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sábado, 10 de maio de 2014

O dia dos quatro papas

Crónica

No seu texto no DN de hoje, Anselmo Borges volta à canonização de João XXIII e João Paulo II, sob o título O dia dos quatro papas:

Os media caracterizaram o passado dia 27 de Abril como a celebração dos quatro papas. Dois - João XXIII e João Paulo II foram canonizados - e dois - o Papa Francisco e o papa emérito Bento XVI - presidiram. Como prometido, tentarei mostrar a importância histórica dos canonizados. (...)
O que é facto é que o sucessor [de João Paulo II], Bento XVI, acabou por resignar e Francisco está mais na linha de João XXIII do que da de João Paulo II.
(o texto integral pode ser lido aqui)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Papas ausentes, perigos presentes, liberdade na Páscoa e padres casados

O texto da série 25 de Abril – 40 anos, anunciado para hoje (Terceiros Sábados, uma rede de amizade e conspirações – uma reconstituição inédita) será publicado até final desta semana.

Crónicas

Nas crónicas de imprensa do fim-de-semana passado, estiveram em foco as canonizações de João XXIII e João Paulo II, proclamadas pelo Papa Francisco no dia 27 de Abril, em Roma. Sob o título Papas ausentes, Fernando Calado Rodrigues escreveu no CM:

Paulo VI foi o timoneiro que assumiu o leme do Concílio Vaticano II, convocado pelo seu antecessor, e o soube levar a bom porto. Ficou, assim, ligado à maior reforma da Igreja desde o concílio de Trento, quinhentos anos antes.
João Paulo I (...) Era um bom comunicador. Criou uma relação empática com as pessoas, que o cognominaram de “Papa do Sorriso”. Tal como Francisco, nas audiências gerais interagia com os assistentes, “entrevistava” crianças e jovens.
(o texto integral pode ser lido aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges escreve, sob o título Canonizações e seus perigos:

Num dos estudos mais fiáveis que se fizeram mostra-se que "de 1938 casos examinados de santos canonizados, 78% pertenceram à classe alta, 17% à classe média e só 5% à classe baixa".
E lá está a magnificência de uma canonização, que pode ferir a simplicidade do Evangelho. Quando se trata de canonizar papas, sobrevém o perigo da endogamia e da canonização do poder.
(o texto integral pode ser lido aqui)


Antes, no comentário às leituras do II Domingo da Páscoa (27 de Abril), Vítor Gonçalves escreveu também acerca da canonização. Sob o título Enviados, referiu ainda os 40 anos do 25 de Abril:

Por estes dias celebramos a liberdade que o 25 de Abril de 1974 “abriu”. E conjugamos de diversas formas a responsabilidade que toda a liberdade reclama. Assim na vida e na fé. A liberdade que a Páscoa de Jesus trouxe, é responsabilidade de todos pelo mundo novo que podemos construir. Ninguém deixou de ser enviado!
(o texto integral pode ser lido aqui)


Domingo passado, no Público, frei Bento Domingues escreveu sobre Padres casados na Igreja Católica? Depois de uma breve história sobre a definição do celibato no catolicismo, afirmava:

Dir-se-á, e com verdade, que a história já deu muitas voltas, já passou por fases muito diferentes, antes e depois do Concílio de Trento. Não se tendo conseguido respeitar a possibilidade de optar pelo celibato ou pelo casamento, as consequências estão à vista. As comunidades cristãs são privadas da Eucaristia, o sacramento dos sacramentos. Sem olhar de frente esta questão, continuaremos a lamentar obstáculos que nós próprios criamos.
(o texto integral pode ser lido aqui)



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Domingo de canonizações

Na sua última crónica no Público, sob o título Domingo de canonizações, frei Bento Domingues escrevia:

Seria longo explicar a razão de João XXIII ter surgido como uma espantosa surpresa para a Igreja e para o mundo: como foi possível, depois de Pio XII e de todos as condenações desde o séc. XIX, começar a dar a palavra a toda a Igreja, convocando o Vaticano II, aberto às outras Igrejas cristãs, às outras religiões, a todos os seres humanos de boa vontade? Apesar de todos os esforços para abafar essa revolução e para o esquecer, hoje, muitos se alegram e outros perguntam: afinal quem foi ele?
João Paulo II, quem o esqueceu? Para vergonha de todos temos o cardeal Bertone.

(o texto pode ser lido aqui na íntegra)


domingo, 27 de abril de 2014

Francisco canonizou os papas da coragem



Roma viveu esta manhã a canonização dos papas João XXIII e João Paulo II. No sítio do DN na internet, publiquei uma notícia depois da conclusão da homilia do Papa Francisco:

Foram ambos papas que "tiveram a coragem" de aceitar o evangelho e de ver em cada pessoa a "carne do irmão". O Papa Francisco referiu-se deste modo aos seus dois predecessores que acabou de proclamar como santos, pouco depois das 10h da manhã, em Roma (9h em Lisboa): João XXIII foi o Papa da "docilidade ao Espírito Santo" e João Paulo II "o Papa da família". Ambos fizeram por "restabelecer e actualizar a Igreja segundo a sua fisionomia originária".
(texto completo disponível aqui)



Os novos santos, os que não são canonizados e os que seriam incanonizáveis


João Paulo II, visto pela artista polaca Anna Gulak

Em dia de duas importantes canonizações na Igreja Católica, será importante reflectir sobre os santos não canonizados e os que seriam incanonizáveis – essa é a proposta de frei Bento Domingues, num curto texto proposto no blogue do movimento Nós Somos Igreja (NSI). Escreve ele: “Seria bom habituarmo-nos a não medir a misericórdia de Deus pelas leis que fabricamos na Igreja ou fora dela. O beatério não é o melhor juiz para avaliar os misteriosos desígnios de Deus.”
O texto integral pode ser lido aqui.

Precisamente o NSI critica, em comunicado disponível para já em inglês, o processo de canonização de João Paulo II. “Todo o sistema das canonizações é questionável e a sua democratização é essencial”, propõe o movimento, que sugere reformas na governação, transparência e prestação de contas tal como já iniciadas pelo papa Francisco. A santidade deve ser um apelo e uma vocação universal de todos os crentes, como sugere a constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, Lumen Gentium (11).
O texto refere ainda o papel do Papa João Paulo II na questão dos abusos sexuais de membros do clero, nomeadamente do padre Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, bem como na simplificação dos processos de canonização, que fez com que tenha acabado a verificação de eventuais contra-indicações para verificar a vida de alguém que pode ser canonizado.
Para o NSI não estão em causa as qualidades humanas e santas de João XXIII ou João Paulo II, mas a forma como estes processos são organizados. O texto pode ser lido aqui em inglês.

No La Croix, há um extenso dossiê sobre as canonizações que este domingo decorrem em Roma. Com João XXIII (1958-63), o Papa Francisco como que “canoniza” o Concílio Vaticano II; e com João Paulo II (1978-2005), que protagonizou um dos mais longos pontificados da história, consagra “uma personalidade fora do comum, com a qual se identifica uma geração de católicos.
O dossiê pode ser consultado aqui.

Nele são incluídos perfis biográficos de João XXIII que, considerado no início como um Papa de transição, surpreendeu tudo e todos ao convocar o Vaticano II e acabou por ter um pontificado curto, mas visionário.

João Paulo II é, para muitos, um Papa grande, mas o seu pontificado não ficou isento de sombras como recorda o respectivo perfil biográfico preparado pelo mesmo jornal. Viajante incansável, opositor firme do comunismo no leste europeu – para cuja queda acabou por contribuir –, deu ao papado uma nova dimensão mas foi incapaz de renovar a Cúria, dela ficando prisioneiro, analisa o La Croix. E terá sido essa uma das razões para que a sua acção em relação aos abusos sexuais de membros do clero não tenha tido a eficácia pretendida – nomeadamente em relação ao fundador dos Legionários de Cristo (sobre a questão da pedofilia, o porta-voz de João Paulo II, Joaquin Navarro Valls, disse esta semana em Roma que o Papa não entendeu a gravidade do assunto desde o início, mas que, quando isso aconteceu, começou logo a tomar decisões, como noticia a Ecclesia).

Preocupado com a coesão hierárquica da Igreja, João Paulo II acabou ainda assim por ter gestos de abertura ao diálogo inter-religioso, como escreve Guillaume Goubert no texto.
Este dossiê explica ainda as razões da proclamação da santidade e responde a outras quatro questões ligadas à canonização e apresenta quinze datas essenciais do pontificado de João XXIII e outras tantas do de João Paulo II.