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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Está a ser notícia

GULAG – Assim classifica um comentário no The New York Times a situação dos muçulmanos na China, especialmente da minoria Uigur, com a campanha de prisões de “reeducação” que tem vindo a ser levada a cabo pelas autoridades do país.

BELÉM – A Autoridade Palestiniana foi o primeiro contribuinte para o projeto de restauração da Basílica da Natividadeem Belém, na Cisjordânia. Um gesto simbólico mas também interessado no potencial turístico do edifício, na leitura feita por Le Monde.

MONJAS – Um trabalho da Associated Press vem dar âmbito mais largo às denúncias de abusos sexuais de membros do clero católico sobre freiras e monjas, em dioceses da Índia.

ORTODOXOS – O processo de ‘autocefalia’ da igreja ortodoxa da Ucrânia foi considerada “ilegítima” e “nula” pelo patriarca Cirilo, de Moscovo, numa carta dura que dirigiu ao patriarca ecuménico Bartolomeu, de Constantinopla, que apoia o processo.

sábado, 15 de dezembro de 2018

A magia do artesanato palestino, o Natal duro dos cristãos da Terra Santa

Texto de António Marujo
Vídeo de Maria Wilton


Um presépio com caixa de música: este poderia ser o símbolo da magia de Natal, 
representa a dureza da vida dos cristãos palestinos de Belém

Este poderia ser um Natal mágico: um presépio com uma caixa de música a tocar os acordes de Stille Nacht (Noite feliz), talvez a mais bela canção do tempo... 
Mas, para muitos cristãos da Terra Santa – e, em especial, da Palestina, o Natal não é mágico. É verdade que é em Belém que está a Igreja da Natividade, construída no local onde, segundo a tradição, Jesus teria nascido. É verdade que, por estes dias, muitos peregrinos vão à cidade, celebrar uma das festas mais importantes do cristianismo. Nada disto leva magia aos cristãos que ali vivem.  
“O que acontece é que nos sentimos abandonados”, diz Nicolas, um jovem palestino “cristão católico, da cidade de Belém, o berço da fé e da paz, onde nasceu o nosso salvador do mundo, Jesus”, como se apresenta quando falamos com ele em Lisboa. Pelo quinto ano consecutivo, Nicolas está em Lisboa, até ao Natal, a vender artesanato de Belém, feito em madeira de oliveira. Presépios, imagens de Santo António, cruzes, estrelas, representações da Sagrada Família – tudo pode ser encontrado na Rua Anchieta, número 10 (ao Chiado) – ou ainda, neste domingo, 16 de Dezembro, na paróquia do Cristo-Rei, no Porto. 
Nicolas trabalha na cidade de Belém como guia turístico. Para os cristãos da Cisjordânia (Palestina), a única fonte de rendimento são as actividades ligadas ao turismo. “Imaginem que os cristãos que vão visitar Fátima não ficam a dormir lá, nem vão aos restaurantes. O que está a acontecer é isso: os cristãos passam em Belém duas, três horas, visitam a Igreja da Natividade e voltam para Jerusalém.” 
Deste modo, não dá para ter um mínimo de rendimento. Resultado? “Muitos pensam em emigrar.” Muitos outros já o fizeram: em menos de 50 anos, o número de cristãos em Israel e na Palestina reduziu de vinte por cento para dois por cento – são agora uns 130/140 mil em nove milhões de habitantes; em Belém, a população cristã era, em 1948 (data da fundação do Estado de Israel) oitenta por cento cristã; hoje, são caiu para menos de vinte por cento. 

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Belém, a casa do pão

Na crónica de hoje no DN e no JN, Manuel Vilas Boas sintetiza o dia de ontem do Papa em Belém, a casa do pão:

Cheguei a Belém com António Marujo, do Público, e José Manuel Rosendo, da Antena 1, ainda o Sol não tinha nascido. Veio depois, quente e pertur- bador. A diligência do taxista árabe saíra frustrada. O check-point impôs que atravessássemos o muro de segurança como em radiografia. Passaportes vigiados, portas de alta segurança.

A circulação esteve cortada desde as seis, por uns longos três quilómetros que fizemos a pé. Íamos de Jerusalém a Belém. As paredes vestiam-se de festa. Bento XVI e Abbas nunca estiveram tão próximos. No palácio da Autoridade Palestiniana, o Presidente queixava-se do sofrimento que o povo, enquadrado, não tolerava mais. E porque é que Jerusalém não regressa à capital da Palestina?
Bento XVI haveria de, ainda em Belém, tomar o mote por três vezes: a Palestina tem direito a ser pátria e Estado com fronteiras. E o Vaticano disponibiliza-lhe toda a máquina diplomática.
A missa, na Praça da Manjedoura, soube a sacrifício glorioso e memória dos mortos em Gaza. Vinte palestinianos da Faixa foram recebidos por Bento XVI.

Uma nova cultura da paz foi a melhor proposta desta concelebração, feita com dez mil participantes a cantarem a plenos pulmões. E a registarem outra sugestão de Ratzinger: "Uma Igreja no Médio Oriente laboratório de diálogo e tolerância."

A visita das visitas morou em Aida, com os refugiados em fundo. Bento XVI foi à escola da ONU de papamóvel. No recinto, o teatro das crianças e jovens e a boa disposição do Papa que foi o mais longe de sempre na coisa política. As palavras medidas arrasaram o muro de nove metros de altura e 800 km de extensão. O pecado de Israel. Por experiência de casa, Ratzinger avisou que os muros não duram sempre. Isto aconteceu em Belém, casa do pão, como diz o nome hebraico, que gerou, sonhado por profetas, o príncipe da paz.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O segredo da fresta

Manuel Vilas Boas escreve hoje no DN e JN sobre o dia de ontem do Papa em Jerusalém:

Estarreci diante da figura de Bento XVI defronte do muro de todos os segredos. Também ele ali deixou, numa das frestas do ícone judaico, os seus desejos de paz para Jerusalém, os mesmos, afinal, do rei David e do profeta Jeremias.
Nem as palavras duras que ouviu na Esplanada das Mesquitas, ditas pelo grande mufti de Jerusalém, a repetir, ainda que modo cortês, as invectivas contra os crimes do Estado de Israel, proferidas na segunda-feira pelo repetente juiz do tribunal muçulmano no assalto a microfones de encontros inter-religiosas, nem estas contendas a merecerem explicações do porta-voz do Vaticano e do embaixador de Israel na Santa Sé, perturbaram a figura vestida de branco a carregar com serenidade triste um dos mais esperados momentos desta visita.


Depois da passagem pelos lugares do islão e do judaísmo, o Papa subiu ao pequeno Cenáculo, onde o Nazareno tomou a última ceia com os discípulos. O edifício foi envolvido por um convento de franciscanos, construído no século XIV. Eles ainda ali estão, de hábito castanho, a projectar o sonho de Assis. Bento XVI deixou-lhes palavras de estímulo para que continuem a ser construtores da concórdia.

Numa liturgia eucarística aberta no Monte das Oliveiras, memória da traição e do sofrimento temido por quem se chamava filho de Deus, o Papa evocou a vocação universal de Jerusalém “como um facto indiscutível que judeus, cristãos e muçulmanos consideram pátria espiritual”. Lugar – disse o Papa – que ensina a universalidade, o respeito pelos outros, a compreensão mútua, é tantaz vezes no interior dos seus muros expressão de violência, estreiteza de espírito, opressão e vingança. Sem nunca o ter feito de modo tão explícito e dirigindo-se às autoridades civis de Israel, Bento XVI disse que na Terra Santa há lugar para todos, inclusive para os cristãos. É a defesa do pai pelos filhos que perdem a eira e a beira...

A antecipar a problemática estada do Papa em Belém, desloquei-me ao campo de refugiados de Aida, agredidos pelo muro de cimento armado a mexer-lhes nas entranhas. Que lhes vai dizer o chefe da Igreja Católica que, em Telavive, à chegada, disse que a Palestina não merece essas formas de divisão não homologadas pela comunidade internacional?
Estas serão as brasas mais acesas na rota do Papa alemão na terra que, segundo a tradição, viu nascer o Filho de Deus.