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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Alfredo Teixeira: “O principal problema das igrejas é a transmissão, mais do que a comunicação”

Entrevista de António Marujo
Imagem de Maria Wilton



Alfredo Teixeira: “O fenómeno mais importante é o da explosão da diferença: 
sociedades onde havia uma confissão com um peso muito forte 
agora beneficiam de uma extraordinária explosão da diversificação religiosa. 

“Devemos dizer, ao mesmo tempo, que a religião sofre erosão e que ela se está a reconfigurar.” A poucos dias do final, no próximo domingo, do Sínodo dos Bispos sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, o antropólogo e sociólogo Alfredo Teixeira analisa nesta entrevista o que se passa com a religiosidade das novas gerações. Há um problema sério na capacidade de transmissão da fé, mais do que na comunicação, diz. E há mudanças que se podem ver, mas elas são, muitas vezes, em sentidos opostos e quase contraditórios: “O mais errado é pensar que podemos resolver a nossa leitura da sociedade a partir de um dinamismo único. E, sobretudo em termos religiosos, precisamos constantemente desse olhar em diferentes escalas porque, de outra forma, teremos um olhar muito simplificado sobre a realidade.”

P. – Pode fazer-se um retrato da realidade religiosa a nível mundial?
ALFREDO TEIXEIRA – É muito difícil falar dessa categoria a partir do mundo: os contrastes na distribuição da experiência do religioso, quanto às idades e gerações, podem ser muito grandes, no que diz respeito aos diferentes contextos geográficos e culturais. Em todo o caso, o que se pode dizer se o mundo fosse visto da lua? De forma geral, as sociedades do Norte apresentam uma população religiosa envelhecida. Em particular, o Atlântico Norte tem um problema no que diz respeito à renovação geracional das linhagens crentes...

Incluindo Estados Unidos e Canadá?
– Sim, ainda que de modo diferente. Esse fenómeno vai-se alastrando, consoante temos sociedades que, sob o ponto de vista da estrutura religiosa, têm alguma semelhança com a realidade europeia e norte-americana. Na América Latina, ela não é tão expressiva no que respeita à diminuição dos indicadores religiosos nos mais jovens. Mas, se fizermos segmentos em relação ao que conhecíamos no passado, observamos uma diminuição das mulheres – um indicador importante na transmissão e reprodução do religioso. 
Por outro lado, nessas sociedades, o fenómeno mais importante é o da explosão da diferença: em muitos casos, eram sociedades onde uma havia uma confissão com um peso muito forte – por exemplo, a Igreja Católica – e agora beneficiam de uma extraordinária explosão da diversificação religiosa. Portanto, o problema geracional não é o fenómeno mais importante. 

O que destacaria então?
– Para compreendermos hoje a religião, temos de fazer um jogo de escalas: quando observamos a religião a partir do telescópio, vemos uma imagem que pode esconder as dinâmicas de transformação. Nesse grande retrato, nessa leitura macro do fenómeno, cruzam-se duas coisas que não conseguimos distinguir muito bem: por um lado, uma continuidade, uma sobrevivência do que vem de trás, que em alguns casos tem ainda uma clara preponderância; por outro, zonas de transformação que, quando olhamos sob o ponto de vista macro-social, não têm ainda a expressão que lhes daria importância sociológica. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O final litânico de O Crux, a peça que deu um novo prémio a Alfredo Teixeira

O compositor português Alfredo Teixeira ficou em segundo lugar no concurso internacional “New Music for Easter Time” (Nova Música para o Tempo de Páscoa), que distingue peças corais para serem interpretadas durante a Semana Santa.
A peça premiada, O Crux, faz parte de uma colecção para coro a capella intitulada Hymnarium II, explicou o próprio Alfredo Teixeira ao sítio do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, que deu a notícia e onde se podem ler mais detalhes.
 “Como o concurso visava premiar duas obras que constituíssem reportório novo para concertos a realizar na Semana Santa, optei por trabalhar sobre textos litúrgicos, recompostos segundo uma arquitetura própria”, acrescentou.
A peça, cuja última página RELIGIONLINE aqui desvenda, por cortesia do autor, tem um final litânico, terminando com as palavras Venite adoremos, O Crux, ave, spes unica.


Ainda de acordo com o sítio do SNPC, a peça deverá agora ser gravada pela editora Edition Ferrimontana. A sua estreia, pelo The University of Philippines Singing Ambassadors, deverá ocorrer no prazo máximo de um ano. O concurso foi promovido pela associação Musica Ficta, de Rimini (Itália). 
Alfredo Teixeira, que é professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, diz que O Crux “recolhe um conjunto de fragmentos da liturgia romana (Antiphona, Via crucis; Antiphonae hymni ‘Pange lingua’; Improperia; Antiphona ad detegendam Crucem; Hymnus ‘Vexilla Regis prodeunt’), reunindo-os num amplo políptico que se poderia descrever como uma meditação sobre a Cruz enquanto teodrama”.

“O idioma musical responde a essa dramática textual com microclimas diferentes, entre-mundos, num vaivém entre a memória da ‘música das catedrais’ e o lirismo de certos cantos tradicionais mediterrânicos criados para o tempo das festas pascais”, acrescenta.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Quinta-Feira Santa: O sangue de Jesus na voz de um ébrio, no meio da rua

Jesus’ blood never failed me yet. O sangue de Jesus ainda nunca me faltou. A frase, de um canto popular cristão em língua inglesa foi, um dia, captada no meio de uma rua por Gavin Bryars, na voz de alguém embriagado. Sobre a gravação, Bryars trabalhou uma orquestração, com variações e densidades que se vão avolumando. Numa das versões que depois gravou, Bryars juntou-lhe ainda a voz rouca e funda de Tom Waits.
A história, contada ao RELIGIONLINE por Alfredo Teixeira, compositor e director musical do Grupo Vocal Discantus, manifesta um “paradoxo interessante”: uma situação que tenderia a reflectir um certo humor acaba por falar do sangue de Cristo e da eucaristia num tom que mescla uma forma de contemplação mas que integra também o homem da rua.
A repetição do canto permite ler com facilidade a “metáfora” da transfiguração e da redenção para a qual remete a frase associada à música, diz ainda Alfredo Teixeira.
A seguir fica o vídeo com a versão mais extensa da música – uma longa meditação musical com pouco mais de uma hora. (Para quem quiser escutar uma versão mais curta, pode seguir este endereço)





quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Debate em Lisboa: O Papa e o inquérito sobre a Família

Agenda 

Hoje, às 18h30, o CRC (Centro de Reflexão Cristã) promove, na sua sede, um debate acerca do tema O Papa Francisco e o inquérito sobre a Família. A iniciativa tem a participação de Alfredo Teixeira, professor na Universidade Católica, e da artista plástica Emília Nadal. A sede do CRC é na R. Castilho, 61 – 2.º Dir. e a entrada é livre. A propósito, foram recolhidas, através do blogue RELIGIONLINE, 76 respostas ao inquérito do Sínodo dos Bispos sobre a Família. As respostas começaram já a ser enviadas às instâncias competentes e brevemente se darão notícias mais pormenorizadas do tratamento feito e do conteúdo de algumas das respostas.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Melodias de Natal a encerrar as Noites de Luz em Belém


Agenda

O Menino Jesus numa Estória aos Quadradinhos, obra de Alfredo Teixeira que venceu recentemente o III Prémio Internacional de Composição Fernando Lopes Graçaserá uma das peças que podem ser escutadas este domingo à tarde pelo Coro Infanto-Juvenil da Universidade de Lisboa (CIUL) no Palácio de Belém, em Lisboa.
O concerto, a partir das 18h na Sala das Bicas, marca o último dia das Noites de Luz no Palácio de Belém, uma iniciativa do Museu da Presidência da República. O concerto incluirá ainda peças de Eurico Carrapatoso, Fernando Lopes Graça, Benjamin Britten e George Gershwin, além de melodias tradicionais de Natal.
O Menino Jesus numa Estória aos Quadradinhos tem por base o poema “Hino de Amor”, de João de Deus (1830-1896). “O poema de João de Deus transcreve o maravilhoso cristão numa cena bucólica do quotidiano do Deus Menino”, escreve o compositor, que coloca em diálogo as raízes populares do imaginário cultural e religioso português com a linguagem musical mais erudita.

“À frugalidade descritiva da infância de Jesus nos Evangelhos canónicos cristãos, respondeu o imaginário popular com a efabulação miniatural da história sagrada. João de Deus recolhe, neste poema, toda essa plasticidade”, acrescenta Alfredo Teixeira que diz ter lido o poema de João de Deus como se se  tratasse de uma banda desenhada, à qual associou “a memória fílmica das animações clássicas de Walt Disney”.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Músicas que falam com Deus (21) - para o tempo de Natal#7 - O Menino Jesus, de João de Deus e Alfredo Teixeira, vence o Prémio Lopes Graça

A peça “O Menino Jesus numa estória aos quadradinhos”, composta por Alfredo Teixeira, com base no poema “Hino de Amor”, de João de Deus (1830-1896), acabou de vencer o III Prémio Internacional de Composição Fernando Lopes Graça. “O poema de João de Deus transcreve o maravilhoso cristão numa cena bucólica do quotidiano do Deus Menino”, escreve o compositor.
O trabalho musical de Alfredo Teixeira tem sido objecto de vários reconhecimentos públicos – dos quais este prémio é mais um. O seu trajecto original na música portuguesa contemporânea procura, entre outras coisas, ir ao encontro das raízes populares do imaginário cultural e religioso português, num profícuo diálogo criativo.
“À frugalidade descritiva da infância de Jesus nos Evangelhos canónicos cristãos, respondeu o imaginário popular com a efabulação miniatural da história sagrada. João de Deus recolhe, neste poema, toda essa plasticidade”, acrescenta Alfredo Teixeira, num texto que pode ser lido na íntegra no blogue do Grupo Vocal Discantusque é dirigido pelo compositor.
Alfredo Teixeira diz que leu o poema de João de Deus como se se tratasse de uma banda desenhada, à qual associou “a memória fílmica das animações clássicas de Walt Disney”.
O prémio será entregue dia 17 de Dezembro, em lugar ainda a indicar. Na mesma ocasião, a peça “O Menino Jesus...” poderá também ser ouvida pela primeira vez.
Algumas composições de Alfredo Teixeira podem ser escutadas aqui.
Uma outra peça, neste caso um canto de Natal executado pelo Discantus, pode ser ouvida aqui.


domingo, 10 de março de 2013

O último Papa?


Crónica

No Público online, Alfredo Teixeira escreveu uma interessante crónica sobre a tríplice questão da universalidade, autoridade e norma no exercício do papado, e do modo como a história pessoal de cada eleito se cruza com esses factores: 

De facto, este é o título (sem a interrogação) de um ensaio escrito pelo politólogo Patrick Michel, e publicado pela editora Albin Michel em 1995, numa obra coletiva intitulada Já nem todos os caminhos levam a Roma. O autor vaticinava que João Paulo II seria o último Papa a ter condições sociais para o exercício das suas funções a partir da tríplice ficção da universalidade, da autoridade e da norma. Nesta leitura, o pontificado de João Paulo II representava a última tentativa de uma autoridade falar em nome de uma verdade válida para todos.
Na véspera do início do conclave que elegerá o novo Papa, esta é uma reflexão que vale a pena continuar a ler aqui.

(foto: Filippo Monteforte/AFP, reproduzida daqui)