sábado, 26 de março de 2016

Farricocos, espiritualidade, tradição e património


Foto Gonçalo Delgado/Global Imagens, reproduzida daqui

Um misto de cultura, tradição, religiosidade popular, espiritualidade e gastronomia é o que traduzem as cerimónias da Semana Santa de Braga, que decorrem até este Domingo de Páscoa.
Os rituais provêm das peregrinações que, a partir do século IV, os cristãos faziam a Jerusalém. Mas será só a partir do século XVI, com a criação das irmandades da Misericórdia e de Santa Cruz, que se organizam as procissões da Semana Santa.
Entre “farricocos”, penitentes, matracas, turistas e peregrinos, as cerimónias incluem as procissões dos Passos, da Senhora da Burrinha, do Ecce Homo e do Enterro do Senhor. Uma tradição que a comissão das solenidades prepara para candidatar a Património Imaterial da Humanidade.
Manuel Vilas Boas fez, na TSF, uma reportagem sobre a Semana Santa de Braga, que pode ser ouvida aqui.


Texto anterior no blogue
Lavar os pés, comer juntos e despertar um fogo - os símbolos das liturgias de Páscoa

sexta-feira, 25 de março de 2016

Lavar os pés, comer juntos e despertar um fogo


Ilustração: Bernadette Lopez, Berna, 
O lava-pés (5), reproduzida daqui

O Papa Francisco disse, quinta-feira à tarde, que o tráfico de armas é uma das razões dos atentados terroristas. Foi na celebração da Última Ceia de Jesus, durante a qual cumpriu o rito do lava-pés, um dos símbolos da Páscoa. Este texto fala desse símbolo, da refeição, da cruz e do fogo. Foi publicado na edição de hoje do Diário de Notícias:

O Papa Francisco celebrou ontem a liturgia do lava-pés, com um grupo de refugiados de vários países e religiões, incluindo muçulmanos e hindus. “Todos irmãos, filhos do mesmo Deus, que queremos viver em paz”, disse o Papa.
No final da cerimónia, no centro de acolhimento de Castelnuovo di Porto, 30 quilómetros a norte de Roma, vários cristãos coptas começaram a cantar. “É belo viver juntos, como irmãos, com culturas, religiões e tradições diferentes. Mas somos todos irmãos e isto tem um nome: paz e amor. Obrigado”, disse Francisco, antes de passar por todas as filas a saudar os refugiados, um por um, os quase 900 refugiados (incluindo 554 muçulmanos), de 26 nacionalidades.
Na homilia, o Papa referiu os atentados de Bruxelas: por trás do terroristas, estão também “os que fabricam e traficam armas”, que “querem a guerra”, disse. “Pobres daqueles que compram armas para destruir a fraternidade.”
Francisco ajoelhou depois perante oito homens e quatro mulheres: uma funcionária do centro, quatro nigerianos católicos, três ortodoxas da Eritreia, um hindu e três muçulmanos da Síria, Paquistão e Mali, regista a agência Ecclesia.
“Os gestos falam mais do que as imagens e do que as palavras”, disse, referindo depois o significado do lava-pés, um dos símbolos mais importantes das liturgias dos quatro dias de Páscoa: “Todos nós estaremos a fazer o gesto da fraternidade e dizemos todos que somos diferentes, distintos, com culturas e religiões diferentes, mas somos irmãos e queremos viver em paz.”

quinta-feira, 24 de março de 2016

Condenar os “actos de horror”


Foto: Lusa, reproduzida daqui

Perguntava-se, no texto anterior neste blogue, a propósito de um debate em Lisboa, se Deus estaria de volta de forma violenta...
O Papa Francisco voltou a pedir, nesta quarta-feira, uma “condenação unânime” dos actos de “horror” vividos em Bruxelas na terça depois de, na própria manhã dos atentados ter recusado a “violência cega” que provocou dezenas de mortos.
O cardeal-patriarca de Lisboa pediu também, num curto depoimento gravado em vídeo que a Europa mantenha viva a herança dos direitos humanos e de respeito pelas leis. E apelou a que não se confundam os grupos radicalizados, “que não devem ser confundidos com populações, etnias ou religiões”.  
Também as duas estruturas europeias de bispos – a Comece, que representa os episcopados dos países dos 28 países da União Europeia – e a CCEE, que abrange todos os episcopados da Europa, condenaram os atentados.
Também a Conferência das Igrejas Europeias  manifestou a mesma posição, com um texto divulgado na própria terça-feira:

Esta manhã, em Bruxelas, as horas de ponta e os voos da manhã foram violentamente interrompidos por múltiplos ataques terroristas. (...) A Conferência das Igrejas Europeias (CEC) lamenta esta perda de vidas e perturbação da paz. Condenamos os violentos ataques e apelamos a respostas pacíficas nas próximas horas e dias. Oramos por aqueles que perderam as suas vidas, as suas famílias e comunidades e pelas pessoas que colocam em risco a sua própria segurança ao ajudarem os outros.

“Nesta época de Semana Santa e Páscoa, lamentamos estas explosões de violência”, referiu o secretário-geral da CEC, Heikki Huttunen. (...) “Temos de encontrar novamente o nosso caminho, e devemos todos contribuir para a criação de sociedades nas quais todos se sintam seguros e parceiros no bem comum.”

quarta-feira, 9 de março de 2016

Deus está de volta? E será esse um regresso violento?

Agenda

Uma mesa redonda com o título Deus está de volta? Uma política pós-secular na Europa e no mundo terá lugar esta quinta-feira, na Universidade Nova de Lisboa (UNL). O debate decorre no âmbito do 8º Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política, que se realiza na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da UNL. 
O debate procurará aprofundar o regresso do factor religioso à política contemporânea em várias perspectivas. Nele participam os professores Michael Minkenberg (Viadrina, Alemanha), Paulo Fontes (Universidade Católica Portuguesa), Madalena Meyer Resende (FCSH-UNL), Bruno Cardoso Reis (Instituto de Ciências Sociais-Universidade de Lisboa) e Helena Vilaça (Universidade do Porto).
Michael Minkenberg é professor de política comparada da Universidade Europeia Viadrina, em Frankfurt-Oder (Alemanha), e especialista de renome sobre a relação entre as Igrejas e os Estados na Europa. Entre os seus temas de investigação, estão o modo como as políticas relativas ao aborto têm sido formuladas nas democracias ocidentais, as políticas de família, e a relação entre cristianismo, islão e democracia liberal.
  A iniciativa decorre amanhã, dia 10 de Março, das 11h às 13h, no edifício ID da FCSH-UNL (Av. de Berna, 26-C), em Lisboa e aqui podem encontrar-se informações suplementares.

Já esta quarta-feira, na Fundação Gulbenkian, decorre um outro debate sobre Violência religiosa e violência com nome de religião, que colocará em diálogo representantes de diferentes tradições religiosas, cientistas sociais e pensadores. 
No debate, que decorre a partir das 18h na Fundação Gulbenkian, participam Abel Pego (pastor da Igreja Evangélica Baptista de Cedofeita, Porto), António Matos Ferreira (professor universitário católico), Esther Mucznik (vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa), David Munir (imã da Mesquita de Lisboa) e Ludwig Krippahl (membro da Associação Ateísta Portuguesa). Boaventura de Sousa Santos, director do centro de Estudos Sociais (CES), comentará o debate.

Mas informações sobre esta iniciativa, organizada pelo Policredos/CES, podem ler-se aqui.


domingo, 6 de março de 2016

Pais e filhos, histórias subversivas, eutanásia, Spotlight e dinheiro sujo

Crónicas

No seu comentário aos textos bíblicos da liturgia católica deste Domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título Do Pai aos irmãos:

Não sabemos se o pai da parábola que Lucas nos narra era um bom educador. Mas sabemos que amava os seus filhos. Que pouco lhe interessavam os bens e as propriedades, a fama ou as honrarias, e tudo seria capaz de sacrificar por causa deles. Com que dor aceitou ser “morto” pelo filho mais novo quando lhe deu a parte da herança reclamada? Com que esperança suspirou pelo seu regresso? Com que alegria saiu ao seu encontro e deu início à festa? Com que dor descobriu a dureza de coração do filho mais velho? Com que humildade veio insistir com ele para acolher o irmão? Quem imagina Deus sentado no seu trono celeste a “ver o mundo passar” bem pode mudar de ideias, sob o risco de “inventar” um Deus que não é o Pai de Jesus Cristo!


Ilustração: Bernadette Lopez (Berna), 
reproduzida daqui. 

Na crónica de hoje, no Público, frei Bento Domingues toma também como pretexto a “parábola do filho pródigo”. Sob o título Um contador de histórias subversivas, escreve:

A parábola não ensina, dá que pensar. Liberta a imaginação. Não nos deixa acorrentados às religiões que herdámos. A fé cristã, ao proclamar, na Eucaristia dominical, a parábola do Filho Pródigo vem dizer: não estraguem o Domingo! É a festa das pessoas em processo de transformação. A Eucaristia - o Papa Francisco tem insistido muito neste ponto - não é um prémio, uma recompensa para os bem-comportados, segundo um código de moral convencional. É um convite para a festa, para a festa de Deus revelada nos gestos e nas palavras de Jesus.


Na crónica de ontem, no DN, Anselmo Borges escrevia sobre Os dois pais, a liberdade, Spotlight:

A Igreja Católica tem muitos e graves problemas para resolver, mas a questão da reconciliação sã com a sexualidade é fundamental. O título deste texto, aparentemente desconexo, tem um vínculo: o sexo. Se se dissesse claramente, sem receios, que Jesus é filho de José e de Maria, não haveria lugar para o cartaz. Também é sabido que a pedofilia não deriva necessariamente do celibato obrigatório. Mas a lei do celibato pode ser causa de sexualidades distorcidas. Porque é que a Igreja há-de impor como lei o que Jesus entregou à liberdade?

terça-feira, 1 de março de 2016

Religião e ética no espaço público; e políticas e doutrinas sociais

Agenda

Um debate sobre a religião e a ética no espaço público e político abre amanhã, dia 2, o ciclo de conferências da pós-graduação sobre Religiões, Políticas e Doutrinas Sociais, organizada pelo departamento de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, em Lisboa.
Participam no debate o franciscano capuchinho Fernando Ventura, o constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia, a jornalista Graça Franco e o autarca e ex-deputado Bernardino Soares. A iniciativa decorre a partir das 18h, nas instalações da Universidade (Campo Grande, 376).
A iniciativa é aberta ao público e marca o arranque do ciclo de conferências e debates da Pós-graduaçãoReligiões, Políticas e Doutrinas Sociais, organizada pelo departamento de Ciência das Religiões da ULHT.  
Esta conferência é a primeira iniciativa organizada no âmbito da nova pós-gradução em Religiões, Políticas e Doutrinas sociais, que inclui cinco módulos: Ética e Política em contexto bíblico; Doutrina Social da Igreja Católica; Ética e Política em contexto islâmico; Modernidade e intervenção social em contexto religioso; Políticas Sociais e Intervenção religiosa: pontos de contacto.
Mais informação sobre o curso, incluindo a lista dos oradores convidados, pode ser encontrada aqui.

Texto anterior no blogue
O risco de salvar, a voz e a escuta - Crónicas de Vítor Gonçalves