - Memorial do Holocausto, 11 de Maio)

(Foto: o Papa na Tenda da Memória do Yad Vashem, GPO de Israel)

Imagens de uma peregrinação (1)

A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.

Aqui, nas alturas do Monte Nebo, a memória de Moisés convida-nos a "elevar os olhos" para abraçar com gratidão não só as obras maravilhosas de Deus no passado, mas também a olhar com fé e esperança para o futuro que Ele reserva para nós e para o nosso mundo.

Como Moisés, também nós fomos chamados pelo nome, convidados a empreender um êxodo quotidiano do pecado e da escravidão para a vida e a liberdade, e recebemos uma promessa inabalável para orientar o nosso caminho. (…)

Nós somos chamados a acolher a vinda do Reino de Deus mediante a nossa caridade, o nosso serviço aos pobres e os nossos esforços por ser fermento de reconciliação, de perdão e de paz no mundo que nos circunda. Sabemos que, como Moisés, não veremos o pleno cumprimento do plano de Deus no arco da nossa vida. E no entanto, temos confiança de que, cumprindo a nossa pequena parte, na fidelidade à vocação que cada um recebeu, contribuiremos para tornar rectos os caminhos do Senhor e para saudar o alvorecer do seu Reino.

Sabemos que Deus, que revelou o seu próprio nome a Moisés como promessa que estaria sempre ao nosso lado (cf. Êx 3, 14), nos dará a força de perseverar em esperança jubilosa também no meio dos sofrimentos, das provações e das tribulações.
(Bento XVI, discurso no Memorial de Moisés no Monte Nebo, na Jordânia)

(Na foto: Jerusalém, Monte das Oliveiras, Jardim do Getsemani)

Que disse o Papa a Deus?

Anselmo Borges escreve, no DN deste sábado, sobre a viagem do Papa Bento XVI à Terra Santa:

Regressado a casa, Bento XVI terá dito a Deus que fez o que tinha podido, segundo a sua consciência e a dignidade; que fizesse Ele, agora, o resto. Deus terá respondido, lembrando um ditado, julgo que belga, que gosta de ajudar aqueles que O ajudam a Ele.

Passei recentemente pela Síria, Jordânia, Israel e Territórios Palestinianos e pude perceber melhor que o caminho da paz é dificílimo, exigindo um trabalho hercúleo. Mas, como disse Ernst Bloch, a partir de uma palavra enigmática de Heraclito: "Quem não espera o inesperado não o encontrará."

(o link remete para o texto integral do artigo)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Carta de Bento a Jerusalém


Para que o conjunto fique completo e a escrita em dia, faltava reproduzir aqui a última crónica de Manuel Vilas Boas para o DN e JN, a propósito da viagem do Papa Bento XVI à Terra Santa. O texto aqui fica.

Bento XVI prometeu e cumpriu. Tal como nos Camarões e Angola, o Papa alemão, que chegou no passado dia 8 à Terra Santa, veio para perturbar o status quo das governações. Viagens anunciadas como pastorais, mas eminentemente políticas.

Fixo-me no último dia. O muro já tinha sido arrasado em Belém e na terra do carpinteiro, em Nazaré, ficou o convite à resistência dos cristãos. Em Jerusalém, no engalanado patriarcado greco-ortodoxo, o Papa comprometia-se coma a comissão internacional de diálogo teológico, tendo quatro vezes falado de reconciliação. E dizendo que são uma vergonha as divisões das igrejas. Fez regressar a sua tese preferencial: o cristianismo só poderá ter futuro se for assegurado através das novas gerações que hão-de ou não acreditar no testemunho dos mais velhos. As igrejas não podem ser mera arqueologia.

Depois da passagem pelo muro (da vergonha) e do Yad Vashem (da polémica), a entrada no Santo Sepulcro fez reviver o cristão que é Ratzinger. Como peregrino, acendeu a vela da sua devoção no Calvário, depois de beijar a pedra do sepulcro. O teólogo falou da morte e da ressurreição, sem esquecer a história violenta que guardam estas paredes, incrivelmente sujas, com monges de várias igrejas convertidos em funcionários do vil metal. Outra vergonha.

Na despedida, em Telavive, Shimon Peres vergou-se à emoção quando ia citar o profeta Isaías. Não foram de circunstância as palavras do Presidente israelita, que sublinhou o importante contributo desta viagem para as relações entre os cristãos e os judeus. Peres recordou de modo solene que o terrorismo e as religiões não podem andar de mãos dadas.

Bento XVI acolheu a emoção do Presidente, mas não poupou nas palavras, mesmo lembrando a oliveira plantada pelo Papa no jardim de Peres. Evocou o Yad Vashem, símbolo do nazismo, que não pode ser negado nem apagado. Peres agradeceu. O Papa voltou à carga com o muro que trazia atravessado. Desnecessário como escândalo trágico.

Ficava para a história a carta de Jerusalém: “Não mais banhos de sangue, não mais confrontos, não mais terrorismo, não mais guerra, vamos quebrar o círculo vicioso da violência. Construa-se uma paz duradoura baseada na justiça. Que seja genuína a reconciliação. Reconheça-se o direito do Estado de Israel a existir e disfrutar de paz e segurança, com fronteiras internacionalmente estabelecidas. Reconheça-se, igualmente, que o povo palestiniano tem direito à soberania de uma pátria independente, a viver com dignidade e a deslocar-se livremente. Que a solução dois estados seja uma realidade e não apenas um sonho. Deixemos que a paz se estenda a estes territórios, para que seja uma luz para as nações, trazendo esperança para as muitas outras regiões afectadas pelo conflito.” Shalom.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Terra Santa, o balanço de Esther Mucznik


Na Ecclesia, Esther Mucznik faz uma avaliação da viagem do Papa Bento XVI à Terra Santa, considerando que "é ainda cedo para dizer" se ela foi histórica ou não e estabelecendo comparações com a de João Paulo II, em 2000.
(Ilustração: Jerusalém no centro do mundo, mapa de Heinrich Bunting, 1585)