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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Está a ser notícia

GULAG – Assim classifica um comentário no The New York Times a situação dos muçulmanos na China, especialmente da minoria Uigur, com a campanha de prisões de “reeducação” que tem vindo a ser levada a cabo pelas autoridades do país.

BELÉM – A Autoridade Palestiniana foi o primeiro contribuinte para o projeto de restauração da Basílica da Natividadeem Belém, na Cisjordânia. Um gesto simbólico mas também interessado no potencial turístico do edifício, na leitura feita por Le Monde.

MONJAS – Um trabalho da Associated Press vem dar âmbito mais largo às denúncias de abusos sexuais de membros do clero católico sobre freiras e monjas, em dioceses da Índia.

ORTODOXOS – O processo de ‘autocefalia’ da igreja ortodoxa da Ucrânia foi considerada “ilegítima” e “nula” pelo patriarca Cirilo, de Moscovo, numa carta dura que dirigiu ao patriarca ecuménico Bartolomeu, de Constantinopla, que apoia o processo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Mulheres entram pela primeira vez em templo hindu interdito

Texto de Maria Wilton


Mulheres em protesto contra o impedimento de entrarem no templo Sabarimala 
(foto reproduzida daqui)

Na madrugada de quarta-feira, 26 de dezembro, Bindu e Kanaka Durga, 42 e 44 anos, tornaram-se as primeiras mulheres a entrar num templo hindu no estado de Kerala, Índia, após o Supremo Tribunal desse estado ter levantado, em setembro passado, a proibição que existia, noticiou o The Guardian.
Ao entrarem no Templo Sabarimala, um dos locais de peregrinação mais sagrados do hinduísmo na região, as duas desafiaram uma tradição local que proíbe mulheres com idade para ser menstruadas (entre os 10 e 50 anos) de entrar neste espaço sagrado. Os defensores da proibição consideram que as mulheres nesta idade tornariam o espaço impuro: Ayyappa, divindade do templo e deus hindu do crescimento, é celibatário e as mulheres constituiriam uma tentação à própria figura da divindade. 
Ajit Hansraj vice-presidente da Comunidade Hindu Portuguesa, diz que uma situação como esta não é habitual, mesmo na Índia: “Isto não tem a ver com o hinduísmo em si, mas com os responsáveis de cada templo. É a primeira vez que tenho conhecimento de uma situação onde as mulheres não podem entrar num templo.” Mais comum é a interdição de entrar num templo apenas quando estão no período da menstruação – algo que já não acontece em Portugal, por exemplo. “Na maioria dos casos, mesmo que sejam pessoas de outro credo, desde que seja em paz, são todos bem-vindos nos templos”, conclui Ajit.
Até quarta-feira, 26 de dezembro, o templo teria recusado cumprir a decisão do tribunal e todas as tentativas, feitas por mulheres, de visitarem o local tinham sido impedidas por fiéis que apoiavam a proibição. Após a sua entrada no templo, o sacerdote terá mesmo fechado o espaço para proceder a rituais de purificação.
O levantamento desta proibição tem gerado muita controvérsia junto de sectores conservadores da região, obrigando as mulheres que queiram ir ao templo a ser acompanhadas por polícias. Após a decisão do tribunal em setembro, as autoridades terão designado uma força policial de 1300 homens para o efeito, argumentando que esta é uma questão de direitos humanos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Homossexualidade descriminalizada na Índia

Texto de Maria Wilton


Ativistas indianos a celebrar a descriminalização da homossexualidade no seu país 
(foto reproduzida daqui)

O Supremo Tribunal Indiano descriminalizou esta quinta-feira, dia 6 de setembro, todos os atos homossexuais. Comentários na imprensa internacional falam de “uma grande vitória para os direitos LGBT” naquela que é a maior democracia do mundo. O padre católico Savio Fernandes, da diocese de Mumbai, afirmou por seu turno, ao sítio de informação religiosa AsiaNews, que a Igreja Católica nunca considerou a homossexualidade como um crime: “As punições contra os gays devem cessar. Todos merecem respeito e inclusão.”
O artigo 377º do Código Penal indiano foi introduzido em 1861, durante o mandato britânico no país, e criminalizava todas as atividades sexuais “contra a ordem da natureza”. O Supremo Tribunal da Índia considerou que esta lei era parcialmente inconstitucional, por criminalizar uma conduta sexual consensual entre adultos do mesmo sexo e decidiu alterar a lei, deixando apenas criminalizados os atos não consentidos entre adultos ou de adultos com crianças ou animais. Apesar de este artigo do Código Penal raramente ser usado como base para acusações judiciais, a sua existência significava que homossexuais enfrentavam ameaças e chantagem frequentes.
“O respeito pela escolha individual é a essência da liberdade”, disse o presidente do Supremo Tribual, Dipak Misra. “Esta liberdade só pode ser cumprida quando cada um de nós perceber que a comunidade LGBT possui direitos iguais.”
Na Índia, a homossexualidade é praticamente interdita. Os textos fundamentais hindus não têm referências explícitas à homossexualidade: O hinduísmo não tem regras obrigatórias. E, normalmente, não nos pronunciamos sobre o que não está previsto nas escrituras hindus”, dizia Ashok Hansraj, porta-voz da Comunidade Hindu de Lisboa, ao DN, neste texto.
Apesar disso, num país onde o hinduísmo é dominante e tem um grande papel em moldar costumes e tradições, a mentalidade que ainda predomina se opõe à homossexualidade. Muitos juízes já contestaram o artigo em causa e, em 2009, o Supremo Tribunal teria retirado a lei. No entanto, quatro anos depois, um astrólogo hindu, Suresh Kumar Kousha, juntou-se a organizações religiosas cristãs e muçulmanas e desafiou essa ordem, alegando que a homossexualidade era imoral e podia mesmo ameaçar a segurança nacional. Na altura ela foi recriminalizada, numa decisão que permaneceu até esta quinta-feira.

Graves violações da liberdade religiosa


Distribuição percentual das religiões na Índia 
(fonte: Ajuda à Igreja que Sofre)

A Índia não tem uma religião oficial de Estado, já que a lei da União requer que as instituições públicas tratem todas as confissões da mesma forma. No entanto, o hinduísmo é dominante, com 80 por cento da população a declarar-se hindu. De acordo com o Relatório da Liberdade Religiosa 2016, da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), os restantes 20 por cento encontram-se divididos entre muçulmanos, católicos, budistas, sikhs e outros grupos.