Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

“O poder é necessário e é um serviço”


Entrevista ao bispo Carlos Azevedo a propósito do livro “Ministros do Diabo”



D. Carlos Azevedo, fotografado no final de Julho em Santa Maria da Feira 
(foto © Paulo Pimenta/Público)

Defende que o proposto “Museu das Descobertas” deveria ter outro nome e que a Igreja faria bem em promover um processo de reflexão que pudesse levar a pedir perdão pelas atitudes de uma parte dos seus membros durante a guerra colonial. O bispo Carlos Azevedo transcreve e estuda, no seu último livro, sermões de um bispo de Coimbra em autos-da-fé da Inquisição.

O facto de viver em Roma permitiu-lhe um acesso mais fácil aos arquivos do Vaticano. À procura de documentos sobre o bispo João de S. José Queirós, do século XVIII, tropeçou num texto do padre João Moutinho a criticar a Inquisição, no qual condenava os bispos portugueses como heréticos. Agora, encontrou seis sermões do então bispo de Coimbra, Afonso de Castelo Branco, em autos-da-fé – o único caso conhecido em que alguém faz seis sermões em sessões do tribunal da Inquisição.
Delegado do Conselho Pontifício da Cultura, o bispo Carlos Azevedo fala, nesta entrevista em Roma, sobre o seu último livro: Ministros do Diabo (ed. Temas e Debates), onde reproduz e investiga seis sermões do então bispo de Coimbra, Afonso de Castelo Branco. E analisa o que ainda ficou nos portugueses sobre o espírito inquisitorial: “Por vezes, vem ao de cima algum espírito de caça ao erro ou ao mal que é típico deste espírito, em que bastava ser denunciado para ser condenado.”
(o texto pode continuar a ser lido aqui)



terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sociedade Bíblica e difusão da Bíblia na construção da liberdade religiosa em Portugal



  A carroça da Bíblia. “Bible Van. Built of style of cart from Alemtejo province”. [s/d]. 
(In Photographs. Portugal – BSA/F2/5/2/7/7 – BFBS Archives – Cambridge University Library)

O papel da Sociedade Bíblica na construção da liberdade religiosa em Portugal durante a Monarquia Constitucional e a I República é o título do trabalho de Rita Mendonça Leite, vencedor do Prémio Liberdade Religiosa 2017, que ontem foi entregue no Ministério da Justiça, em Lisboa.
No trabalho (cuja conclusão se reproduz mais à frente), a investigadora do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica Portuguesa, pretende mostrar como a consolidação institucional da Sociedade Bíblica em Portugal e a sua integração nas dinâmicas religiosas e culturais do país, ao longo do século XIX e XX, se estruturaram sobre a actividade da divulgação bíblica. Um trabalho cujo início coincidiu com  a Guerra Peninsular e as Invasões Francesas.
Uma tal actividade, resume a investigadora, “definiu a instituição como um agente de mudança na sociedade portuguesa”, quer na “dinamização do processo de diferenciação religiosa em curso no país”, quer também na “promoção de um debate amplo, onde elementos antropológicos, teológicos e políticos se cruzaram”.
O projecto de difusão da Bíblia, liderado pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE) em Portugal, reflectia também “um conflito” que traduzia “o modo como a instituição progrediu no país enquanto expressão da modernidade contemporânea”. Reflectia também o modo como a Bíblia era “um espaço de confrontação onde os conceitos de Autoridade e de Liberdade, na sua variedade semântica, detinham um protagonismo fundamental”.
“Colocando o problema fundamental da Autoridade da Bíblia, a SBBE acabou inevitavelmente por se ver confrontada com o problema da autoridade no seu sentido mais estrito e concreto”, escreve ainda a investigadora do CEHR. Ou seja, esse confronto chegou também à relação “com as diferentes autoridades que, no seio da sociedade portuguesa, intervinham nos campos da regulamentação do religioso e, num sentido mais lato, na discussão sobre a liberdade religiosa e na ordenação societária”.
O prémio, que ainda atribuiu duas menções honrosas, é promovido pela Comissão de Liberdade Religiosa, que em breve promoverá a publicação do texto vencedor. Na acta do júri, destaca-se que o processo de selecção teve em conta, essencialmente, aspectos como “a focagem no problema da liberdade religiosa na sociedade portuguesa; o grau de pericialidade das metodologias utilizadas; o contributo para a construção do conhecimento; e o impacto social da investigação/reflexão”.
Na mesma resolução, o trabalho de Rita Mendonça Leite é considerado como “original e minucioso sobre fontes primárias”. Mas o júri destaca ainda “a competência da sua abordagem multiscópica a um fenómeno de diversificação religiosa na sociedade portuguesa”, como se pode ler na acta do júri.
Reproduz-se a seguir o capítulo de conclusão do trabalho vencedor:

A dinâmica de circulação bíblica como parte integrante e instância ativa na construção da liberdade religiosa em Portugal

Texto de Rita Mendonça Leite

Inevitavelmente condicionada pela agitação social e dificuldades financeiras que o país enfrentou durante a primeira fase da República, a atividade de circulação bíblica acabaria por conhecer na década de 20 [do século XIX] um verdadeiro ponto de viragem, conjugando a capacidade de trabalho e eficácia da equipa de colaboradores com o potenciamento de um processo de recomposição sócio-religiosa que procurou precisamente contrariar aquele ciclo de turbulência política continuada e que resultou num crescimento exponencial das vendas da SBBE em Portugal (A Agência da SBBE em Portugal fez circular desde o ano do seu estabelecimento, em 1864, e até 1940, 2 951 211 volumes bíblicos, sendo que se juntar a este número a circulação pré-Agência, se atingem os 2 976 979 exemplares difundidos. Entre 1920 e 1940 foram feitos circular 2 089 356 daqueles volumes, isto é, 70% do total).

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Infografia histórica das religiões do mundo

Clicar AQUI para aceder ao site russo "The World Religions Tree Infographics". Utilizando os sinais de mais e menos, do canto superior esquerdo, ampliar o gráfico para conhecer as principais tradções religiosas do planeta e suas ramificações até à atualidade:

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Em busca da essência, uma viagem pela liberdade


Livro - Teologia



Hans Küng é um dos nomes decisivos da teologia contemporânea, a par de Metz, Moltmann, Queiruga, Ratzinger e alguns mais. É, assim, fundamental conhecer o seu pensamento, para lá da espuma mediática, que o reduz tantas vezes a frases polémicas em entrevistas; seria uma tremenda injustiça ficar apenas com esse ruído, num homem que marcou já, decisivamente, a teologia contemporânea.
“Ser Cristão” e “Existe Deus?” são duas das suas obras fundamentais. Mas, nos últimos anos, Küng marcou também o debate cultural com a proposta de uma nova ética mundial: só haverá paz no mundo se houver paz e diálogo entre as religiões; só haverá diálogo entre as religiões com padrões éticos globais; e o planeta só sobrevirá se houver um “ethos” global, uma ética para o mundo inteiro. A trilogia da qual “O Cristianismo” faz parte – que inclui “Judaísmo” e “Islão” (este último publicado também em Portugal pelas Edições 70) – está na base, pode dizer-se, daquele silogismo.
Com as três obras, Küng faz a exposição dos princípios doutrinais e da concretização histórica dos três credos monoteístas. “O Cristianismo”, que frei Bento Domingues considerou o acontecimento editorial de 2012, é uma síntese de história, teologia, sociologia e filosofia, que nos leva à essência – e à origem – da fé cristã: “Nada mais se nos depara a não ser uma pessoa. Em tal pessoa e só nela, dispomos do centro permanente e sólido do cristianismo; partindo desta pessoa e só dela poderemos responder à questão da essência do cristianismo.” (pág. 32) “O nome de Jesus, reconhecido ao longo dos séculos como o profeta e o enviado de Deus (...) ele é o tema original que nunca se perdeu completamente na tradição, na liturgia, na teologia e na piedade cristãs, mesmo nos piores momentos de decadência” (p. 40-41).
Jesus, para Küng, é um judeu que se manifesta contra a violência, o legalismo e o ascetismo, e que não se afirma como condutor do povo como Moisés, como mestre moral à semelhança de Confúcio, como chefe de exército na esteira de Maomé ou como protótipo do iluminado como o foi Buda.


A pergunta e a resposta que ficam após a leitura desta obra, guardou-as Hans Küng para o fim: “Como se explica que nem os imperadores pagãos, nem os ‘ditadores cristãos’, nem os papas ávidos de poder, nem os inquisidores sinistros, nem os bispos mundanos, nem os teólogos fanáticos hajam logrado extinguir este espírito?” Mistério do cristianismo: “O que é extraordinário é que o espírito do Nazareno conseguiu sempre romper, apesar das falhas das pessoas, das instituições e das constituições, desde que os fiéis já não se contentavam com palavras e se punham a segui-lo de uma maneira muito prática. A verdade do cristianismo não é apenas verdade para conhecer, mas verdade que faz viver.” (p. 732)
Pergunta e resposta são, por assim dizer, o prefácio a um futuro livro. Para já, fica esta exaustiva investigação do teólogo a quem o Vaticano retirou, há mais de duas décadas, o título de teólogo católico. Aliás, talvez a Cúria Romana se tenha já arrependido: não fosse essa decisão e Küng não teria criado um novo instituto inter-religioso de investigação teológica, que tem produzido um trabalho notável, de que este “O Cristianismo – Essência e História” é um dos mais recentes exemplos.
O teólogo alemão faz aqui um longo percurso por toda a história de vinte séculos de cristianismo. O próprio autor diz que a obra pretende sintetizar duas dimensões, “a da história e a da teologia sistemática”, mas não é exagerado acrescentar que a “narrativa cronológica” e a “análise e discussão objectivas” se cruzam com a sociologia, a história das ideias ou a filosofia. Num percurso que resume todo ele o percurso individual de décadas de investigação do autor e que toma cinco paradigmas fundamentais: paradigma júdeo-apocalítico do cristianismo primitivo, ecuménico helenístico da antiguidade cristã, católico romano medieval, protestante evangélico da Reforma, e paradigma da modernidade – fé na razão e no progresso.
A obra e o projecto em que ela se insere são ainda um passo mais na ideia central que Küng tem acarinhado nos últimos anos: o serviço das religiões para a formulação de uma nova ética mundial, baseada nos direitos humanos e na paz. Essa ideia é servida no livro também por um conjunto de perguntas feitas, a propósito de cada tema, às três religiões do monoteísmo. A viagem de “O Cristianismo” leva-nos a parar na actualidade que já antecipa o futuro: o paradigma ecuménico, que assuma as atitudes fundamentais ortodoxa (verdade transmitida pela tradição de toda a Igreja), católica (continuidade da fé e da sua universalidade no espaço), e reformadora (retorno constante ao Evangelho). Uma perspectiva que assume o que de melhor guardou cada uma das principais tradições cristãs. Até porque, como verifica o teólogo desde o início, o que hoje existe, “em lugar da substância cristã”, é “o sistema romano, o fundamentalismo protestante ou o tradicionalismo ortodoxo”, os quais não passam de “manifestações históricas do cristianismo”.
Estas expressões concretas – que “nem sempre existiram e hão-de desaparecer um dia”, pois “não pertencem à essência da realidade cristã” (8) – são o ponto de partida para a longa viagem de Küng pelos cinco paradigmas. Uma viagem que não toma o cristianismo como um conjunto de histórias criminais, “tão insípidas quanto os mais enfáticos ‘hinos à Igreja’”, mas se situa entre a sua imagem ideal e a imagem hostil, sem ignorar os “inúmeros desvarios e um sem-fim de desordens” (19).
Nessa viagem, Küng fala do cristianismo do primeiro paradigma como uma Igreja democrática, onde não há sacerdotes a oferecer sacrifícios, e que influencia o próprio nascimento do islão. A transformação para o paradigma ecuménico helenístico da antiguidade cristã leva à institucionalização mas assume a pluralidade. O teólogo diz que está no Oriente europeu a forma de cristianismo “mais próxima das origens” (268), uma ideia arrojada para quem admite logo a seguir que essa mesma forma enfrenta os riscos do liturgismo e da Igreja de Estado, afinal os dois maiores obstáculos a que as Igrejas Ortodoxas se aproximem da modernidade. Aponta depois os limites do paradigma católico romano medieval, que começa em Agostinho de Hipona e se acentua com a pretensão do bispo de Roma à primazia entre os bispos.
Küng sossega alguns bons espíritos católicos, propondo não a abolição do papado, mas a sua reforma e propõe as exigências de Francisco de Assis como uma representação de “um vigoroso questionamento do sistema romano centralizado”, válido ainda hoje. Lutero inicia com a Reforma protestante um novo paradigma, mas é Calvino quem faz do movimento uma potência mundial, que também já integra correntes fundamentalistas. Finalmente, no paradigma da modernidade: fé na razão e no progresso, o teólogo recorda as sucessivas querelas do cristianismo com as revoluções sociais, políticas, tecnológicas, industriais e científicas.
Sem nunca deixar de se afirmar cristão, Hans Küng faz, nesta viagem, um percurso fundamental – e indispensável – pela liberdade e contra a ignorância ou os dogmatismos. Quem quiser aprofundar o saber deste teólogo incontornável, beneficiando de décadas da investigação singular que Hans Küng produziu, só tem que ler este livro. Imprescindível.

Título: O Cristianismo – Essência e História
Autor: Hans Küng
Tradutor: Gemeniano Cascais Franco
Edição: Temas e Debates/Círculo de Leitores
838 páginas

(texto a partir do artigo n’“O Mensageiro de Santo António” de Novembro de 2012 e de um texto no “Público/Mil Folhas” em Dezembro de 2002)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

10 viagens papais mais importantes da História

João Paulo II na Terra santa, em Março de 2000

De todas as viagens papais que vimos ao longo dos anos, quais foram verdadeiramente memoráveis?

John L. Allen Jr. selecciona a “10 viagens papais mais importantes da História”. São elas:

10. João XXIII, Loreto-Assis, Itália, 4 de Outubro de 1962
9. João Paulo II, Denver (Estados Unidos), 12 a 15 Agosto de 1993
8. Bento XVI, Turquia, 28 de Novembro a 1 de Dezembro de 2006
7. João Paulo II, Manila, Filipinas, 12 a 16 Janeiro de 1995
6. Empate entre: João Paulo II, Nicarágua, 4 de Março de 1983; e João Paulo II, Cuba, de 21 a 26 Janeiro de 1998
5. João Paulo II, México, 26 a 31 Janeiro de 1979
4. Paulo VI, Terra Santa, 4 a 6 Janeiro de 1964
3. João Paulo II, Assis, 27 de Outubro de 1986
2. João Paulo II, Terra Santa, 20 a 26 de Março de 2000
1. João Paulo II, Polónia, 2 a 10 de Junho de 1979

Ler aqui explicações de cada uma delas e de mais oito que não devem ser esquecidas (ou aqui, em inglês).

segunda-feira, 7 de março de 2011

"Assim começou o Cristianismo"

O site Religión Digital acaba de publicar uma entrevista com Rafael Aguirre, que é sacerdote, professor de Teología en Deusto, perito em ética e que acaba de coordenar a edição do livro colectivo "Así empezó el Cristianismo" (Ed. Verbo Divino).
É interessante conhecer estes tempos inaugurais e constitutivos, para perceber melhor a actualidade e alguns dos seus desafios. Aqui está o vídeo, no YouTube:


Algumas ideias mais salientes:

  • "El Cristianismo de los orígenes era bastante más plural que el Cristianismo de nuestro tiempo. Ya en los orígenes apareció como un movimiento muy plural".
  • "Desde el punto de vista de los seguidores de Jesús, van construyendo la Iglesia (Ecclesia), lo que ocurre que desde el comienzo ya se va utilizando el término cristianismo. Ecclesia es el grupo de los que se dicen seguidores de Jesús, mientras que el Cristianismo es la cultura que tiene su inspiración en los valores evangélicos y llega al Imperio Romano, y que esto lo realizan mucho antes de contar con el apoyo imperial".
  • "No se puede entender Europa sin entender ese componente esencial, que es el Cristianismo y cómo se forjó. Y desde el punto de vista creyente, la Iglesia ha de volver los ojos a los orígenes, sobre todo en momentos de crisis, para descubrir futuros nuevos.
  • Estamos en ese momento."
  • "En el Cristianismo de los orígenes las comunidades eran enormemente participativas. Era un movimiento muy plural, con gran capacidad de acogida e integración de la diversidad. Encontramos desde la carta a los Gálatas a la de Santiago, y ambas se reconocen, se aceptan. Esta capacidad de aceptación de la diversidad es una de las grandes lecciones que tenemos que aprender en la actualidad."
  • "Encontramos [en los orígenes] inspiración y posibilidades que no se desarrollaron. Por ejemplo: un protagonismo muy notable de la mujer, que se constata en los Evangelios y en las cartas de Pablo. Quizá ese es un elemento que la Iglesia debe desarrollar en profundidad."
  • "Todo lo que sea el diálogo franco y sincero con la sociedad es absolutamente necesario. Este Papa está muy preocupado con el diálogo con la cultura europea, y es legítimo. Pero el Cristianismo tiene que dialogar con otras culturas en el mundo globalizado. Y pienso especialmente en Asia. Que la Iglesia más que madre y maestra, se considere hermana de la Humanidad, que camina fraternamente con la Humanidad. La Iglesia tiene algo que decir, no lo oculta, lo propone, pero también tiene mucho que aprender. Tiene que tener capacidad de escucha para legitimar su capacidad de propuesta. El diálogo no es una simple estrategia para "vender" nuestra mercancía. Cuando nosotros dialogamos porque estamos convencidos de que tenemos que aprender. Eso no es debilidad de nuestras convicciones, sino la limitación de nuestros horizontes."
Ler o texto integral: AQUI.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

10 livros de 2009 que ainda saberá bem ler em 2010


Intelectuais
Paul Johnson
Guerra & Paz

Que Karl Marx nunca tenha posto os pés num fábrica mas desejasse doutrinar a classe operária, ou que Jean-Jacques Rousseau abandonasse os seus filhos em orfanatos mas pretendesse iluminar a infância, para alguns, são pormenores que não contradizem as teorias que criaram. Paul Johnson, num relato que quis “factual e desapaixonado”, analisa a credibilidade moral destes intelectuais e de Tolstoi, Brecht, Russel, Sartre, entre outros. Analisar, neste caso, quer dizer demolir.

Dança dos Demónios
Coordenação de António Marujo e José Eduardo Franco
Temas e Debates e Círculo de Leitores

Intolerância em Portugal: Anti-semitismo, anti-islamismo, anticlericalismo, antiprotestantismo, antijesuitismo, antomaçonismo, antifeminismo, antiliberalismo anticomunismo e antiamericanismo. “Os temas aqui reunidos falam-nos de mitos de complô, estruturam-se na suspeita e na diabolização, no medo e na fobia”, escreve-se na badana.


A Mecânica de Deus
Guy Consolmagno
Publicações Europa-América

A religião explicada aos “techies”. O que é o “techie”? “Será qualquer um que perca mais tempo com as ligações ao aparelho de televisão do que propriamente a ver televisão”. Ou seja, cientistas e engenheiros. Bom humor, sentido crítico e catequese por um jesuíta, astrónomo, que não confiaria as chaves do seu automóvel a alguns papas da história, quanto mais as chaves do Reino dos Céus. “E mesmo assim, a Igreja e as suas doutrinas sobreviveram”.


A vertigem das Listas
Umberto Eco
Difel

No princípio era a lista. E com o desejo das listas, dos catálogos, da ordenação, nasceu a cultura. Listas retiradas de poemas, romances, Bíblia, catecismos, documentos reais... Listas de santos e anjos, de objectos do tesouro imperial, de relíquias, de obras de arte, de monstros, de cheiros, da qualidades de uma cidade...


Os desaparecidos. À procura de seis em seis milhões
Daniel Mendelsohn
D. Quixote

Um norte-americano parte à procura dos antepassados desaparecidos noHolocausto, em especial de um com que dizem que é parecido. Na busca, que existiu na realidade, vai reinterpretando os primeiros capítulos da Bíblia, incluindo “Caim e Abel”. E encontra uma povoação onde um homem nasceu na Áustria, estudou na Polónia, casou na Alemanha, teve filhos na URSS e morreu na Ucrânia. Fez tudo isto sem sair da sua aldeia. Vivia em Bolechow, que actualmente faz parte da Ucrânia. Era de lá a família do autor.


O que a civilização ocidental deve à Igreja católica
Thomas E. Woods, Jr.
Alêtheia

Desconte-se o tom por vezes apologético e temos uma obra que lembra alguns contributos da cultura católica para o mundo em que vivemos: universidades, direito internacional, arte, ciência, arquitectura, moral, economia. Um livro para desmontar o último preconceito aceitável da América (só?), o anticatolicismo. “Quando se trata de ridicularizar ou de parodiar a Igreja católica, poucas coisas são consideradas excessivas (…)”.


Caridade na Verdade
Bento XVI
Paulinas

Terceira encíclica do actual Papa, a primeira em exclusivo sobre doutrina social, quer dizer, sobre o que a Igreja Católica pensa da economia, da política e da sociedade. Centra-se na questão do desenvolvimento, que é a “inclusão relacional de todas as pessoas e de todos os povos na única comunidade da família humana”. E que é, de longe, o maior problema do mundo.


Não há futuro sem solidariedade
Dionigi Tettamanzi
Paulinas

Na Missa do Natal de 2008, o cardeal Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Milão, perguntou aos seus fiéis: “Neste Natal, já marcado pelas primeiras vagas de uma grande crise económica, há uma interrogação que me atormenta: o que posso fazer como arcebispo de Milão? (…) Gostaria que cada um conservasse no coração esta pergunta e que se deixasse inquietar e converter por ela: O que posso eu fazer?” O cardeal criou um fundo para apoiar desempregados e escreveu este livro para notar que a sobriedade é virtude esquecida e mostrar como pode acontecer solidariedade no mundo da finança, na empresa, na escola, na família. Prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins.


Pode um darwinista ser cristão?
Michael Ruse
Ana Paula Faria Editora

Começa assim: “Deixe-me ser franco. Penso que a evolução é um facto e que o darwinismo reina triunfalmente”. A resposta à pergunta do título é: “Claro que sim!”. Mas o livro mostra quer quem diz “claro que sim” sem saber o está em causa na teoria da evolução das espécies por meio da selecção natural poderia mudar de resposta – ou de religião – , conhecendo o darwinismo. Melhor livro do "Ano Darwin" no que diz respeito às relações entre fé e ciência.


Para lá do Tempo
Vários autores
Paulinas

Recolha das opiniões publicadas no jornal online "Página 1", da Rádio Renascença. Textos de um ou dois minutos de D. Carlos Moreira Azevedo, Cristina Robalo Cordeiro, Cristina Sá Carvalho, Fernando Adão da Fonseca, João Ferreira do Amaral, José Miguel Sardica, José Tolentino Mendonça, Luís António Santos, Luís Cabral, D. Manuel Martins, Manuel Pinto e Maria do Rosário Carneiro.