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domingo, 29 de abril de 2012

"Identidades religiosas em Portugal": comentários de Anselmo Borges


Anselmo Borges comenta, na sua coluna semanal no DN, os resultados do inquérito sobre "Identidades religiosas em Portugal: identidades, valores e práticas - 2011", realizado pela Universidade Católica. Escreve ele, a dado ponto:
" (...)Como conclui o relatório assinado por Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religiões e Culturas, da UC, referindo-se à reconfiguração da pertença religiosa em Portugal, "pode observar-se um decréscimo relativo da população que se declara católica e um incremento da percentagem relativa às outras posições de pertença religiosa, com um particular destaque para o universo protestante (incluindo os evangélicos)". "Globalmente, o crescimento relativo dos sem religião em relação ao número de católicos é mais pronunciado do que o crescimento do número dos pertencentes a outras denominações religiosas. Isto é particularmente relevante no caso da categoria 'crentes sem religião'" (4,6%). O conjunto constituído pelos não crentes concentra-se na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Como escreveu Vasco Pulido Valente, a diminuição percentual dos católicos "não se pode tratar como uma catástrofe" (já a sua afirmação de que "o católico típico português, como se esperaria, é hoje uma mulher da província e de meia-idade, longe de qualquer cidade importante e sem educação escolar (ou sem quase educação escolar)" é uma caricatura apressada). De qualquer modo, dizer, como fez o porta-voz da CEP, que "o que é essencial é a qualidade e não a quantidade" pode ser uma resposta preguiçosa.
As explicações para a situação são múltiplas, e a Igreja não é a única responsável. Assim, não se pode esquecer a secularização da consciência nem o materialismo e o hedonismo da nossa cultura bem como a abertura maior do mercado religioso, também por causa da imigração. O sentido de mais autonomia, maior prosperidade e a escolarização poderão contribuir para a indiferença religiosa, o ateísmo e a crença sem pertença. Mas, por parte da Igreja, não poderá ignorar-se a influência negativa dos escândalos da pedofilia, a ostentação do Vaticano, a hierarquização, que não favorece a real participação dos fiéis e nomeadamente das mulheres, a quebra no dinamismo pastoral do clero, a inadaptação aos novos tempos, concretamente no domínio sexual, que conduz a fracturas face à doutrina oficial.(...)"
Ler o texto completo: "Menos católicos mais católicos?" (DN, 28.4.2012)

sábado, 2 de janeiro de 2010

O catolicismo em França 1952-2009

O jornal La Croix acaba de publicar os dados mais recentes sobre a prática religiosa dos católicos em França. A realização deste estudo há largos anos permite uma perspectiva temporal e evolutiva que é reveladora: a percentagem daqueles que se referenciam ao catolicismo passou neste cerca de meio século de três quartos para dois terços, enquanto que a prática da missa dominical passou, entre o início dos anos 60 e a actualidade de um quarto para menos de 5%.



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terça-feira, 19 de maio de 2009

Ser crente na Europa

Quando fala da Europa das religiões, Vebjörn Horsfjord evoca um “mosaico religioso”. “A diversidade surpreende-me mais do que as semelhanças”, sublinha o secretário-geral do Conselho Europeu de Responsáveis Religiosos. “É difícil estabelecer similitudes porque as situações contrastam muito entre si.” Ser crente na Europa, refere, pode significar ser ortodoxo numa Rússia em plena renovação religiosa, anglicano na Grã-Bretanha numa comunidade em declínio social, ou muçulmano nos Balcãs, onde as religiões devem reinventar uma nova arte de viver depois dos conflitos da década de 1990.

Vebjörn Horsfjord, pastor da Igreja Luterana da Finlândia, poderia realçar uma identidade herdade, cristã, numa Europa onde cerca de 80% dos europeus afirmam pertencer a esta tradição. No entanto ele prefere apontar a secularização e o pluralismo que marcam o continente, e convida a superar o sonho de unidade religiosa. “Na quase totalidade dos países europeus, as religiões hegemónicas ou dominantes não poderão voltar a agir como no passado, dado que elas deixaram de ser maioritárias”, afirma. Esta realidade está igualmente presente nos países do Leste, sob o efeito das migrações. “O diálogo inter-religioso será um desafio para os cristãos orientais, dado que eles não têm a experiência acumulada durante quarenta anos pelas Igrejas ocidentais”, prevê o responsável.

(A continuação do texto está aqui.)

domingo, 3 de maio de 2009

Mudar de religião - um estudo nos EUA

Por que motivos se deixa a fé da infância e se adere a outra confissão ou, simplesmente, se abandona qualquer religião? Em que fase da vida é que tal ocorre com mais frequência? Em que confissões religiosas se tem registado mais abandono ou adesão? Estas e outras perguntas constam de um estudo que a organização Pew Forum on Religion & Public Life acaba de publicar, intitulado Changes in Religious Affiliation in the U.S.
É conhecido que no país de Barack Obama a relação das pessoas e da sociedade em geral com a religião adquire características significativamente diversas daquelas que se observam entre nós. Como este fenómeno de uma percentagem relativamente elevada (quase 50 por cento) ter mudado, ao longo da vida, pelo menos uma vez de religião.
Uma leitura e contextualização deste estudo pode ser lida AQUI.