Texto de António Marujo
Painel de azulejos na Mesquita Central de Lisboa
(foto © Maria Wilton)
O xeque Saleh Bin Abdullah Himeid, imã da Mesquita de Al-Haram, em Meca (Arábia Saudita), enalteceu em Lisboa o papel de Portugal como “uma das fontes da civilização islâmica”, que deixou “traços marcantes na cultura e na ciência”. Ao mesmo tempo, referiu que, quando estava em Medina, o profeta Maomé “não incluiu qualquer referência à exclusão de nenhum grupo na sociedade” do islão nascente, tendo antes feito uma “abordagem pluralista, que incluía a vivência em comum”.
Saleh Bin Abdullah Himeid foi o convidado de honra, sexta-feira passada, 26 de Outubro, na sessão solene de encerramento das comemorações dos 50 anos de criação da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL), que decorreram na Mesquita Central de Lisboa. A Mesquita de Al-Haram é a mais importante do mundo, já que é ali que se encontra a Caaba, que contém a relíquia mais sagrada do islão.
Na sua intervenção de sexta-feira, o xeque Himeid, que é também conselheiro do Palácio Real saudita, recordou ainda pensadores importantes do islão que viveram no território que hoje é Portugal, nomeadamente em Beja e Santarém, e onde os muçulmanos foram dominantes entre os séculos VIII e XIII, deixando um legado artístico e cultural (como algumas centenas de palavras de origem árabe) assinalável.
Na plateia, entre outras personalidades, estavam o primeiro-ministro António Costa, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, José Vera Jardim. Representantes de diversas confissões religiosas, entre os quais o núncio apostólico (representante do Vaticano) em Lisboa, Rino Passigato, bem como o presidente da CIL, Abdool Vakil, o imã da Mesquita Central, xeque David Munir e o xeque Zabir Edriss, que acompanha não muçulmanos convertidos, também estavam presentes.
O xeque Saleh Bin Abdullah Himeid, imã da Mesquita de Al-Haram,
de Meca, na sessão solene em Lisboa (foto © Maria Wilton)
Antes, o xeque saudita presidira à oração de Jumah (oração do meio-dia de sexta-feira, a mais importante da semana islâmica). No seu sermão, o imã de Al-Haram afirmou: “Alá criou os seres humanos diferentes nos seus gostos, percepções, caracteres, natureza, inteligência e convicções. Cada pessoa tem a sua própria convicção, visão, compreensão e consciência. Assim, a diferença entre as pessoas não significa que alguns são melhores do que outros quanto às suas raças, tribos e classes, mas é uma diferença pelos benefícios, criatividade e multiplicidade de formas de conhecimento e cultura.”

