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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Uma campanha mundial contra o escândalo da fome



Uma onda de oração é lançada hoje, Dia Mundial dos Direitos Humanos, pela Caritas Internationalis contra a fome no mundo. É a primeira campanha internacional da instituição contra aquilo que o Papa Francisco classifica, numa mensagem vídeo disponível aqui de “escândalo mundial”: 1,3 mil milhões de pessoas que não têm de comer e às quais é necessário garantir o “acesso a uma alimentação adequada”.
A campanha “Uma só família humana, alimento para todos” congrega todas as 164 organizações Cáritas existentes nos 200 países do mundo e que pretende chamar a atenção de todas as pessoas, incluindo os governos e as Nações Unidas, para a importância da luta contra a fome.
A onda de oração decorre ao meio-dia de cada fuso horário, num acto simbólico para alertar para a necessidade de abrir as mentes e os corações para a urgência de garantir a afirmação o primeiro passo da afirmação do direito à alimentação, nos países onde isto não acontece. Uma medida que a Cáritas considera determinante para se alcançar o fim da fome no mundo.
Na mensagem gravada, o Papa diz que “o mundo não pode voltar o olhar para o lado e fingir que não vê os milhares de pessoas que sofrem por causa da fome”. O alimento disponível no mundo “seria suficiente para tirar a fome a todos”, acrescenta. E cita a parábola da multiplicação dos pães e dos peixes para afirmar que ela “ensina que quando há vontade, aquilo que temos não acaba; inclusivamente sobra e não se perde”.
A campanha, esclarece a Cáritas, tem três objectivos essenciais: sensibilizar a sociedade civil sobre o direito à alimentação; reduzir o número de pessoas que carecem de alimentos nutritivos e aumentar a participação dos pobres na tomada de decisão e nos processos destinados a mitigar a fome.
A mudança nos comportamentos individuais, de modo a evitar o desperdício de comida, é outro dos objectivos. Na sua mensagem, o Papa diz: “Esta campanha é também um convite a que tenhamos uma maior consciência sobre o que fazemos com a nossa comida, que por vezes desperdiçamos, ou sobre o não fazermos um bom uso dos recursos que estão à nossa disposição. É uma lembrança, para que deixemos de pensar que as nossas acções quotidianas não têm repercussões na vida daqueles que passam realmente fome, na primeira pessoa.”

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Desemprego, fome e crianças (e uma oração do Papa pelos que sofrem)

Hoje, no dia em que se soube que o desemprego atingiu novos máximos históricos em Portugal (e na Europa...) vale a pena ler o que dizia o cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, em Buenos Aires, Páscoa de 2002 (texto citado no livro Papa Francisco – Conversas com Jorge Bergoglio, ed. Paulinas):
“A história marcou a fogo no nosso povo o sentido da dignidade do trabalho e do trabalhador. Existe algo mais humilhante do que a condenação a não poder ganhar o pão? Existe forma pior de decretar a inutilidade e inexistência de um ser humano? Pode uma sociedade, que aceita tamanha iniquidade, escudando-se em considerações técnicas abstractas, ser caminho para a realização do ser humano?”

No próximo domingo, o Papa presidirá, no Vaticano (a partir das 16h de Lisboa) a um tempo de oração que pretende marcar o dia do Corpo de Deus (ontem). A iniciativa pretende fazer uma corrente de oração em todo o mundo, à mesma hora, tendo em atenção sobretudo aqueles que, “nos mais diversos locais do mundo, são vítimas da guerra, do tráfico de seres humanos, da droga e do trabalho escravo”. E também recordando o sofrimento das crianças, bem como “todos os que enfrentam situações de precariedade económica, principalmente os desempregados, os idosos, os imigrantes, os que não têm um lugar para viver, os presos e aqueles que caíram na marginalidade”.

Desta quinta-feira, vem a notícia da intervenção do observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, Francis Chullikat, considerando urgente a adopção de políticas que permitam combater a fome, que atinge “quase mil milhões de seres humanos” e apontando a falta de acesso á alimentação e à água como “um escândalo e uma crise não apenas humanitária, mas também “moral”. 

Hoje, a propósito do Dia Mundial da Criança que se assinala neste sábado, a Cáritas Europa pediu, em comunicado, que a União Europeia e os seus estados-membros dêem prioridade ao combate à pobreza em que vivem (ou arriscam viver) 25 milhões de crianças. Ou seja, uma em cada quatro crianças vive exposta a situações de pobreza. Aqui pode ler-se na íntegra o comunicado da federação europeia das Cáritas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Papa condena especulação no preço dos alimentos na abertura da cimeira da FAO

O Papa Bento XVI esteve esta manhã na cimeira da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), manifestando-se vigorosamente contra a "especulação" na produção de alimentos. Quando o pão quotidiano ainda é uma miragem para tantos milhões de pessoas, o Papa alertou para o risco de que a fome se torne "como algo estrutural, parte integrante da realidade sócio-política dos países mais débeis, objecto de resignada amargura, senão de indiferença".
A intervenção do Papa está resumida aqui e aqui. O texto integral do discurso de Bento XVI pode ser lido aqui (em espanhol; a alternativa é o italiano, também no sítio do Vaticano).

[Foto: © Maria Duarte Marujo]