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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Festa do Yom Kipur: acrescentar misericórdia à justiça – e o que faz aqui Nina Simone?


Texto de António Marujo


O que faz um homem que errou e não sabe para onde voltar-se em busca da redenção? Em Sinnerman, Nina Simone canta esse homem que corre, corre e não encontra onde esconder-se – e que apenas encontra a paz quando se socorre de Deus e do seu refúgio.
“Mais do que expressar a nossa fé em Deus, o Yom Kipur é a expressão da fé de Deus em nós”, escreve o rabi judeu inglês Jonathan Sacks, a propósito da festa que os judeus de todo o mundo assinalam desde a noite de 18 de Setembro ao fim da tarde de 19 de Setembro, no décimo dia do sétimo mês – o mês de Tishrei.  “Para aqueles que se abrem totalmente a ele, o Yom Kipur é uma experiência transformadora de vida. Diz-nos que Deus, que criou o universo em amor e perdão, nos alcança em amor e perdão, pedindo-nos para amar e perdoar os outros. Deus nunca nos pediu para não cometer erros. Tudo o que Ele pede é que reconheçamos os nossos erros, aprendamos com eles, cresçamos através deles e façamos as pazes onde pudermos”, escreve ainda, num texto com o título Yom Kipur – como ele nos salva, que pode ser lido aqui, na íntegra, em inglês. 
O Yom Kipur, a Festa do Perdão, fala da possibilidade do erro e da possibilidade da purificação. Concluindo o período de dez dias da festa de Rosh Hashaná (literalmente, a “cabeça do ano”, ou Ano Novo judaico), Yom Kipur é a festa maior do judaísmo, assinalada por um jejum de 24 horas. Os cultos das sinagogas sucedem-se, como explica o rabi Marcelo M. Guimarães neste texto, que lê mesmo nas palavras de Paulo, na Carta aos Romanos – “Que homem miserável sou eu! Quem me há-de libertar deste corpo que pertence à morte?” – alguma influência das orações do dia da expiação (Marcelo Guimarães integra a Associação Ministério Ensinando de Sião, que reúne judeus, não-judeus e descendentes de judeus que acreditam em que Jesus, Yeshua haMashiasch é o Messias de Israel). (Ao lado: James Tissot, Agnus Dei. O bode expiatório (1894), Museu de Brooklyn, Nova Iorque, EUA; ilustração reproduzida daqui)