sexta-feira, 13 de março de 2015

Um grande bispo e a missa em vernáculo

Crónicas

Depois de, na semana passada, ter evocado a figura de D. Abílio Vaz das Neves, bispo de Cochim (1934-39) e Bragança (1939-65), intitulando-o de Um grande bispoFernando Calado Rodrigues escreve hoje sobre a Missa na própria língua

Se Jesus se esforçou para falar uma linguagem que todos entendessem, então a Igreja deve fazer esse mesmo esforço. O Vaticano II deu um passo significativo, há cinquenta anos, para tornar mais acessível a sua liturgia e a sua pregação. Ora, é uma incumbência de todos, sobretudo os que presidem às celebrações, dar continuidade a este desígnio do concílio. E estimular nas comunidades uma participação mais ativa na liturgia e na vida da Igreja.
(texto integral aqui)

quinta-feira, 12 de março de 2015

BD e cartoons: Será que Tintin é católico e o Papa arranjou um papagaio?

Tintin é católico pela sua “lealdade, fraternidade, amizade e disponibilidade para os mais débeis e necessitados”, e Hulk, a “incrível coisa verde” da Marvel, é representado com um rosário em algumas cenas, casa com a noiva numa igreja e o matrimónio é celebrado por um padre católico.
Há personagens católicos na banda desenhada? O suplemento Igreja Viva, do Diário do Minho, publicou hoje um trabalho sobre o temaonde recorda também alguns textos publicados pelo L’Osservatore Romano acerca da mesma questão.
O texto recorda que, nos últimos anos, surgiram vários livros sobre este tema. E cita declarações de Tomás de Zárate, criador da tira semanal Weekly Angelus, na qual recria e resume as palavras do Papa na alocução semanal dos domingos. “Vivemos num mundo que corre velozmente, que está sempre com pressa. É assim para todos. A banda desenhada é uma comunicação veloz, pode representar uma maneira ‘fácil’ para introduzir aquilo de que fala Francisco”, diz o artista.

(clicar sobre a imagem para aumentar)

Recorde-se que há pouco mais de um ano, o National Catholic Reporter, dos Estados Unidos, começou a publicar a tira Francis, the comic strip (Francisco, a tira cómica). No desenho do passado dia 12 de Fevereiro, o papagaio do irmão Leo repete: “Sou infalível, sou infalível..” Perante o pedido do Papa para que o bicho diga outra coisa, o papagaio aparece, uma hora depois: “Quem sou eu para julgar? Quem sou eu para julgar?”... Da autoria de Pat Marrin, a colecção das tiras pode ser vista aqui.
Também Cortés, cartoonista da revista espanhola Vida Nueva, que publica muitos dos seus desenhos aquié bem conhecido em Portugal, por algumas das suas obras, entre as quais Um Deus Chamado Abba, terem sido publicadas no país. Nos seus desenhos, Cortés tanto fala do Concílio Vaticano II como dos tempos litúrgicos (Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, Pentecostes), da Igreja como do Reino de Deus, dos sacramentos como do Credo. Uma das suas últimas criações são os Universículos. 

Tu quantos votos crês que teria tido Francisco de Assis, 
se ele se tivesse apresentado?

quarta-feira, 11 de março de 2015

Papa pede que teologia se faça na fronteira, nos conflitos e com a misericórdia no centro


(ilustração reproduzida daqui)

O Papa Francisco quer que a teologia se baseie na Revelação e na Tradição, mas que acompanhe também “os processos culturais e sociais, especialmente as transições difíceis”.  
Numa carta enviada ao cardeal Mario Aurelio Poli, magno chanceler da Universidade Católica da Argentina, a propósito dos 100 anos da sua Faculdade de Teologia, o Papa escreve: “Ensinar e estudar teologia significa viver numa fronteira, na qual o Evangelho encontra as necessidades das pessoas às quais se anuncia, de maneira compreensível e significativa”. E acrescenta: “Devemos guardar-nos de uma teologia que se esgota na disputa académica ou que contempla a humanidade a partir de um castelo de cristal. Aprende-se para viver: teologia e santidade são um binómio inseparável.”
Recordando que os 100 anos da Faculdade coincidem com os 50 anos do Concílio Vaticano II, o Papa diz que este significou uma “actualização, uma releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea” e que produziu um “movimento irreversível de renovação que vem do Evangelho”.
Sobre o papel da teologia, o Papa Francisco diz que ele deve tratar também dos conflitos: “Não só dos que experimentamos dentro da Igreja, mas também os que afectam todo o mundo e que se vivem pelas ruas da América Latina. Não se conformem com uma teologia de gabinete. Que o lugar das vossas reflexões sejam as fronteiras. E não caiam na tentação de as pintar, perfumá-las, acomodá-las um pouco ou domesticá-las.”
O Papa diz ainda que a teologia deve ser expressão de uma Igreja “hospital de campanha” que vive a sua missão para a cura do mundo, centrada na misericórdia. “Animo-vos a estudar como, nas diferentes disciplinas – dogmática, moral, espiritualidade, direito, etc. – se pode reflectir a centralidade da misericórdia”, sem a qual a teologia, o direito e a pastoral “correm o risco de cair na mesquinhez burocrática ou na ideologia”.
O texto da carta pode ser lido aqui na íntegra, em castelhano.

terça-feira, 3 de março de 2015

Mudar a religião; o sexo e o género; as histórias mínimas do cinema e a transfiguração de Jesus

Crónicas

No Público de domingo passado, frei Bento Domingues escreve o seu segundo texto com o título Mudar radicalmente a religião, a propósito da liderança reformadora do Papa Francisco:

O Papa Bergoglio não está preocupado em resolver os problemas que Jesus enfrentou há dois mil anos. Isso já está feito. Mas ao seguir a mesma lógica, a prática deste Papa está a encontrar um grande entusiasmo, mas também grandes resistências nos interesses instalados. Recorro às suas palavras: Jesus, novo Moisés, quis curar o leproso, quis tocá-lo, quis reintegrá-lo na comunidade, sem se autolimitar nos preconceitos; sem se adequar à mentalidade dominante do povo; sem se preocupar de modo algum com o contágio. Jesus responde à súplica do leproso sem demora e sem os habituais adiamentos para estudar a situação e todas as eventuais consequências. Para Jesus, o que importa acima de tudo é alcançar e salvar os afastados, curar as feridas dos doentes, reintegrar todos na família de Deus. E isto deixou alguém escandalizado! (...) Não parece que Bergoglio ande muito assustado.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


Sexta-feira, no CM, Fernando Calado Rodrigues dava conta da criação do “Cenáculo do Papa”. Com o título Em torno do Papa, escrevia:

Walter Kasper, Francesco Coccopalmerio e Gualtiero Bassetti, cardeais próximos do Papa, agregaram a si outros clérigos e leigos, homens e mulheres, teólogos e jornalistas, e organizam-se para difundir as ideias do Papa cerrando fileiras contra os “lobos” que continuam a acossar o líder da Igreja Católica – relata o sítio de informação religiosa “Religión Digital”, que classifica esta iniciativa como um “clube de defensores das reformas de Bergoglio”.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges escrevia Sobre sexo e género:

Fixo-me por agora na Igreja Católica. Esta é hoje a única instituição verdadeiramente global, mas ferida pela submissão das mulheres e pelo não reconhecimento da igualdade de direitos com os homens. Jesus tratou bem as mulheres e elas podem e devem estar-lhe gratas, pois foi alguém que contribuiu decisivamente para a sua história de emancipação libertadora. Quanto à Igreja, porém, compreende-se a sua crítica e mal-estar. As lutas gnósticas e a sua influência negativa, a doutrina do pecado original e as suas consequências, nomeadamente na compreensão da Eucaristia interpretada como sacrifício, exigindo a pureza ritual, a Igreja constantiniana enquanto instituição de poder levaram a uma discriminação das mulheres que não é de modo nenhum consentânea com o Evangelho de Jesus.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


No comentário aos textos da liturgia católica de domingo, Vítor Gonçalves relacionava os Óscares 2015 e o episódio da transfiguração de Jesus e escrevia, na Voz da Verdade, sob o título Histórias mínimas:

O lugar dessa transformação é a nossa vida quotidiana e pouco espectacular (ou afinal, mais espectacular do que pensamos), onde há desafios e problemas, erros e aprendizagens, mal e bondade, cruz e também ressurreição. Podemos escrever histórias mínimas, não ficar com o nome impresso em papel ou no mármore, poucos lembrarem a nossa falta, mas no coração de Deus todos estamos gravados. E certamente a importância de cada pessoa nunca pode ser avaliada pelo próprio. Só nos pede Deus uma coisa: que amemos a vida ao jeito de Jesus! E nenhuma história será mínima!
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)



Religião, humor e ofensa – um debate em Lisboa

No sítio do Observatório da Liberdade Religiosahá uma crónica sobre o recente debate Religião, Humor e Ofensa, realizado a 6 de Fevereiro no âmbito da Semana Mundial pela Harmonia Inter-religiosa, que decorreu na Casa dos Mundos, em Lisboa.
Reproduz-se a seguir o texto.



Nilton, Joaquim Franco, Jorge Bacelar Gouveia 
e António Marujo (foto CMLisboa)

O Observatório para a Liberdade Religiosa (OLR) organizou o debate Religião, Humor e Ofensa, na Casa dos Mundos, em Lisboa, a 6 de fevereiro, no âmbito da World Interfaith Harmony Week, em parceria com o Gabinete Lisboa Encruzilhada de Mundos (CML).
A iniciativa juntou o constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia, o jornalista António Marujo e o humorista Nilton, um mês depois dos acontecimentos de Paris, poucos dias antes de um novo ataque terrorista em Copenhaga, ainda com um caricaturista como alvo.
Para Bacelar Gouveia, a “liberdade religiosa – expressão dos sentimentos religiosos também no espaço público – tem de ser respeitada pela liberdade de expressão – liberdade para expressar a nossa opinião –, que tem limites, que não é absoluta, que não pode ofender a honra das pessoas, como está de resto estabelecido em código penal pelos crimes de difamação, injúria e calúnia”.
O constitucionalista verifica, no entanto, que identificar “o destinatário do alvo da ofensa” é uma dificuldade. Se os crimes de difamação, injúria e calúnia têm um alvo identificado – a pessoa que praticou o crime –, no caso da religião “não se dirige especificamente a ninguém, mas a uma filosofia ou uma doutrina: há pessoas que se sentem ofendidas, mas outras que nem tanto”.
Esta dificuldade é difícil de ultrapassar, sublinhando Bacelar Gouveia que “estes crimes – difamação, injúria e calúnia – são dirigidos especificamente a algo que uma pessoa fez ou não fez, enquanto no caso dos sentimentos religiosos há uma relação mais difusa entre o modo como se sente a ofensa e a ofensa a esse credo ou sentimento religioso.”
António Marujo, coordenador do blogue RELIGIONLINE, referiu a importância da difamação para a própria dinâmica religiosa. Recordou que “a blasfémia foi importante para purificar a religião, nomeadamente no percurso histórico da Igreja”. Atualmente, lembrou Bacelar Gouveia, o código penal português consagra a proteção dos sentimentos religiosos de forma “muito ténue”, embora contemplando a prática de crimes como a profanação de túmulos ou incitamento ao ódio religioso, reconhece o constitucionalista, acrescentando que, enquanto católico, sentir-se-ia pessoalmente ofendido se um jornal “fizesse por exemplo uma caricatura erótica de Jesus ou de Nossa Senhora”, justificando esta, a seu ver, uma ação nos tribunais. “Há uma diferença entre ofender e brincar com sentimentos religiosos. Se não se estabelecesse esta diferença, muitos humoristas estavam presos pelo que dizem sobre os políticos”, ironizou Bacelar Gouveia.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Desertos, cardeais, mulheres e as reformas do Papa

Crónicas


(foto reproduzida daqui)

No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica deste último domingo, Vítor Gonçalves escreve, no jornal Voz da Verdade, sobre Os nossos desertos, a propósito da narrativa das tentações de Jesus no deserto:

Jesus é o novo Adão, o homem novo, que neste momento de crise, de ruptura com os modelos triunfalistas de Messias, une a natureza e o espírito. Ele oferece à condição humana, ferida por tantas divisões, fruto do egoísmo e do orgulho, um horizonte de comunhão, uma esperança que não nega as dificuldades mas as supera. Como se nos mostrasse a fonte escondida que cada deserto tem, e nos oferecesse, pela fidelidade a uma missão de serviço e confiança em Deus, o mapa para atravessar os desertos das nossas vidas.

O texto integral pode ser lido aquias crónicas anteriores, que não tinham sido referidas neste blogue, falaram da necessidade de tocar e ser tocado (textos do Domingo VI do Tempo comum), do quotidiano como lugar de aprendizagem da felicidade (Domingo V do Tempo Comum) e da missão de libertar e vencer o mal (Domingo IV do Tempo Comum)


Na crónica de domingo no Público, frei Bento Domingues escreve, sob o título Mudar radicalmente a religião (1):

Não tive condições para seguir as cerimónias que envolveram a nomeação dos novos “príncipes da Igreja”. Um amigo, pouco dado a críticas à hierarquia eclesiástica, manifestou-me, no entanto, o seu desapontamento. Daquilo tudo, só as palavras do Papa estavam ajustadas a um programa de reforma da cúria e da Igreja. Seria arcaico exigir dos novos cardeais vestes parecidas com as do carpinteiro de Nazaré. Mas aquele espectáculo era a reprodução de sempre do mau gosto purpurado. As delegações portuguesas, ao convidar o Papa para vir a Fátima, revelaram pouca imaginação e, até parece, uma oposição ao seu programa. 

O texto integral pode ser lido aqui. Nas crónicas anteriores, frei Bento tinha abordado, primeiro, a relação do declínio do cristianismo com a questão do papel das mulheres (As mulheres chegaram demasiado tarde?). Antes, em duas crónicas com o título As vantagens de não ser infalível, defendera a ideia que talvez o Papa Francisco ande a preparar um Concílio, a propósito de algumas linhas programáticas do seu pontificado e, de novo, falara do lugar das mulheres na Igreja Católica, a propósito do encontro do Conselho Pontifício para a Cultura acerca do mesmo tema.


Na penúltima crónica no DN, com o título Púrpura e periferias, Anselmo Borges falou da nomeação dos novos cardeais e, concretamente, do novo cardeal Manuel Clemente:

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Pedro Meca (1935-2015), o companheiro da noite: “Que palavra pode substituir a palavra revolução?”


Pedro Meca (foto reproduzida daqui)


Esteve em Lisboa em 1998, visitando organizações de apoio aos sem-abrigo. Numa delas, quando passava no sector da roupa, perguntou: “Onde está o espelho?” Não havia. Os sem-abrigo, os pobres, não têm direito a ver-se ao espelho? “Têm, o espelho faz mesmo falta. Há gente que não se vê inteiro há anos.”
“Romper com o assistencialismo” era a lógica proposta por este “companheiro da noite”, que morreu esta semana com 80 anos, em Paris. O funeral decorreu nesta manhã de sábado, na capela do convento de Saint Jacques, na capital francesa. Foi o “companheiro da noite dos que nada tinham, um mendicante”, disseram os dominicanos da província de França, anunciando a morte do homem que dedicou a sua vida a estar e viver com os mais pobres, ajudando-os a encontrar trabalho e a devolver-lhes a dignidade perdida e a autoestima.
A história do espelho contou-a Pedro Meca, nessa passagem por Lisboa, quando lhe fiz também uma entrevista (publicada no livro Deus Vem a Públicoed. Pedra Angular/Sistema Solar).
Pedro-Maria Meca  Zuazù nasceu em Villava, Pamplona (no País Basco espanhol, perto da fronteira com França), em 1935. Aos 17 anos foi para França com a família, acabando por se tornar frade dominicano. Conheceu ainda o Abbé Pierre, fundador dos Companheiros de Emaús, com quem trabalhou, como empregado de bar, no Claustro, um bar aberto para os sem-abrigo.
Em 1985, decidiu fundar a associação Companheiros da Noite que, sete anos depois, inaugurou na rua Gay-Lussac, no coração do Quartier Latin, de Paris, o bar La Moquette. O espaço, aberto até às cinco da manhã, destina-se a quem vive na rua e não tem sítios para conversar ou beber um café quente. Ali ninguém pode dormir, mas apenas sentir que pode estar. Conversando, fazendo silêncio, jogando às cartas, festejando aniversários, encontrando amigos e conhecidos ou, até, participando em debates regulares ou oficinas de escrita.

Um café numa chávena de louça e com colher de metal

No La Moquette, o café é sempre oferecido numa chávena com um pires e a respectiva colher de metal. “Os sem-abrigo diziam muitas vezes que o que tocavam ia sempre para o lixo”, explicava Pedro Meca.
Em cada Natal, recorda o serviço de imprensa das Obras Missionárias Pontifícias (OMP) de Espanha, Pedro Meca celebrava eucaristia numa tenda instalada no centro de Paris, e na qual participavam mais de mil pessoas sem casa. O La Moquette passou também a assegurar que as pessoas que morriam na rua, e cujo corpo não era reclamado por ninguém, tivessem um funeral digno. Muitos companheiros de rua do falecido participam nessas celebrações, proporcionando uma despedida digna ao falecido.  

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Queremos uma sociedade mais justa? – uma Sessão de Estudos promovida pelo Metanoia


(foto reproduzida daqui)

“O ponto de interrogação no título não é nada inocente. Ao regressarmos a este tema estamos conscientes de um certo cansaço, de alguma impaciência, de bastante desilusão, de uma dúvida crescente.” A afirmação pode ser lida na apresentação da Sessão de Estudos 2015, promovida pelo Metanoia – Movimento Católico de Profissionais e que decorre sábado e domingo da próxima semana (dias 28 de Fevereiro e 1 de Março), na Casa Diocesana de Vilar, no Porto.
O programa, que pode ser consultado aquiprevê a participação dos economistas Carlos Farinha Rodrigues e Manuela Silva e do juiz Álvaro Laborinho Lúcio. Farinha Rodrigues, que intervém às 10h45 de sábado, 28, fará um ponto de situação sobre as desigualdades em Portugal. Às 14h30, Manuela Silva intervém acerca do tema “De uma ‘economia que mata’ a uma economia mais justa”. Finalmente, às 16h45, Laborinho Lúcio fala sobre “Justiça Social e Cidadania – Caminhos para uma Sociedade mais Justa”. Um filme e um debate sectorial completam o programa.
O encontro propõe-se, segundo os organizadores, atingir quatro objectivos:
“1. Fazer um ponto de situação da sociedade portuguesa em matéria de justiça social, em vertentes como a distribuição de rendimentos e de oportunidades, os índices de pobreza, as virtualidades e os limites das políticas públicas aplicadas.
2. De forma particular, analisar algumas áreas específicas para perceber como estão a contribuir para a reprodução das desigualdades ou para a sua redução. Para tal, selecionámos áreas da educação, da saúde e do emprego/trabalho, sem prejuízo de contributos noutras áreas que os participantes queiram apresentar.
3. Tentar explicitar alguns subentendidos – antropológicos, filosóficos, políticos, teológicos -, procurando responder a perguntas como estas:
- Porque temos uma sociedade tão injusta?
- Porque devemos procurar uma sociedade mais justa?
- O que estamos dispostos a fazer para termos uma sociedade mais justa?
- Qual o lugar da ação pessoal, das organizações e do Estado?
4. Identificar perspetivas, caminhos e campos de intervenção que merecem mais atenção, conhecimento e ação.”
O texto de apresentação da iniciativa acrescenta ainda, sobre a contextualização da Sessão de Estudos, os seguintes enunciados: