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segunda-feira, 2 de junho de 2014

D. António Francisco: desemprego é um dos maiores problemas resultantes da crise



O novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, afirma, em entrevista ao Diário Económico e Antena 1, que o desemprego é um dos maiores problemas resultantes da crise em que o país está mergulhado. 
Afirma D. António: Encontro dificuldade, privação e alguma ansiedade em relação ao futuro é a ameaça do desemprego. O desemprego é um dos dramas maiores, sobretudo quando é demorado. Quando encontro famílias que depois de dois ou três anos batendo a tantas portas, com talentos, capacidades e até com experiência de trabalho já realizado, não encontram emprego, começa a desmoronar-se a esperança. O risco maior. As pessoas que não encontram emprego começam a viver uma certa desilusão, que para lá da ansiedade pode causar frustração. Isso é o maior perigo para a coesão social e para futuro das pessoas e para um ambiente sereno das famílias e, inclusivamente, para o desenvolvimento do país.
Na entrevista, D. António Francisco critica os erros na distribuição da austeridade, que considera ter recaído essencialmente sobre os mais frágeisE acrescenta ainda que a intervenção dos cristãos na política deve espelhar a autenticidade e os valores cristãos.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

A degradação das relações laborais põe em causa o modelo de economia e de sociedade em que vivemos"

25 de Abril de 1974



      O Grupo Economia e Sociedade divulgou há dias no seu blog A Areia dos Dias uma tomada de posição intitulada "Por uma economia justa e inclusiva ao serviço da Vida", que vale a pena ler, neste Dia do Trabalhador. O documento surge motivado por "preocupações éticas e de responsabilidade cívica pela construção de uma sociedade mais justa, mais inclusiva, mais solidária e onde o ser humano seja o primeiro sujeito de um desenvolvimento sustentável".
      Logo na parte inicial, os autores fazem notar:
     "A árvore reconhece-se pelos seus frutos e vemos que ela se encontra carregada de frutos de empobrecimento que se reflectem numa vida pior para as pessoas, na destruição ou alienação dos recursos materiais e no esvaziamento de capacidades que o país já deteve para dar resposta às suas necessidades essenciais e afirmar condições de competitividade numa situação de economia aberta. A crise está instalada e as suas causas mais próximas são de carácter financeiro".
    A tomada de posição debruça-se, depois, sobre "a matriz financeira da crise e o seu impacto em Portugal", "As desigualdades no gozo dos bens e no exercício do poder" e passa a analisar a situação e a apontar caminhos relativamente àquilo que entendem dever ser feito para promover o desenvolvimento e o bem-estar em diversos setores da vida pública.
      Sobre a situação laboral, o texto sublinha o seguinte:
     "Um dos factores mais relevantes para a dignificação da pessoa humana é o trabalho. A legislação que tem vindo a ser aprovada e aplicada retirou direitos aos trabalhadores e sobretudo tornou mais frágeis as relações de trabalho; destrói-se o seu valor, através do desemprego, da sua precariedade e das suas condições de remuneração. Há que rever a situação, sem esquecer a necessária conciliação entre vida pessoal, familiar e vida profissional, não se devendo adoptar como norma a instituição de horários de 40 horas semanais ou superiores.
      As situações de desemprego, tanto pela sua dimensão como pelas suas características, conduzem a condições de aviltamento pessoal dos que lhe estão sujeitos. É o caso dos jovens que depois de realizarem a sua formação não encontram emprego, têm de emigrar e não reúnem condições para formar família; a baixa da taxa de natalidade encontra aí uma das suas raízes principais. É, ainda, o caso dos que têm idade superior aos 40 anos, que são relegados, definitivamente, para uma situação de não empregabilidade sem que, simultaneamente, lhes seja dada a possibilidade de reforma, que lhes permitiria viver uma vida mais digna e não dependente. Depois de ter sido anunciado que a taxa de desemprego tinha baixado para cerca de 16% em fins de 2013, em Abril, o Eurostat vem anunciar uma nova subida para os 17,8%. O desemprego jovem atinge um nível ainda não alcançado anteriormente, de 42,5%. (...)
    A degradação, progressiva, das  relações laborais, constitui não somente uma ameaça para a população em idade activa mas põe claramente em causa o modelo de economia e de sociedade em que vivemos. A necessidade de todos possuírem um trabalho digno não pode dispensar um empenhamento activo de todos."

Ler o documento integral: AQUI

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Papa Francisco: "Onde não há trabalho falta a dignidade"

O discurso do Papa ao mundo do trabalho em Cagliari, Sardenha, neste domingo
(texto do improviso; o texto preparado, mas não lido, pode encontrar-se AQUI, por ora apenas em italiano).
Esta visita começa precisamente convosco, o mundo do trabalho.
Quero expressar a minha proximidade, especialmente perante a situação de sofrimento de tantos jovens sem trabalho...
Meu pai, ainda jovem, foi para a Argentina, cheio de entusiasmo para fazer as Américas. Surgiu a terrível crise e perdeu tudo. Senti na minha infância falar sobre esse tempo em minha casa, ouvi falar sobre esse sofrimento, que conheço bem.
Peço-vos coragem. E que esta não seja uma bonita palavra de circunstância. Não seja apenas o sorriso de um simpático funcionário da Igreja, que vem e vos pede coragem. Não, não é isso que eu quero.
Esta é a segunda cidade que visito na Itália : as duas são ilhas. Na primeira, vi o sofrimento de tantas pessoas que, arriscando a vida , buscam dignidade , pão e saúde. São os refugiados.
E eu vi a resposta daquela cidade que, sendo ilha, não quis isolar-se e recebe os refugiados, fa-los seus e dá um exemplo de acolhimento.
Aqui, encontro também sofrimento, que vos debilita e acaba por vos roubar a esperança. Sofrimento, a falta de trabalho, que leva (e desculpai-me se sou um pouco forte, mas é verdade) a sentir-se sem dignidade. Onde não há trabalho falta a dignidade.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Desemprego, fome e crianças (e uma oração do Papa pelos que sofrem)

Hoje, no dia em que se soube que o desemprego atingiu novos máximos históricos em Portugal (e na Europa...) vale a pena ler o que dizia o cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, em Buenos Aires, Páscoa de 2002 (texto citado no livro Papa Francisco – Conversas com Jorge Bergoglio, ed. Paulinas):
“A história marcou a fogo no nosso povo o sentido da dignidade do trabalho e do trabalhador. Existe algo mais humilhante do que a condenação a não poder ganhar o pão? Existe forma pior de decretar a inutilidade e inexistência de um ser humano? Pode uma sociedade, que aceita tamanha iniquidade, escudando-se em considerações técnicas abstractas, ser caminho para a realização do ser humano?”

No próximo domingo, o Papa presidirá, no Vaticano (a partir das 16h de Lisboa) a um tempo de oração que pretende marcar o dia do Corpo de Deus (ontem). A iniciativa pretende fazer uma corrente de oração em todo o mundo, à mesma hora, tendo em atenção sobretudo aqueles que, “nos mais diversos locais do mundo, são vítimas da guerra, do tráfico de seres humanos, da droga e do trabalho escravo”. E também recordando o sofrimento das crianças, bem como “todos os que enfrentam situações de precariedade económica, principalmente os desempregados, os idosos, os imigrantes, os que não têm um lugar para viver, os presos e aqueles que caíram na marginalidade”.

Desta quinta-feira, vem a notícia da intervenção do observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, Francis Chullikat, considerando urgente a adopção de políticas que permitam combater a fome, que atinge “quase mil milhões de seres humanos” e apontando a falta de acesso á alimentação e à água como “um escândalo e uma crise não apenas humanitária, mas também “moral”. 

Hoje, a propósito do Dia Mundial da Criança que se assinala neste sábado, a Cáritas Europa pediu, em comunicado, que a União Europeia e os seus estados-membros dêem prioridade ao combate à pobreza em que vivem (ou arriscam viver) 25 milhões de crianças. Ou seja, uma em cada quatro crianças vive exposta a situações de pobreza. Aqui pode ler-se na íntegra o comunicado da federação europeia das Cáritas.