terça-feira, 17 de dezembro de 2013

As frases com que Francisco surpreendeu o mundo em 2013

Um trabalho da Renascença, no dia em que o Papa Francisco completa 77 anos:



Rádio Renasceça

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A terceira Igreja, o Papa e as mulheres

Crónicas

Nas duas últimas sextas-feiras, Fernando Calado Rodrigues escreveu, primeiro, sobre as mulheres na Igreja Católica:

Pensemos por exemplo no Colégio de Consultores, que todas as dioceses são obrigadas a ter e que o bispo é obrigado a consultar em determinadas decisões e, nas mais importantes, a obter o seu consentimento. Teremos no futuro nessa e noutras estruturas, agora clericais, a inclusão de leigos e o contributo da perspetiva feminina?
Corresponder ao desafio do Papa implicará necessariamente uma conversão profunda das mentalidades. E, sobretudo, uma mudança na forma atual de governar a Igreja.

(texto completo aquina data de 9 de Dezembro)

e, depois, sobre “Um Papa global”:

Apesar de já ter dito que não se sente confortável nos palcos mediáticos, tem demonstrado uma facilidade de comunicação e um à vontade extraordinário. Contudo, essa eficácia não se deve tanto a uma estratégia delineada, nem é fruto de qualquer “media training” para a presença pública, a que se submetem tantos líderes mundiais: a sua eficácia comunicativa advém da sua autenticidade e coerência. Diz o que pensa e age em conformidade. Um grande exemplo, a ser seguido por outras lideranças eclesiásticas e até políticas.

No domingo, no Público, frei Bento Domingues escreveu sobre “O advento da terceira Igreja”. Aqui fica a crónica:

1. Nasci numa época em que muito do clero português cultivava mais o medo do pecado do que o amor da virtude. A sua pregação – sobretudo a dos padres da vinagreira – estava centrada na ameaça do inferno e a confissão oscilava entre um precário alívio, a tortura e o escrúpulo.
As insólitas atitudes do Papa Francisco, a forma e o fundo da sua Exortação Apostólica recusam fazer da fé cristã uma tristeza. Estão a irritar não só a alta finança, mas também os movimentos que tentam recuperar esse tipo de práticas religiosas – contra o Vaticano II –, com o auxílio de eclesiásticos vestidos e calçados a preceito.
Estamos no Domingo da Alegria, como se todos os Domingos não fossem para celebrar a Páscoa, a vitória sobre a morte. Não foi por acaso que o Papa sentiu necessidade de recordar o que esquecemos e está escrito para sempre, em S. João: isto vos escrevemos para que a vossa alegria seja completa (1) – Evangelii Gaudium.

Estamos a precisar de uma Igreja que seja uma alegria para o mundo actual. O padre Bill Grimm sustenta que está a chegar a 3ª Igreja (2). Para ele, a primeira foi o movimento das discípulas e discípulos de Jesus Cristo, das gerações que se seguiram e das incursões missionárias, fora do universo judaico. Estava centrada, essencialmente, no Mediterrâneo. Foi ela que nos legou o Novo Testamento, os elementos fundamentais do culto cristão e os primeiros exemplos de diálogo com as religiões, as culturas e as filosofias desse mundo. A segunda centrou-se na Europa. Foi a Igreja da cristandade, pouco ou nada tolerante para o que lhe era exterior. O outro era o inimigo ou o objecto de proselitismo. Aí vivemos, mas estamos a caminho de uma 3ª Igreja, sem centro geográfico e sem fronteiras de raças, nações e culturas, mundial.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A alegria de ler Francisco (9) - Uma vontade intrínseca de partilhar


Depoimento de João Gonçalves, mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho:

Não é uma tarefa fácil comentar uma exortação tão vasta como a Evangelii Gaudium. Vasta não pela sua extensão textual, mas pela reflexão e paixão latente em cada palavra de Francisco que desperta com a leitura. Assim, em vez de ambicionar comentar as diferentes vertentes desta Exortação, procurarei antes expor aquela que me pareceu ser a natureza deste texto e forma como a encarei.
A natureza da alegria não é individual, é partilhada. A Evangelii Gaudium é uma alegria e somos impelidos a partilhá-la. Não tanto pelo apelo que o texto faz à partilha e à vivência do cristão com o outro, mas porque, tal como uma conquista pessoal ou uma notícia feliz, ao lê-lo sentimos uma vontade intrínseca de partilhar a experiência com outros. Durante a leitura, não consegui evitar fazer algumas interrupções para ler e comentar passagens da Exortação com os que estavam comigo naquele momento.
A segunda particularidade deste texto é a sua ligação à realidade. Encontrei lá uma abordagem direta a muitas das questões que me inquietam enquanto cristão. Sem ser um texto que pretende substituir os outros e abordar todos os temas exaustivamente, o diálogo que Francisco enceta connosco tem o mérito de oferecer orientações claras quanto à situação em que nos encontramos e a posição da Igreja sobre ela. Este é um texto “em saída”, que traz muito não só aos cristãos mas a todos os que se inquietam com a injustiça no mundo. É um texto que evangeliza pelo coração e pela razão.
Por fim, saliento a relevância que Francisco atribui aos “pequeninos” e à missão. São estes os dois pontos fulcrais para a jornada evangelizadora da Igreja, num mundo de desafios. Mostrar ao mundo a alegria através do exemplo e da humildade, essa não é apenas a proposta da Evangelii Gaudium, é a experiência que a missão nos oferece. Falo disto como alguém que se aproximou da Igreja pelo exemplo e que vê neste texto uma esperança contra a indiferença de muitos que comigo têm em comum a idade. Não é possível ficar indiferente a esta Exortação.

sábado, 14 de dezembro de 2013

À procura da palavra - A esperança em gestos


Crónica

Na Voz da Verdade, Vítor Gonçalves escreve, a propósito dos textos da liturgia católica deste domingo:

Se nos perguntarem se somos discípulos de Jesus com que sinais respondemos? Como estamos próximos dos que sofrem, e presente junto dos doentes e dos que não têm ninguém? Que tempo oferecemos a quem precisa de desabafar ou simplesmente contar a sua vida? Que vida sã circula nas nossas comunidades, capaz de encher de alegria e paz aqueles que tocamos? Que valores norteiam a nossa relação com Jesus e com os outros?  A esperança concretiza-se em obras que estão ao alcance de cada um, que se tornam possíveis quando aceitamos que a nossa pobreza pode ser dom para outros. É assim que se espera o Senhor: realizando a sua vida nos gestos inesperados e generosos, simples e cheios de graça que se distribuem como pão a quem tem fome! Ninguém desvalorize o que se dá com amor!

O texto completo pode ser lido aqui

(ilustração: São João Baptista, ícone copta reproduzido daqui)

A alegria de ler Francisco (8) - Crítica ao capitalismo e as "derrapagens" do Papa

Três crónicas sobre a exortação apostólica Evangelii Gaudium.

No DN de hoje, Anselmo Borges, que já escrevera sobre o documento na semana passadadiz:

A causa de Deus é a causa do ser humano, de todo o ser humano, feliz e pleno, começando, evidentemente, pelos mais pobres e marginalizados, os das periferias. Essa tem de ser também a causa da Igreja. Por isso, escreve [o Papa]: para quem quer seguir o Evangelho “há um sinal que nunca deve faltar: a opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e deita fora”. “Estamos chamados a descobrir Cristo neles, a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas.” Por isso, hoje devemos dizer “não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento de um idoso sem-abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Hoje tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, em que o poderoso engole o mais fraco”, e a consequência é que “grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas” e os excluídos não são “explorados”, mas resíduos, “sobras”. (...)
Francisco: um perigoso esquerdista? Enquanto uma certa esquerda faz aproveitamento político-partidário, a ultradireita, como o Tea Party, acusa-o de marxismo. Mas ele apenas anuncia o Evangelho, cujo único interesse é a vida plena para todos. “Não podemos mais confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado.” Assim, pede a Deus que “nos conceda mais políticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres.”

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

No Jornal de Letras de terça-feira, dia 10, Teresa Toldy escreve sobre “Uma crítica profunda ao capitalismo”:

(...) Concentrar-me-ei, contudo, aqui, apenas na crítica profunda que o Papa faz às sociedades capitalistas, de consumo, e ao próprio capitalismo. E começarei por dizer que me parece importante destacar que o Papa não perspetiva as suas críticas à sociedade capitalista e de consumo no quadro de um pensamento que não põe em causa o próximo sistema. Por isso, será, no mínimo, redutor e “silenciador” da novidade do documento dizer que Francisco se limita a repetir o que a Igreja, na sua Doutrina Social, diz desde Leão XIII, ou que é “maravilhoso” termos tido uma sequência de Papas que vêm sempre dizendo o mesmo. (...)
É que do que Francisco fala é da necessidade de mudar o sistema estruturalmente. (...) Ora, segundo Francisco, o crescimento em equidade, portanto, respeitador da dignidade e do bem comum, exige “decisões, programas, mecanismos e processos especificamente orientados para uma melhor distribuição do acesso, uma criação de fontes de trabalho, uma promoção integral dos pobres que supere o mero assistencialismo” (nº 204). (...)
Não creio que estas afirmações estejam em linha com as críticas demolidoras de Papas anteriores às teologias da libertação. Parece-me mesmo possível ler nas entrelinhas deste documento uma crítica à crítica e perseguição às teologias da libertação. De contrário, como interpretar estas palavras do Papa Francisco, referindo-se à opção da Igreja pelos pobres, inscrita em textos bíblicos?: “É uma mensagem tão clara, tão direta, tão simples e eloquente, que nenhuma hermenêutica eclesial tem direito de relativizar. A reflexão da igreja sobre estes textos não deve obscurecer ou debilitar o seu sentido exortativo, mas sim ajudar a assumi-los com coragem e fervor. (...)” (nº 194).

O texto completo está disponível aqui.

Do Brasil, chega o texto do bispo de Dourados, Redovino Rizzardo, com o título “As derrapagens do Papa Francisco”, criticando uma afirmação de dois padres católicos que falam das “derrapagens doutrinais” do Papa.
Escreve o bispo Rizzardo:

As críticas dos padres demonstram que, para acolher a novidade trazida pelo Evangelho, não apenas os leigos, mas também as suas lideranças, precisam da sabedoria do coração, que só vinga em pessoas que colocam o bem da Igreja e da humanidade acima de seus interesses e traumas. (...)
A reforma da Igreja vai muito além da mera atualização das suas estruturas. Ela concretiza-se numa fé e numa espiritualidade que demonstram o amor de Deus pela humanidade. Por isso, uma Igreja que atrai, motiva e converte pela compreensão e benevolência de seus pastores, jamais pela imposição e prepotência.

O texto pode ser lido aqui na íntegra.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

“Cada um de nós transporta dentro de si um pequeno Nelson Mandela”

Despedimo-nos de Nelson Mandela. Não nos despedimos do que ele foi – e do que ele é: um exemplo de que o rancor pode (deve) dar lugar ao perdão e à reconciliação, pois só assim construiremos sociedades mais fraternas. É também (sobretudo?) por isso que o celebramos.
É por isso que vale a pena ler estes testemunho extraordinário de Roberto Carneiro, sobre a sua participação numa das Comissões de Verdade e Reconciliação que Mandela promoveu na África do Sul. No qual ele conta o que disse um jovem a quem um branco boer tinha massacrado o resto da família: “Cada um de nós, sul-africanos, transporta dentro de si um pequeno Nelson Mandela.”
Um exemplo impressionante de como um homem pode ser inspirador para tantos.


Sergio Bastianel: o estilo de vida na Europa e a justiça económica




Agenda  Livros

“Dentro da Igreja, na pregação habitual, mantém-se uma desproporção entre o peso que se dá a alguns problemas como o aborto, e aquele que se dá a questões de justiça social. Fora da Igreja, há um problema análogo: o estilo de vida contemporâneo na Europa seria seriamente posto em causa se a justiça económica internacional fosse tomada a sério.”
A afirmação foi feita há onze anos pelo teólogo italiano Sergio Bastianel, que esta tarde apresenta em Lisboa duas obras recentes da sua autoria: Entre Possibilidades e Limites (na qual tem funções de autoria e coordenação) e Moralidade Pessoal na História (da qual é autor e uma das suas obras mais importantes) – ambas são edição da Cáritas. A sessão decorre na Livraria da Universidade Católica (edifício da Biblioteca João Paulo II), a partir das 17h. (a tempo: sábado, às 10h30, Bastianel faz na Casa Nossa Senhora do Carmo, do Santuário de Fátima, uma conferência sobre os temas dos seus livros). 
Bastianel, nascido em 1944, padre jesuíta desde os 28 anos e professor na Universidade Pontifícia Gregoriana (Roma), é um dos nomes de topo da teologia moral contemporânea. Numa entrevista que me deu em Março de 2001, para o Público (que pode ser relida no livro Deus Vem a Público, ed. Pedra Angular), antecipava já muitas das dificuldades com que hoje estamos confrontados.
Sobre a transmissão da mensagem da Igreja, dizia: “O problema não é tanto a autoridade, mas a eficácia da transmissão dos valores. O contexto de crise de valores – com entendimentos diferentes mesmo do ponto de vista da compreensão – já não é o de há 40 anos, quando nem todos viviam segundo os princípios, mas estes eram reconhecidos como tal. O problema é possibilitar que as pessoas entendam as razões da afirmação de determinado valor. Isto representa um desafio à transmissão ética porque deve ser a própria pessoa a entender a razão e assumi-la. É aqui que entra a liberdade. A transmissão de valores não é automaticamente eficaz. Posso fazer um discurso correcto, mas o interlocutor não o entender. No plano ético, é importante que o outro entenda.”
A questão do “pecado de Sodoma”, lido durante séculos como sendo referido à homossexualidade, e o modo como a exegese bíblica hoje obriga a mudar a análise de alguns textos, levava Bastianel também a comentar: “A consciência do texto passa através de instrumentos de leitura do texto antigo. Há a leitura de fé, claro, mas a mensagem real de um determinado texto supõe a análise literária – incluindo no exemplo de Sodoma. A mudança de compreensão de um texto pode dizer qualquer coisa diferente, mas não automaticamente. Na teologia moral cristã, a compreensão nunca depende apenas da Escritura. Mas pode acontecer que a mudança de compreensão de textos da Escritura influa no modo de abordar um problema. No texto [referido], fala-se de um pecado que é o da não hospitalidade, uma transgressão de uma regra antiquíssima, e muito importante, em Israel. O que não quer dizer que a homossexualidade seja aprovada. Talvez não resulte de um modo tão primário, tão forte, a condenação deste comportamento, que não constituiu um problema urgente no Novo Testamento.”
Acerca da fome e da miséria no mundo, afirmava Sergio Bastianel: Há um imperativo que atravessa toda a tradição da Igreja, ainda que estejamos em presença de enormes contradições: está ligado ao tema bíblico da terra. A terra e as possibilidades da existência concreta são dadas à família humana e não aos indivíduos. O facto de existir miséria significa que há quem não usa correctamente os bens.”

E as operações de bolsa? “É um jogo de sorte da parte de quem pode permitir-se fazê-lo; e as pessoas fazem-no, fazendo-o pagar aos outros. Do que compreendo, é moralmente não legitimável.”

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

As mibangas e os frutos de um padre da Rua


Um padre que apoiou trabalhadores pobres que construíram barragens em Portugal e Angola, muitos deles contraindo silicose, e acabou como pai adoptivo de centenas de crianças órfãs ou abandonadas que por ele foram acolhidas na Casa do Gaiato de Malange (Angola). E que, pelo meio, por causa da frase “Obrigado, ó tascas, pelo alívio que dais ao Operário!”, viu o seu livro O Lodo e as Estrelas proibido em 1960 pela PIDE, a polícia política do fascismo português.
É essa vida que é contada no documentário “Telmo Ferraz: Mibangas e Frutos”, sobre a vida e a obra do padre Telmo Ferraz, padre da Obra da Rua. O filme é hoje à noite apresentado em estreia na Católica Porto (Auditório Ilídio Pinho, campus Foz, 21h30). Mibangas são os sulcos de terra cavada onde se plantam as sementes. O documentário junta-se assim ao livro Telmo Ferraz: Uma Vida, Tantas Vidas!, acabado de publicar, com uma nota biográfica e depoimentos sobre padre da Rua, bem como às obras que recolhem textos do padre Telmo Ferraz: além do já referido O Lodo e as Estrelas, também Mourela (2011) ConTigo no Planalto, Pelo Caminho das Tipóias e os dois volumes de Mibangas e Frutos (todos estes de 2013).
Esses textos levam Henrique Manuel Pereira a escrever, citando um amigo, num artigo publicado há dias no Público:
 “‘Que lugar o de [padre] Américo e Telmo no quadro da Literatura Portuguesa do século XX? Apologética, como dizem alguns? Ou realismo realista e pragmático?’ A pergunta aí fica. Sim, porque este homem, depois de se irmanar com o ‘bando’ que vivia debaixo de pedras cobertas com sacos vazios de cimento, depois de idêntico trabalho na barragem de Cambambe, de construir e assistir uma aldeia de leprosos, fez-se Padre da Rua. Encontrou em Padre Américo o companheiro que comia do mesmo pão.”

A alegria de ler Francisco (7) – The Tablet: Uma Igreja mais participativa, aberta, descentralizada e fluida

O modelo da Igreja de Francisco é de uma Igreja mais participativa e aberta, mais descentralizada e fluida, mais disposta a assumir riscos, menos preocupada com a conformidade doutrinal, menos clerical. Mas acima de tudo, centrada em Cristo. É este o tom do editorial de 28 de Novembro da revista católica britânica The Tablet. A tradução para português do Brasil, a partir da versão italiana do editorial, é de Moisés Sbardelotto, no site da Unisinos. Eis o texto:

O plano que o Papa Francisco quer que a Igreja Católica siga tem aparecido peça por peça desde a sua eleição em março, mas agora ele o definiu em detalhes. Ele quer uma mudança da cultura e do caráter da Igreja, uma mudança de suas prioridades e uma mudança de suas estruturas. Ele quer uma Igreja que não seja sonâmbula, nem que marche na cadência dos outros, mas que vá para fora, para o mundo, sujando seus sapatos com a lama das ruas, para entregar a mensagem do cuidado infinito de Deus para cada pedacinho do mundo.
Naquela que não é tanto uma reversão do "nós" papal da tradição, mas sim uma exclamação de alegria em nome de toda a Igreja, ele declara: "Nós amamos este magnífico planeta onde Deus nos colocou…". É um exemplo da exuberância contagiante através da qual, por inúmeros gestos eloquentes, ele já tocou os corações de milhões de pessoas em todo o mundo.
Tecnicamente chamada de exortação apostólica, a Evangelii gaudium é literalmente isto também: o papa que exorta alegremente o seu rebanho a repensar quase tudo o que faz em busca de seu objetivo-chave, a evangelização. Mas ao fazê-lo, ele redefine isso não como um processo de "igrejificação", mas como quase o oposto. Velhas certezas e formas familiares, todas caem sob o chicote de sua prosa, às vezes, fulminante. "Mais do que como peritos em diagnósticos apocalípticos ou juízes sombrios que se comprazem em detectar qualquer perigo ou desvio, é bom que possam nos ver como mensageiros alegres de propostas altas, guardiões do bem e da beleza que resplandecem em uma vida fiel ao Evangelho".

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ciclo de Cinema Católico em Almada

Agenda

Bom cinema, com o aliciante suplementar da entrada gratuita, está a partir de hoje em Almada, no IV “Revelar-Te – Ciclo de Cinema Católico”, que decorre até sábado, no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada. O programa completo e sinopses dos filmes podem encontrar-se aqui.
Diário de um Pároco de Aldeia, de Robert Bresson (hoje); “Confesso”, de Alfred Hitchcock (quinta); “Os Miseráveis”, de Bill August (sexta) e “Quem Deseja Ser Amado”, de Anne Giafferi (sábado) são os quatro filmes a exibir, sempre a partir das 21h00 e sempre seguido de debate, opara quem estiver interessado.

Iniciativa da Pastoral Universitária de Setúbal – pólo de Almada, o ciclo começa esta noite com a obra clássica de Bresson, inspirada no também clássico livro de Georges Bernanos, que conta a história de um jovem pároco que vive entre a degradação da sua saúde e a afirmação da sua santidade e que regista num diário as suas impressões e dificuldades – mesmo a de ser aceite pelas pessoas da aldeia. “Derradeira testemunha da piedade sagrada”, foi como André Malraux caracterizou a obra de Bernanos.