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quinta-feira, 2 de junho de 2016

A Alegria do Amor: sobre o amor na família

Texto de Ana Cordovil e Jorge Wemans

(no final do artigo, indicam-se as ligações para várias crónicas sobre o mesmo documento, escritas por frei Bento Domingues e pelos padres Anselmo Borges, Fernando Calado Rodrigues e Paulo Terroso)


(foto © BillionPhotos.com/Fotolia; reproduzida daqui) 


Falemos então do Amor.

Desse Amor que Jesus anunciou como mensagem maior da Vida.
E falemos da Alegria que todos os homens e mulheres experimentam nas suas relações amorosas. De modo muito concreto lembremos tantos rostos que de formas tão diversas e surpreendentes nos ajudam a dizer a Alegria do Amor!
Cabe-nos agradecer, com respeito e emoção, a coragem de muitos e muitas que enfrentam dificuldades sem sentido na construção do Amor que querem viver, na família que querem construir. São estes rostos de coragem que queremos ter, hoje, presentes!

No meu coração, estes rostos têm naturalmente nomes e histórias que desejava partilhar convosco, mas penso não ter esse direito.

Somos um casal que nos demos mutuamente o matrimónio há quase 40 anos e que continuamos a viver um com o outro. Não nos sentimos em nada melhor que outros que percorreram caminhos diferentes, ou que devamos ser vistos como exemplo. Até nos envergonha a possibilidade de olharem para nós como modelo…
Claro que toda a vida – todas as vidas – é fonte de inspiração, por negação ou simpatia, para outros. Devemos inspiração, companhia e apoio a muitos casais que vivem segundo as “regras” da Igreja para a união entre duas pessoas que se amam. Mas, não menos inspiradores, estimulantes e presença viva de Jesus nas nossas vidas têm sido outros “casais” apontados como “irregulares”: mães solteiras, divorciados, gente perdida em processos de doenças diversas com filhos para cuidar, casais do mesmo sexo, casais apenas com união de facto ou vivendo mesmo em casas diferentes, recasados...
Na nossa vida de casal temos tido muitas incertezas no Amor que nos une, mas temos tido a sorte de encontrar força num Amor maior e generoso que se nos dá e nos guia. Esse Amor maior está em nós, naturalmente, mas fortalece-se com a Palavra, com a vida de todos os dias, com a vida comunitária e, como já referimos, cresce graças àqueles crentes e não crentes que nos têm acompanhado.
Entre estes estão também as famílias que nos precederam e as que se vão construindo hoje e nos surpreendem a cada dia como as dos nossos filhos, genros e netos, mas também um grande número de homens e mulheres que fazem das suas relações diversas de Amor testemunhos de Alegria.
Neste contexto, a exortação A Alegria do Amor é, por várias razões, um ótimo começo de conversa. Nela, o Papa Francisco tenta, de um modo sincero, franco e aberto, dar nome. Dar nome às coisas e às situações. E nomear é já um bom começo…
O texto nomeia homens e mulheres que querem viver o seu Amor com a Alegria do Evangelho e que são olhados como menores, ou pecadores. Como podemos nós fazer esse julgamento contra alguém que quer viver o Amor? O Deus que nos ilumina nas horas mais difíceis e com quem nos alegramos não é esse Deus julgador que se alimenta da verificação das regras cumpridas, ou por cumprir.

segunda-feira, 28 de março de 2016

A Uber da confissão, a Igreja e a tecnologia

Crónicas

A relação da instituição eclesiástica é o mote de duas crónicas recentes. A 17 de Março, no Igreja e Media, Paulo Terroso escrevia sobre Geoconfess, a Uber da confissão:

Tanguy Levesque, um católico francês de 40 anos e pai de seis filhos, criou uma aplicação verdadeiramente disruptiva: a GeoConfess. Uma aplicação que liga “os confessores com falta de penitentes, com os penitentes com falta de confessores”, assim se lê página da internet da plataforma. O funcionamento é simples. O sacerdote inscreve-se na plataforma indicando o local onde se encontra, os dias e horários em que está disponível para confessar. Informações que podem ser alteradas dependendo da deslocação e disponibilidade do confessor.
(Texto disponível aqui)


No dia 18, Fernando Calado Rodrigues falava sobre o mesmo tema, precisamente sob o título Igreja e tecnologia:

Uma outra transformação está também a verificar-se no que se passa pela Internet. Há bem pouco tempo falava-se de “realidade virtual”, de “comunidades virtuais” e até de “paróquias virtuais”. Cedo, porém, se começou a perceber que o que acontece na rede é cada vez menos virtual e é, cada vez mais, uma extensão da vida real – um espelho da realidade, até. Por isso, as comunidades virtuais converteram-se em redes sociais. E, tal como tudo na vida, o que acontece e se transmite on-line pode ter os seus efeitos positivos, mas pode igualmente ampliar e acentuar efeitos perversos. Compete também à Igreja aproveitar todas as potencialidades das ainda consideradas novas tecnologias e alertar para os seus perigos.
(Texto disponível aqui)


Texto anterior no blogue
Vida, esperança, paixão e o dia novo - Crónicas de Páscoa

domingo, 6 de março de 2016

Pais e filhos, histórias subversivas, eutanásia, Spotlight e dinheiro sujo

Crónicas

No seu comentário aos textos bíblicos da liturgia católica deste Domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título Do Pai aos irmãos:

Não sabemos se o pai da parábola que Lucas nos narra era um bom educador. Mas sabemos que amava os seus filhos. Que pouco lhe interessavam os bens e as propriedades, a fama ou as honrarias, e tudo seria capaz de sacrificar por causa deles. Com que dor aceitou ser “morto” pelo filho mais novo quando lhe deu a parte da herança reclamada? Com que esperança suspirou pelo seu regresso? Com que alegria saiu ao seu encontro e deu início à festa? Com que dor descobriu a dureza de coração do filho mais velho? Com que humildade veio insistir com ele para acolher o irmão? Quem imagina Deus sentado no seu trono celeste a “ver o mundo passar” bem pode mudar de ideias, sob o risco de “inventar” um Deus que não é o Pai de Jesus Cristo!


Ilustração: Bernadette Lopez (Berna), 
reproduzida daqui. 

Na crónica de hoje, no Público, frei Bento Domingues toma também como pretexto a “parábola do filho pródigo”. Sob o título Um contador de histórias subversivas, escreve:

A parábola não ensina, dá que pensar. Liberta a imaginação. Não nos deixa acorrentados às religiões que herdámos. A fé cristã, ao proclamar, na Eucaristia dominical, a parábola do Filho Pródigo vem dizer: não estraguem o Domingo! É a festa das pessoas em processo de transformação. A Eucaristia - o Papa Francisco tem insistido muito neste ponto - não é um prémio, uma recompensa para os bem-comportados, segundo um código de moral convencional. É um convite para a festa, para a festa de Deus revelada nos gestos e nas palavras de Jesus.


Na crónica de ontem, no DN, Anselmo Borges escrevia sobre Os dois pais, a liberdade, Spotlight:

A Igreja Católica tem muitos e graves problemas para resolver, mas a questão da reconciliação sã com a sexualidade é fundamental. O título deste texto, aparentemente desconexo, tem um vínculo: o sexo. Se se dissesse claramente, sem receios, que Jesus é filho de José e de Maria, não haveria lugar para o cartaz. Também é sabido que a pedofilia não deriva necessariamente do celibato obrigatório. Mas a lei do celibato pode ser causa de sexualidades distorcidas. Porque é que a Igreja há-de impor como lei o que Jesus entregou à liberdade?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Enigmas, misericórdia e política, e inseminação vocacional

Crónicas

Sábado passado, no DN, Anselmo Borges continuou a reflexão da semana anterior (publicada aqui) sobre O grande enigma:

Ao longo da história, os homens, face ao enigma do universo, acreditaram numa Presença divina pessoal e transcendente, invocável, da qual esperaram a libertação para além da morte. Essa crença foi universal e impunha-se como quase evidente até do ponto de vista social. O número de ateus confessos era reduzido. Foi a partir da modernidade que a ideia de Deus se tornou problemática e o ateísmo, face ao teísmo dogmático, se afirmou a si próprio também dogmaticamente, num frente-a-frente de dogmatismos.
(texto para continuar a ler aqui)


No Igreja Viva, suplemento do Diário do Minho, Paulo Terroso escrevia sobre Diplomacia: a misericórdia como processo político:

É inegável o interesse com que nestes últimos tempos a comunidade internacional segue o pontificado do papa Francisco e a actividade diplomática da Santa Sé. Aliás, nesta mesma coluna já tivemos a oportunidade de aflorar o modo como o papa tem vindo a liderar e a definir a agenda internacional, sobretudo a partir da encíclica Laudato Si’. A tal ponto que hoje para um político, independentemente do quadrante político em que se situa, o melhor argumento de autoridade é mesmo citar o papa. Ainda que a tentação de instrumentalizar as suas palavras seja grande.
(texto para continuar a ler aqui)


No CM de sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre Inseminação vocacional:

A diminuição das vocações, sobretudo no mundo ocidental, tem feito com que os critérios de admissão aos seminários e às casas de formação religiosa sejam menos rigorosos do que num passado recente, quando ainda havia candidatos em abundância. O Papa Francisco tem consciência que assim acontece. Num encontro com cinco mil consagrados, em Roma, no passado dia 1, denunciou que algumas congregações, devido à sua esterilidade vocacional, recorrem ao que chamou a “inseminação artificial”.
(texto na íntegra aqui)

Texto anterior no blogue
O “rating” do Evangelho, a cura e a cadeia - crónicas de Vítor Gonçalves, António Pedro Monteiro e frei Bento Domingues


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Unidade dos cristãos: ideias novas, experiências concretas e um casal ecuménico

A propósito da Semana pela Unidade dos Cristãos, que hoje termina, o padre Pablo Lima, de Viana do Castelo, propõe algumas ideias concretas. Num artigo com o título Um novo modelo de unidade, escreve:

Com certeza, ainda há muito por fazer, mesmo no campo prático e acessível a todos. Neste ano jubilar da misericórdia, a um ano de distância dos quinto centenário da Reforma, um uso pastoral inteligente do tema das “indulgências” não pode esquecer que foi essa questão prática a provocar o cisma de Ocidente… Uma nova sensibilidade teológica deveria evitar que, num jornal católico, se chame “calvinista” a um teólogo da Reforma, porque o termo é paralelo ao título “papista” aplicado aos católicos, ou ainda, anunciar uma celebração ecuménica com o título de “encontro inter-religioso”. E seria também oportuno que, sendo a comunhão sob as duas espécies aquela que é referida nos textos evangélicos e a forma privilegiada pela reforma litúrgica, se pudesse tornar normal que, em cada eucaristia, ao menos alguns fiéis junto com o presbítero, pudessem comungar sob as duas espécies, até conseguirmos o mesmo para a totalidade da assembleia celebrante.
(artigo completo para ler aqui)


Num outro texto, o padre Paulo Terroso, de Braga, escreve sobre Bose: onde a utopia da unidade dos cristãos é um lugar: 
“Sem nunca os ter procurado – assim se pode ler no página da internet da comunidade – mas fruto de um grande dom do Espírito, desde o princípio fazem parte da comunidade cristãos de várias confissões». Este dom do Espírito levou a comunidade a “fazer um compromisso para a Unidade de todos os cristãos na fidelidade à palavra de Cristo: ‘Que todos sejam um’ (Jo 17,21)”.
(texto completo aqui)



Na semana em que se celebra o diálogo e a oração ecuménica de modo mais efectivo, a Ecclesia registou, na rádio, o testemunho de Dina Rego, católica, e Alberto Teixeira, ortodoxo, que casaram em Julho de 1994, segundo o ritual ortodoxo, numa pequena capela à beira-Sado, em Setúbal.
Na celebração, Dina e Alberto tiveram amigos católicos, ortodoxos e protestantes. Duas décadas depois, dizem que é possível viver em casal diferentes realidades eclesiais: “Ou se ama a pessoa inteira ou não há outra maneira”, diz ela. “Para a Dina, talvez tenha sido mais difícil”, passando dos 45 minutos da missa católica para as quatro horas que por vezes duram as liturgias ortodoxas, acrescenta ele.
A entrevista pode ser ouvida aqui.


Também a Rádio Vaticano foi ao encontro da experiência de três jovens – uma italiana, uma irlandesa e uma alemã – que estão na paróquia do Bonfim (Porto), a viver uma fraternidade provisória durante um mês, proposta pela comunidade ecuménica de Taizé (França). A reportagem pode ser ouvida aqui.



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Papa vai à Suécia celebrar Lutero - uma comemoração dos 500 anos da Reforma protestante

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Violência no islão, alegrias e misericórdias

Crónicas

No DN de sábado passado, Anselmo Borges debruça-se sobre a questão da violência com justificação religiosa e fala também da questão da laicidade. Sob o título Allahu Akbar, escreve:

Mas a laicidade não é a mesma coisa que laicismo, que pretenderia remeter a religião para a privacidade, "para a sacristia", como costuma dizer-se, retirando-a, portanto, do espaço público. As religiões têm direito ao espaço público, não só para se manifestarem publicamente quanto ao culto, mas também para poderem pronunciar-se livremente nos debates sobre as grandes temáticas da sociedade: questões políticas, sociais, económicas, morais. A laicidade apenas garante que, ao contrário do que se passa nos Estados teocráticos, as leis não são automaticamente as da Igreja ou da religião, pois são votadas democraticamente no Parlamento.
(texto na íntegra aqui)


Acerca da questão d’A violência no Alcorão, escreveu também Faranaz Keshavjee na Visão online:

Sempre que os “jihadistas” resolvem atuar (e não uso o termo terrorismo de propósito, porque aí não falaria só de Islão), lá vem o mundo muçulmano em massa dizer que não vale a pena “colocarem-nos a todos no mesmo pacote”, porque o islão deles não é o nosso, ou que aquilo que fazem não é sequer “islão”. O problema é que, qualquer que seja a justificação que se apresente, a lógica religioso-belicista destes grupos é baseada em leituras de versículos do alcorão que estão escritos e traduzidos e que apelam à guerra, à violência e morte aos infiéis.
(texto na íntegra aqui)


Domingo, no Público, frei Bento Domingues intitulou a sua crónica A alegria não pode esperar:

Se o cálculo cristão faz de Jesus o meio do tempo, isto ultrapassa o significado que o próprio Jesus deu à sua actividade. Essa nova interpretação começou, possivelmente, já no cristianismo primitivo. O evangelista Lucas fez uma narrativa da história da Igreja primitiva a seguir à descrição que apresenta do itinerário de Jesus.
Que Jesus divida o tempo é algo que pode surgir como elemento da história ou ser descrito historiograficamente. No entanto, a interpretação original continua intacta. Percebemos que existe algo em Jesus que atravessa qualquer tempo e não se deixa calcular cronologicamente.
(texto na íntegra aqui)


A alegria é também um dos temas de Vítor Gonçalves, na sua crónica À procura da Palavra. Propondo três leituras, escreve, sob o título Alegrias natalícias:

Experimentar a misericórdia implica que a multipliquemos no que somos e fazemos; e que bom percebermos que um jubileu não se resume a indulgências ou “portas santas”, peregrinações e devoções várias, mas se não nos põe a viver como e com Jesus, não valerá a pena!
Três leituras como presentes de Natal. Porque a alegria não é apenas “fogo de vista” mas também pensar no “que devemos fazer”!
(texto na íntegra aqui)


Na crónica de sexta-feira, no CM, Fernando Calado Rodrigues escreve sobre Misericórdia para os recasados:

Espera-se que durante este Ano da Misericórdia, que se iniciou no passado dia 8 de Dezembro, o Papa Francisco encontre uma forma de estender o manto da misericórdia divina às pessoas que falharam no seu primeiro compromisso matrimonial, permitindo-lhes casar novamente perante a Igreja.
(texto na íntegra aqui)


E no suplemento Igreja Viva, do Diário do Minho, Paulo Terroso fala também sobre a misericórdia, mas aplicada ao jornalismo; com o título Quando a normalidade é o mal, o bem torna-se notícia, escreve:

Talvez o jornalismo também tenha necessidade de viver o Jubileu Extraordinário da Misericórdia e atravessar a Porta Santa. Não se trata de um pensamento piedoso. Nem se quer do desejo de converter a comunicação social ao cristianismo. Mas o reconhecimento de que o também o jornalismo necessita de conversão, isto é, de ser a melhor versão de si mesmo. Além do mais, o exercício da profissão «implica um cuidado especial pela verdade, a bondade e a beleza; e isto torna-nos particularmente vizinhos, já que a Igreja existe para comunicar precisamente isto: a Verdade, a Bondade e a Beleza “em pessoa”. Deveria resultar claramente que todos somos chamados, não a comunicar-nos a nós mesmos, mas esta tríade existencial formada pela verdade, a bondade e a beleza» como disse o papa Francisco no primeiro encontro com os jornalistas. 
(texto na íntegra aqui)

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Em teu seio amadurece a manhã - uma oração à Senhora do Advento

domingo, 6 de dezembro de 2015

Laicidade e respeito: livrai-nos do mal

Crónicas


Terror na República: "Meu Deus, um presépio!"

No suplemento Igreja Viva, do Diário do Minho, Paulo Terroso aborda vários episódios de interdições da celebração do Natal. Sob o título A laicidade merece respeito, escreve:

Já sabíamos que rezar é uma actividade perigosa com consequências imprevisíveis. S. Francisco de Assis, S. Tomás Moro, S. Inácio de Loyola, S. Teresa de Ávila, Madre Teresa de Calcutá e S. João Paulo II, só para nomear alguns, atestam que a prática do exercício espiritual gera tensões e alterações de ordem política, social e religiosa. Mas ainda não estávamos avisados do potencial de perigosidade da oração do Pai Nosso, quando apresentada sob a forma de publicidade.
(Texto na íntegra aqui)


Um desses episódios é também referido por Isabel Stilwell, numa crónica no jornal i (a propósito: o que se passou no processo de anúncio de encerramento do jornal foi vergonhoso, sob vários pontos de vista). Sob o título Livrai-nos do mal, escreve:

O anúncio é simples: um conjunto de pessoas de diferentes profissões, de um agricultor a um polícia, passando por estudantes e sem deixar de fora um refugiado, dizem, cada um à vez, uma frase do pai-nosso, até ao ámen que fecha a oração mais emblemática do cristianismo. Num último plano surge no ecrã a frase “A Oração é para todos”. O filme dura 60 segundos. (Se puder, veja: “Justpray oficial video”, no YouTube.)
É assim a publicidade ao novo site de oração da Igreja de Inglaterra, destinada a passar no cinema, nos minutos que antecedem o novo “Guerra das Estrelas”. Contudo, as três cadeias que controlam 80% das salas recusaram-se a passá-la, por consideraram que “podia ser perturbador ou tido como ofensivo por algumas pessoas na assistência”. O que, a ser verdade, tornava ainda mais pertinente que recitassem o “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. 
(Texto na íntegra aqui)

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Santos de Bangui, III Guerra Mundial, a corrida de Deus e o que está p'ra chegar - crónicas de Paulo Terroso, frei Bento Domingues, Anselmo Borges, Vítor Gonçalves e Fernando Calado Rodrigues

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Santos de Bangui, III Guerra Mundial, a corrida de Deus e o que está p’ra chegar

No suplemento Igreja Viva, do Diário do Minho, Paulo Terroso projectava, quinta-feira passada, a viagem que o Papa hoje terminou a África. Sob o título Os três santos de Bangui, escrevia:

a viagem, quase temerária, à RCA, surge como resposta ao convite feito pelo imã, o pastor evangélico e o arcebispo católico aquando da visita ao Papa no Vaticano em 2014. Ao aceitar o convite Francisco está a dar o maior apoio possível a um dos maiores exemplos de diálogo inter-religioso tendo em vista a paz.
(texto na íntegra aqui)


Falando sobre o início do Advento, o Papa e os recentes atentados em Paris, frei Bento Domingues escrevia neste Domingo, no Público, sob o título Deus não passa por nós a correr:

Quando João Paulo II se opôs, da forma mais firme, à guerra no Iraque, ignoraram-no. Ele estaria a defender os interesses cristãos da zona. Quando o Papa Francisco advertiu que era urgente suster a calamidade do Estado Islâmico, uns ignoraram-no, outros comentaram: o pacifista converteu-se à guerra justa. Também ele estaria a defender os cristãos dos massacres que os tinham por alvo preferencial.
Não basta intensificar o diálogo inter-religioso, embora seja muitíssimo importante que todos confessem que um deus que incita à violência gera uma religião diabólica, uma anti-religião.
(texto na íntegra aqui)


Anselmo Borges escrevia também, no DN, a propósito das posições do Papa relativas aos vários conflitos, nomeadamente centrados no Médio Oriente. Com o título Terceira Guerra Mundial?, dizia:

Pergunta imensa: o que é que leva tantos jovens europeus, e não se trata apenas de gente pobre dos arrabaldes das grandes cidades, a alistar-se para combater no "Estado Islâmico"? Que ideias, que valores lhes entregamos? Segundo o politólogo Gilles Kepel, especialista do islão e do mundo árabe contemporâneo, não bastam as explicações sociológicas, escreve no último L’Obs. Jovens sem referências, perdidos no meio das desordens do mundo que a torneira mediática espalha, podem ser tentados a ir procurar num passado mitificado, o do islão das origens revisitado e falsificado, uma ordem que vai dar-lhes normas, valores. 
(texto na íntegra aqui)


No comentário aos textos da liturgia católica deste primeiro domingo do Advento, celebrado dia 29, Vítor Gonçalves falava de música e escrevia, sob o título O melhor está p’ra chegar:

Mesmo em grandes desgraças há mil e uma pequenas graças que nos revelam algo de bom, algo de grandioso. Como esquecer os amigos, namorados, ou desconhecidos, que se colocavam à frente das balas dos terroristas de Paris, para salvar os que amavam ou mesmo quem não conheciam? Nada justifica o mal, mas perante ele, o bem parece crescer onde não julgávamos existir! Jesus não quer atemorizar com as suas palavras, antes convida a “erguer a cabeça”, a “ter cuidado” connosco, e a não deixarmos os corações tornarem-se pesados pela“intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida”. Quase sinto Jesus a dizer-nos: “Olhem que o melhor ainda virá!”
(texto na íntegra aqui)


Sexta-feira, no CM, Fernando Calado Rodrigues referiu-se à posse do novo Governo, sob o título O PS e a Igreja:
Há 40 anos, durante o “Verão Quente”, o PS liderado por Mário Soares acolheu o apoio da Igreja Católica e teve como principal interlocutor o cardeal-patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro. Hoje, ainda é muito cedo para perceber qual vai ser o relacionamento deste governo de maioria de esquerda com a Igreja. As reações da hierarquia são, para já, cautelosas – apenas dizem que estão disponíveis para colaborar com qualquer governo, na promoção do bem comum de todos, etc.
(texto na íntegra aqui)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Orações pela paz, carta aberta de uma muçulmana, o Vaticano e a guerra, e o “Imagine” de John Lennon

Agenda e crónicas


Imagem reproduzida daqui

Domingo, às 13h, uma oração inter-religiosa pela paz de corre na Mesquita Central de Lisboa, com a presença de vários responsáveis de diferentes comunidades religiosas. A notícia foi dada pelo presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Vakil, no debate de Actualidade Religiosa da Rádio Renascença, que pode ser ouvido aqui.
Também no Domingo, mas a partir das 16h, no santuário do Cristo-Rei, a Ajuda à Igreja que Sofre promove uma oração pela paz no mundo, tendo em conta realidades e acontecimentos recentes em países como a República Centro-Africana, o Iraque, a Nigéria, a Síria, o Sudão do Sul e a França. O programa pode ser lido aqui.

Sobre a questão do extremismo muçulmano que os atentados de Paris trouxeram de novo  ao debate público, Faranaz Keshavjee escreveu na Visão uma Carta aberta de uma muçulmana aos portugueses, na qual escreve:

Num mundo em que o diferente deixou de ser abstrato e distante, e no qual o desafio de viver juntos é cada vez mais complicado, e onde a maior informação pode significar menos contacto e até maior confusão, é imperioso que trabalhemos no sentido de uma nova ética cosmopolita, que não entende apenas as diferenças, mas faz por conhecê-las, e aprender com elas, para que olhemos para a diversidade como uma oportunidade e não como um peso.


No CM desta sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escreve, sobre O Vaticano e a guerra:

Em resumo: esmagar os terroristas, só por si, não garante que estes Estados Islâmicos não ressurgem noutros pontos, como aliás tem acontecido... É preciso investir, a sério, na melhoria da vida das pessoas, tanto nos países orientais, como nas cidades ocidentais onde estes fenómenos se têm instalado. E é necessário combater sempre o ódio e tentar construir a paz, suceda o que suceder.


No Igreja Viva, suplemento do Diário do Minho, Paulo Terroso escreve também a propósito dos acontecimentos de Paris. Sob o título O nosso canto de paz não é o “Imagine” de John Lennon, diz:

Também aqui é-nos oferecido um mundo de paz, “num só Corpo”, mas o caminho é todo um Outro. É que Jesus constrói a paz destruindo em si a inimizade e não o inimigo. Precisamos sim de declarações de guerra e de guerras santas, mas só se forem para destruir a inimizade, não os outros. E isto, como sustenta Cantalamessa, “não faz sentido só no âmbito da fé; vale também no âmbito político, para a sociedade”.