quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A família tem futuro?

Agenda


O ISTA (Instituto São Tomás de Aquino), dos padres dominicanos, promove a partir desta quarta-feira o ciclo Tardes de Setembro, sobre o tema A família tem futuro?, com sessões em Lisboa e Porto.
Na apresentação da iniciativa, o ISTA descreve muito do que se passa hoje em dia, citando F. Vela: “A experiência vital começa hoje, para muitas crianças, nesse cenário, feliz mas breve, de um lar completo, ou seja, de um filho pequeno convivendo com ambos progenitores. A esta curta etapa, segue-se outra mais longa: a desta mesma criança vivendo só com a sua mãe separada ou divorciada. Uma terceira experiência talvez seja a do adolescente vivendo num novo lar, com a sua mãe recasada e, consequentemente, sob a figura menos atractiva de um pai adoptado ou padrasto. Chegado à idade juvenil emancipatória, ele unir-se-á consensualmente à sua noiva, exercendo plenamente vida sexual com ela como casal de facto. Num quinto ciclo vital, a maioria destes jovens casar-se-á com o seu companheiro/a de facto e, no fim de uns poucos anos de matrimónio, entrarão na sexta etapa que é a de divorciados. Passarão, pois, por um outro período em solitário, mas voltarão a casar. Chegados à etapa da maturidade, ficarão viúvos e recolherão a algum lar de idosos, onde esporadicamente receberão visitas do seu filho ou filha e dos seus netos.”
É precisamente a falar acerca de Percursos familiares – retratos da actualidade, que hoje se inicia o ciclo, com a médica Maria Amália Nunes. No Porto, a primeira sessão (quarta, dia 24) terá como tema A crise do humano, a família e os novos laços sociais, com o sociólogo Moisés Martins, professor da Universidade do Minho.
Os outros dois temas serão idênticos em Lisboa e Porto: Jesus e a família, com frei Bento Domingues; e O questionário do Sínodo dos Bispos – questões morais, com frei Mateus Peres.

As sessões decorrerão sempre a partir das 18h30. Em Lisboa (hoje até sexta), elas decorrem no Convento de São Domingos (Rua João de Freitas Branco, 12, junto à estação de metro do Alto dos Moinhos. No Porto (quarta a sexta da próxima semana), será no Convento de Cristo-Rei (Praça D. Afonso V, 86). A inscrição é de cinco euros e mais informações podem ser obtidas através do telefone 217 228 370 ou do endereço istaop@gmail.com.

domingo, 14 de setembro de 2014

Uma volta à Europa em bicicleta para abrir portas e possíveis



Sylvie e Jean-Louis à saída do Fundão, em Abril 
(foto Maria Marujo)

Chegaram neste sábado a Korinos, pequena aldeia à beira-mar, na Grécia, 440 quilómetros a norte de Atenas, próxima de Katarini e do Monte Olimpo. Nesta noite de domingo, deverão já descansar em Stomio, 80 quilómetros a sul, sempre seguindo a linha de costa. O final desta volta à Europa em bicicleta, que Sylvie e Jean-Louis Frison iniciaram dia 30 de Março, está previsto para daqui a mês e meio: dia 29 de Outubro deverão chegar a Cannes; dia 30, a viagem será de comboio até Estrasburgo e daqui, no dia seguinte, partirão para Mutzig, 25 quilómetros a oeste de Estrasburgo, para a última etapa, de novo em bicicleta.
“Temos o sentimento de estar a abrir portas e possíveis”, dizem ambos ao RELIGIONLINE, depois de terem percorrido já 13.800 dos 17 mil quilómetros previstos e atravessado 20 países – entre os quais Portugal, em AbrilAqui entraram por Almeida, passando depois pelo Fundão, Coimbra, Tomar, Lisboa, Fátima, Batalha, Aveiro, Porto e Braga. A 25 de Abril, em Lisboa, completaram 2000 quilómetros percorridos e viram, sem contar, 30 mil cravos lançados na Praça do Comércio por um helicóptero. 
Neste momento, visitaram já dez capitais europeias e utilizaram dez moedas diferentes, além do euro (há outras curiosidades que podem ser conferidas aqui).
Uma das questões que colocam é a do desconhecimento que temos, enquanto europeus, uns dos outros. Esta volta, dizem, ajudou a perceber que não se conhecem os vizinhos: “Temos todos um certo número de clichés, preconceitos, ideias falsas. E o encontro e a partilha permitem reajustar esses preconceitos.” Em Agosto, recordando os 100 anos do início da I Guerra Mundial, escreveram no blogue que o que estamos a viver actualmente “testemunha a importância de desenvolvermos pontos de encontro e de expressão”, que respeitem as especificidades de cada país e de cada pessoa. É preciso “ousar ir ao encontro do outro, com toda a simplicidade”, acrescentavam.
Numa altura em que se define a nova Comissão Europeia e a União continua mergulhada numa profunda crise económica, financeira e política, acrescentam que a redistribuição das riquezas não deve passar apenas “pelo mérito e o trabalho, mas pode ir buscar a sua fonte ao investimento do laço social”.
Com 53 anos, Sylvie é assistente social numa instituição gerida pela Associação dos Paralisados de França e que acolhe adultos com dificuldades físicas ou sensoriais. Jean-Louis, 51 anos, é director de uma instituição médico-social onde são acolhidas 80 crianças com défices cognitivos, gerida pela Arsea (Associação Regional de Acção Social, Educação e Animação).
Inicialmente, o trajecto previa uma passagem pela Ucrânia. Mas os ventos de guerra que sopram no país levaram-nos a alterar a rota, nas últimas semanas, descendo da Polónia pela Hungria, Sérvia, Roménia, Bulgária e Turquia, antes de entrar na Grécia.
“A passagem na Ucrânia foi-nos desaconselhada e não quisemos misturar a nossa volta com esta situação política complicada que se agrava desde há meses”, justificam. “Este conflito coloca em questão a estabilidade europeia instalada após muitos anos pela diplomacia.” Do que ouvem das pessoas, sentem “inquietação e medo do presidente da Rússia e um sentimento de tristeza com a ideia de que as populações ucranianas (logo, europeias) sejam tomadas reféns por uma minoria violenta”. Este procedimento “é contrário à nossa democracia”, afirmam.
A entrevista, feita por correio electrónico, após mais uma etapa desta volta original, fica aqui na íntegra:

sábado, 13 de setembro de 2014

A guerra é uma loucura, diz o Papa

O Papa Francisco em Redipuglia; foto reproduzida daqui)

O Papa Francisco assinalou na manhã deste sábado o centenário da I Guerra Mundial, visitando dois cemitérios militares em Redipuglia, na província italiana de Gorizia (nordeste de Itália, próximo da fronteira com a Eslovénia). Num deles, repousam os restos mortais de 14.550 soldados austro-húngaros, enquanto no outro se faz a memória de 100 mil italianos caídos durante o conflito.
“A guerra é uma loucura”, afirmou o Papa. “Enquanto Deus leva adiante a sua criação e nós, os homens, estamos chamados a colaborar na sua obra, a guerra destrói. Destrói também o mais formoso que Deus criou: o ser humano. A guerra transtorna tudo, inclusive a relação entre irmãos. A guerra é uma loucura, o seu programa de desenvolvimento é a destruição: crescer destruindo!”
O Papa acrescentou. “Hoje, depois do segundo fracasso de uma guerra mundial, talvez se possa falar de uma terceira guerra combatida ‘por partes’, com crimes, massacres, destruições. Para sermos honestos, a primeira página dos jornais deveria ter o título ‘A mim que me importa?’ Nas palavras de Caim: ‘Sou eu o guarda do meu irmão?’
Uma notícia da celebração e o texto da homilia, em castelhano, podem ser lidos aqui.
Aqui pode ver-se um vídeo com a homilia do Papa.

A cruz, a ciência e uma ONU das religiões

Crónicas

No comentário à liturgia católica deste domingo, que assinala a festa de Exaltação da Santa Cruz, Vítor Gonçalves escreve na crónica A tua cruz, na Voz da Verdade:

Amar a cruz seria doentio. Acreditar que Deus gosta do sofrimento talvez uma heresia. Amar as pessoas comporta também cruz e sofrimentos? Sim, e infelizmente muitos deles somos nós que os inventamos! Custa dar a vida mas só essa dádiva nos faz plenamente felizes. A cruz lembra-nos que o triunfo nem sempre é imediato (três dias no sepulcro, não foi?), que não somos “super-heróis” (e mesmo esses têm sempre um calcanhar de Aquiles!), mas somos chamados a “mais”. Mas tantas vezes nos acomodamos a uma “vida menor”! 
(texto integral aqui)


No DN de hoje, Anselmo Borges escreve um primeiro texto com o título A ciência e o divino, onde cita vários cientistas a falar da questão de Deus:

Pensa-se, por vezes, que todos os cientistas são ateus. Não é verdade. Há cientistas ateus, cientistas agnósticos e cientistas crentes. A questão fundamental consiste em saber se se crê num deus pessoal ou se se está mais na linha do divino impessoal.
(texto integral aqui)


No Correio da Manhã de ontem, Fernando Calado Rodrigues escreve sobre a ONU das religiões:

O Papa Francisco tem condenado a guerra em nome de Deus. Comentando a expulsão dos cristãos de Mossul e o conflito na faixa de Gaza, disse no início de Agosto que a guerra ofende gravemente a Deus e à humanidade. “Não se faz guerra em nome de Deus!”, afirmou.
(texto integral aqui)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Celibato, terrorismo interno e livros inquietantes

Crónicas

Na sua crónica de sexta-feira passada, no Correio da Manhã, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre a revisão do celibato:

O cerne da questão não deve ser tanto o abandono do celibato, mas a revitalização das comunidades eclesiais, de forma a que elas próprias gerem os seus pastores. E estes poderão ser celibatários ou não.
(texto completo aqui
as crónicas anteriores, sobre temas como o terrorismo interno na Igreja ou as viagens papais, podem ser lidas aqui)


Frei Bento Domingues, que retomará no próximo domingo as suas crónicas no Público, escrevera no final de Julho sobre o Papa Francisco e dois livros inquietantes – a Evangelii gaudium, e a Brevíssima Relação da Destruição das Índias, de frei Bartolomeu de las Casas – depois de ter concluído a série de quatro textos sobre o que trouxe de novo o Papa Francisco:

No momento em que a política, em todo o mundo, está desacreditada pelos mais diversos motivos, o Papa Francisco resolve lembrar que a vocação de todos os políticos é tutelar o bem comum e não os interesses pessoais ou de grupo, os cúmplices da corrupção. Lembra que Paulo VI costumava dizer que a missão da política é uma das formas mais elevadas da caridade. Hoje, e o problema é mundial, desvalorizou-se, foi arruinada pela corrupção, pelo fenómeno das comissões ilegais. Recorda um documento que os bispos franceses publicaram há quinze anos: uma carta pastoral que se intitulava Reabilitar a política.
(texto completo aqui)

domingo, 7 de setembro de 2014

A mulher de Jesus e a sua presença real

Crónicas

Na sua crónica no DN, neste sábado, Anselmo Borges escreve sobre A mulher de Jesus:

Decisivo é que Jesus, infringindo os preceitos patriarcais, deu início a um movimento inclusivo de homens e mulheres, sem discriminação. A Igreja Católica ainda não tirou daí todas as consequências.
(o texto completo pode ser lido aquias crónicas de Anselmo Borges desde 20 de Julho, que não foram referidas no Religionline, podem ser lidas aqui)


Na Voz da Verdade, Vítor Gonçalves retomou as suas crónicas Ao Encontro da Palavra, de comentário à liturgia católica de domingo. No meio de nós parte das leituras deste 23º Domingo do Tempo Comum:


(ilustração: Bernadette Lopez/Berna, 
reproduzida daqui)

É a presença viva e real de Jesus que importa, em qualquer pequena comunidade dos seus amigos. Não o número, nem a “grandeza” de quem preside (parece que deve ser aquele que mais serve!), nem os atavios e alfaias que se usam, nem os ecos na comunicação social! Importa estar reunido com Ele, no seu nome, atraídos pelo seu projecto, abraçando a vida, que pode ser mais humana e mais divina! 
(o texto integral pode ser lido aquias crónicas de 20 e 27 de Julho podem ser encontradas aqui)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Jesus, homem para Deus e para os outros - uma antologia de frei Bento Domingues

Texto de António Marujo e Maria Julieta Mendes Dias

O livro A Insurreição de Jesus, segunda antologia de crónicas de frei Bento Domingues no Público, é esta semana posto à venda. Nele se recolhem textos de frei Bento, de entre as mais de mil crónicas já publicadas em 23 anos, sobre a questão de Deus, a figura histórica de Jesus e a sua mensagem, bem como sobre a relação entre as diferentes religiões. A apresentação deste volume procura situar algumas das ideias de Bento Domingues.
Este volume segue-se ao primeiro, Um Mundo que Falta Fazer (ambos são ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores), que recolhe textos sobre questões sociais e políticas. Como forma de apresentar estes dois volumes e homenagear frei Bento pelos 80 anos que acaba de completar, irá decorrer na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, dia 19 de Setembro, uma sessão com vários participantes, nomes destacados da sociedade e da cultura. O programa completo está no cartaz aqui reproduzido (deve acrescentar-se, no início da sessão, a participação do director-adjunto do Público, Nuno Pacheco). A entrada na sessão é livre.



A seguir, ficam excertos do texto de apresentação deste segundo volume:

Pode não ser fácil organizar as crónicas de frei Bento Domingues: muitas delas cruzam vários temas, num caleidoscópio aparentemente disperso. Mas é evidente que há um núcleo em todas elas, reflectindo a profunda convicção do autor: a pessoa de Jesus Cristo, cuja originalidade “consiste em estar ligado a um Deus que tem, em seu coração, todos os seres humanos e que pode ser encontrado ou esquecido de mil maneiras”, como frei Bento escrevia no texto de 1 de Outubro de 2006. 
Mesmo quando fala da Igreja ou da política, da espiritualidade ou das outras religiões, da economia ou do ateísmo, é a pessoa de Jesus que Bento Domingues coloca no âmago da sua reflexão. Um Jesus cuja vida e palavra tem as outras pessoas no centro e cujo único poder “é o de perdoar os próprios inimigos, desejar vida àqueles mesmos que O excluíam da vida.”
De que Jesus fala frei Bento? Ao longo destes já mais de mil textos e quase 23 anos de presença semanal no Público, ele regressa, de vez em quando, aos elementos que podemos conhecer ao certo sobre Jesus. Numa das crónicas, descrevia: “Nasceu, provavelmente, entre os anos 6 e 4, antes da era comum. Falava o dialecto da sua região, o aramaico da Galileia. Frequentava a Sinagoga e sabia ler textos bíblicos em hebraico. É normal que soubesse, também, um pouco de grego e alguns termos em latim. Este judeu da Galileia cresceu e viveu nessa parte setentrional da Palestina, herdeira directa do grande reino de Herodes.”