Opinião
Texto de Silas Oliveira
A três dias da primeira volta das eleições presidenciais, a chamada bancada “evangélica” do Congresso brasileiro declarou formalmente o seu apoio ao candidato Jair Bolsonaro, em “defesa dos valores da família cristã”. É fácil dizer agora que “os Evangélicos” e “as Igrejas Evangélicas” são responsáveis por este equívoco, e são representadas por este homem. Mas não é exacto.
As palavras têm significado, têm sentido – que pode, infelizmente, degradar-se, ser desviado, ser traído. Também as palavras são violadas. Importa, em defesa do rigor e da justiça, avaliar o sentido histórico do qualificativo de Evangélico, e as nuances que foi adquirindo ao longo do tempo.
Quando os Reformadores da Igreja alemã, no séc. XVI, sentiram a necessidade de dizer o seu novo nome, chamaram-lhe Evangelisch. A Igreja não tem de ser Romana – pode sê-lo, como de muitas outras fontes de origem – mas tem sempre de ser Evangélica.
Esta intuição original é correcta e mantém-se até hoje entre as Igrejas de língua alemã, no espaço da tradição luterana. Estas Igrejas, nos vários territórios (LandesKirchen) da Alemanha, têm a designação oficial de Evangelische Kirche (Igrejas Evangélicas) e, em alguns deles (não todos) completam o título acrescentando-lhe Lutherische (Luteranas). Mas o qualificativo principal é o primeiro, em que se assumem como seguidoras e testemunhas do Evangelho.
O termo Evangelical, na língua inglesa, passa a designar uma sensibilidade ou uma tendência no seio do protestantismo, a partir do Reavivamento (Revival) Evangélico, que se desenvolve na Igreja Anglicana e, depois, nas várias Igrejas não-oficiais (Free Churches) – estando, aliás, na origem da Igreja Metodista, no séc. XVIII.
