quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
À procura da Palavra - O "SIM" VÊ-SE NA VIDA

(Evangelho de S. Mateus 21, 31 - Domingo XXVI do Tempo Comum)
Quando se vive imerso numa cultura do “nim” só provocações como a de Jesus no evangelho de hoje nos podem fazer acordar. Não propagamos, algumas vezes, uma imagem de Jesus adocicada ou insonsa, que “fica bem” mas é vazia, e sanciona um comportamento de quem parece que “meteu Deus no bolso”? Levar a sério a pequena parábola dos irmãos que o pai pede para irem trabalhar na vinha a vinha, e onde acaba por ir aquele que disse “não”, implica partir o verniz da aparência, denunciar falsas superioridades morais, reconhecer hipocrisias que se apresentam como modelos de virtudes. A proposta de viver na verdade, que Jesus faz, é natural que encontre obstáculos no reino das aparências e dos julgamentos. Porque interroga e aponta mudanças. Convida a ver por dentro. E a viver no presente.
Gosto muito das letras e das canções de Sérgio Godinho. Há muitos anos. Pela força dos seus poemas. Pelo cantar impregnado de vida e pelas interrogações. Como diz numa recente entrevista: “As interrogações que há nas minhas canções são dúvidas. Dúvidas para serem respondidas pelos outros. São interpelações”. É preciso tanta coragem para interpelar como para deixar-se interpelar. O hábito, o preconceito, a soberba, o ar e a prática da superioridade, a rotina da mentira e o culto da aparência impedem o crescimento e o amor. Tudo fica relativo. Canta o Sérgio no último disco: “Não vás dizer que o amor é relativo, se o relativo fosse coisa que se visse não era amor o porque morro e o porque vivo”.
Estaria cheio de boas intenções o filho que disse logo “sim” ao pai. Ou então respondeu por rotina, para “ficar bem na fotografia”, talvez porque havia plateia que interessava impressionar! Talvez até pensasse em ir... lá por alturas do Natal! Quando se é falso vive-se noutra dimensão ou noutro tempo. E acaba por ser fácil imaginar uma “idade de ouro” ou uma vida outra com pessoas ilustres e perfeitas, quem sabe até sendo nós uma delas! Esta é a temática do último filme de Woody Allen, “Meia-Noite em Paris”, uma deliciosa parábola sobre a coragem de viver no presente. Em que o gosto das coisas belas do passado pode ser vivido nesta construção, às vezes dolorosa (serão as dores do parto?), do presente.
Viver na aparência é estacionar na vida. É pôr-se numa redoma, sem pecado, nem necessitado de salvação. Bastando-se a si mesmo. Como Jesus gostava dos que traziam o coração nas mãos. Dizendo não com a boca, e sim com a alma e a vida. Alegrando-se com o encontro com Ele, que é especialista em semear futuros. Revestidos da verdade, ainda que isso não ganhasse audiências, nem boa fama junto dos “muito bem” mas que faz sorrir o bom Deus!
(Comentário aos textos da liturgia católica, publicado na edição da Voz da Verdade de 25.09.2011; imagem copiada daqui.)
"Podemos chegar até Ele?"
domingo, 18 de setembro de 2011
À procura da Palavra - TRABALHAR NA VINHA

(Crónica do P. Vítor Gonçalves, de comentário aos textos da liturgia católica)
“Serão maus os teus olhos porque eu sou bom?”
(Evangelho de S. Mateus 20, 15 - Domingo XXV do Tempo Comum)
Estes dias de Setembro parecem trautear aquela canção de Ivan Lins que começa assim: “Começar de novo e contar comigo /Vai valer a pena ter amanhecido.” São os recomeços após algum tempo de férias (para os que as puderam saborear), a azáfama à volta do ensinar e do aprender, o reacender de ideias e projectos como se um novo ano começasse agora. Por entre as nuvens carregadas do pessimismo económico não haverá pequenos raios de sol que estimulam a criatividade, a simplicidade, a ultrapassagem da rotina e do acomodamento? Uma solidariedade a promover é também a de propor a aventura de “começar de novo”, em qualquer tempo e lugar.
Não pretende Jesus fazer um tratado sobre o trabalho humano com a parábola dos contratados para a vinha. Muito menos sobre a justa retribuição do trabalho realizado. A não ser na afirmação incondicional de que ninguém deve ficar sem trabalhar. É admirável o constante movimento do dono da vinha que sai, por cinco vezes, a contratar trabalhadores. Pois do empenho de todos depende o sucesso da vindima. E se assim é o “Reino dos Céus” também é a vida do mundo. A grandeza de uma sociedade mede-se mais pelo valor reconhecido ao trabalho de todos do que pela riqueza produzida. No trabalho de cada um há uma participação no próprio trabalho de Deus, um prolongamento da criação nasce do meu saber e das minhas mãos. A própria caridade não pode deixar de estimular a doação que quem recebe é capaz de fazer.
É na hora do pagamento que se revela a generosidade deste dono da vinha. A sua justiça ultrapassa as nossas contabilidades quando o denário do salário se troca por salvação, vida plena e abundante. O importante não é a competição, o julgar que “somos os melhores”, ou temos mais “direitos”, mas viver a generosidade que transborda de Deus. Se este denário é o bem total, que precisamos mais? A lógica do acumular, de ter mais para se julgar superior, de mostrar ao mundo em casas sumptuosas e em riqueza esbanjada que se está acima dos mortais, não cabe aqui. E é um grave atentado à dignidade dos mais pobres e explorados!
Mas por agora tratemos mais de trabalho do que de pagamento. E quanto a trabalho eclesial, a síntese de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, na Semana Bíblica em finais de Agosto, sobre a Igreja em Portugal, é um óptimo contrato a reflectir. As “sombras” e “luzes de esperança” que aponta não nos podem deixar indiferentes, a repetir “mais do mesmo”, naquele ciclo de religiosidade que refere “da terra, do sangue e dos mortos”. É possível rever os contratos de trabalho, mais cheios de direitos que de deveres, e estes, talvez vazios, que também fazemos em Igreja? Da primeira à última hora queremos mesmo acolher quem deseja trabalhar? Se não, como poderemos dizer: “vai valer a pena ter amanhecido”!
Bento Domingues: Preparar o Vaticano III
1.
A proposta que hoje principiarei a esboçar pouco tem a ver com outras que foram surgindo ao longo dos últimos 30 anos, mesmo com as sugestões que eu próprio já fi z nestas crónicas acerca da interpretação, das formas de acolhimento prático (recepção) e do futuro do acontecimento mais marcante da Igreja Católica no séc. XX, o Concílio Vaticano II (1962-1965). Dada a velocidade com que agora tudo sucede, esse acontecimento talvez já pouco ou nada signifi que para os próprios católicos com menos
de 40 anos. É, no entanto, por causa das novas gerações, católicas ou não, que é importante não nos deixarmos atolar nas difi culdades presentes.
É normal que, no contexto das próximas evocações, estudos, balanços e desenhos de perspectivas futuras em torno dos 50 anos da convocatória dessa assembleia geral, feita pelo Papa João XXIII, a 25 de Dezembro de 1961, reapareça o confronto entre as tendências que desejam e aquelas que recusam um novo concílio. Na situação actual, basta que o Papa se pronuncie num ou noutro sentido, para saber a escolha que prevalecerá. A democracia na Igreja — a convicção de “aquilo que diz respeito a todos deve ser tratado por todos” — encontra quase sempre sofi smas e preguiça para ser desencorajada. Por outro lado, os regimes democráticos andam tão cansados que até invejam os resultados económicos da China totalitária. Mas valerá a pena preparar um novo concílio ecuménico, quando ainda estamos tão longe de ter assimilado o que há de melhor no Vaticano II?
Não são objectivos incompatíveis, antes pelo contrário. Terá de ser, porém, verdadeiramente novo e com características de universalidade que exceda tudo o que aconteceu no passado. Cinquenta anos de experiências e conquistas, com luzes, sombras e pesadas derrotas, podem ser inspiradores para entrar num processo de descoberta e reconfi guração de uma estrada larga por onde todos os seres humanos do nosso tempo, de todas as culturas, possam caminhar sem se atropelarem uns aos outros.
2.
É urgente começar. Gordon Brown, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, num artigo recente (DN, 09/09), tem a convicção de que poucas pessoas duvidam do seguinte: hoje o mundo está à deriva, sem rumo e sem liderança, na direcção de uma segunda recessão. A política do desenrasque falhou. Com a incapacidade de concluir um acordo global, um acordo sobre políticas climáticas, um pacto de crescimento ou alteração no regime financeiro, o mundo tende a descer para um novo proteccionismo de desvalorização competitiva, guerras de moeda, restrições ao comércio e controlo de capitais.
Segundo G. Brown, feitas as contas, verifi ca-se que, por agora, a América e a Europa não podem expandir os seus gastos de consumo sem aumento de exportações e a China e os mercados emergentes não podem facilmente expandir a sua produção ou consumo sem a garantia de mercados ocidentais fortes. Torna-se indispensável restaurar uma visão ampla de cooperação global contida no pacto de crescimento do G20 que representa 80% da produção mundial. Sendo o único organismo multilateral capaz de coordenar a política económica global, tornou-se extremamente útil em 2009. Infelizmente, os Estados-membros abandonaram rapidamente esse objectivo e passaram para soluções nacionais. Como era previsível, avançar sozinho provou ser inútil para garantir a recuperação económica. Chegou novamente a vez da urgente intervenção do G20.
Em relação a Portugal, o economista José Castro Caldas é de opinião que, sem um portentoso milagre, o roteiro traçado pelo Governo português para nos salvar é o caminho mais directo para nos perder (PÚBLICO, 13/09). Sem uma mudança urgente na orientação da Europa, são previsíveis grandes turbulências e até o fi m da própria União Europeia. O Governo português, para além das medidas que terá de assumir — os países não podem fechar as portas para obras —, deveria empenhar-se com ardor nessa viragem e com mais cautelas na perigosa façanha de ultrapassar as exigências da troika para conseguir os empréstimos do “vil e mentiroso dinheiro”.
Poderia, sem dúvida, ter escolhido outras referências, para chamar a atenção para esta banalidade: o mundo
anda sem rumo, sem liderança, à deriva. Não só no plano da economia dominado pelos jogos da fi nança, em mercados sem regras e exigências éticas, sem preocupações humanas. Sem lideranças que procurem o “bem comum de toda a humanidade”, andaremos como ovelhas sem pastor, na linguagem bíblica da pastorícia, devorados pela insaciável “era da ganância”.
3.
A questão de fundo é, todavia, outra: não é possível encontrar caminhos de convergência universal sem “mudar de paradigma”, sem procurar integrar antigas e novas sabedorias nas famílias, nas escolas, na sociedade, nas políticas, uma sabedoria holística. Não para desvalorizar os caminhos das ciências e os serviços das novas tecnologias, mas para resistir às suas tentações reducionistas. O ser humano é multidimensional. Não pode ser amputado das suas raízes nem dos sonhos.
Como poderá um novo concílio convocar os seres humanos para a redescoberta do simbólico, do universo dos laços com tudo e com todos? Veremos.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
"Vaticano II - O Pós-Concílio"
Divorciados que se voltaram a casar: um debate necessário
Cardeal de Colónia, Joachim Meisner:
«la indisolubilidad del matrimonio vale para todos los niveles y exponentes de la sociedad. Usted sabe bien que la Iglesia perdió completamente Inglaterra por haberle tenido fe al principio de la indisolubilidad del matrimonio contra Enrique VIII».
Núncio apostólico em Berlín, Jean-Claude Périsset:
Dirigiéndose a la agencia de prensa católica sobre el debate que abrió Zollitsch, advirtió sobre «algunas expectativas desproporcionadas». Con respecto a la cuestión de los fieles divorciados y que se han casado de nuevo, «la doctrina de la Iglesia es clara [...] y no es posible esperar cambios de rumbo al respecto».
Resposta do arcebispo Zollitsch, sobre as declarações do Núncio:
«Lo que quiero es muy sencillo: estoy convencido de la indisolubilidad del matrimonio y de su carácter de Sacramento. Pero tenemos que reconocer que muchos matrimonios fracasan y que a muchas personas las dejan sus cónyuges. Por lo tanto, hay que considerar la situación de estas persona seriamente. De hecho, los fieles que se casaron por la iglesia y por lo civil se separan civilmente y se vuelven a casar civilmente; para la Iglesia, estas personas viven en una condición promiscua. Es aquí que se propone la cuestión: en cuáles circunstancias se puede considerar que ya no viven en el pecado y que pueden de nuevo ser aceptados en la comunión. Se trata de volver a examinar esta situación a nivel teológico y de considerar en el nivel pastoral».
Arcebispo de Berlín, Rainer Maria Woekli, que apoiou Zollitsch no diário “Schwäbische Zeitung”.
Hay que reconocer la situación de estas personas y hay que acogerlas con comprensión y misericordia. «Nosostros mismos seguimos el precepto de Jesús sobre la indisolubilidad del matrimonio», observó el arzobispo, y añadió que «afrontaremos el argumento con la Conferencia episcopal y con el Santo Padre».
terça-feira, 13 de setembro de 2011
O bispo
domingo, 11 de setembro de 2011
À procura da Palavra - FORTE É QUEM PERDOA
“Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.”
Jesus colocou o perdão na única oração que nos ensinou: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. É curiosa a imagem de continuidade da ofensa (“nos tem ofendido”), merecendo sempre o perdão. E bem sabemos que é das frases mais difíceis de dizer porque o perdão dá muito trabalho. Na parábola de hoje é quase inimaginável a distância entre a dívida do primeiro homem e a do segundo. Segundo o câmbio da época, dez mil talentos equivalia ao sustento de uma família durante mais de...oitenta e dois mil anos! E, sem pestanejar, o rei, que tinha mandado vender o servo, a família e tudo o que tinha, compadecido pelo seu pedido de um prazo, liberta-o e perdoa-lhe a dívida. Não confundamos com as “fraudes e desvios instituídos” de quem delapida bens públicos sem nunca vir a ser responsabilizado! Aqui trata-se de um amor gratuito e inconcebível para a estreiteza dos nossos corações. Por isso é chocante a falta de compaixão deste servo perdoado para com o seu companheiro que lhe devia cem denários, o equivalente ao sustento de... cinquenta dias! Perdoado em 29930000 dias, incapaz de perdoar 50!
Pois é, o perdão não se entende muito bem com contas. Nasce de uma generosidade que desencadeia gratidão. Que não se “paga para trás” mas para a frente, como exemplificava o belíssimo filme com Kevin Spacey, Helen Hunt e Haley Joel Osmet , “Favores em cadeia”. A única medida do perdão é a confiança absoluta do perdão de Deus. O egoísmo pode fechar esta comunicação de amor que Deus quer fazer passar por nós. E então tornamo-nos estéreis, azedos, fechados num legalismo gelado, justificando as nossas razões ou endeusando as opiniões que temos dos outros. Há uma corrente de vida e de amor vinda de Deus, que passa pela nossa aprendizagem em perdoar. Mas será que entramos nessa corrente? Sentimos a alegria de ser perdoados? Ou nem sequer nos julgamos necessitados de perdão? Não será mesmo verdade que, forte, e feliz, é quem perdoa? (Imagem copiada daqui)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Luís Miguel Cintra: "Sou actor do mistério do mundo"
- “Desde sempre precisei de exemplos. De santos. Do exemplo de vidas políticas. Voltadas para os outros e voltadas para Deus. A nós, menos grandes, e sobretudo já passada a idade de crescer, são quem nos defende do Mal, do cinismo. E nos deixam o desejo. Ainda vontade de conhecer.”
- “Não fui formado para aderir a determinada ideologia e dizer que sou marxista ou ateu. Sempre vivi numa grande dúvida e incertezas. Agi sempre com aquilo que me parecia correcto e grande sentido de responsabilidade” (...) “Com a idade percebi a intimidade e a lealdade para comigo, e a resolução das questões no interior de mim mesmo. Isto tem a ver com ser actor, não apenas espectador dos outros, dos espectáculos ou dos actores, nem do mistério do mundo.” “Sou actor do mistério do mundo”
- “Há um desejo de pensar a vida de forma mais vasta que não a materialista, que se exalta na construção de metáforas ou de espectáculos e também no que se pode chamar fé, crença ou um espanto [em uma] transcendência da vida que a torna num mistério inexplicável.”
- “Custa-me a ideia de missão universal, a de tornar todo o mundo cristão. Não me passaria pela cabeça que um árabe passasse a ser cristão, mas comove-me tanto um árabe virado para Meca como um cristão de joelhos num altar.” A questão é mais profunda: “Como é que é possível não se ter fé? Como se pode viver sem necessidade de acreditar em nada a não ser o que é comprovado cientifi camente? É deixar escapar uma parte principal da vida”. E resume: “É por isso que me comovo.”
- “Os textos são metáforas que exigem uma interpretação individual. Quando uma pessoa está a meu lado na missa e diz ‘Creio em Deus Pai’, respeito que a essa imagem corresponda uma pintura que tenha visto num museu ou uma ideia de superpai que ela tenha na cabeça. A Igreja não devia impor às pessoas uma unidade tal que despersonalize o envolvimento das pessoas naquilo e que torne as pessoas burras. A Igreja devia produzir a apropriação individual de toda a mitologia cristã, mesmo que isso levasse ao fim do poder da Igreja.”
- “Acreditar em Deus é acreditar também numa parte misteriosa da condição humana. Não consigo dissociar as duas coisas. Deus existirá ou não na capacidade de os homens o pensarem e de lhe darem um verdadeiro sentido. O que me agrada no cristianismo é a ideia de que Deus se torna homem. Não tem forma, ao contrário dos deuses gregos, e toma a forma humana. A forma humana pôde, um dia, conter divindade. Isso para mim é fundamental porque diz que é do ser humano que parte a sua transcendência. E é a isso que se chama alma, porque o anima.”
- “Gosto imenso da vida, mas tenho que me conciliar com a ideia de que ela vai acabar. Só o consigo fazer se pensar que a vida não é só a minha, mas a das outras pessoas todas.” (...) “Tenho que pensar que sou pó. Eu e toda a gente. Quanto mais me habituo à ideia de que vou morrer, mais necessidade tenho de pensar que existem outras vidas que vão continuar. E fi co a gostar mais da vida, porque gosto do que as outras pessoas vivem e fazem. Há uma espécie de corrente que transcende o destino individual e que se vai prolongando entre gerações. O que vivi provoca mais vida.”
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
11 de Setembro e Assis no encontro inter-religioso de Munique
Líderes políticos e religiosos e personalidades do mundo dos media e da academia de mais de 60 países participarão em momentos de oração e num programa intenso de debates que se estendem, por vezes em sessões paralelas, até ao fim do dia 13.
Delegações católicas, das confissões protestantes, das igrejas ortodoxa e orientais, do judaísmo e do islão, do budismo japonês, cingalês e cambojano; das antigas religiões índias, como o jainismo e o parsismo; das religiões tradicionaiss, como o xintoísmo.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Vinho novo em odres novos
E ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho novo rompe os odres e derrama-se, e os odres ficarão perdidos.
Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos».
Lucas, 5
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Serviços de saúde: "O papel insubstituível do Estado"
Recomendando a leitura integral do texto, deixamos aqui algumas das suas ideias:
- "Um princípio que defendemos na reforma no S.N.S. é o papel insubstituível do Estado: os cuidados de saúde não podem, por várias razões, ser objecto de comércio, como se de um qualquer bem se tratasse"
- " (...)as despesas sociais, agora olhadas quase exclusivamente como um custo, são fundamentais na promoção da estabilidade politica e social, ao mesmo tempo que são também factor de crescimento da economia e como tal hão de continuar a ser consideradas como um investimento".
- "A experiência tem mostrado que o recurso aos mecanismos de mercado tem sido feito sem a necessária ponderação, e sem ter na devida conta que a concorrência na prestação dos cuidados de saúde é, muitas vezes, fonte de despesas excessivas por parte dos particulares e do próprio Estado com consequente agravamento de desigualdades, em prejuízo do direito universal à saúde" .
- "O S.N.S., que é uma rede de serviços de saúde articulados e complementares, apoiados solidariamente pelos contribuintes através do Orçamento de Estado, terá que fazer face a um duplo desafio: por um lado, será obrigado a adoptar medidas de contenção de custos; por outro, terá que preparar-se para uma procura crescente, visto que, para muitas pessoas, a possibilidade de pagar cuidados privados de saúde deixará de existir. Acresce que tudo se conjuga – maior desemprego, pobreza e insegurança quanto ao futuro – para que a própria saúde individual acabe por ser afectada, induzindo, também, maior procura de cuidados".
- "Estima a O.M.S. que entre 20% e 40% de todos os gastos em saúde são desperdiçados por ineficiência. Em Portugal, o Tribunal de Contas estimou o desperdício resultante da não utilização e da utilização indevida ou abusiva de medicamentos em, pelo menos, 25%".
- "O princípio constitucional de que o Serviço Nacional de Saúde tem gestão descentralizada e participada (Artigo 64º, nº4) está ainda longe de aplicação suficiente".
- "A despesa per capita com medicamentos [em Portugal] é, também, elevadíssima quando comparada com a de outros países europeus, como se conclui com base em dados do Infarmed . (...) Por isso, mal se compreenderá que, entre nós, aquele mesmo caminho de redução dos custos com medicamentos possa ser entravado por interesses corporativos, mesmo que estes se apresentem sob a capa de sérias razões de natureza científica que, verdadeiramente, não existem".
- "(...) propostas de aumento generalizado dos co-pagamentos pelas famílias no momento da prestação de cuidados pelo S.N.S., acentuariam a já existente falta de equidade. (...) Por outro lado, a alternativa desses co-pagamentos por acto médico serem graduados consoante os rendimentos das pessoas, consubstancia uma opção de desvio ao princípio geral do pré-pagamento pela via da tributação, considerado o mais equitativo e eficiente , pois, neste caso, é o rico que subsidia o pobre e o saudável o doente".
- "(...) a arquitectura e a gestão dos sistemas de saúde são um elemento nuclear na promoção do bem-estar individual e colectivo, pelo que devemos estar atentos à observação das suas tendências de evolução, para que, atempadamente, se previnam e atalhem os erros já cometidos e, prontamente, se restabeleça a marcha na boa direcção".
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Nas vésperas da evocação da “Primavera da Igreja”
Quem viveu mais de perto o clima eclesial de meados do século passado (antes do Concílio Vaticano II) não pode deixar de perceber a situação atual como algo similar. Naquela época, como hoje, uma mistura de perplexidade e esperança preocupava muitos cristãos. Só os que viviam completamente em outro mundo, não percebiam que algo grande estava por ocorrer. O anúncio de um Concílio Ecumênico foi recebido com uma mistura de surpresa e temor. Surpresa pelo anúncio de algo com o qual a Igreja não estava acostumada. Temor de que isso pudesse terminar com as reflexões e as buscas, por um gesto autoritário da hierarquia. Com o tempo, o medo foi sendo superado. A superação foi mais ampla diante dos textos conciliares, especialmente as quatro grandes constituições e as encíclicas papais contemporâneas: Mater. et Magistra e Pacem in Terris de João XXIII, e depois com a de Paulo VI. (...)
Voltando ao início destas reflexões, agora, como no período que precedeu o Concílio, os que estão atentos aos sinais dos tempos, percebem que algo tem que ocorrer. Como naqueles anos, é preciso superar a mera perplexidade e o temor, abrindo-se a uma grande esperança. Recordando Santo Tomás de Aquino, as condições de esperança são a busca de um bem custoso que ainda não temos e um motivo firme para nos apropriarmos dele. Nossa esperança para a Igreja se baseia na presença do Espírito na história, nas sementes abundantemente semeadas pelo Concílio Vaticano II e na atuação nela do Espírito Santo. Aquele que plantou as sementes é também capaz de fazê-las nascer, crescer e frutificar. De nossa parte é necessário prosseguir na busca, vivendo a paciência ativa que sabe suportar as “demoras de Deus”, e viver as surpresas e contradições sem deixar-se abater. Ao mesmo tempo ajudando a semear o que já disse sabiamente alguém: “As decisões mais perfeitas, mais tardias, costumam ser piores que as decisões menos perfeitas, mas tomadas imediatamente”. De qualquer maneira, estamos certamente em um tempo apropriado para viver com maior intensidade a recomendação de o apóstolo ser “alegres na esperança, firmes na atribulação, constantes na oração” (RM, 12, 12).A leitura integral do texto pode ser feita aqui
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
O bispo lixeiro que chegou a cardeal
«O cardeal Jàn Chryzostom Korec nasceu em Bosany, diocese de Nitra, em 22 de janeiro de 1924. Em 1949, os comunistas subiram ao poder na Checoslováquia. O jovem Jàn Korec foi, portanto, ordenado sacerdote secretamente em 1950, enquanto em 1951 se tornou o bispo mais jovem do mundo.
Uma ordenação episcopal, segundo narra o L'Osservatore Romano, “feita com muita pressa, em um apartamento, com medo de que a polícia irrompesse de um momento a outro”.
Durante 9 anos, desempenhou sua missão de sacerdote e de bispo numa fábrica, onde trabalhou como operário e depois como guarda noturno. Em 1960, foi detido, processado e condenado a 12 anos de prisão. Foi recluído num mosteiro transformado em prisão, onde havia outros 6 bispos e 200 sacerdotes.
Em seus anos de prisão, celebrou missa e, quando estava em isolamento, imaginava estar a fazer exercícios espirituais. Em 1968, com a “Primavera de Praga”, saiu da prisão gravemente doente. Para ganhar a vida, começou a trabalhar como lixeiro em Bratislava. Pela primeira vez, celebrou a missa em público.
Em 1969, chegou a reabilitação, com a qual pôde obter um passaporte para Roma, onde se encontrou com Paulo VI, o qual lhe entregou as insignias episcopais. Em 1974, no entanto, foi anulada a reabilitação e ele foi novamente preso, para cumprir os quatro anos que lhe faltavam da sentença primitiva. Libertado logo depois pelas suas más condições de saúde, continuou trabalhando como operário até os 60 anos.
João Paulo II nomeou-o bispo de Nitra em 1990 e instituiu-o cardeal em 1991. Em 1998, chamou-o ao Vaticano para pregar os exercícios espirituais da Quaresma. Durante vários anos, foi presidente da Conferência Episcopal Eslovaca.
Numa entrevista concedida a La Civiltà Cattolica (21 de fevereiro de 1987), afirmou: "Não me atribuo grandes méritos. Quanto mais passam os anos, mais vejo claro que o que tem importância pertence à graça, isto é, a Deus”.»
Este texto foi publicado ontem pela agência Zenit,a propósito dos 60 anos de ordenação episcopal do cardeal Jàn Chryzostom Korec e da carta que sobre a efeméride Bento XVI lhe enviou, considerando-o “pastor trabalhador, fiel e prudente”.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Sem emprego para os jovens, vivemos um presente equivocado
«Se confirma en la crisis actual todo lo que sucedió en la grave crisis anterior: la dimensión ética no es una cosa ajena a los problemas económicos, sino una dimensión interior y fundamental. La economía no funciona solo con reglas mercantiles, sino que necesita una razón ética para estar al servicio del hombre.
Es lo que afirmó Juan Pablo II en su primera encíclica social: el hombre debe ser el centro de la economía y la economía no se debe medir según las ganancias, sino según el bien de todos, de esta manera se incluye la responsabilidad hacia los demás. La economía funciona verdaderamente bien solo si funciona de manera humana, respetando al otro según las diferentes dimensiones. La primera es la responsabilidad ante el propio país, y no solo ante sí mismo.
La segunda es la responsabilidad hacia el mundo: los países no están aislados, incluso Europa no está sola, sino que es responsable de la entera humanidad y debe afrontar los problemas económicos con esta clave de responsabilidad por las demás partes del mundo, por aquellos países que sufren la sed y el hambre. La tercera dimensión tiene que ver con el futuro, tenemos que proteger nuestro planeta, pero tenemos que proteger también el funcionamiento del sistema de trabajo para todos, para pensar en el futuro y en el presente. Si los jóvenes de hoy no encuentran prospectivas de vida, el nuestro es un presente equivocado».
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Sacrifícios - é só para alguns
Em Portugal, a realidade é certamente diversa, mas num ponto, decisivo, coincide: com o argumento de criar melhores condições de competitividade aos empregadores e às empresas, os que menos têm e menos podem são os mais sobrecarregados com as medidas drásticas já tomadas e a anunciadas. Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Os dados recentemente divulgados não deixam margem para dúvidas: as 25 maiores fortunas do país, cujo valor excede os 17 mil milhões de euros, viram, em tempo de crise, esse valor crescer 17,8% face a 2010, representando agora a 10,1% do PIB português, segundo um estudo anual da revista Exame.
Será de esperar algum gesto do tipo do de Warren Buffett da parte de algum dos líderes das maiores fortunas portuguesas? Julgo que podemos esperar sentados. Só se for para se queixarem de que o Estado os não deixa ir tão longe quanto pretendem. Essa era, pelo menos, a música, até há pouco tempo.
Mas raramente se ouve os que defendem a justiça social e o combate à pobreza a denunciar esta desigualdade que destrói a dignidade humana e mina a sociedade. Raramente os vemos exigir solidariedade e equidade no esforço que é pedido a todos em tempo de crise grave. Vemos vozes a exigir que, nas medidas do Estado, sejam salvaguardados os grupos de menores recursos, mas não vemos denunciar a soberba dos economicamente poderosos. As migalhas que estes possam dar a esta ou àquela instituição não podem calar a denúncia desta injustiça estrutural.
Ler mais:
Quem são os mais ricos de Portugal?
Act. (18.8):
Nem de propósito: o Bartoon, "coluna" do cartoonista Luís Afonso, no Público, trata hoje um aspecto do assunto deste post:
Act. (23.8):
"Milionários franceses, detentores das dezasseis maiores fortunas do país, instaram esta terça-feira o Governo a aplicar uma taxa especial sobre os rendimentos dos mais ricos para ajudar a debelar os problemas financeiros do país. A proposta de Warren Buffet continua assim a ganhar o apoio dos seus pares. (...)
Numa petição publicada no site da revista de informação Le Nouvel Observateur, citada pela agência Reuters, membros das 16 maiores fortunas do país, incluindo a herdeira da L’Oreal e o director da petrolífera Total, pedem a criação de uma “contribuição especial” sobre os rendimentos mais elevados, sem afectar o cash flow das respectivas empresas.
“Estamos conscientes de que beneficiamos do sistema francês e do ambiente europeu a que estamos ligados, os quais esperamos poder ajudar a preservar”, dizem os signatários do documento, que incluem ainda os directores executivos da agência de publicidade Publicis, os homólogos do banco Société Générale e o presidente da companhia Air France, entre outros.
“Num momento em que o défice das finanças públicas e as perspectivas de agravamento da dívida do Estado ameaçam o futuro da França e da Europa, e em que o Governo pede a todos um esforço de solidariedade, consideramos necessário o nosso contributo”, acrescentam.
Ler o texto completo: Público
terça-feira, 26 de julho de 2011
“A Internet não é um simples instrumento de comunicação"
Na igreja tem sido isso que tem sido defendido e propagado, o que conduz inevitavelmente à assimilação deste fenómeno informativo e comunicativo aos media já nossos conhecidos, o que não deixa de ser uma simplificação redutora.
“Internet não é meio de evangelização, é um ambiente de vida”, começou por notar o conferencista que também é sacerdote. “A internet é um novo contexto existencial, não um lugar específico no qual se entra em algum momento para viver on line e do qual se sai para entrar novamente na vida off line”, afirmou.
Para Antonio Spadaro, a internet é uma revolução “com raiz no passado” por replicar “antigas formas de transmissão do saber e do viver comum”. Ele defendeu a ideia da internet como ambiente e não simplesmente instrumento de comunicação.
que se pode usar ou não, mas um ambiente cultural, que determina um estilo de pensar, contribuindo para definir um modo peculiar de estimular a inteligência e de estreitar as relações, e mesmo um modo de estar no mundo e de organizá-lo”, destacou.
Segundo o padre Spadaro, neste sentido se pode dizer que a internet não é um “novo meio de evangelização”, mas, antes de tudo, “um contexto no qual a fé é chamada a exprimir-se não por uma mera vontade de presença, mas por uma conaturalidade do cristianismo com a vida dos homens”.
O desafio para a Igreja, de acordo com Spadaro, não é o modo de usar bem a rede, “como se acreditava”, mas “como viver bem o tempo da rede”. “A Rede coloca desafios muito significativos para a compreensão da fé cristã. A cultura digital tem uma reivindicação a fazer ao homem mais aberto ao conhecimento e aos relacionamentos”, considerou.
Fonte: site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
sábado, 23 de julho de 2011
Os dias do luto - reportagem na TSF
O tema é o objecto do programa “Os dias do luto”, da autoria de Manuel Vilas Boas e sonoplastia de Mezicles Helim. Passa na TSF este fim-de-semana: sábado às 11 da manhã, Domingo às 0h e às 12h (e não às sete da tarde como se ouve neste som de apresentação do programa) e poderá depois ser escutada em www.tsf.pt.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
"Árvore da vida" ou uma capela
Em certa medida, pode dizer-se que a obra é o produto do lento amadurecer da sensibilidade e criatividade de um grupo, de uma comunidade, sem retirar, com isso, os méritos aos artistas que deram forma ao sonho. Ora vejam:





