Texto de António Marujo
(Milton Nascimento, Missa dos Quilombos - Estamos Chegando,
poema disponível aqui)
Neste domingo, 7 de Outubro, mais de 147 milhões de eleitores brasileiros são chamados a votar na primeira volta das eleições presidenciais. Em muitos sectores, cresce a inquietação com a possibilidade de vitória do candidato Jair Bolsonaro, do PSL (Partido Social Liberal), que tem defendido posições misóginas, armamentistas, racistas e anti-ambientais. A sua eleição representa uma ameaça “enorme” à democracia brasileira, escrevia The Guardian quinta-feira, dia 4, e o “risco impensável'” de que ele se torne Presidente do Brasil passou a ser real.
Nestas eleições, há muitos factores em jogo. Os graves casos de corrupção, que nunca desapareceram do país e continuaram durante os governos do Partido dos Trabalhadores, a violência social e as fortes desigualdades sociais (atenuadas durante a presidência de Lula da Silva) são apenas algumas delas. O voto de evangélicos e católicos e a influência das redes sociais na dinamização das pessoas e na propagação de mentiras são, por outro lado, alguns dos elementos determinantes que podem fazer pender a eleição para um lado ou outro.
O recenseamento de 2010 identificou 86,8 por cento dos brasileiros como cristãos. Destes, 22,2 por cento (cerca de 43,3 milhões de pessoas) são evangélicos. O crescimento dos últimos anos permite, no entanto, prever que, em 2020, possam tornar-se a maioria dos cristãos.
“O crescimento [dos evangélicos] tem sido atribuído, por vários estudos com as mesmas conclusões analíticas, ao facto de que as igrejas evangélicas estão em locais em que o Estado não chega com suas políticas básicas”, diz ao RELIGIONLINE Jane Maria Vilas Bôas, assessora de imprensa da candidata Marina Silva.
A mesma responsável acrescenta: “Os pastores (das diferentes comunidades e grupos) têm sido as referências de assistência social em locais muito pobres. Além disso, o corpo eclesiástico das igrejas evangélicas tem sido formado com pastores oriundos da própria população local. Assim, essa expansão demográfica também significa expansão da capacidade de influenciar qualquer processo social da sociedade brasileira, inclusive as eleições presidenciais.”
Marina Silva e o poder das mulheres
Uma das questões para este domingo está, então, em saber se o voto evangélico (e, por extensão, o católico) pode ser um factor decisivo na escolha do eleitorado. Jane Maria contesta o pressuposto da designação: “Os evangélicos no Brasil se distribuem em 36 denominações. Considerando essas diferentes práticas e doutrinas, é um pouco difícil definir ‘voto evangélico’.”

