Mostrar mensagens com a etiqueta Arménia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arménia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Uma celebração ininterrupta há 46 dias para salvar a família Tamrazyan

Texto de Maria Wilton


Haryarpi, Seyran e Warduhi, filhos do casal Tamrazyane, 
num dos momentos do culto ininterrupto na Igreja Bethel, em Haia 
(Foto reproduzida daqui)

Uma igreja protestante em Haia, na Holanda, está a fazer celebrações religiosas contínuas desde 26 de outubro, às 13h30. Devido a uma lei do país, pouco conhecida, a polícia não pode interromper qualquer cerimónia religiosa para fazer detenções dentro do templo. É por isso que, nos últimos 46 dias, oficiais de imigração não têm podido entrar dentro da Igreja Bethel para deter os cinco arménios da família Tamrazyan, que lá se encontram desde então.
Os refugiados fugiram para lá, de modo a escapar a uma ordem de deportação. Para os proteger, mais de 550 líderes religiosos, leigos cristãos e outros responsáveis têm rodado em permanência. O que começou em outubro, como uma medida de emergência tomada por um pequeno grupo de pastores locais, é agora um movimento muito alargado, que atrai pessoas de diferentes confissões para a pequena igreja protestante.
O plano para evitar a ordem de deportação foi concebido em segredo, para que a família não fosse posta em perigo, contou o pastor Axel Wicke, da Igreja Bethel a um canal de televisão norte-americano: “Eu tinha copiado e colado [os guiões d]as liturgias dos últimos 10 anos num documento enorme, e nós simplesmente cantámos e rezámos a partir daí, até encontrarmos outros pastores que assumiram o controlo”, explicou. Apesar de a polícia não estar no exterior, a igreja está a ser monitorizada mais intensamente do que o habitual, garantiu.
A cerimónia tem contado também com apoiantes da comunidade para assistir ao culto ininterrupto e ajudar com comida. A igreja diz que 3500 visitantes de todo o país vieram já apoiar esta causa e que nem todos são religiosos.
Ao jornal The New York Times, Florine Kuethe, uma consultora de relações públicas, contou: “Não sou religiosa mas, quando ouvi acerca disto, disse ao meu marido: ‘Não fiques chocado mas eu quero ir à igreja.’”
Num país cada vez mais secular (que, segundo o Pew Research Center em 2017, contava com 48% de pessoas não religiosas), Florine diz que, para ela, são estas iniciativas que tornam as igrejas relevantes outra vez. 
Já para Rosaliene Israel, secretária geral da Igreja Protestante de Amsterdão, esta é uma maneira de voltar a sentir que o que que faz é relevante: “Como igrejas na Europa ocidental, andamos a debater-nos, pois estamos cada vez mais nas margens da sociedade. E como líderes da Igreja, sentimos isto.”
A história da família Tamrazyan começou há nove anos, quando o casal e os três filhos fugiram da Arménia para a Holanda. Sasun Tamrazyane a sua mulher, Anousche, enfrentavam ameaças de morte no seu país, devido ao ativismo político de Sasun.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

ARt MENIA, um filme sobre como os arménios quiseram salvar as suas vidas e os seus livros

Agenda - Filme

Conta-se que quando Tamerlão chegou à região do mosteiro de Goshavank, na Arménia, exigiu que os habitantes lhe dessem todo o ouro que tinham. “Podes matar-nos”, responderam, “mas não terás o nosso ouro”. Furioso, Tamerlão mandou incendiar a biblioteca do mosteiro. Quando viram as chamas a chegar perto dos livros, os arménios correram a levar-lhe todo o ouro e as joias que tinham. Não se sabe se isto é verdade ou lenda, mas sabe-se que, no Museu dos Manuscritos Medievais em Yerevan, há um livro enorme que, em 1915, foi retirado de um mosteiro, partido ao meio e carregado por duas mulheres que fugiam para salvar a própria vida.
Estas são histórias contadas em ARt MENIA, um filme de Helena Araújo e Ricardo Espírito Santo, que será apresentado na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, no próximo dia 14, às 21h (com entrada livre). 
Diz a sinopse, de onde também foi retirada a história inicial, que este documentário sobre a Arménia e os arménios faz uma viagem transversal da História às dificuldades do presente. A riqueza cultural dos arménios, a sua capacidade de resistência e as histórias que permitiram a este povo sobreviver, sem perder a identidade, a milénios de ocupações, guerras e massacres, são também contadas neste documentário que, um século depois do genocídio arménio, interpela também o nosso tempo. É um filme “sobre resiliência, coexistência e esperança”, diz o texto de apresentação, e sobre “a força vital e revitalizante da cultura e da História, sobre a responsabilidade de cada pessoa na vida e na construção do país”.
As imagens foram recolhidas, durante mais de dois anos, na Arménia, no enclave de Nagorno-Karabakh, em Berlim e em Portugal, e incluem depoimentos de cidadãos de diversos países, línguas e níveis sociais. O resultado final é um mosaico que, para além de espelhar o povo arménio, relembra “questões nucleares e urgentes do nosso tempo: a coexistência de várias culturas e religiões, e o trabalho de confronto com a História. 
A apresentação do filme decorre no âmbito da Semana da Cultura Arménia, que prevê também concertos (entre os quais O Espírito da Arménia, de Jordi Savall ), exposições e actividades diversas.
Fica a seguir um clip do filme.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Músicas que falam com Deus (16) - A Arménia, em várias homenagens


Esta é uma música que nos devolve a memória do dilúvio e da reconciliação entre Deus e os homens. A Arménia é a antiga região montanhosa do Urartu, onde a arca de Noé encalhou, recorda-nos Jean-Pierre Mahé num dos textos que acompanham este disco. 

Mas é também uma obra de várias homenagens: à cultura arménia, uma das mais antigas civilizações cristãs do Oriente (e o primeiro Estado cristão do mundo, no início do século IV, quando o rei e o exército se fizeram baptizar); a um património musical único, onde se destacam instrumentos como o duduk e akamancha e músicos como Sayat Nova; que nos oferecem «sons do outro mundo» de uma «beleza e espiritualidade comoventes», como escreve Jordi Savall; a Montserrat Figueras, que tinha um grande fascínio por esta música e este património; e ao povo que «tanto sofreu na História» e que, apesar disso, «inspirou músicas cheias de amor e portadoras de paz e harmonia». 

É mais um disco de uma beleza ímpar, que Jordi Savall e o Hespèrion XXI nos oferecem, acompanhados desta vez por vários músicos arménios.

Título: Esprit d’Arménie
Intérprete: Jordi Savall, Hespèrion XXI e outros
Edição: Alia Vox; info: vgm@plurimega.com

(texto da edição de Além-Mar de Dezembro 2012)