domingo, 17 de maio de 2015

Não é preciso ir à “Terra Santa”

Na sua crónica deste domingo, no Público, frei Bento Domingues escreve sobre o domingo da Ascensão, hoje celebrado pela liturgia católica, sob o título Não é preciso ir à “Terra Santa”:

Cumpriu-se a promessa: Recebereis a Força do Espírito Santo, que virá sobre vós. Sereis, então, minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra. Dito isto, elevou-se à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.
Cumpriu-se a promessa, em parte. A promessa não era colocar os discípulos pasmados a olhar para o céu: Jesus agora está com o Deus que está com todos em todo o mundo. Não adianta ir procurá-lo à Terra Santa, terra da violência sacralizada. 
O segredo da simbólica da Ascensão é o Pentecostes, uma Igreja de saída que o Papa Francisco veio acordar.
(O texto completo pode ser lido aqui)

sábado, 16 de maio de 2015

A Mãe Terra e a "ecomanidade", o Papa e a arcebispa, e ascender e “estender”

Crónicas

Na crónica de hoje, no DN, Anselmo Borges escreve sobre Mãe Terra e ecomanidade:

A humanidade continua dividida entre os que beneficiam dos recursos da natureza e da técnica (uns 20%) e os que estão à margem e abandonados (os outros 80%). Se quiséssemos universalizar o nível de consumo dos países ricos, precisaríamos de três Terras iguais àquela em que habitamos. Aproximamo-nos dos limites da Terra e forçá-la faz que ela reaja na forma de furacões, secas, inundações, tsunamis e todos os tipos de catástrofes, continua Boff. Num mundo limitado, não é possível um progresso ilimitado. Impõe-se reduzir o consumo e entrar na moderação partilhada. Claro que precisamos de desenvolvimento, mas ele tem de ser sustentado e sustentável, pensando também nos pobres e nas gerações futuras.
Precisamos de um novo macroparadigma, para lá do antropocentrismo devorador. No dizer de Bertrand Piccard, "é preciso tender para a "ecomanidade", que alia ecologia, economia e humanismo".
(texto completo aqui)


Na crónica de sexta-feira no CM, Fernando Calado Rodrigues escreve sobre O Papa e a arcebispa:

(...) Para outros, o Papa, ao acolher uma mulher ordenada, que apoia o casamento de pessoas do mesmo sexo na igreja, está a dar um sinal de abertura à admissão de mulheres ao sacramento da ordem e dos homossexuais ao sacramento do matrimónio, bem como à revisão da abordagem católica da família e da sexualidade. De facto, ele tem defendido a promoção da mulher na Igreja, que não passa necessariamente pela sua ordenação. E também tem apelado ao acolhimento das pessoas homossexuais, sem nunca pôr em causa o modelo heterossexual do matrimónio católico.
(texto completo aqui)


No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica deste Domingo da Ascensão (que se celebra amanhã, dia 17), Vítor Gonçalves escreve, na sua crónica À Procura da Palavra, sob o título Ascender e “estender”:

​Um dos lugares da Terra Santa que recordo com um sorriso é o daquela pequena capela que assinala a Ascensão de Jesus, num dos montes circundantes de Jerusalém, que tem uma cúpula com uma enorme abertura para o céu. “Pois”, dizia o guia com graça, “se assim não fosse, Jesus teria batido com a cabeça ao subir ao Céu”. E esta graça liga-se com uma realidade que me encanta, que a memória de alguns lisboetas ainda guarda, de a Igreja de São Domingos, após o incêndio de agosto de 1959, ter ficado um ano sem nenhuma espécie de telhado, celebrando-se a missa em pleno céu, sempre que o céu não mandava chuva! É certo que a ressurreição de Jesus inclui já a Ascensão e a vinda do Espírito Santo, e a festa deste dia significa uma espécie de “licenciatura” dos apóstolos (quer dizer, licença para evangelizar!) mas sinto nela um convite a “ir para os campos”, a banharmo-nos de sol, a apanhar as espigas e as papoilas, a saborear uma criação que é bênção!  

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sete dias para sete bahá'ís presos há sete anos no Irão



A Comunidade Bahá’í Internacional lançou nesta quinta-feira, dia 14, uma campanha internacional com o título Sete dias a recordar os sete líderes bahá’ís presos no Irão há sete anos, destinada a assinalar o sétimo aniversário da detenção e prisão de sete líderes iranianos da fé bahá’í.
Até dia 20, os bahá’ís de todo o mundo – incluindo a Comunidade Bahá’í de Portugal – pretendem deste modo sensibilizar para a prisão injusta dos sete líderes da comunidade iraniana. Em cada dia, é recordado especialmente um deles: Mahvash Sabet, Fariba Kamalabadi, Jamaloddin Khanjani, Afif Naeimi, Saeid Rezaie, Behrouz Tavakkoli e Vahid Tizfahm.
Membros de um grupo dissolvido pelas autoridades, conhecido como Yârân-e-Irão, ou Amigos do Irão, os sete crentes – recorda um comunicado da comunidade portuguesa – “permanecem presos, em condições duríssimas, em duas das prisões mais sinistras do Irão”.
O grupo, de acordo com a mesma fonte, actuava com o conhecimento explícito do Governo e dedicava-se a atender as necessidades espirituais e sociais dos 300 mil membros da Comunidade Bahá'í no país.
A detenção dos sete líderes ocorreu na madrugada de 14 de Maio de 2008. Seis deles foram presos durante várias operações policiais em Teerão. Mahvash Sabet teria sido detida dois meses antes, a 5 de Março.
O comunicado da Comunidade Baha’í de Portugal recorda a semelhança destas prisões com os acontecimentos de há 25 anos, quando os líderes bahá’ís iranianos foram “detidos, levados e executados” sem qualquer acusação ou julgamento. Há 25 anos, o acontecimento suscitou uma viva repulsa na comunidade internacional e entre as organizações de defesa de direitos humanos. Com estes sete líderes, tal como em 1990, não houve notícias do destino nem do paradeiro de qualquer um dos sete, nem de eventuais acusações que existiriam contra eles.
A Comunidade Bahá’í de Portugal acusa as autoridades iranianas de ter cometido várias violações do direito internacional, quer na detenção quer no julgamento, além de ter imposto uma “pena absurda” na sentença – ou seja, vinte anos de prisão.
O comunicado recorda ainda que Shirin Ebadi, fundadora do Centro de Defensores dos Direitos Humanos e Prémio Nobel da Paz, participou nas fases iniciais da defesa dos sete bahá'ís, mas estava fora do país na altura do julgamento. A 8 de Agosto de 2010, a activista de direitos humanos disse à BBC que estava “chocada” com a sentença. E acrescentou, no programa de língua persa da televisão britânica: “Eu li a página os documentos do caso, página a página, e não encontrei nada que provasse as alegações ou qualquer outro documento que possa provar as alegações da acusação.”

(aqui pode ler-se, em inglês, mais informação sobre o caso, bem como as biografias de cada um dos sete líderes bahá’ís presos e o dia em que cada um deles é recordado)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

1º de Maio, dia do consumidor

Crónica

Na crónica semanal que publica no Diário do Minho, Eduardo Jorge Madureira Lopes reflectia, dia 3 de Maio, sobre a questão do descanso semanal e sobre a simbólica associada aos feriados. Apesar de terem passado alguns dias, e porque o tema continuará no debate nacional nos próximos tempos, aqui fica o texto, que vale a pena ler:

Uma sociedade decente não dispensa a memória, não se esquece de honrar aqueles a quem deve as mais significativas conquistas civilizacionais. Foi muito útil que Acílio Estanqueiro Rocha tenha lembrado, aqui no Diário do Minho, a 1 de Maio, que, nesse dia, em 1886, nas ruas de Chicago, centenas de milhares de trabalhadores se revoltaram contra as condições desumanas de trabalho e lutaram para que diariamente se trabalhasse oito horas e não, como sucedia, catorze ou dezasseis. Essa luta e as que se seguiram foram violentamente reprimidas pelas forças policiais, mas valeram a pena. O heroísmo e a coragem dos trabalhadores, como Acílio Estanqueiro Rocha também recordou, levou o Senado americano a aprovar, em 1890, a redução da jornada de trabalho. Desde o final do século XIX, celebra-se a 1 de Maio o Dia do Trabalhador para homenagear os “mártires de Chicago”, pela sua luta em prol da dignificação do trabalho.
As campanhas de instigação ao consumo agendadas para o Dia do Trabalhador, iniciadas pelo Pingo Doce há três anos, humilham a memória dos que lutaram – sacrificando a vida, em tantos casos – para que cada pessoa pudesse ser bem mais importante do que o seu trabalho. O que o Pingo Doce vem dizer com as suas promoções do 1.º de Maio é que o consumo é mais importante do que o trabalho e que o trabalho é mais importante do que a pessoa. Poucas greves foram, por isso, simbolicamente tão importantes quanto a que foi feita no dia 1 de Maio por trabalhadores dos super e hipermercados.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Conferências de Maio 2015 – Cultura da beleza, do dom e da gratuidade

Agenda


Cultura da beleza, do dom e da gratuidade é o tema da segunda das Conferências de Maio deste ano, que decorre ao final da tarde de hoje, em Lisboa. Promovido pelo Centro de Reflexão Cristã (CRC), o ciclo de 2015 assinala os 40 anos da criação do CRC e tem como tema genérico Vaticano II e o futuro.
Hoje, o debate tem a participação da artista plástica Emília Nadal, do professor da Faculdade de Direito de Lisboa, Miguel Raimundo e do padre e poeta José Tolentino de Mendonça.
Na próxima semana, dia 20, às 18.30, o tema será Doutrina social da Igreja, inclusão e desenvolvimento, e terá o contributo da professora universitária Maria do Rosário Carneiro, do economista Tomás Virtuoso e do conselheiro de Estado e ex-presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Alfredo Bruto da Costa.
Dia 27, o tema será Diálogo inter-religioso enquanto caminho para a paz. Participam o presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d'Oliveira Martins, e os presidentes da comunidade israelita e islâmica, respectivamente José Oulman Carp e Abdool Vakil.
Os debates decorrem no Centro Nacional de Cultura (Largo do Picadeiro, Lisboa; metro: Chiado), sempre às 18h30.
Uma das intervenções do primeiro debate (sobre Homens e mulheres numa Igreja serva e pobre) pode já ser lida aqui.  Mais informações podem encontrar-se aqui

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Cem anos do irmão Roger, 75 anos de Taizé: a urgência do ecumenismo e da reconciliação


O irmão Roger com um grupo de crianças 
(foto reproduzida daqui)

Passam amanhã, dia 12 de Maio, 100 anos sobre a data de nascimento de Roger Schutz, fundador e primeiro prior de Taizé. Para assinalar a data, a comunidade promoveu ontem, domingo, uma celebração para a qual convidou as pessoas da região da Borgonha, em que Taizé se situa, como noticiou o jornal La Croix.
Amanhã, terça-feira, em Lisboa, uma oração com cânticos de Taizé assinala o dia do aniversário do irmão Roger. Na igreja do Convento de São Domingos, em Benfica (Rua João Freitas Branco, 12), a partir das 21h30, a iniciativa prevê ainda a recolha de bens alimentares não perecíveis, roupa ou donativos, que serão recolhidos pela Cáritas Diocesana, para acorrer a famílias e pessoas mais necessitadas.
Em comunhão com a comunidade de Taizé e milhares de outros jovens por todo o mundo, que esta semana se reunirão em encontros semelhantes, a oração evocará a memória do irmão Roger, em acção de graças pela sua vida. O calendário das celebrações em Portugal pode ver-se aqui.
Para a vigília de oração, a comunidade sugeriu mesmo um pequeno guião, que pode ser encontrado também aqui, no site de Taizé na internet.
Este ano de 2015 será vivido sob o signo da “nova solidariedade”, como etapa culminante de um processo de três anos, em que Taizé propôs uma reflexão que levasse a novas iniciativas nesse campo. Várias iniciativas assinalam em Taizé o centenário do irmão Roger, bem como os 75 anos da sua chegada a Taizé (Agosto de 1940) e os dez anos da morte (Agosto de 2005). Uma das ideias no campo da “nova solidariedade” foi a experiência das pequenas fraternidades provisórias – duas das quais estiveram no Porto e em Bragança, no Verão passado. Ou seja, um pequeno grupo de jovens ou jovens adultos que, durante cerca de um mês, partilham a vida de uma comunidade local e ajudam nas suas necessidades.
Em entrevista à revista espanhola Vida Nueva, o irmão Aloïs, actual prior de Taizé, diz a propósito: “Cristo introduziu uma nova solidariedade na humanidade. Deu a sua própria vida para reunir a todos os humanos numa única comunhão. Queremos tomar mais a sério esse dom de Cristo e ser coerentes com isso. O irmão Roger inspira-nos nesse tema da nova solidariedade. Para ele, a fé, a confiança em Deus, estava muito ligada à solidariedade com os demais. Era um apaixonado da ideia de sair ao encontro dos demais, especialmente de quem sofre.
O prior de Taizé acrescenta depois que “é urgente ir mais longe no ecumenismo”. E afirma: “Em Cristo já existe uma comunhão, já estamos unidos pelo baptismo; mas não lhe damos suficiente espaço. Por isso quiséramos fazer propostas concretas para ‘viver sob o mesmo tecto, como aqui, em Taizé.” E pergunta ainda: “Não seria possível que, nas nossas cidades, a catedral ou a igreja principal fosse o lugar onde todos os cristãos possam rezar juntos?”
(um excerto da entrevista pode ser lido aquia versão integral está acessível apenas a assinantes da versão digital da revista; memórias do irmão Roger e uma conversa sobre Taizé podem ser também escutadas numa entrevista, aqui, de Jaime Bacharel, irmão do único membro português da comunidade, o irmão David)

domingo, 10 de maio de 2015

Estruturar teologicamente o Papa; as cadeias e outros problemas – incluindo o amor

Crónicas

Na sua crónica de hoje no Público, frei Bento Domingues refere-se às declarações do prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, cardeal Gerhard Ludwig Müller, sobre a necessidade de dar “estruturação teológica” ao pontificado de Francisco. Sob o título Um prefeito nem sempre é perfeito, escreve:

Estamos numa situação delicada. Como vimos, Jesus não tinha nada de teólogo profissional, a sua profissão era outra. S. Francisco, ainda menos. João XXIII, convocando o Concílio e neutralizando a vigilância do cardeal Octaviano, do Santo Ofício, deixou o debate teológico à solta, decisão que nunca mais lhe será perdoada pelos vigilantes da ortodoxia. (...)
Chegou o Papa Francisco e soltou, de novo, a palavra na Igreja e manifestou, numa carta à Faculdade de Teologia de Buenos Aires, a vontade de que os teólogos profissionais cheirassem a povo, não ficassem isolados numa redoma. Há atrevimentos que se pagam caro.
A ambição do poder de dominar – também há poder de servir – é presunçosa e ridícula. Quem se julga o centro da Igreja, perde-se do Espírito de Cristo e pensa que só ele tem a chave da salvação. 
(O texto pode ser lido aqui na íntegra)


No DN de sábado, Anselmo Borges também se refere às mesmas declarações e acrescenta outros Problemas de e com Francisco:

Há pouco, Francisco pediu numa paróquia: "Rezai por mim, que estou já um pouco velho e doente, embora não demasiado." Neste cenário, o cardeal Walter Kasper mostra-se inquieto e pergunta: "Será o pontificado de Francisco apenas um breve interlúdio na história da Igreja?" Felizmente, o papa emérito continua indefectível com Francisco, disse o irmão, Georg Ratzinger. E o cardeal Maradiaga, que preside ao grupo dos nove cardeais assessores, afirmou: "Quem diz que estamos num barco à deriva sabe pouco de navegação e de Francisco."
(O texto pode ser lido aqui na íntegra)


No CM de sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escreve, a propósito do ano da misericórdia proclamado pelo Papa Francisco, sobre Os Papas e a cadeia:

O Ano da Misericórdia – que se iniciará a 8 de Dezembro e se concluirá no dia 20 de Novembro de 2016 – irá promover várias iniciativas que traduzam a “proximidade e atenção aos pobres, aos que sofrem, aos marginalizados e a todos aqueles que precisam de um sinal de ternura”. Estas foram as palavras do arcebispo Rino Fisichella na apresentação do calendário do Ano Santo, o qual prevê o “Jubileu dos Presos” a 6 de novembro de 2016.
O Papa Francisco quer que, se for possível, alguns reclusos venham à Praça de São Pedro. Não fará sentido celebrar a Misericórdia e esquecer um dos ambientes em que ela pode ser mais benéfica.
(O texto pode ser lido aqui na íntegra)


O comentário de Vítor Gonçalves aos textos bíblicos da liturgia católica deste domingo tem o título “Foi isso mesmo o que Ele disse…”. Aqui fica o texto:

Conta uma antiga tradição que, estando já velhinho o apóstolo São João (a tradição diz que foi o único que não morreu mártir) lhe vieram perguntar, mais uma vez, sobre o que dizia Jesus. Ao que teria respondido: “Meus filhinhos, Jesus dizia: “Amai-vos! Amai-vos uns aos outros!” E insistia, repetindo as palavras. Piedosamente alguém teria comentado baixinho: “Coitado. Já está senil e repete sempre a mesma coisa!” Mas os ouvidos do apóstolo ainda não estavam assim tão moucos e ele respondeu energicamente: “Mas foi isso mesmo o que Ele disse!”

sábado, 9 de maio de 2015

Com Franqueza... - Crónicas num tempo em mudança

    Livro



O novo livro de Joaquim Franco recupera 71 crónicas publicadas no site da SIC ou ditas no programa Princípio e Fim da RR. 
São textos que atravessam dez anos de mudanças e perplexidades na religião, no mundo, em Portugal. A Paulinas Editora inaugura, com esta obra, uma nova colecção intitulada Sinais de Fronteira, e explica que Com Franqueza... faculta “flashes (clarões) produzidos pelo especial olhar” de Joaquim Franco, “em alguns momentos da nossa História, mas também da sua riquíssima história de repórter e cronista reconhecido”.
O autor, jornalista da SIC, investigador do Clepul (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), da Universidade de Lisboa, e em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, analisa o tempo que passa e o mundo que fica, tendo como enquadramento a religião, o fenómeno religioso, as estruturas religiosas, nomeadamente a Igreja Católica, o mundo que se move pela religião e o outro que não entende a religião. As crónicas estão reunidas em seis capítulos: Igreja e Religião no tempo; Portugal; Religião e Desporto; Páscoa; Papa Ratzinger; Papa Bergoglio. 
Com Franqueza... foi apresentado em Lisboa no dia 4 de Maio, por Felisbela Lopes, da Universidade do Minho, António Sampaio da Nóvoa, ex-reitor da Universidade de Lisboa que assina o prefácio, António José Teixeira, director da SIC Noticias, e Ângela Roque, editora de Religião da Rádio Renascença (pode ver-se a gravação vídeo das intervenções clicando no respectivo nome).
Coube a Felisbela Lopes fazer a síntese da obra, que se transcreve a seguir:

É com todo o gosto que apresento o livro de Joaquim Franco. Porque é um livro especial, que interrompe a pressa com que nos habituamos a viver, fazendo-nos olhar devagar para periferias que nos vão estruturando como sociedade. Porque é escrito por um jornalista cujo trabalho aprecio imenso. Porque é sóbrio na postura e de grande densidade naquilo que faz.
Com Franqueza... a obra que aqui se apresenta é isso mesmo que o título evidencia. Um olhar límpido e despretensioso sobre várias realidades, com um foco particular no campo religioso, perspetivado com a distância de um jornalista que sabe do que fala. Se é para a reflexão que este texto nos interpela, convém que o autor seja rigoroso naquilo que escreve. Da primeira à última crónica, este princípio é cumprido. Percebemos sempre o que é da ordem do factual e o que pertence ao domínio impressivo do autor, havendo espaço para uma interpretação que é nossa, que é livre, que pode mesmo sair dos protocolos de leitura que uma crónica impõe.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Centenas de investigadores da lusofonia debatem Ciência das Religiões em Lisboa

Agenda


   Realiza-se de 9 a 13 de maio, em Lisboa, o 1ºCongresso Lusófono de Ciência das Religiões, apresentado pela organização como “um evento científico internacional de importância fundamental para a actualidade dos estudos das religiões e espiritualidades”.
   Este congresso decorre nas instalações da Universidade Lusófona, que vai dar espaço à dinâmica de investigação dos países que falam português e de outros departamentos universitários de países não lusófonos, mas que estudem as realidades religiosas dos espaços da lusofonia.
   Há cerca de trezentas comunicações programadas, tantas quantos os congressistas inscritos, do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, distribuídos por 28 simpósios temáticos, entre os quais: Secularização e Fenómeno religioso na construção da modernidade ocidental; Religião, Multiculturalismo e Direitos Humanos; O Corpo e a Religião; Laicidade, Liberdade Religiosa e Ensino Religioso; Currículo, Identidade Religiosa e Praxis Educativa; Das curas milagrosas das religiões e das práticas supersticiosas de cura; Catolicismo, tradição, modernidade; Diversidade Religiosa, Psicologia e Imaginário; Espiritualidades Contemporâneas, Pluralidade Religiosa e Diálogo; A Gnose Cristã: Estudo e problemas; Dinâmicas de Identificação e Transformação nas Religiões de Matrizes Africanas; Divindades e Rituais Religiosos na Amazónia Oriental. Do programa constam ainda mesas-redondas como Media, Política e Religião ou Laicidade, Laicismo e Intolerância Religiosa.
   A multiplicidade religiosa “veio dar nas últimas décadas novas dimensões ao estudo sobre o Fenómeno Religioso”, explica a organização, pelo que o “fenómeno na lusofonia inclui todo o globo terrestre para onde estas populações se deslocam, plena imagem do que é, de facto, a globalização com todas as suas redes, e desafios”.
   Paralelamente, os congressistas vão visitar locais de culto religioso, como a Sinagoga, a Mesquita Central, o Templo Sikh Sangat e o Templo Hindu Rhada Krishna, em Lisboa, ou o Santuário de Fátima, em Ourém.
   Os congressistas têm uma recepção na Câmara Municipal de Lisboa, dia 8, às 18h00. A abertura dos trabalhos é no dia 9, às 10h00, logo após a inauguração da exposição Terra Justa - Caminho das Causas, sobre grandes causas e valores da humanidade, que percorre todo o Campus universitário. Nessa noite, o Auditório Agostinho da Silva recebe um concerto musical multi-étnico e multi-religioso, com a participação de grupos musicais de várias tradições religiosas ou espirituais.
   No dia 11 é inaugurada no edifício U da Lusófona, a exposição Observar para a Liberdade, organizada pelo Observatório para a Liberdade Religiosa.
   O 1º Congresso Lusófono de Ciência das Religiões, cujo programa detalhado pode ver aqui, é uma iniciativa conjunta lançada pelos programas de pós-graduação da Universidade Lusófona de Lisboa, da Universidade Federal Juíz de Fora, da Universidade Estadual do Pará, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e da Universidade Presbiteriana Mackenzie no Brasil.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A religião no espaço público

Agenda


Uma das mais conceituadas investigadoras do fenómeno religioso na actualidade, a canadiana Lori G. Beamanda Universidade de Otava, é a conferencista principal do colóquio Religião no Espaço Público, que decorre quarta e quinta-feira, em Lisboa, no espaço do Centro de Estudos Sociais do Picoas Plaza.
A conferência de Beaman, de entrada livre, decorre a partir das 10h45, e será depois comentada por Jónatas Machado, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
O colóquio parte da verificação, conforme enunciado na apresentação da iniciativa, de que “as trajetórias recentes dos Estudos da Religião tornaram evidentes os riscos que se correm quando o fenómeno religioso é reduzido a uma narrativa única”.  
Com duas dezenas de comunicações (para a participação nos painéis há um custo de 10 euros associado à inscrição), o colóquio propõe que “as religiões e a religião, enquanto objeto científico, exigem hoje um olhar multiscópico, que permita o cruzamento de diversas escalas e supere as tendências para o seu isolamento ou marginalização no campo dos saberes”.
Mais informações podem ser lidas aqui, onde também se encontra a ficha de inscrição; o programa podem ser consultado aqui.

Mundo, machismo, inteligência e carreirismo

Crónicas

Na crónica deste domingo, no Público, frei Bento Domingues fala da tradição das festas do Espírito Santo. Sob o título Não vos conformeis com este mundo, escreve:

O recurso à entronização de uma criança-imperador, com todas as insígnias imperiais, assim como a partilha da mesma mesa, é uma subversão política, económica e social. Pode alimentar o desejo de um mundo às avessas do actual, mas ao acontecer uma vez por ano, em versão folclórica, pode reforçar o conformismo.
Prefiro, por isso, o carácter imperativo da posição de S. Paulo sobre o Espírito Santo, pois é este mundo que geme e sofre a dores de parto até ao presente, que é preciso transformar: Não vos conformeis com este mundo. 
(texto integral disponível aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges escreve, a propósito do Dia da Mãe, e sob o título “Não ao machismo”, diz Francisco:

Falta a abertura ao sacerdócio ordenado, a que nem a Bíblia nem o dogma se opõem. Karl Rahner, talvez o maior teólogo católico do século XX, escreveu: “A prática da Igreja católica de não ordenar mulheres para o sacerdócio não tem nenhum conteúdo teológico obrigatório. A prática actual não é um dogma.” Foi seguido pelo cardeal Karl Lehmann, durante muito tempo presidente da Conferência Episcopal Alemã, e pelo cardeal José Policarpo, entre outros. O cardeal Carlo Martini visitou em 1990 o então arcebispo de Cantuária, George Carey, dizendo-lhe que a sua abertura ao sacerdócio feminino poderia ajudar os católicos a serem “mais justos com as mulheres”; por esse motivo e outros, “os homens da Igreja têm DE pedir perdão às mulheres”. Uma questão de direitos humanos.
(texto integral disponível aqui)


No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, Vítor Gonçalves escreve, com o título Inteligência com coração:

A imagem da união da videira e dos ramos que Jesus conta no Evangelho deste Domingo serve para entender a ausência de frutos nos ramos, onde não corre a seiva do Ressuscitado. Não basta parecer estar unido a Cristo porque se têm os sacramentos todos, como não basta ter um uniforme para pertencer a um grupo, ou ter uma cabeça sobre os ombros para ser uma pessoa (pode apenas servir para pôr o chapéu). Se a vida de Cristo não passa pela nossa vida, e pela verdadeira coerência de pensamentos e actos, tudo o que é religioso transforma-se em folclore, e a naturalidade de uma relação viva torna-se artificial. 
(texto integral disponível aqui)


Sexta-feira, no CM, também a propósito do texto do evangelho sobre O “Bom Pastor” e das perseguições a cristãos, escreveu Fernando Calado Rodrigues:

Provavelmente, nesses contextos de perseguição são menos os que aspiram a ser bispo, tendo em conta os riscos para a própria vida que esse encargo significa, e mais os que assumem essa missão com entrega e dedicação às comunidades cristãs, que são chamados a santificar, ensinar e governar. Nessas circunstâncias, serão, certamente, em menor número os “trepadores” e “carreiristas” que o Papa tem denunciado por diversas vezes.
(texto integral disponível aqui)