quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

“Pessoas muito diferentes, que conseguem viver juntas”

“Em Taizé, encontro pessoas muito diferentes que conseguem viver juntas, quase como irmãos”. Com estas palavras, Catarina Barbosa, 19 anos, de Braga, define a sua experiência na pequena aldeia da Borgonha francesa, onde se localiza a comunidade de monges ecuménica, reunindo católicos e protestantes.
Catarina Barbosa deu o seu testemunho numa curta entrevista no programa A Fé dos Homens, na véspera do início do encontro europeu de jovens, que decorre em Valência (Espanha) até depois de amanhã, 1 de Janeiro. A entrevista pode ser vista a seguir:




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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Irmão Aloïs, de Taizé: “Na Síria todos perguntam onde está Deus”


O irmão Aloïs, de Taizé, durante a meditação 
de segunda-feira à noite, em Valência

O irmão Aloïs, de Taizé, disse hoje em Valência (Espanha) que, na Síria, toda a gente pergunta “porquê tanta violência” e “onde está Deus”.
Numa conferência de imprensa durante o encontro europeu de jovensanimado pela comunidade ecuménica de monges, o prior de Taizé contou que passou o dia Natal em Homs, uma cidade devastada pela guerra civil.
“Todos os que encontrei na Síria me disseram: ‘Reze por nós’. Escutemos o seu apelo e confiemos a Deus os que sofrem a violência no Médio Oriente. Trazemos dentro de nós as perguntas pungentes que eles fazem: Porquê toda essa violência? Onde está Deus?”, disse o responsável da comunidade, durante a meditação da oração de segunda-feira à noite.
O irmão Aloïs marcava deste modo, com a questão dos refugiados e da guerra na Síria, uma das preocupações que trouxe para o encontro. Outras inquietações, acrescentaria depois na conferência de imprensa, são a Ucrânia, que também vive uma guerra civil no leste do país; a África, que a Europa deve em primeiro lugar “escutar” e não exportar coisas; e Cuba, “neste novo período de transição que não sabemos como acabará”.
Da Ucrânia, vieram a Valência dois mil jovens participantes (o segundo maior grupo, depois dos polacos). O prior de Taizé recordou ter estado na Páscoa na capital do país, Kiev, bem como em Moscovo, capital da Rússia. “Quisemos mostrar que em todo o lado há pessoas que querem a paz”, afirmou.
Sobre a África, continente que “está muito perto da Europa”, mas cuja situação “não entendemos”, diz que o mais importante a fazer é “escutar” o continente. Um encontro em Cotonou (Benim), entre 31 de Agosto e 4 de Setembro do próximo ano, será uma forma de a comunidade chamar a atenção para a realidade africana.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Taizé em Valência: uma colher e um oásis


Foto ao lado: Pinturas nas telas dos lugares de oração em Valência, inspiradas na encíclica Laudato Si', do Papa Francisco, e na cerâmica hispano-mourisca de Paterna (Valência), do século XIV, que combina geometria e motivos góticos


Em Valência (leste de Espanha), milhares de jovens de toda a Europa estão desde esta segunda-feira a participar no encontro europeu da peregrinação de confiança através da Terra, animado pela comunidade de Taizé. Convidados a trazer apenas o essencial - além dos objectos pessoais, uma colher para as refeições - são acolhidos pelas famílias de Valência e da região. 
Sobre Taizé e o significado do encontro de Valência, estive no programa Princípio e Fim, da RR, onde conversei com a Ângela Roque. O som do programa pode ser escutado aqui.

Dirigidas aos jovens participantes, chegaram várias mensagens de responsáveis religiosos cujos textos (para já em inglês ou francês) podem ser lidos aqui.
Na mensagem que enviou, o Papa Francisco pede aos jovens que criem um “oásis de misericórdia”, em especial para “os inúmeros migrantes que têm necessidade de acolhimento”. Um resumo da mensagem pode ser lido aqui.
Os migrantes são um dos campos em que o prior de Taizé propõe acções mais concretas. Nas suas propostas para 2016o irmão Aloïs sugere que os jovens procurem descobrir como se envolver “em novas formas de solidariedade; elas são hoje urgentes. Em toda a terra, há novos problemas – migratórios, ambientais e sociais – que desafiam quer os crentes das diversas religiões quer os não crentes”.
Sobre o programa do encontro, pode ler-se também esta notícia.

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Francisco, o reformador, e a blasfémia na Bíblia - crónicas de Anselmo Borges e frei Bento Domingues


Francisco o reformador, e a blasfémia na Bíblia

Crónicas

No DN de  sábado, a crónica de Anselmo Borges é dedicada a Francisco, o reformador:

Há quem deseje para Francisco o que aconteceu a João Paulo I. Mas ele foi dizendo que "as resistências não travam..., impulsionam" e assegurou, há dias, perante a Cúria, que a reforma "continuará com determinação, lucidez e resolução, porque a Igreja tem de estar sempre em reforma". É expectável que na próxima Exortação Apostólica torne possível, como referiu recentemente o cardeal M. Sistach, a comunhão para os divorciados recasados; também admitiu que o preservativo "é um método para prevenir a sida"; há indícios de que o próximo Sínodo possa ter como tema os padres casados, revendo-se então a lei do celibato: este problema, já disse, "está presente na minha agenda".

No Público de domingo, frei Bento Domingues pergunta: Será a Bíblia blasfema?:

Quando se tenta explicar a violência das religiões ou contra as religiões resvala-se facilmente para a justificação do crime. 
Nos últimos tempos, repetem-me: o Papa Francisco considera o terrorismo, em nome de Deus, como uma blasfémia, mas, nesse caso, o Antigo Testamento (AT) não é também ele blasfemo? 


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A revolução franciscana (1) - Um nome estranho, que Bergoglio entranha - porque é que a escolha de um nome pode ser decisiva


domingo, 27 de dezembro de 2015

A revolução franciscana (1) - Um nome estranho, que Bergoglio entranha

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante este mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado.

Um jesuíta muito franciscano


O Papa Francisco a rezar diante do túmulo de São Francisco, em Assis 
(foto reproduzida daqui)

Foi preciso ser eleito um padre jesuíta para que, pela primeira vez, o nome do mais popular santo do catolicismo fosse adoptado por um Papa. Francisco aponta, do seu santo patrono, o homem que dá atenção preferencial aos pobres, o homem da paz e do cuidado com a criação. Francisco é um Papa franciscano.

O nome é todo um programa: ao falar aos jornalistas, a 16 de Março de 2013, três dias depois de ter sido eleito, o novo Papa contou a história de como tinha escolhido o nome e exclamou: “Ah, como eu queria uma Igreja pobre para os pobres!”
Coisa estranha esta: o nome do mais popular santo em todo o mundo – Francisco – nunca tinha sido escolhido por um Papa. O primeiro a entranhá-lo acaba por ser Jorge Mario Bergoglio, de ascendência italiana mas nascido argentino.
(texto para continuar a ler aqui)


Um compromisso assinado nas catacumbas

Foi na Catacumba de Santa Domitília, um dos cemitérios romanos dos primeiros séculos da era cristã, que o documento foi assinado, no final de uma missa, há 50 anos: a 16 de novembro de 1965, cerca de meia centena de bispos católicos, que estavam em Roma a concluir o Concílio Vaticano II, assinaram o que viria a ficar conhecido como Pacto das Catacumbas. O documento acabou por ficar quase desconhecido, sendo ressuscitado apenas nos últimos cinco anos.
(texto para continuar a ler aquisobre o Pacto das Catacumbas, pode ler-se uma crónica de José Tolentino Mendonça aqui e ver-se um programa Setenta Vezes Sete aqui)

Cinco gestos
A Casa de Santa Marta
Levado aos aposentos pontifícios depois da sua eleição, o Papa Francisco terá comentado que eram demasiado grandes para um homem só e que neles caberiam muitas pessoas. Por isso, o Papa decidiu continuar a  viver no quarto que lhe tinha sido atribuído para o conclave na Casa de Santa Marta, uma residência moderna, como uma residencial onde ficam alojados bispos e outras pessoas de passagem pelo Vaticano. Esta decisão significou também que o Papa passou a contactar diariamente com funcionários do Vaticano, gente normal que ali trabalha e outras pessoas de passagem e não apenas com bispos e funcionários da Cúria.

Do Natal intemporal ao diálogo inter-religioso

Parte-se dos atentados em Paris a 13 de Novembro, para falar depois sobre o olhar dos três monoteísmos acerca da guerra e da violência e do conceito de Deus. O diálogo inter-religioso é o mote para esta conversa moderada por Manuel Vilas Boas na TSF e na qual participam a muçulmana ismaili Faranaz Keshavjee, Joshua Ruah, da Comunidade Judaica de Lisboa e o padre católico Joaquim Carreira das Neves, franciscano e investigador da Bíblia.

Também da autoria de Manuel Vilas Boas é a reportagem com frei Lopes Morgadodos franciscanos capuchinhos, durante a apresentação do livro Natal Intemporal, feita em Areias de Vilar (Barcelos), terra do autor. Além dos poemas, o livro mostra 121 dos cerca de 1300 presépios da colecção Evangelho da Vida.



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Natal: Médio Oriente, guerras e refugiados - cenas de guerra em zona de paz (mensagens de Natal e uma reportagem fotográfica na ilha de Lesbos)