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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Avança reforma da Cúria Romana e muda o conselho de cardeais (e o que fica por fazer)

Texto de António Marujo


(Ao lado: Hildegarda de Bingen, A fonte da vida; ilustração reproduzida daqui)

Três dos nove cardeais que aconselham o Papa, reunidos no designado C9, deverão sair e ser substituídos. Na interpretação que vários sítios de informação fazem do comunicado do C9 divulgado segunda-feira, 10 de Setembro, os cardeais Francisco Errázuriz, do Chile, com 85 anos, George Pell, da Austrália, 77, e Laurent Monsengwo Pasinya, da RD Congo, 78, deverão ser substituídos e não participar na próxima assembleia do grupo. 
No caso dos dois primeiros, a questão dos abusos sexuais do clero é decisiva: ambos enfrentam, nos seus países, acusações de não ter lidado com rigor em relação a padres acusados de abusos sexuais. Já Monsengwo poderá sair tendo em conta a sua idade. No comunicado, os cardeais referem apenas a questão da idade, afirmando que pediram ao Papa Francisco “uma reflexão sobre o trabalho, a estrutura e a composição do mesmo Conselho, levando em conta também a idade avançada de alguns membros”. 
Errázuriz, que foi arcebispo de Santiago entre 1998 e 2010, está acusado de negligência na forma como agiu em relação às acusações ao padre Fernando Karadima ou, mesmo, de ter encoberto deliberadamente os crimes do padre. O cardeal já não esteve nesta reunião, que termina dia 12, quarta-feira, e a única explicação dada em Santiago foi a de afazeres inesperados que não permitiram a sua saída do país
O padre Karadima foi considerado culpado de abusos de poder, consciência e sexo pela Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, em 2011. Os seus crimes e os encobrimentos de vários bispos levaram à grave crise em que se encontra a hierarquia católica chilena, que levou mesmo o Papa a convocar todos os bispos para uma reunião em Roma. No início, Francisco entregou-lhes uma carta muito dura e, no final, todos eles apresentaram a sua demissão ao Papa, que aceitou já vários dos pedidos
O australiano George Pell, prefeito da Secretaria da Economia do Vaticano, enfrenta também acusações de abusos e está neste momento indiciado num processo na Austrália. 
As mudanças ocorreriam, assim, no final dos cinco anos de mandato do C9, que foi criado no final de Setembro de 2013, pelo Papa, como um grupo de aconselhamento mais próximo, como se analisa neste texto de Hernán Reyes Alcaide, correspondente de Religión Digital no Vaticano. 
De acordo com a mesma fonte, o conselho deverá incorporar, em breve, um secretário canónico, que faça a ponte entre as necessárias reformas da Cúria e a forma de as articular com o Direito Canónico
Foi também no âmbito do C9 que foi preparada a nova constituição apostólica que regula o funcionamento da Cúria Romana, provisoriamente intitulada Praedicate Evangelium
No comunicado já citado, o conselho também se dispõe a entregar essa proposta de constituição ao Papa. O texto está, agora, a ser discutido pelos diferentes organismos da Cúria, para que as últimas sugestões de correcção possam ser tidas ou não em conta pelo Papa, antes da sua publicação. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Emily Dickinson a falar ao Papa Francisco, através de Tolentino Mendonça, sobre a água que a sede ensina


José Tolentino Mendonça (foto agência Ecclesia, reproduzida daqui)

Dizia a poetisa Emily Dickinson que “a água é ensinada pela sede”. Comenta, agora, o padre José Tolentino Mendonça, que “quando acolhemos verdadeiramente o desafio da sede, percebemos que a coisa mais importante não é propriamente satisfazê-la, mas interpretá-la, aprofundar-lhe o significado, intensificá-la, levá-la mais longe. A sede, por si própria, é um património espiritual.”
As palavras do padre e poeta português estão em entrevistas ao L’Osservatore Romano e ao portal de notícias Vatican News, a propósito dos Exercícios Espirituais de Quaresma que, neste momento (18h em Roma, 17h em Lisboa), começam nos arredores de Roma, com a participação do Papa e de muitos dos responsáveis da Cúria Romana. “Devemos ter a coragem de assumir a sede como mestra nos caminhos da alma”, diz Tolentino Mendonça, que citará também outros poetas, escritores e artistas nas suas reflexões, entre os quais Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Antoine de Saint-Exupéry ou Tonino Guerra. Uma síntese da da entrevista em português pode ser lida aqui e a versão integral em áudio pode ser escutada aqui.
Neste outro texto, o próprio Tolentino Mendonça antecipa algumas das ideias do retiro que esta tarde começa em Ariccia. Aqui pode encontrar-se o roteiro deste retiro que se prolonga até sexta-feira, também resumido nesta notícia.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A revolução franciscana (8) – Entre a reforma e os opositores, os temas difíceis do Papa

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante o mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o oitavo e último trabalho da série. 


O Papa Francisco com cardeais, no Vaticano 
(foto reproduzida daqui)

Pressente-se a urgência na sua forma de agir: a reforma da Cúria Romana terá de avançar e ser concluída antes de o Papa se retirar. Mas, até lá, e apesar do que já conseguiu, Francisco tem ainda muito trabalho pela frente. E muita oposição que se adivinha.

Não sendo a sua questão essencial - o que o Papa quer, em primeiro lugar, é que todos os católicos assumam de forma mais intensa a sua relação com o Evangelho e com as consequências da fé no agir quotidiano -, a reforma da Cúria Romana iniciada já por Francisco é um desafio importante para poder concretizar todos os outros de forma plena.
Os problemas da Cúria foram uma das razões que levaram Bento XVI a resignar do cargo e o Papa Bergoglio quer cumprir o mandato dos cardeais. Nas reuniões preparatórias do conclave, foram muitas as vozes a pedir uma clara reforma da instituição.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)


Aprofundar o debate sobre o lugar da mulher na Igreja
Na sua primeira longa entrevista, ao padre jesuíta Antonio Spadaro, o Papa Francisco afirmava: “É necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja.” O Papa criticava a “ideologia machista”, defendendo que a mulher é “imprescindível” para a Igreja e que é preciso “trabalhar mais para fazer uma teologia profunda da mulher”, bem como “reflectir sobre o lugar específico da mulher, precisamente também onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja.”
A exegese bíblica das últimas décadas tem destacado cada vez mais o lugar importante que as mulheres tiveram no grupo dos seguidores de Jesus e as mulheres concretas que São Paulo deixou a liderar comunidades por ele criadas.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

“Há lobos dentro e fora da Cúria”, afirma vaticanista



        Os defensores do papa Francisco dentro da Igreja ainda não apareceram. E mais: na Cúria Romana, ou seja, a partir dos prelados que trabalham no Vaticano, está ocorrendo uma difícil batalha entre o projeto reformista do pontífice argentino e seus opositores que, com uma resistência passiva e com a inércia, fazem com que as coisas não mudem. Esta é a tese que sustenta em seu último livro, “Francesco tra i lupi” (Francisco entre os lobos, Editora Laterza), um dos mais importantes vaticanistas da Itália, Marco PolitiPoliti começou a trabalhar como jornalista vaticano em 1971, em dois grandes jornais da capital italiana: Il Messaggero e La Repubblica. Atualmente é colunista do jornal Il Fatto Quotidiano. “Francisco entre os lobos” é seu oitavo livro, todos relacionados com sua experiência vaticana.
Na entrevista, Politi mencionou vários dos ásperos assuntos com os quais Francisco precisa lidar cotidianamente e a respeito dos problemas de segurança que pode enfrentar. No livro, cita declarações do juiz antimáfia da Calábria, Nicola Gratteri, que disse: “A máfia financeira foi perturbada em seus tráficos por um pontífice que rema contra o luxo, é coerente, é credível (...). Se os mafiosos pudessem lhe dar uma rasteira, acredito que não hesitariam (...). Não sei se a criminalidade organizada está em condições de fazer algo, mas certamente está refletindo sobre o assunto. Pode ser muito perigoso”.
A entrevista é de Elena Llorente, publicada por Página/12, 03-06-2014. A tradução é do Cepat e foi publicada há dias pela Newsletter do Instituto Humanitas da Unisinos, Brasil.

Eis a entrevista:

Quem são os “lobos” de seu livro?
Os lobos são os adversários do papa Francisco na Cúria e fora da Cúria, mas também no mundo econômico, sobretudo quando aponta seu dedo em nível global contra as injustiças da gestão da economia. Ele não é contra a economia de mercado, mas ataca a gestão dessa economia, sobretudo financeira. Todos aplaudem, mas ninguém dá um passo. Há uma forte resistência passiva ao Papa, no campo econômico, em razão das mudanças que está fazendo na estrutura econômica da Santa Sé, entre outros no IOR, o banco vaticano. Na Itália, há uma série de entrelaçamentos entre monsenhores e gente de negócios, inclusive ex-membros dos serviços secretos. Um caso foi o de monsenhor Scarano(hoje preso), que tentou carregar 20 milhões de euros ilegalmente da Suíça, em um avião. Quem pilotava o avião era um ex-membro dos serviços secretos.

No livro, você menciona as palavras do juiz Gratteri. Pensa que seria possível um atentado contra Francisco?
Francisco está tocando grandes interesses e o alerta de Gratteri é muito sério. O Papa não quer medidas de segurança especiais. Decidiu encomendar-se completamente à Providência. A gendarmaria vaticana está aterrorizada pelo fato de que beba, como se não fosse nada, de um recipiente que alguém do público lhe oferece durante suas audiências gerais.

Quem são os “lobos” em nível religioso?

sábado, 5 de outubro de 2013

Reforma da Cúria Romana em marcha

Os oito cardeais do conselho de consultores tiveram a sua primeira reunião, em Roma, entre 1 e 3 de Outubro, com o Papa Francisco. Em debate, esteve a reforma da Cúria. O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, afirmou que haverá novas regras de funcionamento da estrutura central da Igreja Católica, o que implica uma nova Constituição e não apenas a mudança de alguns pormenores da Pastor bonus. A reportagem da SIC, aqui, com alguns comentários recolhidos durante as jornadas de comunicação social, que decorreram quinta e sexta-feira, em Fátima.
Na sequência deste primeiro encontro do “G-8” – os oito cardeais nomeados pelo Papa para discernir sobre a reforma –, Francisco foi a Assis no dia de S. Francisco e, entre outras coisas, voltou a condenar a morte o alheamento europeu perante a morte de imigrantes, que na quinta tivera mais um episódio trágico ao largo de Lampedusa.

Com a visita do Papa a Assis como pano de fundo, o frade franciscano capuchinho Fernando Ventura comenta o ambiente de reforma e faz, na SIC Notícias, um balanço destes primeiros meses do novo pontificado. A entrevista pode ser vista aqui

sábado, 24 de agosto de 2013

O que pensa o Papa Francisco – sobre Deus, a Igreja, o clero e a reforma da Cúria

Crónicas

Nas crónicas destes dois últimos sábados, no DN, Anselmo Borges debruça-se sobre o pensamento do actual Papa acerca de Deus e também sobre a Igreja
Fernando Calado Rodrigues falou igualmente do Papa Francisco nas suas últimas crónicas. Primeiro para falar sobre o clero, a partir de um estudo sobre o perfil psicológico dos padres, feito nos Estados Unidos – e que revela dados preocupantes – e, depois, para perspectivar as mudanças na Cúria Romana que se anunciam para depois do Verão.