sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Natal: Médio Oriente, guerras e refugiados - cenas de guerra em zona de paz



O Papa fez votos de que Israel e a Palestina “retomem um diálogo directo e cheguem a um acordo” de paz, superando um conflito “com graves repercussões” na região, conforme disse na sua mensagem urbi et orbi (à cidade e ao mundo) deste dia de Natal (o vídeo mostra todo o discurso do Papa e imagens da praça de São Pedro durante a alocução).
Francisco destacou os acordos alcançados em relação à Síria e à Líbia, apelou ao fim das “atrocidades” que “ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural”. E recordou as vítimas de “hediondos” atentados terroristas, nomeadamente os ocorridos no Egipto, Beirute, Paris, Bamaco e Tunis, além de referir vários países em guerra situações como os cristãos perseguidos, as crianças-soldado, as mulheres vítimas de violência, as vítimas de tráfico humano e os refugiados que “fogem da miséria ou da guerra” (ver notícia mais desenvolvida aqui)

Também na sua mensagem de Natal, o patriarca de Lisboa referiu a questão dos refugiados como “um problema estrutural” que as sociedades europeias devem resolver através de um empenhamento solidário no acolhimento.

Em Lesbos, uma das ilhas gregas que é actualmente um dos portos de chegada de milhares de refugiados, o fotógrafo Aris Messinis fez uma reportagem sobre os que chegam à ilha (incluindo alguns que chegam já cadáveres).
“O que me choca mais nesta cobertura é de me dizer que não estou em zona de guerra. Que se trabalha em zona de paz. Mas as emoções que passam pela minha objectiva são dignas de uma cena de guerra”, escreve, na apresentação da reportagem “Cenas de guerra em zona de paz.
O fotógrafo acrescenta: “Trabalhei na Síria e na Líbia. Conheço o que é fotografar a guerra. Quando vamos a esses sítios, esperamos esse tipo de cenas. Mas não em Lesbos. Em Lesbos, o sofrimento humano não difere daquele com que nos cruzamos numa guerra. Saber que não é o caso torna as coisas mais emocionais. E muito mais dolorosas.”
A reportagem de Messinis, que inclui a foto que se reproduz abaixo, pode ser vista aqui.



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O pequeno Aylan na manjedoura do presépio - crónica de Manuel Pinto


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

​O pequeno Aylan na manjedoura do presépio

     
     
     Texto publicado na Newsletter diária da Renascença de 21.12.2015

     Aylan, de três anos, camisola rubra e calção preto, rosto colado à areia, na borda da costa turca, permanecerá como símbolo dos milhares de mortos na fuga da guerra e do medo. Este ano, o Padre Ángel, fundador da ONG espanhola Mensageiros da Paz, fez dos refugiados o tema do seu Natal Solidário. Entre 4 de Dezembro e 6 de Janeiro, tem aberto na igreja de Santo António, em Madrid, um presépio alusivo, em que na gruta de Belém colocou, na manjedoura, uma escultura do pequeno Aylan, rodeado dos seus pais.

     Os Mensageiros da Paz dedicam-se a acolher e a cuidar dos refugiados há mais de 20 anos. Desde 2012, procuram responder às necessidades das dezenas de milhares que se encontram concentrados no campo de Al-Zaatari, na Jordânia. Actualmente desenvolve um vultuoso projeto na Macedónia, na Sérvia, na Croácia e na Grécia, que atende diariamente mais de 12 mil pessoas fugidas, na sua maioria, da Síria. Cozinhas móveis, tendas aquecidas, e com camas e sítios para tomar um duche e tomar um pequeno-almoço são os “luxos” oferecidos.

     O presépio de Santo António é o grito silencioso de alerta para uma tragédia silenciosa que só aparentemente está longe da nossa porta. A intervenção em Al-Zaatari e nas fronteiras europeias de Leste é uma resposta a esse apelo.

     No domingo de 6 de Setembro, o Papa Francisco pediu a bispos, paróquias, mosteiros e santuários da Europa para acolherem cada um uma família de refugiados. Afinal, também a família de Nazaré teve de fugir da Palestina para evitar a morte do pequeno Jesus e certamente alguém a acolheu no Egipto. O apelo do Papa já por si era uma ação. Mas, para o modo como Francisco vê a Igreja (recordam-se do hospital de campanha?), não bastava. Umas semanas depois, já havia duas famílias de refugiados acolhidas em instalações do próprio Vaticano.

     Nos tempos que correm valoriza-se o diferente, o provocatório, o que chama a atenção. Se assim é, haverá “cena” mais instigante e desafiadora do que um Deus fazer-se menino, criatura igual a nós, que nasce num qualquer barraco da vida e desafia a mudar de vida? Aylan na manjedoura é, por contraste, esse apelo a fazermo-nos próximos dos outros, dos que precisam dos nossos cuidados. E que “estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros”, a escutá-los. “Então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições”(*). A construir uma cultura de diálogo, de ternura, de paz e de justiça.

     (*) Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2014

sábado, 19 de dezembro de 2015

Pacto das Catacumbas: lugar aos pobres na Igreja

O programa Setenta Vezes Sete, de domingo passado, foi dedicado ao Pacto das Catacumbas, um documento assinado há 50 anos e que ajuda a compreender o modo de ser e de agir do Papa Francisco. O texto, assinado por quatro dezenas de bispos, a que se juntaram depois perto de 500, aponta um objectivo, como caracteriza frei Bento Domingues: "Sem ter os pobres no centro da Igreja, a Igreja não é Igreja.”




O texto do Pacto das Catacumbas foi assinado na Catacumba de Santa Domitila, um dos cemitérios romanos dos primeiros séculos da era cristã, no final de uma missa, há 50 anos: a 16 de novembro de 1965, cerca de meia centena de bispos católicos, que estavam em Roma a concluir o Concílio Vaticano II, assinaram o que viria a ficar conhecido como Pacto das Catacumbas. O documento acabou por ficar quase desconhecido, sendo ressuscitado apenas nos últimos cinco anos. (um curto texto pode ser lido aqui)


Sobre o Pacto, publiquei no Diário de Notícias do passado dia 8 um texto com o título
O Papa Francisco é fruto de um pacto assinado na catacumba

O texto foi assinado por 40 bispos numa catacumba de Roma, mas o lugar não foi escolhido por medo ou fuga: a 16 de Novembro de 1965, esses bispos – e mais uns 500 que assinaram o documento nos dias seguintes – quiseram comprometer-se em conjunto, de forma discreta e sem holofotes, a renunciar à propriedade pessoal, a viver em casas semelhantes às do seu povo ou a ser chamados com títulos “que signifiquem a grandeza e o poder”, como eminência, excelência ou monsenhor.
Cinco décadas depois, o Pacto das Catacumbas, como ficou conhecido o curto texto de duas páginas, teve um dos seus frutos maiores com a eleição e acção do actual Papa: “Quem lê o Pacto pela primeira vez, não pode deixar de pensar como ele está próximo do Papa Francisco. De certo modo, o Papa é fruto do compromisso daqueles bispos que procuraram viver de forma simples, sem ostentação, próximos do povo e solidários com os pobres”, diz ao DN o padre José Antunes da Silva, missionário do Verbo Divino e co-organizador do livro O Pacto das Catacumbas – A Missão dos Pobres na Igreja (ed. Paulinas), que acaba de ser editado.

Visitas inesperadas, a revolução do Natal e os negócios sagrados

Crónicas

No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, Vítor Gonçalves escreve sobre Visitas inesperadas:

Jesus pode ser esperado por poucos. A sua visita tornou-se data de calendário e grande acontecimento comercial. Nas múltiplas realidades familiares Ele até poderá ser pouco lembrado, mas tenho a certeza que visitará os corações de todos. E estará em cada gesto de carinho e bondade, de verdade e de esperança. Não será Ele também a visitar quando formos visita inesperada e feliz para alguém? Não será tambem parte do seu desejo que nos tornemos mais visíveis e mais amáveis (simpáticos, sim, e também mais cheios de amor!) entre nós?
(texto na íntegra aqui)


Hoje, no DN, Anselmo Borges escreve sobre Natal: a revolução:

Custa-me a entender como é que os europeus parecem menosprezar a sua herança cristã, como indicam, por exemplo, a proibição de um anúncio, porque contém o Pai Nosso, ou a política de acabar com sinais cristãos da nossa cultura, como a presença de presépios em espaços públicos. Seja como for, é Karl Rahner, talvez o maior teólogo católico do século XX - tenho a honra de ter sido seu aluno -, que tem razão, quando escreveu: "Quando dizemos "é Natal" estamos a dizer: "Deus disse ao mundo a sua palavra última, a sua mais profunda e bela palavra numa Palavra feita carne". E esta Palavra significa: amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos." Boas Festas!
(texto na íntegra aqui)


Ontem, no CM, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre Negócios sagrados:

Apesar do esforço da Igreja para expurgar a sua atividade de todo o mercantilismo, ele prevalece no seu interior. É normal as pessoas dizerem que vão pagar a missa, o batizado ou o casamento. (...)
Ainda que no contexto de alguns sacramentos se possa receber uma oferta, não se aceita qualquer quantia pela Confissão ou pela Unção dos Enfermos para sublinhar a gratuidade da salvação. Todavia, ainda muito há a fazer para expurgar a Igreja de algum “consumismo religioso”.
(texto na íntegra aqui)

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Violência no islão, alegrias e misericórdias - crónicas de Anselmo Borges, Faranaz Keshavjee, Bento Domingues, Vítor Gonçalves, Fernando Calado Rodrigues e Paulo Terroso 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Violência no islão, alegrias e misericórdias

Crónicas

No DN de sábado passado, Anselmo Borges debruça-se sobre a questão da violência com justificação religiosa e fala também da questão da laicidade. Sob o título Allahu Akbar, escreve:

Mas a laicidade não é a mesma coisa que laicismo, que pretenderia remeter a religião para a privacidade, "para a sacristia", como costuma dizer-se, retirando-a, portanto, do espaço público. As religiões têm direito ao espaço público, não só para se manifestarem publicamente quanto ao culto, mas também para poderem pronunciar-se livremente nos debates sobre as grandes temáticas da sociedade: questões políticas, sociais, económicas, morais. A laicidade apenas garante que, ao contrário do que se passa nos Estados teocráticos, as leis não são automaticamente as da Igreja ou da religião, pois são votadas democraticamente no Parlamento.
(texto na íntegra aqui)


Acerca da questão d’A violência no Alcorão, escreveu também Faranaz Keshavjee na Visão online:

Sempre que os “jihadistas” resolvem atuar (e não uso o termo terrorismo de propósito, porque aí não falaria só de Islão), lá vem o mundo muçulmano em massa dizer que não vale a pena “colocarem-nos a todos no mesmo pacote”, porque o islão deles não é o nosso, ou que aquilo que fazem não é sequer “islão”. O problema é que, qualquer que seja a justificação que se apresente, a lógica religioso-belicista destes grupos é baseada em leituras de versículos do alcorão que estão escritos e traduzidos e que apelam à guerra, à violência e morte aos infiéis.
(texto na íntegra aqui)


Domingo, no Público, frei Bento Domingues intitulou a sua crónica A alegria não pode esperar:

Se o cálculo cristão faz de Jesus o meio do tempo, isto ultrapassa o significado que o próprio Jesus deu à sua actividade. Essa nova interpretação começou, possivelmente, já no cristianismo primitivo. O evangelista Lucas fez uma narrativa da história da Igreja primitiva a seguir à descrição que apresenta do itinerário de Jesus.
Que Jesus divida o tempo é algo que pode surgir como elemento da história ou ser descrito historiograficamente. No entanto, a interpretação original continua intacta. Percebemos que existe algo em Jesus que atravessa qualquer tempo e não se deixa calcular cronologicamente.
(texto na íntegra aqui)


A alegria é também um dos temas de Vítor Gonçalves, na sua crónica À procura da Palavra. Propondo três leituras, escreve, sob o título Alegrias natalícias:

Experimentar a misericórdia implica que a multipliquemos no que somos e fazemos; e que bom percebermos que um jubileu não se resume a indulgências ou “portas santas”, peregrinações e devoções várias, mas se não nos põe a viver como e com Jesus, não valerá a pena!
Três leituras como presentes de Natal. Porque a alegria não é apenas “fogo de vista” mas também pensar no “que devemos fazer”!
(texto na íntegra aqui)


Na crónica de sexta-feira, no CM, Fernando Calado Rodrigues escreve sobre Misericórdia para os recasados:

Espera-se que durante este Ano da Misericórdia, que se iniciou no passado dia 8 de Dezembro, o Papa Francisco encontre uma forma de estender o manto da misericórdia divina às pessoas que falharam no seu primeiro compromisso matrimonial, permitindo-lhes casar novamente perante a Igreja.
(texto na íntegra aqui)


E no suplemento Igreja Viva, do Diário do Minho, Paulo Terroso fala também sobre a misericórdia, mas aplicada ao jornalismo; com o título Quando a normalidade é o mal, o bem torna-se notícia, escreve:

Talvez o jornalismo também tenha necessidade de viver o Jubileu Extraordinário da Misericórdia e atravessar a Porta Santa. Não se trata de um pensamento piedoso. Nem se quer do desejo de converter a comunicação social ao cristianismo. Mas o reconhecimento de que o também o jornalismo necessita de conversão, isto é, de ser a melhor versão de si mesmo. Além do mais, o exercício da profissão «implica um cuidado especial pela verdade, a bondade e a beleza; e isto torna-nos particularmente vizinhos, já que a Igreja existe para comunicar precisamente isto: a Verdade, a Bondade e a Beleza “em pessoa”. Deveria resultar claramente que todos somos chamados, não a comunicar-nos a nós mesmos, mas esta tríade existencial formada pela verdade, a bondade e a beleza» como disse o papa Francisco no primeiro encontro com os jornalistas. 
(texto na íntegra aqui)

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Em teu seio amadurece a manhã - uma oração à Senhora do Advento

"Em teu seio amadurece a manhã"


Oração à Senhora do Advento

Avé Maria, Senhora do Advento
A misericórdia de Deus esplende em ti
Bendita és tu entre as mulheres
Em teu seio amadurece a manhã

Ó Mãe propícia
leve, magnífica e atenta
aos amplos pátios da nossa solidão
És aquela que melhor apascenta
a turbulenta forma da nossa sede:

Roga por nós que atravessamos o mundo agora
roga por nós que atravessamos esta hora

José Tolentino Mendonça

Imagem: Senhora do Parto, Igreja de S. Pedro, Leonessa  (Italia). Crédito da imagem: aqui

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O Papa em África: uma mensagem em miniatura

domingo, 6 de dezembro de 2015

O Papa em África: uma mensagem em miniatura


(foto reproduzida daqui)

Vários comentários retomam ainda a viagem do Papa a África, que terminou segunda-feira passada. No CM de sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues pegava nas declarações do Papa no regresso de Bangui (República Centro-Africana), a propósito da sida. Sob o título A Igreja e o preservativo, escrevia:

Mais importante do que ditar o uso ou não uso do preservativo, a Igreja deve preocupar-se em propor valores, como sejam o altruísmo e a abertura à vida, ou a humanização da sexualidade, como defendeu Bento XVI. No fundo, é fazer o mesmo caminho que percorreu em relação à organização política das sociedades: em vez de propor um modelo a partir da sua Doutrina Social, fornecer os valores a respeitar no exercício do poder. E denunciar todos os comportamentos que não os respeitam, sem canonizar um qualquer sistema político.
(Texto na íntegra aqui)


No Público, Alexandra Lucas Coelho toma esse e outros pretextos para falar d’O PREC do Papa em 2015:

É aqui que o Papa Francisco entra, detendo o ponteiro enlouquecido da bússola. Ao ir onde vai, ao dizer o que diz, ao abraçar quem abraça, ele redefine o eixo da fé em 2015, uma fé tão nos antípodas da Inquisição ou das seitas cristãs contemporâneas como a minha família de Gaza está nos antípodas do “Estado Islâmico”. A grande revolução de Francisco será essa, resgatar a fé da zona vermelha do saque, começando pelos saqueadores do Vaticano, porque um cristão humanista estará sempre mais próximo de um muçulmano humanista do que de um cristão fundamentalista, tal como um muçulmano humanista está mais próximo de um cristão humanista do que de um muçulmano fundamentalista. Dois crentes humanistas estarão sempre próximos, independentemente da Igreja.
(Texto na íntegra aquia propósito da última referência do texto, a Israel e Palestina, pode recordar-se a importante viagem do Papa Francisco à Terra Santa, onde ele se referiu exactamente à urgência do reconhecimento mútuo dos dois Estados, bem como a outras questões do conflito)


No Crux, o site de informação religiosa do Boston Globe, Inés San Martín escrevia que a viagem a África como que sublinhou e sintetizou, numa espécie de “miniatura”, os diferentes aspectos do “Papa das periferias”.
No texto, a correspondente do Crux em Roma destaca que a viagem permitiu ao Papa colocar as periferias no centro da Igreja e insistir na ideia de um catolicismo centrado na misericórdia de Deus.
A paz, os pobres, o ambiente, o diálogo inter-religioso, a reconciliação, os doentes e os jovens são alguns dos tópicos do Papa na viagem ao Quénia, Uganda e República Centro-Africana (RCA), destacados por Inés San Martín. “Por detrás de tudo, a misericórdia foi um refrão constante”, nota a jornalista, recordando o gesto da abertura da porta do ano jubilar da misericórdia na catedral de Bangui.
A ideia da misericórdia esteve ainda presente, acrescenta o texto no facto de a RCA ser o terceiro país mais pobre do mundo, de ser a primeira vez que um Papa contemporâneo visita um país numa situação de guerra activa.
(O texto, em inglês, pode ser lido aqui na íntegra)


No DN de segunda-feira, o dia em que a viagem do Papa terminou, publiquei um artigo sobre o catolicismo africano. Fica a seguir o texto, com o título

O Papa perante uma Igreja plural, a falar ao mundo

O Papa Francisco deixa hoje a República Centro-Africana (RCA), país mergulhado num violento conflito e última etapa desta já histórica viagem, depois de ter estado no Quénia e no Uganda. Nestes seis dias intensos, o Papa despertou uma Igreja com desafios críticos pela frente, tocou todos os graves problemas das sociedades africanas e não deixou de ter os olhos postos no mundo – por exemplo, com as referências ao meio ambiente e ao terrorismo.

Novas figuras do Advento, a mulher mais poderosa e uns sapatos

Crónicas

Na crónica deste Domingo, no Público, frei Bento escreve sobre Novas figuras do Advento, citando o ex-presidente do Uruguai e o novo presidente da Tanzânia.

Pela primeira vez em 54 anos, a Tanzânia não vai celebrar oficialmente o dia da Independência, porque Magufuli defende ser “vergonhoso” gastar rios de dinheiro nas celebrações quando o nosso povo está a morrer de cólera. Só nos últimos três meses vitimou, pelo menos, 60 pessoas. Acabaram-se as viagens dos governantes ao estrangeiro. As embaixadas deverão tratar dos assuntos que lhes competem. Se for necessário viajar, terá de pedir uma licença especial ao Presidente ou ao seu Chefe de Gabinete. Em 1ª classe e executiva só o Presidente, o Vice-Presidente e o Primeiro-Ministro. Acabaram-se os workshops e seminários em hotéis caros, quando há tantas salas de ministérios vazias.
(texto na íntegra aqui)


Ontem, no DN, Anselmo Borges escrevia sobre A mulher mais poderosa:

A quem estiver habituado a associar a devoção a Nossa Senhora só à beatice, lembro o hino revolucionário que o Evangelho de São Lucas colocou na sua boca, o Magnificat: "A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia estende-se de geração em geração. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias."
(texto na íntegra aqui)


No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica de hoje, 2º Domingo do Advento, Vítor Gonçalves escreve, sob o título Os sapatos do Papa:

Preparam-se os caminhos do Senhor ao endireitar os caminhos dos homens. Porque não foram outros que Jesus escolheu percorrer. Os caminhos servem para irmos ao encontro uns dos outros, para fazer circular a vida, como veias deste corpo que é a terra. Em tempo de guerra e medo destroem-se as estradas e as pontes, para isolar e melhor conquistar, e o isolamento das pessoas, e dos corações, mata muito. Parece insignificante o trabalho do cantoneiro mas quando falta, o mato invade o caminho, os buracos não são reparados, o caminho deixa de ser escolhido. Que caminhos precisamos reparar (dentro e fora de nós!) para que a humanidade se eleve? Será preciso pedir os sapatos do Papa Francisco?
(texto na íntegra aqui)

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Laicidade e respeito: livrai-nos do mal - Crónicas de Paulo Terroso e Isabel Stilwell


Laicidade e respeito: livrai-nos do mal

Crónicas


Terror na República: "Meu Deus, um presépio!"

No suplemento Igreja Viva, do Diário do Minho, Paulo Terroso aborda vários episódios de interdições da celebração do Natal. Sob o título A laicidade merece respeito, escreve:

Já sabíamos que rezar é uma actividade perigosa com consequências imprevisíveis. S. Francisco de Assis, S. Tomás Moro, S. Inácio de Loyola, S. Teresa de Ávila, Madre Teresa de Calcutá e S. João Paulo II, só para nomear alguns, atestam que a prática do exercício espiritual gera tensões e alterações de ordem política, social e religiosa. Mas ainda não estávamos avisados do potencial de perigosidade da oração do Pai Nosso, quando apresentada sob a forma de publicidade.
(Texto na íntegra aqui)


Um desses episódios é também referido por Isabel Stilwell, numa crónica no jornal i (a propósito: o que se passou no processo de anúncio de encerramento do jornal foi vergonhoso, sob vários pontos de vista). Sob o título Livrai-nos do mal, escreve:

O anúncio é simples: um conjunto de pessoas de diferentes profissões, de um agricultor a um polícia, passando por estudantes e sem deixar de fora um refugiado, dizem, cada um à vez, uma frase do pai-nosso, até ao ámen que fecha a oração mais emblemática do cristianismo. Num último plano surge no ecrã a frase “A Oração é para todos”. O filme dura 60 segundos. (Se puder, veja: “Justpray oficial video”, no YouTube.)
É assim a publicidade ao novo site de oração da Igreja de Inglaterra, destinada a passar no cinema, nos minutos que antecedem o novo “Guerra das Estrelas”. Contudo, as três cadeias que controlam 80% das salas recusaram-se a passá-la, por consideraram que “podia ser perturbador ou tido como ofensivo por algumas pessoas na assistência”. O que, a ser verdade, tornava ainda mais pertinente que recitassem o “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. 
(Texto na íntegra aqui)

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Santos de Bangui, III Guerra Mundial, a corrida de Deus e o que está p'ra chegar - crónicas de Paulo Terroso, frei Bento Domingues, Anselmo Borges, Vítor Gonçalves e Fernando Calado Rodrigues

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Santos de Bangui, III Guerra Mundial, a corrida de Deus e o que está p’ra chegar

No suplemento Igreja Viva, do Diário do Minho, Paulo Terroso projectava, quinta-feira passada, a viagem que o Papa hoje terminou a África. Sob o título Os três santos de Bangui, escrevia:

a viagem, quase temerária, à RCA, surge como resposta ao convite feito pelo imã, o pastor evangélico e o arcebispo católico aquando da visita ao Papa no Vaticano em 2014. Ao aceitar o convite Francisco está a dar o maior apoio possível a um dos maiores exemplos de diálogo inter-religioso tendo em vista a paz.
(texto na íntegra aqui)


Falando sobre o início do Advento, o Papa e os recentes atentados em Paris, frei Bento Domingues escrevia neste Domingo, no Público, sob o título Deus não passa por nós a correr:

Quando João Paulo II se opôs, da forma mais firme, à guerra no Iraque, ignoraram-no. Ele estaria a defender os interesses cristãos da zona. Quando o Papa Francisco advertiu que era urgente suster a calamidade do Estado Islâmico, uns ignoraram-no, outros comentaram: o pacifista converteu-se à guerra justa. Também ele estaria a defender os cristãos dos massacres que os tinham por alvo preferencial.
Não basta intensificar o diálogo inter-religioso, embora seja muitíssimo importante que todos confessem que um deus que incita à violência gera uma religião diabólica, uma anti-religião.
(texto na íntegra aqui)


Anselmo Borges escrevia também, no DN, a propósito das posições do Papa relativas aos vários conflitos, nomeadamente centrados no Médio Oriente. Com o título Terceira Guerra Mundial?, dizia:

Pergunta imensa: o que é que leva tantos jovens europeus, e não se trata apenas de gente pobre dos arrabaldes das grandes cidades, a alistar-se para combater no "Estado Islâmico"? Que ideias, que valores lhes entregamos? Segundo o politólogo Gilles Kepel, especialista do islão e do mundo árabe contemporâneo, não bastam as explicações sociológicas, escreve no último L’Obs. Jovens sem referências, perdidos no meio das desordens do mundo que a torneira mediática espalha, podem ser tentados a ir procurar num passado mitificado, o do islão das origens revisitado e falsificado, uma ordem que vai dar-lhes normas, valores. 
(texto na íntegra aqui)


No comentário aos textos da liturgia católica deste primeiro domingo do Advento, celebrado dia 29, Vítor Gonçalves falava de música e escrevia, sob o título O melhor está p’ra chegar:

Mesmo em grandes desgraças há mil e uma pequenas graças que nos revelam algo de bom, algo de grandioso. Como esquecer os amigos, namorados, ou desconhecidos, que se colocavam à frente das balas dos terroristas de Paris, para salvar os que amavam ou mesmo quem não conheciam? Nada justifica o mal, mas perante ele, o bem parece crescer onde não julgávamos existir! Jesus não quer atemorizar com as suas palavras, antes convida a “erguer a cabeça”, a “ter cuidado” connosco, e a não deixarmos os corações tornarem-se pesados pela“intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida”. Quase sinto Jesus a dizer-nos: “Olhem que o melhor ainda virá!”
(texto na íntegra aqui)


Sexta-feira, no CM, Fernando Calado Rodrigues referiu-se à posse do novo Governo, sob o título O PS e a Igreja:
Há 40 anos, durante o “Verão Quente”, o PS liderado por Mário Soares acolheu o apoio da Igreja Católica e teve como principal interlocutor o cardeal-patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro. Hoje, ainda é muito cedo para perceber qual vai ser o relacionamento deste governo de maioria de esquerda com a Igreja. As reações da hierarquia são, para já, cautelosas – apenas dizem que estão disponíveis para colaborar com qualquer governo, na promoção do bem comum de todos, etc.
(texto na íntegra aqui)