Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja Ortodoxa Russa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja Ortodoxa Russa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Está a ser notícia

GULAG – Assim classifica um comentário no The New York Times a situação dos muçulmanos na China, especialmente da minoria Uigur, com a campanha de prisões de “reeducação” que tem vindo a ser levada a cabo pelas autoridades do país.

BELÉM – A Autoridade Palestiniana foi o primeiro contribuinte para o projeto de restauração da Basílica da Natividadeem Belém, na Cisjordânia. Um gesto simbólico mas também interessado no potencial turístico do edifício, na leitura feita por Le Monde.

MONJAS – Um trabalho da Associated Press vem dar âmbito mais largo às denúncias de abusos sexuais de membros do clero católico sobre freiras e monjas, em dioceses da Índia.

ORTODOXOS – O processo de ‘autocefalia’ da igreja ortodoxa da Ucrânia foi considerada “ilegítima” e “nula” pelo patriarca Cirilo, de Moscovo, numa carta dura que dirigiu ao patriarca ecuménico Bartolomeu, de Constantinopla, que apoia o processo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Papa fala de unidade ao patriarca ortodoxo, num momento de relações cortadas entre ortodoxos de Moscovo e Constantinopla

Texto de António Marujo


O patriarca ortodoxo Bartolomeu na Amazónia, em 2006, 

O Papa Francisco escreveu ao patriarca Bartolomeu, da Igreja Ortodoxa, manifestando a ideia de que a “caminhada conjunta dos últimos cinquenta anos “ permite já “experimentar estar em comunhão, embora esta ainda não seja plena e completa”. Esse trabalho “rumo à comunhão plena deve continuar”, acrescenta o Papa, para que os cristãos possam responder às necessidades de “tantos homens e mulheres do nosso tempo, sobretudo os que sofrem de pobreza, fome, doença e guerra”.
A carta seguiu para o Fanar, a residência do primaz ortodoxo, na passada sexta-feira, 30 de Novembro, dia da festividade de Santo André, que é o patrono da Constantinopla cristã. Francisco e Bartolomeu já se encontraram várias vezes, tal como os seus antecessores, desde 1964, quando o patriarca Atenágoras e o Papa Paulo VI puseram fim a nove séculos de excomunhão mútua.
“Ambas as Igrejas, com um sentido de responsabilidade para com o mundo, sentiram o apelo urgente que leva cada um de nós, que foi baptizado, a proclamar o Evangelho a todos os homens e mulheres”, escreve ainda o Papa. Por essa razão, católicos e ortodoxos podem “trabalhar hoje em busca da paz entre os povos, pela abolição de todas as formas de escravatura, pelo respeito e dignidade de cada ser humano e pelo cuidado com a criação”. (texto integral aqui, em castelhano)
Apesar da reafirmação do desejo de unidade, esta mensagem surge num contexto em que Constantinopla e o patriarcado (também ortodoxo) de Moscovo estão de relações cortadas, depois de um acumular de tensões nos últimos anos e, sobretudo, nos meses mais recentes. Em causa, está o facto de o patriarca Bartolomeu ter reconhecido a autonomia da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, até agora dependente do patriarcado de Moscovo. 
O problema é que, às razões e tensões religiosas juntam-se as divergências políticas: Moscovo e Kiev estão em guerra aberta no leste da Ucrânia, depois da anexação da Crimeia pela Rússia. E ambas as lideranças políticas apoiam a respectiva Igreja nacional na argumentação que é utilizada por ambos. 

Maldições e intromissões políticas

A zanga entre Moscovo e Constantinopla passou já por afirmações de maldição, orações que se deixaram de fazer e intromissões políticas, culminando com o corte de relações desde Outubro. Antes dele, os ortodoxos russos tinham deixado de rezar pelo patriarca Bartolomeu, de Constantinopla – que tem a primazia de honra na ortodoxia –, e este acusara o metropolita Hilarion Alfeyev (número dois e “ministro” dos estrangeiros do patriarcado russo) de ter mentido no processo. 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Francisco e Cirilo pedem acção urgente para evitar nova guerra mundial

Encontro histórico em Havana termina com declaração conjunta a apelar à comunidade internacional para travar perseguições a cristãos

O Papa Francisco e o patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa, querem uma "acção urgente da comunidade internacional para prevenir nova expulsão dos cristãos do Médio Oriente". Ao mesmo tempo, pedem à comunidade internacional que "faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de ações comuns, conjuntas e coordenadas", mas de modo "responsável e prudente". E os cristãos devem rezar para que Deus "não permita uma nova guerra mundial".
A declaração conjunta dos dois líderes religiosos, naquele que é o primeiro encontro entre o bispo de Roma e o patriarca de Moscovo em mil anos de separação das duas Igrejas, foi assinada ontem, cerca das 17.00, em Havana (22.00 de Lisboa). No documento, Francisco e Cirilo dizem que, ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, exprimem igualmente a sua "compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis doutras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista".
(texto para continuar a ler aqui, de onde também é reproduzida a foto abaixo; a seguir, um segundo texto sobre a história e as razões da separação entre católicos e ortodoxos)




O patriarca Cirilo, de Moscovo, e o Papa Francisco, 
ontem em Havana

Política e religião, razões de um cisma de mil anos

Foram razões políticas que levaram à excomunhão mútua entre os cristãos do Ocidente e do Oriente, em 1054, mesmo se havia já divergências teológicas importantes. Depois, o modo de entender a fé cavou mais fundo a separação. Hoje, a política e os modos de entender a fé cristã aproximam os dois grandes ramos do cristianismo, mesmo se subsistem importantes factores de divisão em ambos os campos.
Durante os primeiros séculos, o cristianismo dos dois lados da Europa foi seguindo modos diferentes de se entender a si mesmo e de compreender a presença cristã na sociedade política. Mas a primeira grande divergência aparece ainda no século VIII, com a crise iconoclasta, a querela relativa às imagens. Nela “intervieram a teologia, a disciplina e a polícia”, como recorda o teólogo alemão Hans Küng, na sua monumental obra “O Cristianismo. Essência e História” (ed. Círculo de Leitores/Temas e Debates).

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O encontro de Francisco com o patriarca Cirilo será mesmo histórico

O Papa Francisco e o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa encontram-se hoje, ao final da tarde (hora de Lisboa), em Havana. Sábado passado, dia 6, no DN, publiquei um texto antecipando as razões e a importância deste encontro. É esse texto que a seguir se reproduz, actualizando as datas.

Depois de mil anos de separação, o Papa e o patriarca de Moscovo encontram-se pela primeira vez. Outro inédito: o encontro será em Cuba.


O patriarca Cirilo, de Moscovo 
(foto de CNS/Sergei Chirikov, EPA, reproduzida daqui)

A palavra “histórico” é a que melhor traduz o que se passará esta tarde, em Cuba: pela primeira vez em vinte séculos de cristianismo – e nos mil anos de separação –, um Papa católico e o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa irão encontrar-se. E são muitas as razões para a “importância extraordinária” do acontecimento, como definiu o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.
O encontro era desejado pelos últimos papas, mas nunca aconteceu por razões religiosas e políticas. Desta vez, depois de dois anos de preparação, será concretizado numa escala do Papa Francisco na sua viagem para o México – o próprio já dissera estar disponível para tal encontro, onde e quando Cirilo quisesse – “basta ele dizer-me e eu vou”, afirmou o Papa, no voo de regresso da Turquia, em Dezembro de 2014.
O anúncio foi feito dia 5, em simultâneo, no Vaticano e em Moscovo, a “terceira Roma” (a segunda é Constantinopla): será “o primeiro na história e marcará um importante passo nas relações entre as duas igrejas”, confirma o comunicado oficial.