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sábado, 17 de novembro de 2012

O primeiro "tweet" foi de Jesus


 No debate inaugural do Átrio dos Gentios, em Guimarães, sexta à noite, o cardeal Gianfranco Ravasi disse que se interessava por conhecer a linguagem dos jovens. Também por isso, ele decidiu há tempos fazer o exercício de colocar dois “tweets” diariamente naquela rede social.
“É para exercitar a capacidade de escrever uma mensagem de 140 caracteres”. Mas o presidente do Conselho Pontifício para  Cultura recordou: a primeira afirmação de Jesus contada pelos evangelhos, no texto de São Marcos (1, 15), contém apenas 78 caracteres, em grego (e 92 em português, já agora). Nessa frase, Jesus consegue incluir quatro temas diferentes: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.”
Também por isso, o cardeal Ravasi disse que fica fascinado pela ideia de conhecer a música dos jovens. “Um dia, puseram-me a escutar um disco de Amy Winehouse. Está longíssimo do meu ouvido; mas descobri, nas palavras, que há um modo de ver o vazio e o mal, ou a esperança, que me surpreendeu.”
Esta atitude de Ravasi não é mais que a tradução prática da intuição do Concílio Vaticano II, de escutar os rumores do mundo – ou os sinais dos tempos, na expressão do evangelho. Mas quantos, na Igreja, são capazes de se dispor a descer do pedestal, da fortaleza em que se encerraram, do medo do mundo? Quantos são capazes, no mundo, de perscrutar os sinais do vazio ou da esperança que anima as gentes? Quantos são capazes de, como o Concílio propunha, assumir em si “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens (e mulheres) do nosso tempo”?
A propósito, o cardeal recordava ainda a citação que São Paulo faz do texto de Isaías: “Deixei-me encontrar pelos que não me procuravam, manifestei-me aos que não perguntavam por mim.”

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A economia passou a sobrepor-se à vida humana


 Na abertura do Átrio dos Gentios, ao final da tarde em Guimarães, o arcebispo de Braga recordou a história da espanhola que, há dias, se suicidou para evitar ser vítima do despejo de sua casa. “A economia passou a sobrepor-se à vida humana”, disse D. Jorge Ortiga.
Esta é a questão central para o debate que a Igreja Católica pode fazer sobre a questão da vida humana – o tema da sessão de Guimarães/Braga do Átrio dos Gentios é “O valor da vida”. Normalmente, quando a Igreja fala da vida, fala essencialmente do início e do fim da vida – para condenar o planeamento familiar, o aborto e a eutanásia. Ora, o problema é o que se faz da vida humana – que é todo o tempo que vai desde que se nasce até que se morre.
De facto, a perversão que a grande finança trouxe à nossa vida em sociedade coloca em segundo lugar a vida das pessoas – estas passam a ser máquinas de produção, índices salariais que é necessário reduzir, números de estatísticas para dizer que vivemos acima das nossas possibilidades.
Trazer a vida das pessoas – a vida toda, e não apenas o seu início e o seu fim – de novo para o centro do debate e da acção política e da sociedade seria uma tarefa urgente que a Igreja Católica deveria assumir.