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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Joana Gomes: Trocar o certo pelo incerto

Texto e vídeos de Maria Wilton
Entrevista de António Marujo e Maria Wilton



Numa aldeia do Chade, onde era a única branca, contraiu malária e chegou a dormir com 40º Celsius numa casa sem eletricidade. Sentiu medo quando, durante algumas horas, foi a única mulher num centro de refugiados em revolta, na Sicília. Nada disto a demove de voltar a trabalhar com refugiados, desta vez em Adjumani, no norte do Uganda, para gerir os projetos de educação do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS, da sigla inglesa).
Joana Gomes, 30 anos, estava na Sicília em 2016, quando se registou uma das grandes vagas de chegada de refugiados à Europa. Uma experiência “muito intensa: vinham todos com depressão, não conseguiam dormir e andavam muito perdidos e desorientados – já que o processo de pedir asilo e estatuto de refugiado era muito novo”, contava ao RELIGIONLINE, antes de partir para o Uganda, no final de setembro. 
Tendo dedicado vários anos a trabalho de voluntariado e missionário, Joana recorda algumas das suas experiências. Na Sicília, esteve no mesmo centro de acolhimento a refugiados em três momentos diferentes. Isso permitiu acompanhar as mudanças dos migrantes: de refugiados perdidos a pessoas mais estáveis e, por fim, cidadãos inseridos na sociedade. 
Entre as histórias que a marcaram, está a de Buba, um jovem natural da Gâmbia. 



Natural de Lisboa, licenciada em serviço social, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa e com mestrado em Gestão de recursos humanos no ISCTE, Joana sempre olhou para a problemática dos refugiados como algo que a toca especialmente. Por várias vezes na Europa, viu condições de vida muito precárias: “A Europa diz que está preocupada e a acolher mas aquilo não era bem um acolher. Temos de tentar perceber qual a causa de saída dos países (dos refugiados), o que está a acontecer lá e trabalhar na origem.”