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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Xeque saudita de Meca saúda Portugal como “uma das fontes da civilização islâmica”

Texto de António Marujo


Painel de azulejos na Mesquita Central de Lisboa 
(foto © Maria Wilton)

O xeque Saleh Bin Abdullah Himeid, imã da Mesquita de Al-Haram, em Meca (Arábia Saudita), enalteceu em Lisboa o papel de Portugal como “uma das fontes da civilização islâmica”, que deixou “traços marcantes na cultura e na ciência”. Ao mesmo tempo, referiu que, quando estava em Medina, o profeta Maomé “não incluiu qualquer referência à exclusão de nenhum grupo na sociedade” do islão nascente, tendo antes feito uma “abordagem pluralista, que incluía a vivência em comum”. 
Saleh Bin Abdullah Himeid foi o convidado de honra, sexta-feira passada, 26 de Outubro, na sessão solene de encerramento das comemorações dos 50 anos de criação da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL)que decorreram  na Mesquita Central de Lisboa. A Mesquita de Al-Haram é a mais importante do mundo, já que é ali que se encontra a Caaba, que contém a relíquia mais sagrada do islão. 
Na sua intervenção de sexta-feira, o xeque Himeid, que é também conselheiro do Palácio Real saudita, recordou ainda pensadores importantes do islão que viveram no território que hoje é Portugal, nomeadamente em Beja e Santarém, e onde os muçulmanos foram dominantes entre os séculos VIII e XIII, deixando um legado artístico e cultural (como algumas centenas de palavras de origem árabe) assinalável.
Na plateia, entre outras personalidades, estavam o primeiro-ministro António Costa, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, José Vera Jardim. Representantes de diversas confissões religiosas, entre os quais o núncio apostólico (representante do Vaticano) em Lisboa, Rino Passigato, bem como o presidente da CIL, Abdool Vakil, o imã da Mesquita Central, xeque David Munir e o xeque Zabir Edriss, que acompanha não muçulmanos convertidos, também estavam presentes. 


O xeque Saleh Bin Abdullah Himeid, imã da Mesquita de Al-Haram, 
de Meca, na sessão solene em Lisboa (foto © Maria Wilton)

Antes, o xeque saudita presidira à oração de Jumah (oração do meio-dia de sexta-feira, a mais importante da semana islâmica). No seu sermão, o imã de Al-Haram afirmou: “Alá criou os seres humanos diferentes nos seus gostos, percepções, caracteres, natureza, inteligência e convicções. Cada pessoa tem a sua própria convicção, visão, compreensão e consciência. Assim, a diferença entre as pessoas não significa que alguns são melhores do que outros quanto às suas raças, tribos e classes, mas é uma diferença pelos benefícios, criatividade e multiplicidade de formas de conhecimento e cultura.”

segunda-feira, 19 de março de 2018

50 anos da Comunidade Islâmica de Lisboa: dos 15 fundadores à diversificação de correntes espirituais

Imagens do bloco filatélico (em cima) e dos quatro selos da emissão comemorativa dos 
50 anos da CIL (imagens seguintes), emitidos pelos Correios na sexta-feira, dia 16

“Quando os fundadores chegaram, eram as casas de família que acolhiam as suas orações. Até o grupo se tornar de bom tamanho e conseguir o ambicionado terreno na Praça de Espanha – onde os primeiros muçulmanos montaram tenda – para erguer a sua Mesquita. É ali que se juntam hoje os membros da comunidade que aqui nasceu há 50 anos.”
É assim que começa a história da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL), aqui contada pelo DN de sexta-feira e que é hoje apenas um dos 51 centros de culto muçulmano existentes em Portugal, entretanto alargado e diversificado nas suas correntes espirituais e práticas religiosas.
Sexta-feira, dia 16, tiveram lugar, na Mesquita Central de Lisboa, os principais actos comemorativos da efeméride, que se prolongaram no sábado, com vários debates sobre diferentes temas relacionados com a presença do islão na sociedade. Sobre a história e actualidade da CIL pode ler-se também este texto do Público de sexta-feira
AbdoolKarim Vakil, professor de História Portuguesa Contemporânea no King’s College, de Londres, falou, na sessão de abertura das comemorações, sobre a história da CIL e a sua relação com o meio século de “profunda mudança da sociedade portuguesa”. A presença da CIL e do islão em Portugal são simultaneamente espelho e índice dessa mudança, afirmou, referindo os 51 lugares de culto muçulmano que actualmente existem em Portugal.

Diversidade, espiritualidades e novas dinâmicas


Defendendo que em Portugal está “tudo por fazer” no que respeita à documentação, história oral ou levantamento de lugares importantes para a memória da presença islâmica contemporânea, Vakil situou três fases no primeiro meio século de existência da CIL: uma fase colonial, com dois milhões de muçulmanos portugueses, residentes todos nas ex-colónias; uma segunda fase, que vai dos 500 muçulmanos que havia em Lisboa, em 1974, até ao início da construção da mesquita, na década de 1980; em 1982 o número chegava aos 15 mil e esta nova realidade demográfica criou a necessidade premente de uma mesquita.