sábado, 30 de Maio de 2009
Pentecostes - Vamos dançar?
(Jo 20, 22)
No pairar sobre as águas e nas chamas de fogo,
no sopro primeiro e no forte vento,
no balbuciar da primeira palavra e na abundância das línguas,
Tu vens, ó Espírito, dançar a festa da vida
e entretecer esta história de homens e mulheres,
eternamente aprendizes da Tua surpresa.
Andamos esquecidos de dançar,
e de ouvir a melodia que sopras cada manhã.
Ainda que corramos de um ao outro lado dos dias,
os pés andam pesados e as asas prenderam-se
nas amarras de tantas coisas tornadas essenciais.
Frágeis e receosos diante da grandeza que nos confias,
presos aos barro que emperra os passos
e desejosos de uma mão que molde os sonhos,
custa-nos a Tua discrição que parece ausência,
como um jogo de escondidas
onde ganha quem se perde,
e perde quem não se deixa encontrar por Ti.
Convidas para a dança da vida
com a alegria e o encanto do apaixonado no salão de baile.
Passo a passo nos ensinas
a encontrar asas na estátua de pedra
em que os corpos se tornaram,
e abres as pétalas da flor que não ousava abrir-se.
Rodopias connosco e em nós
e dás aos nossos sonhos a consistência dos milagres
às nossas palavras o dom do entendimento,
aos nossos gestos o fermento da paz e do perdão.
Contigo gravamos nos corações
o constante palpitar de amor que Deus tem por nós
e como fica rubra a sua face quando nos convida:
“Queres dançar Comigo?”
P. Vítor Gonçalves
sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Um Papa entre dois muros, na TSF
Manuel Vilas Boas acompanhou a viagem do Papa e conta agora, no programa "Um Papa entre dois muros", os sons, as músicas, as imagens mais marcantes desta viagem. O programa passa na TSF neste sábado, às 18h (com repetição na madrugada de domingo, à uma da manhã) e tem sonoplastia de Luís Borges
O programa estará disponível em www.tsf.pt
"Uma sociedade em que nos escutemos uns aos outros"
"Procuremos ser uma sociedade em que genuinamente nos escutemos uns aos outros, em que o desacordo sincero não seja transformado em insulto ou hostilidade, em que princípios argumentados não sejam tomados como preconceitos, e em que estejamos preparados para atribuir uns aos outros os melhores e não os piores dos motivos. Nestas matérias, nós próprios, nas Igrejas, temos muito a aprender e a fazer".Estas são palavras do novo arcebispo de Westminster, Inglaterra, Vincent Nichols, que há dias iniciou funções, no decorrer de uma celebração solene eucarística.
A homilia então proferida merece ser lida com atenção, em particular o que diz sobre a fé, inspirado na leitura da conversão de S. Paulo.
quinta-feira, 28 de Maio de 2009
"Plano Poupança Reincarnação"
"Uma das coisas em que, como os clientes do BPP, mais firmemente acredito é nas boas intenções dos bancos". Assim abre a ironia da crónica de Manuel António Pina, no JN de hoje, dedicada às ofertas, promessas e garantias extraordinárias das instituições bancárias.Lê-se num instante e termina assim:
Banqueiros como os do 2i Limited Reincarnation Bank (www.reincarnationbank. com), por exemplo, têm lugar certo no Céu, sentados à direita de Deus Pai. Não sabendo que mais fazer por mim, propõem-me agora (como é que o BPP não se lembrou disso?) assegurar o meu bem-estar na próxima reincarnação: "Se você não poupar nada para depois de morrer, o que terá quando renascer? (…) Poupe agora para quando reincarnar". Para isso, só tenho que pôr as minhas poupanças no 2i Limited, morrer e, depois de ter reincarnado, ir lá buscá-las com juros extraordinários. Infelizmente não tenho poupanças. Mas irei pedir um empréstimo ao 2i Limited e pagar-lho-ei (tenciono reincarnar como marmota) quando reincarnar.
Ilustração: Knocking on Heaven's Door,Vision Blue.
terça-feira, 26 de Maio de 2009
Ouvir ler cartas de S. Paulo aos Coríntios

Entretanto, a quem não pôde participar na sessão do passado dia 15 de Maio com Luís Miguel Cintra, aqui fica um vídeo com a Leitura da Carta a Filémon:
segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Feira das Espiritualidades na Assírio & Alvim

Imagens de uma peregrinação (8)
A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.
A fé monoteísta destruiu muitos ídolos e rituais. Coloca sua confiança num Deus Todo-Poderoso, que nos legou a mensagem da igualdade; declarando que todos os seres humanos foram criados à Sua imagem. (…)
Os líderes políticos e espirituais de hoje enfrentam um profundo desafio: como separar religião de terrorismo. Como evitar que terroristas se apoderem da consciência religiosa disfarçada em um ato de terrorismo na falsa aparência de uma missão religiosa.
A sua [do Papa] busca por paz e segurança entre nós e os nossos vizinhos e em todo o planeta aborda uma necessidade vital e promete: vida sem medos; vida sem lágrimas. (…)
Tudo o que podemos dizer é simplesmente agradecê-lo. Vossa Santidade veio em paz e partirá em paz e desejamos dizer a Vossa Santidade: Shalom.
Nas palavras do profeta Isaías: “Sim, saireis radiantes de alegria e sereis reconduzidos em paz à vossa casa.” (Isaías, 55, 12)
[O Presidente Peres, emocionado, já não conseguiu citar esta frase de Isaías; apenas se dirigiu ao Papa e disse: “Shalom, Deus o abençoe.” Bento XVI levantou-se e os dois homens abraçaram-se.]
(Discurso do Presidente israelita, Shimon Peres, na despedida do Papa, em Telavive, 15 de Maio; texto na íntegra, em português do Brasil e em outras línguas, em http://www.mfa.gov.il/PopeinIsrael/Portuguese/Pronunciamento_Presidente_Cerimonia_Despedida_Santo_Papa_15-May-2009.htm)
(Vídeo: canção final do encontro inter-religioso em Nazaré, com o Papa, 14 de Maio)
Imagens de uma peregrinação (7)
(Discurso do Papa Bento XVI no Santo Sepulcro, em Jerusalém, 15 de Maio)
Estendendo os seus braços sobre a Cruz, Jesus revelou a amplitude do seu desejo de atrair todos os homens a ele, unindo-os para que eles sejam um. Insuflando-nos o seu Espírito, ele desvelou o seu poder de nos tornar capazes de participar na sua missão de reconciliação. Nesse sopro, através da redenção que une, está a nossa missão! (…) No nosso desejo ardente de levar Cristo aos outros, de fazer conhecer a sua mensagem de reconciliação, experimentamos a vergonha das divisões. Todavia, enviados por Cristo ao mundo, fortificados pelo poder unificador do Espírito Santo, proclamando a reconciliação que conduz cada um a acreditar que Jesus é o filho de Deus, devemos encontrar a força para redobrar os nossos esforços para aperfeiçoar a nossa comunhão, para torná-la completa, para dar um testemunho comum.
(Discurso do Papa no encontro ecuménico, no Patriarcado greco-ortodoxo de Jerusalém, 15 de Maio)
domingo, 24 de Maio de 2009
Imagens de uma peregrinação (6)
“Não permitais que as perdas de vidas e as destruições de que tenham sido testemunhas suscitem amargura ou ressentimento nos vossos corações. Resisti a qualquer tentação de recorrer a actos de violência ou terrorismo.”
(Bento XVI ao ser recebido, em Belém, pelo Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, 13 de Maio)
(Foto: portão da escola das Nações Unidas para rapazes no campo de refugiados de Aida, junto a Belém)
Imagens de uma peregrinação (5)
(Discurso do Papa Bento XVI, ao despedir-se do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, Belém, 13 de Maio)
Imagens de uma peregrinação (4)
Imagens de uma peregrinação (3)
A peregrinação de Bento XVI à Terra Santa fez-se também de imagens, símbolos, músicas, orações e textos. Aqui se registam algumas dessas memórias.
Os líderes religiosos devem estar conscientes de que qualquer divisão ou tensão, qualquer tendência à introversão ou à suspeita entre crentes ou entre as nossas comunidades pode facilmente levar a uma contradição que ofusca a unidade do Omnipotente, atraiçoa a nossa unidade e contradiz o Único que se revela a si mesmo como "rico de amor e de fidelidade" (Êx 34, 6; Sl 138, 2; Sl 85, 11).
Jerusalém, que desde há muito tempo tem sido uma encruzilhada de povos de diferentes origens, é uma cidade que permite a judeus, cristãos e muçulmanos assumir o dever e, ao mesmo tempo, gozar do privilégio de dar testemunho conjunto da coexistência pacífica há muito tempo almejada pelos adoradores do único Deus; revelar o desígnio do Omnipotente, anunciado a Abraão, para a unidade da família humana; e proclamar a verdadeira natureza do homem, que procura Deus.
Comprometamo-nos a assegurar que, mediante o ensino e a orientação das nossas respectivas comunidades, as sustentaremos na sua fidelidade àquilo que verdadeiramente são como crentes, sempre conscientes da bondade infinita de Deus, da dignidade inviolável de cada ser humano e da unidade de toda a família humana.
(Discurso do Papa Bento XVI na recepção de Shimon Peres, no Palácio Presidencial em Jerusalém, 11 de Maio)
Os líderes espirituais podem preparar o caminho para os líderes políticos. Eles podem limpar os campos minados que obstruem a estrada da paz. Os líderes espirituais podem reduzir a animosidade, de forma a que os líderes políticos não procurem meios destrutivos. (…) Todos nós: judeus, cristãos, muçulmanos, todas as pessoas de fé, reconhecemos que o desafio de hoje não é a separação entre religião e estado, mas a separação intransigente entre religião e violência.
Este ano pode-se revelar uma oportunidade para nós e nossos vizinhos alcançarmos a paz. Enquanto muitas nuvens da política continuam a escurecer o horizonte; e as vozes de incitamento obscurecem o som da paz; e muita violência convergiu para as encruzilhadas das nossas vidas; a maioria das pessoas desta região deseja a paz. (…)
Daqui, de Jerusalém, desta terra sobre a qual os profetas caminharam, gostaria de fazer uma oração: Que os muros de hostilidade possam cair, que os ódios do passado possam desaparecer, que uma nova história traga um novo amanhecer, que permita que as próximas gerações possam nascer em paz, para viver em paz e para transmitir um legado de paz aos seus descendentes. Que possamos ver-nos livres de ameaças e violência e que a justiça seja garantida para todos os povos.
(Discurso de Shimon Peres na recepção ao Papa, no Palácio Presidencial em Jerusalém, 11 de Maio)
(Vídeo: Dudu Fisher e David D'Or, com as vozes do Coro da Paz, cantando em hebraico, árabe e inglês uma oração de paz, unidade e reconciliação entre povos e religiões; Palácio Presidencial de Jerusalém, 11 de Maio)
Imagens de uma peregrinação (2)

Tragicamente, o povo judeu experimentou as terríveis consequências de ideologias que negam a dignidade fundamental de cada pessoa humana. É justo e conveniente que, durante a permanência em Israel, eu tenha a ocasião de honrar a memória dos seis milhões de Judeus vítimas do Shoah e de rezar a fim de que a humanidade nunca mais tenha que ser testemunha de um crime de semelhante enormidade.
Infelizmente, o anti-semitismo continua a erguer a sua cabeça repugnante em muitas partes do mundo. Isto é totalmente inaceitável. Devem ser feitos todos os esforços para combater o anti-semitismo onde quer que seja e promover o respeito e a estima pelos membros de cada povo, raça, língua e nação em todo o mundo.
(Discurso do Papa Bento XVI na chegada a Jerusalém, 11 de Maio)
Alguém pode privar o vizinho das suas propriedades, das ocasiões favoráveis ou da liberdade. Pode tecer uma traiçoeira rede de mentiras para convencer os outros que certos grupos não merecem respeito. Todavia, por mais que se esforce, nunca pode apagar o nome de outro ser humano.
A Sagrada Escritura ensina-nos a importância dos nomes quando a alguém é confiada uma missão única ou um dom especial. Deus chamou a Abrão "Abraão" porque devia tornar-se o "pai de muitas nações" (Gn 17, 5). Jacob foi chamado "Israel" porque tinha lutado "com Deus e com os homens, e tinha vencido" (cf. Gn 32, 29).
Os nomes conservados neste venerado monumento para sempre terão um lugar sagrado entre os inúmeros descendentes de Abraão. Como aconteceu com Abraão, também a sua fé foi provada. Como com Jacob, também eles foram mergulhados na luta entre o bem e o mal, enquanto lutavam para discernir os desígnios do Todo-Poderoso.
Os nomes destas vítimas nunca possam perecer! Os seus sofrimentos nunca possam ser negados, diminuídos ou esquecidos! E possam todas as pessoas de boa vontade permanecer vigilantes a fim de desarraigar do coração do homem qualquer aspecto capaz de produzir uma semelhante tragédia!
(Discurso do Papa Bento XVI no Yad Vashem - Memorial do Holocausto, 11 de Maio)
(Foto: o Papa na Tenda da Memória do Yad Vashem, GPO de Israel)
Imagens de uma peregrinação (1)
Que disse o Papa a Deus?
Regressado a casa, Bento XVI terá dito a Deus que fez o que tinha podido, segundo a sua consciência e a dignidade; que fizesse Ele, agora, o resto. Deus terá respondido, lembrando um ditado, julgo que belga, que gosta de ajudar aqueles que O ajudam a Ele.
Passei recentemente pela Síria, Jordânia, Israel e Territórios Palestinianos e pude perceber melhor que o caminho da paz é dificílimo, exigindo um trabalho hercúleo. Mas, como disse Ernst Bloch, a partir de uma palavra enigmática de Heraclito: "Quem não espera o inesperado não o encontrará."
(o link remete para o texto integral do artigo)
Vinde e Contemplai - a música no Carmelo
Fazem falta experiências como esta: mosteiros ou conventos que registem em disco as suas experiências musicais e litúrgicas. Os casos de Taizé (França), dos mosteiros de Montserrat ou São Domingo de Silos (Espanha) ou de muitas outras comunidades são bons exemplos do que se faz no estrangeiro pela divulgação de expressões de música litúrgica contemporânea. Em Portugal, começa a haver boas experiências de uma relação mais cuidada com a música e a expressão litúrgica, de que este disco do Carmelo de Fátima, que reúne alguns cânticos da eucaristia, é um bom testemunho. A harmonia das vozes, e a boa execução do órgão, piano clarinete e flauta contribuem para a qualidade desta obra, onde se destacam algumas peças («Vinde e Contemplai», «Bem eu sei a Fonte», «Teu amor Jesus é alegria!», ou «Noites») são exemplos de indiscutível beleza.(in revista Além-Mar)
sábado, 23 de Maio de 2009
Esta vida não acabou aqui
Antítese do homem indistinto, amoral e neutro, João Bénard da Costa foi, ao longo do último meio século, um homem de qualidades transbordantes, com a paixão dos que querem converter os outros.
Desta forma começa o obituário que Alexandra Lucas Coelho escreveu no P2, no Público de sexta-feira. Aqui pode ler-se o texto completo.
João Bénard da Costa: porquê e a quê chamamos Belo?
Quando me sentei aqui e olhei à volta, pensei que estava numa situação paradoxal. Ou seja, vinha falar sobre o Belo, num sítio que nos impõe imediatamente o conceito de Beleza.
Este é um lugar de beleza. Se podemos secundarizar a Sé de Lisboa em relação a outras grandes catedrais românicas anteriores ou da mesma época, se podemos e devemos recordar todas as destruições, modificações, restauros que sofreu durante os tempos, nenhuma dessas contingências ou comparações diminui a beleza deste espaço.
E aqui começa a primeira pergunta ou o primeiro mistério. Porquê e a quê chamamos Belo?
(Aqui podemos ler a continuação do texto)
Viver Hoje a Esperança do Evangelho
Neste Encontro de Reflexão Teológica de 2009, a partir da reflexão proposta por D. Manuel Clemente (bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais) o tema será a Esperança do Evangelho para os tempos de hoje - como afirma S. Paulo, "foi na esperança que fomos salvos".
D. Manuel Clemente escreve: "A esperança leva por diante o diálogo entre Deus e cada um de nós (...), devolve a Deus o melhor que Ele mesmo colocou em nós, como semente e desejo de realização plena". Ainda nas suas palavras, "a esperança liberta e potencia infinitamente cada momento da vida, fazendo-nos tomá-lo como ocasião e estímulo para a actualidade definitiva, quando tudo for plenamente vivido, realizando o futuro - e dispensando-o assim - num eterno presente."
Mais informações e inscrições estão disponíveis no site do Metanoia.
sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Carta de Bento a Jerusalém
Bento XVI prometeu e cumpriu. Tal como nos Camarões e Angola, o Papa alemão, que chegou no passado dia 8 à Terra Santa, veio para perturbar o status quo das governações. Viagens anunciadas como pastorais, mas eminentemente políticas.
Fixo-me no último dia. O muro já tinha sido arrasado em Belém e na terra do carpinteiro, em Nazaré, ficou o convite à resistência dos cristãos. Em Jerusalém, no engalanado patriarcado greco-ortodoxo, o Papa comprometia-se coma a comissão internacional de diálogo teológico, tendo quatro vezes falado de reconciliação. E dizendo que são uma vergonha as divisões das igrejas. Fez regressar a sua tese preferencial: o cristianismo só poderá ter futuro se for assegurado através das novas gerações que hão-de ou não acreditar no testemunho dos mais velhos. As igrejas não podem ser mera arqueologia.
Na despedida, em Telavive, Shimon Peres vergou-se à emoção quando ia citar o profeta Isaías. Não foram de circunstância as palavras do Presidente israelita, que sublinhou o importante contributo desta viagem para as relações entre os cristãos e os judeus. Peres recordou de modo solene que o terrorismo e as religiões não podem andar de mãos dadas.
Bento XVI acolheu a emoção do Presidente, mas não poupou nas palavras, mesmo lembrando a oliveira plantada pelo Papa no jardim de Peres. Evocou o Yad Vashem, símbolo do nazismo, que não pode ser negado nem apagado. Peres agradeceu. O Papa voltou à carga com o muro que trazia atravessado. Desnecessário como escândalo trágico.
Ficava para a história a carta de Jerusalém: “Não mais banhos de sangue, não mais confrontos, não mais terrorismo, não mais guerra, vamos quebrar o círculo vicioso da violência. Construa-se uma paz duradoura baseada na justiça. Que seja genuína a reconciliação. Reconheça-se o direito do Estado de Israel a existir e disfrutar de paz e segurança, com fronteiras internacionalmente estabelecidas. Reconheça-se, igualmente, que o povo palestiniano tem direito à soberania de uma pátria independente, a viver com dignidade e a deslocar-se livremente. Que a solução dois estados seja uma realidade e não apenas um sonho. Deixemos que a paz se estenda a estes territórios, para que seja uma luz para as nações, trazendo esperança para as muitas outras regiões afectadas pelo conflito.” Shalom.
Ecclesia renovada
Deus Audiovisual
O capuchinho frei Lopes Morgado, responsável da revista "Bíblica", escreveu este poema ao Deus Audiovisual, a propósito do Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este domingo se assinala:
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo Irmão SOM, eco da tua voz,
pois do teu Coração nos diz o ritmo.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela MÚSICA, nossa Irmã,
pois da tua Festa nos traz a mensagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela IMAGEM, nossa Irmã gémea,
pois da tua Beleza nos reflecte o rosto.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo SILÊNCIO, berço do teu Verbo,
pois da tua Presença tem o enlevo.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela PALAVRA, nossa Mãe, Irmã e Filha,
pois do teu Mistério nos dá notícia.
Louvai e bendizei o meu Senhor
inaudível, invisível, inefável,
pois em JESUS se fez Deus Audiovisual.
Em esperança salvos somos
João Bénard da Costa
[Extracto de Em esperança salvos somos. Público, 16 de Dezembro de 2007]
quinta-feira, 21 de Maio de 2009
O que diz o Alcorão sobre a Matemática?
Maria Fernanda Estrada, da Universidade do Minho, e o xeque David Munir, da Comunidade Islâmica de Lisboa, debatem com o público a Matemática do Islão. A entrada é gratuita.
O ciclo de colóquios A Matemática das Coisas é uma iniciativa conjunta do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva e da Sociedade Portuguesa de Matemática e pretende ajudar a descobrir como é que a Matemática se revela em coisas tão distintas como o aquecimento global, os jogos de bilhar e a religião.
Mais informações em www.pavconhecimento.pt e www.spm.pt, ou através dos telefones 961 560 926 (Catarina Figueira, Pavilhão do Conhecimento) ou 960 131 220 (Renata Ramalho, Sociedade Portuguesa de Matemática).
O crepúsculo de João
Com ele aprendi a gostar de cinema, a lê-lo também - das curvas da Toscânia à sala escura onde se projectavam tantos clássicos. Só nunca compreendi a sua incompreensão com
(Miguel Marujo, in http://cibertulia.blogs.sapo.pt/1315529.html)
A notícia com pormenores e primeiras reacções está aqui.
João Bénard da Costa não era só um homem do cinema. Foi também um cristão no tempo, que soube lutar por uma Igreja que não adormecesse à sombra dos poderes. Nem sempre ele se reconheceu nessa Igreja por vezes madrasta. Mas continuou firme na fé que o fazia falar admiravelmente da arte, da pintura, do cinema, da vida, de Deus. A sua última crónica no Público, a 7 de Dezembro de 2008, é exemplo disso, ao escrever sobre Cristina Campo:
"E diz Cristina Campo: “Não menos e talvez melhor que os próprios Sonetos, a queda de Ricardo II é testemunha da noche oscura de Shakespeare – dessa passagem forçada da existência humana pela violência moral, da qual, vivo ou morto, só pode resultar o homem novo. Pouco ou muitíssimo pouco se revela no início, naquela época, da trágica parábola sentimental dos Sonetos.
(…) Sabemos apenas, com certeza, que a violência se converteu em sofrimento, que o sofrimento floresceu divinamente em amor.”
As histórias de Cristina Campo, e de todos os seus heterónimos havidos e por haver, são a história dessa dupla conversão: a da violência em sofrimento e a do ofrimento em amor. Nesta crónica, se falei noutra coisa, foi só porque me distraí muito. Dos meus defeitos, talvez seja o maior. Sem me distrair, e sem vos distrair, volto e voltei a Cristina Campo, sob um falso nome ou sob um verdadeiro nome."
A Igreja à procura da comunicação
Em torno do tema do 43.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebra no próximo domingo, o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS) da Igreja Católica promove hoje uma sessão em Lisboa, na qual haverá um debate, a apresentação de um livro e de novos portais da agência Ecclesia e da Conferência Episcopal Portuguesa. Também hoje, e sob o mesmo pretexto, o Vaticano abre um espaço na Internet - pope2you - que pretende facilitar o contacto do papa com os jovens.A sessão em Lisboa tem lugar no auditório 3 da Universidade Católica, em Lisboa, com início às 16h30.
A iniciativa inclui um debate sobre o tema “Igreja no palco mediático. Das conferências do Casino ao avião para os Camarões”, com a participação de Adelino Gomes, provedor do ouvinte da RDP; Graça Franco, directora de informação da RR e Pe. Manuel Morujão, porta-voz da CEP. O debate é moderado pelo Pe. Tolentino Mendonça, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
No final, será lançado o livro do Cónego António Rego “Um ramo de amendoeira”, com apresentação de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, bens Culturais e Comunicações Sociais. A obra apresenta os editoriais escritos pelo Cón. António Rego para o semanário agência Ecclesia, desde Outubro de 2003 até hoje.
(Fonte: Ecclesia)
Ir à missa
A história encontra-se no livro Pourquoi aller à l'église ?, de Timothy Radcliffe, que surgirá em França na próxima semana, publicado pelas Éditions du Cerf. O site La Vie, antecipando-se, publica alguns extractos da obra deste dominicano que foi já, durante quase uma década, o Mestre Geral da Ordem dos Pregadores.
terça-feira, 19 de Maio de 2009
Ser crente na Europa
Vebjörn Horsfjord, pastor da Igreja Luterana da Finlândia, poderia realçar uma identidade herdade, cristã, numa Europa onde cerca de 80% dos europeus afirmam pertencer a esta tradição. No entanto ele prefere apontar a secularização e o pluralismo que marcam o continente, e convida a superar o sonho de unidade religiosa. “Na quase totalidade dos países europeus, as religiões hegemónicas ou dominantes não poderão voltar a agir como no passado, dado que elas deixaram de ser maioritárias”, afirma. Esta realidade está igualmente presente nos países do Leste, sob o efeito das migrações. “O diálogo inter-religioso será um desafio para os cristãos orientais, dado que eles não têm a experiência acumulada durante quarenta anos pelas Igrejas ocidentais”, prevê o responsável.
(A continuação do texto está aqui.)
Educar o desejo
O desejo e as suas ambiguidades
O desejo e a imagem de si mesmo
Da multiplicidade dos desejos ao desejo profundo (Onde está o teu tesouro aí está o teu coração)
Pistas para uma pedagogia da sabedoria do desejo, na perspectiva da integração entre maturidade humana e cristã.
Exercícios práticos de relaxamento e concentração.
Os interessados em participar ou em obter mais informações podem ir a www.fundacao-betania.org
Terra Santa, o balanço de Esther Mucznik
O Espírito hoje, descoberto a pé
Segundo a equipa organizadora da actividade, “o dia será passado ao ar livre, na mata do seminário. Como de costume, o almoço será piquenique com os petiscos e iguarias que cada um trouxer. Recomenda-se que não se esqueçam de bebidas a contar com o dia todo”. A caminhada termina com a celebração da Eucaristia.
A partida faz-se da estação fluvial do Cais do Sodré, às 10h00 de 31 de Maio, e obriga a uma caminhada que se inicia em Cacilhas, na Margem Sul, pelo cais do Ginjal até ao elevador panorâmico de Almada. No cimo, junto à Casa da Cerca, o percurso toma as ruas da parte antiga da cidade até ao seminário, com chegada prevista para as 12h00/12h30. Informações e inscrições para 927621 077.
[Miguel Marujo, in Fátima Missionária]
Histórias de quem muda o mundo
Paul ajudou a criar a School of Everything no Reino Unido, Katherine fundou o Polaris Project, nos EUA, e Craig a Free The Children, no Canadá. Mas há mais: Graham, Helena, Hammer, Vera, Fernando, Ann, Sheila, Martin, Jurgen, Sylvia, Fábio e Bunker. Cada um deles, à sua maneira, é protagonista de uma história que está a mudar o mundo – contadas nas páginas virtuais da “IM Magazine”, de novo disponível na internet.
Segundo a equipa da “revista que divulga o que melhor se faz no mundo para um mundo melhor” – cujos números anteriores Fátima Missionária já noticiou –, estas páginas serão construídas ao longo de todas as semanas, “com novas entrevistas, artigos e vídeos sobre pessoas que estão a fazer a diferença”. Ou seja, “um eterno ‘work in progress’”, onde se pode “encontrar um quadro humano de grande beleza, uma fonte de inspiração, um lugar especial”.
Ao ler esta revista online – acessível em http://immagazine.sapo.pt/por/index.html é – possível encontrar outras histórias, como as de “guerreiros sem armas” ou “vidas tocadas”. Ou então ficar-se pelo tema principal, a dos “inventores de futuros, impulsionadores da mudança, construtores de pontes, criadores de soluções, empreendedores sociais, pescadores de esperanças”. Vários adjectivos, diferentes imagens, para um mundo melhor.
[Miguel Marujo, in Fátima Missionária]
domingo, 17 de Maio de 2009
Obama e os movimentos pró-vida
Concretizou-se este domingo a cerimónia da graduação na Universidade Católica de Notre-Dame, nos Estados Unidos da América, para a qual foi convidado a fazer o "commencement address", no meio de grande polémica, o presidente do país, Barack Obama. A polémica foi desencadeada pelos sectores católicos mais radicais, que pretendiam impedir que fosse concedida tamanha honra a um presidente que é pró-escolha em matéria de aborto e que promove a investigação com células estaminais.Apesar de várias manifestções de protesto, o acto realizou-se, não sem antes terem chegado do Vaticano sinais de moderação.
Vale a pena ler o discurso na ocasião, pronunciado pelo presidente dos EUA. Como seria de esperar, não se esquivou a reflectir sobre a polémica que rodeou a sua participação na cerimónia.
(Crédito da foto: AFP/Getty)
Actualização (18.5.09):
Sobre este mesmo assunto, o jornal diário Página 1, da Renascença, publica hoje o seguinte (a uma coluna, com chamada na primeira página e uma foto de um manifestante a interromper o discurso presidencial):
Obama vaiadoPara um jornal de inspiração cristã, isto não é sério. Porque não se diz que se trata de uma Universidade Católica, das mais importantes do país? Porque se escamoteia que foi a Universidade Católica que convidou o presidente? Porque não se diz uma palavra sobre o conteúdo das intervenções, que debateram precisamente a polémica suscitada pelo convite? Depois estranha-se que os media laicos tratam mal a religião. Com exemplos destes...
em universidade
O discurso do presidente dos EUA, na Universidade de Notre Dame de South Bend, no estado do Indiana, foi interrompido por activistas pró-vida, que criticaram as posições de Barack Obama em favor do aborto.
Foi necessária a intervenção da polícia para retirar do local as pessoas que interromperam e vaiaram o presidente.
A Universidade de Notre Dame atribuiu a Obama o doutoramento honoris causa, decisão que gerou polémica em vários quadrantes católicos no país.
sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Papa pede “não mais terrorismo, não mais guerra”
De manhã, Bento XVI tinha ido ao Santo Sepulcro, onde a tradição cristã situa a crucificação e morte de Jesus e onde diferentes igrejas coexistem, nem sempre de forma pacífica, em diferentes capelas e igrejas - razão porque o Papa se referiu à “vergonha das divisões” dos cristãos.
Estes oito dias poderão ter sido muito importantes, mesmo se deixaram atrás de si, descontentes, alguns sectores judaicos - e, porque não dizê-lo, também os palestinianos radicais que não gostaram de ver o Papa condenar o terrorismo tal como o fez. A mensagem final de Bento XVI é uma boa síntese desta viagem e dos problemas que o Papa levantou ao longo destes dias. Sobretudo quando apela a quebrar o "círculo vicioso da violência". O passado está demasiado presente em todas as discussões sobre o tema. Só escolhendo firmemente o rompimento com essa lógica de ataque e contra-ataque, como o Papa também disse, é que poderá haver um futuro para os povos da região - com israelitas e palestinianos em primeiro lugar.
É preciso permanecer
As olheiras do Papa denunciavam o estado de cansaço em que anda este homem de 82 anos e o peso de quatro aos comandos de uma barca ainda a remos. De helicóptero, Bento XVI aterrou em Nazaré, território da Galileia, a cerca de uma centena de quilómetros de Jerusalém. Aqui vive a maior comunidade cristã árabe de Israel. O número de participantes na missa campal, na ordem dos 50 mil, indiciava a vitalidade do grupo.
Ao princípio da tarde, ainda em Nazaré, regressava a onda política desta viagem. Netanyahu e Bento XVI aproximavam opiniões com o Médio Oriente em fundo, no convento dos franciscanos. E porque a questão não é fácil, por isso leva já dez bons anos de discussão, a comissão bilateral Israel-Santa Sé foi chamada a fazer o ponto de situação com os dois líderes. A resposta virá nas asas do vento...
O encontro com os líderes religiosos não se soltou aos berros como em Jerusalém. Pedagógico, Bento XVI deixou o aviso aos cristãos, drusos, muçulmanos e hebreus que tinha na sua frente: "É preciso salvaguardar as crianças do fanatismo e da violência."
Mas bonito foi saber que este grupo de líderes religiosos, não tendo encontrado qualquer texto comum sobre a paz, a apresentar no encontro com o Papa, decidiu-se por uma composição, aprovada por todos, e executada com uma melodia de mover a alma dos crentes do Antigo e Novo Testamento...
Por entre os cantos das vésperas, na Basílica da Anunciação, lançou o último repto aos anfitriões: é preciso que os cristãos permaneçam. Senão a ceifa fica comprometida.
quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Reinventar a solidariedade
Fátima, cais dos portugueses
"Permaneçam na Terra Santa!"
Salam, Shalom
Cardeal Maradiaga: “O homem necessita de um GPS espiritual”
Belém, a casa do pão
Cheguei a Belém com António Marujo, do Público, e José Manuel Rosendo, da Antena 1, ainda o Sol não tinha nascido. Veio depois, quente e pertur- bador. A diligência do taxista árabe saíra frustrada. O check-point impôs que atravessássemos o muro de segurança como em radiografia. Passaportes vigiados, portas de alta segurança.
A circulação esteve cortada desde as seis, por uns longos três quilómetros que fizemos a pé. Íamos de Jerusalém a Belém. As paredes vestiam-se de festa. Bento XVI e Abbas nunca estiveram tão próximos. No palácio da Autoridade Palestiniana, o Presidente queixava-se do sofrimento que o povo, enquadrado, não tolerava mais. E porque é que Jerusalém não regressa à capital da Palestina?
Bento XVI haveria de, ainda em Belém, tomar o mote por três vezes: a Palestina tem direito a ser pátria e Estado com fronteiras. E o Vaticano disponibiliza-lhe toda a máquina diplomática.
A missa, na Praça da Manjedoura, soube a sacrifício glorioso e memória dos mortos em Gaza. Vinte palestinianos da Faixa foram recebidos por Bento XVI.
Uma nova cultura da paz foi a melhor proposta desta concelebração, feita com dez mil participantes a cantarem a plenos pulmões. E a registarem outra sugestão de Ratzinger: "Uma Igreja no Médio Oriente laboratório de diálogo e tolerância."
A visita das visitas morou em Aida, com os refugiados em fundo. Bento XVI foi à escola da ONU de papamóvel. No recinto, o teatro das crianças e jovens e a boa disposição do Papa que foi o mais longe de sempre na coisa política. As palavras medidas arrasaram o muro de nove metros de altura e 800 km de extensão. O pecado de Israel. Por experiência de casa, Ratzinger avisou que os muros não duram sempre. Isto aconteceu em Belém, casa do pão, como diz o nome hebraico, que gerou, sonhado por profetas, o príncipe da paz.
"Admirável mundo novo"
Maria José Nogueira Pinto, in Os braços abertos de Cristo, Diário de Notícias de 14.5.2009, explicando a sua adesão à celebração dos 50 anos da estátua de Cristo-Rei, de Almada.
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Como atravessar o muro e mais duas ideias
O mais caricato do episódio: um responsável da Sala de Imprensa do Vaticano que também não conseguia mostrar à soldadinha de chumbo o seu passaporte (ela estava enfiada numa cabine de vidro mas, sobretudo, não olhava para ninguém), para a fazer entender que havia ali perto mais um autocarro com umas dezenas de jornalistas que esperavam passagem. Isto tudo, num posto de controlo que deveria ter sido aberto duas horas antes. Depois? Três portas de alta segurança, um raio-x de aeroporto, mais duas soldadas que mal olham para as coisas que colocamos nas caixas e nós que ainda temos que passar uns aos outros as caixas de plástico.
Mas este foi o episódio divertido (degradante, para quem o tem que viver diariamente). Porque o dia foi cheio de palavras fortes. Duas, basicamente: o direito de um povo à dignidade (uma pátria, fim do bloqueio e fim do muro-prisão) e o direito de outro povo à estabilidade e à segurança (fim do terrorismo e não cedência à lógica e à espiral da violência).
Claro que cada palavra que se diga será sempre tomada como de defesa de uns e de ataque dos outros. O que me parece que o Papa Bento XVI conseguiu em Belém foi dizer exactamente que a violência já não permite uma saída (alguma vez permitiu? ou será que não aprendemos?). E acrescentou uma outra ideia, rara num Papa: a não-violência e a busca criativa de soluções para os problemas.
O segredo da fresta
Estarreci diante da figura de Bento XVI defronte do muro de todos os segredos. Também ele ali deixou, numa das frestas do ícone judaico, os seus desejos de paz para Jerusalém, os mesmos, afinal, do rei David e do profeta Jeremias.
Nem as palavras duras que ouviu na Esplanada das Mesquitas, ditas pelo grande mufti de Jerusalém, a repetir, ainda que modo cortês, as invectivas contra os crimes do Estado de Israel, proferidas na segunda-feira pelo repetente juiz do tribunal muçulmano no assalto a microfones de encontros inter-religiosas, nem estas contendas a merecerem explicações do porta-voz do Vaticano e do embaixador de Israel na Santa Sé, perturbaram a figura vestida de branco a carregar com serenidade triste um dos mais esperados momentos desta visita.
Depois da passagem pelos lugares do islão e do judaísmo, o Papa subiu ao pequeno Cenáculo, onde o Nazareno tomou a última ceia com os discípulos. O edifício foi envolvido por um convento de franciscanos, construído no século XIV. Eles ainda ali estão, de hábito castanho, a projectar o sonho de Assis. Bento XVI deixou-lhes palavras de estímulo para que continuem a ser construtores da concórdia.
Numa liturgia eucarística aberta no Monte das Oliveiras, memória da traição e do sofrimento temido por quem se chamava filho de Deus, o Papa evocou a vocação universal de Jerusalém “como um facto indiscutível que judeus, cristãos e muçulmanos consideram pátria espiritual”. Lugar – disse o Papa – que ensina a universalidade, o respeito pelos outros, a compreensão mútua, é tantaz vezes no interior dos seus muros expressão de violência, estreiteza de espírito, opressão e vingança. Sem nunca o ter feito de modo tão explícito e dirigindo-se às autoridades civis de Israel, Bento XVI disse que na Terra Santa há lugar para todos, inclusive para os cristãos. É a defesa do pai pelos filhos que perdem a eira e a beira...
A antecipar a problemática estada do Papa em Belém, desloquei-me ao campo de refugiados de Aida, agredidos pelo muro de cimento armado a mexer-lhes nas entranhas. Que lhes vai dizer o chefe da Igreja Católica que, em Telavive, à chegada, disse que a Palestina não merece essas formas de divisão não homologadas pela comunidade internacional?
Estas serão as brasas mais acesas na rota do Papa alemão na terra que, segundo a tradição, viu nascer o Filho de Deus.
terça-feira, 12 de Maio de 2009
O Muro que a todos nos envergonha
Antena 1 em Jerusalém
"Haja paz em Jerusalém", rezou o Papa junto do Muro

O momento historicamente simbólico está contado aqui.
Memória de morte na cidade da paz
Bento XVI deixou Filadélfia, a cidade do amor, a cidade do amor, o antigo nome de Amã, entregue à governação dos reis da Jordània, que se tornaram cúmplices das preocupações do chefe da Igreja Católica: a construção da concórdia entre as religiões, designadamente entre o cristianismo e o islão.
Depois da tranquilidade da Jordânia, o Papa alemão acelerou os acontecimentos, tal como se previa. Ao chegar a Telavive, não se perdeu nas palavras. Foram seis milhões de judeus sacrificados no Holocausto. Quase disse que quem o negar será cuminado com anátema. O bispo cismático Williamson sofria, assim, segunda excomunhão...
Mas Bento XVI tinha outra frente a defender, com epicentro na Palestina. Que “todos os povos possam viver em paz numa pátria que seja a sua, dentro de fronteiras seguras e internacionalmente reconhecidas.” Breves horas depois, na Tenda da Memória, no Yad Vashem, no recolhimento da chama eterna, elevaram-se cantos pela saudade dos mortos da Shoah. Bento XVI, rosto fechado, num dos seus gritos mais audazes: “Que estes mortos não morram nunca.” A eternidade para quem provou a negação de viver. Tremendos os olhares dos sobreviventes, que Bento XVI tocou de perto. Mas tremenda é, também, e a reparo do Papa, a “perseguição por causa da raça, da cor, das condições de vida e da religião”.
Não tinham esmorecido as emoções fortes da tarde e já um incidente desastrado ocorria num encontro promovido por organizações do diálogo inter-religioso. O xeque Tayssir Tamini, presidente do tribunal religioso para os muçulmanos que vivem em Israel, atacava os “crimes” do Estado de Israel num discurso violentamente gritado. Alguns judeus tentaram a saída do auditório. E um dos membros do staff papal impediu que o xeque exaltado prosseguisse os impropérios.
Puxo pela memória e recordo-me que há nove anos, na visita de João Paulo II que também acompanhei, este líder muçulmano foi autor dos mesmos gritos. Não se fizeram os protestos e a condenação do porta-voz do Vaticano e do Governo de Israel. Oxalá não se entorne o diálogo na cidade da paz.
Cartas de S. Paulo lidas por conhecidos actores

No âmbito da celebração do Ano Paulino, o Auditório Vita, em Braga, promove três sessões públicas de leitura das cartas de S. Paulo, feitas por conhecidos actores da cena nacional.
O primeiro é o actor e encenador Luís Miguel Cintra, que fará a leitura integral das cartas aos Romanos, aos Gálatas e a Filémon. É às 21h30, na Rua de S. Domingos.
Vão seguir-se António Fonseca e Márcia Breia, no próximo dia 27, e António Durães, no dia 5 de Junho.
segunda-feira, 11 de Maio de 2009
A intolerância religiosa
Há meia hora, no encontro inter-religioso, foi o grande mufti de Jerusalém a estragar a festa. Tal como há nove anos, o responsável muçulmano usou o discurso político da reivindicação violenta para falar da situação da Palestina. Onde leva esta lógica senão à continuação da mesma lógica que tem prevalecido? Quem ousa romper o círculo vicioso da violência?
O que já não espanta é ver que há responsáveis religiosos que continuam a não entender uma questão essencial: o olhar do outro. Os diferentes lados de todos os conflitos (também do Médio Oriente) têm que entender que nada se resolve enquanto o sofrimento do outro não for o seu próprio sofrimento; que nada se resolve enquanto as lágrimas do inimigo não forem as suas próprias lágrimas; que nada se resolve enquanto cada um não assumir os mortos dos outros como os seus próprios mortos.
Duas notas fundamentais na chegada do Papa a Israel
Os sapatos do Papa e do jornalismo
A diplomacia das metáforas
A crónica de Manule Vilas Boas no DN e no JN desta segunda-feira faz uma avaliação do dia de ontem na Jordânia, o último do Papa no reino hachemita:
Ficou-me atravessado o coro e a orquestra que ontem tornaram grandiosa a consolação do Papa no Estádio Internacional de Amã. Era preciso fazer festa porque o pastor (liturgicamente era o Domingo do Bom Pastor) conseguiu trazer ao redil 30 mil sofridas ovelhas. Na Jordânia, os cristãos estão contados pelo Vaticano: não são mais do que 5620. Assistiu-se nesta missa ao milagre da solidariedade. Do Líbano, da Síria, de Beirute e da Palestina estiveram delegações armadas também de festa e protesto ainda que silencioso. Bento XVI desta vez, na homilia, poupou-se entre metáforas.
Os refugiados (cristãos do Iraque e na Jordânia são 40 mil) não estiveram explicitamente nas palavras do chefe da Igreja Católica. O que é pena. Diplomacia a quanto obrigas! Quanto ao papel da mulher, todo o louvor às grandes figuras femininas na Bíblia e nos tempos modernos. Bento XVI disse por João Paulo II que elas são possuidoras de “carisma profético”. Os avisos à navegação foram entendidos por uma cultura (Igreja Católica é dela subsidiária) do posso, quero e mando. Mudam-se os tempos, nem sempre se mudam as vontades.
Com tantos pensamentos belicosos, ia-me perdendo no Jordão com a rusticidade do lugar, a austeridade da paisagem e o pó irritante. Talvez me queixe mais do que João, o Baptista, que por aqui andou alimentado pelo deserto e refrescado pelo Jordão e águas mansas. Três templos foram aqui levantados por épocas e sensibilidades religiosas diferentes. O habitual desta terra espartilhada. Dentro em breve serão mais dois, os templos – o de São João Baptista e o do Baptismo de Jesus Cristo. Afinal os actores de toda a memória não paravam por aqui.
Os reis, Abdallah II e Rania, foram o esplendor da festa por uns breves minutos que aqui estiveram com o Papa a dizerem que são os padrinhos destes templos católicos. Gestos a rarear e não só por causa da crise. Bento XVI consolou, por sua vez, os fiéis do movimento neo-catecumenal, nascido nos anos 70 em Espanha. As palavras do Papa sobre o baptismo foram as essenciais, como quando disse que este Médio Oriente é pai e mãe de tantas tragédias.
domingo, 10 de Maio de 2009
Bento XVI evocou o "elo inseparável" entre cristãos e judeus
Foi ao contemplar, no Monte Nebo, Jordânia, o vale do Jordão até Jerusalém, que o Papa Bento XVI decidiu sublinhar a matriz judaica do cristianismo: "A antiga tradição da peregrinação aos lugares santos recorda-nos também o elo inseparável que liga a Igreja ao povo judeu".É significativo que o Papa Ratzinger tenha escolhido terra jordana (e palestiniana) para falar desse tema que lhe é tão caro e do que ele implica na aproximação entre cristãos e judeus, um dos objectivos da sua viagem à Terra Santa.
"Possa o nosso encontro de hoje inspirar-nos um renovado amor pelo cânone das Sagradas Escrituras e o desejo de superar todos os obstáculos à reconciliação entre cristãos e judeus, no mútuo respeito e cooperação no serviço da paz."Bento XVI afirmou ainda: "É justo que a minha peregrinação comece por esta montanha, de onde Moisés contemplou de longe a Terra Prometida." Neste lugar, segundo a tradição, Deus mostrou a Moisés, depois de 40 anos de viagem pelo deserto, aquela que era a terra "onde mana leite e mel". Moisés morreria antes de ali entrar. "Sobre estas alturas, a memória de Moisés convida a 'elevar os olhos' para (...) olhar com fé e esperança o futuro."
Essa memória continua viva, afirmou Bento XVI: "Desde os inícios, a Igreja nestas terras sempre comemorou na liturgia as grandes figuras dos patriarcas e dos profetas, como sinal de profundo apreço pela unidade dos dois testamentos".A matriz judaica do cristianismo é uma ideia muito presente nos escritos teológicos de Joseph Ratzinger, eleito Papa em Abril de 2005. Se João Paulo II foi o homem dos gestos proféticos e históricos na reconciliação com os judeus - visita à sinagoga de Roma, pedido de perdão pelas perseguições, ida ao Muro das Lamentações, em Jerusalém -, Ratzinger é, sobretudo, o teólogo que procura um entendimento que não negue as diferenças.
Alemão de nascimento, ele próprio forçado a integrar a defesa anti-aérea do regime nazi, foi nos acontecimentos da II Guerra Mundial e do Holocausto que ele viu a base para uma mudança de discurso. Na sinagoga de Colónia, já Papa, em Agosto de 2005, recordou a "iniquidade" da Shoah e referiu-se ao "muito por fazer" nas relações judaico-cristãs: um "diálogo sincero e confiante" que leve à "interpretação conjunta acerca de questões históricas ainda abertas" e que avalie a relação teológica entre judaísmo e cristianismo.
O Holocausto esteve na origem da mais recente polémica de vários sectores judaicos com Bento XVI. Em Janeiro, o Papa levantou a excomunhão de quatro bispos integristas, entre os quais um negacionista. Depois de muitos protestos e pressões para um pedido de desculpas, Ratzinger afirmou que não há margem para negar o Holocausto.
Em Colónia, o Papa dizia que o diálogo não deve "esquecer nem subestimar as diferenças existentes". Desde logo, a concepção fundamental de que o Messias está para vir (judeus) ou que já veio, em Jesus (cristãos). Numa intervenção na Academia de Ciências Morais e Políticas de Paris, em 1997, afirmou Ratzinger: "[Na fé de Israel, são essenciais a Torá e, por outro lado,] o olhar de esperança, a espera do Messias - a espera, isto é, a certeza de que o próprio Deus entrará nesta história e realizará a justiça. (...) Também a Igreja espera o Messias, que já conhece e à qual, antes de mais, ele manifestará a sua glória." São estas proximidades e diferenças que Bento XVI quer ver conversadas entre judeus e cristãos.
Catecismos ou roteiros?
1.Foi publicada, em 1997, a edição típica latina do Catecismo da Igreja Católica (...). Perante o resultado, o Papa Wojtyla manifestou o seu agrado porque "a Igreja dispõe agora desta nova exposição, de grande autoridade, da sua única e perene fé apostólica, que servirá de instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial e de norma segura para o ensino da fé, bem como de um texto seguro e autêntico para a elaboração dos catecismos locais". Em qualquer domínio, todos gostariam de dispor de um livro de recurso com garantia ilimitada. Só os grandes clássicos gozam, em parte, de uma perenidade não programada. É a sua qualidade que os torna inesgotáveis. Um catecismo, por natureza, nunca será uma obra definitiva, mesmo que pretenda ser eterna. Será sempre um inventário provisório e inadequado daquilo que se deve crer, esperar e fazer. No reino da alegria de Deus, nossa alegria, ninguém precisará de catequese!
2.Quando este surgiu, foi recebido, como é normal, de modo contrastado. Para uns, o dito Catecismo não abria para uma inteligência nova da essência do cristianismo nem para a forma que esta deveria assumir no catolicismo pós-Vaticano II. Não era um instrumento que perspectivasse a intervenção dos católicos na sociedade, na relação com as outras igrejas cristãs e outras religiões. O mundo não parou com a clausura do concílio, em 1965.Dir-se-á que, apesar disso, a riqueza dos seus documentos é tal que vai ser preciso muito tempo para ser assimilada, mas essa assimilação só pode ser feita em movimento. O Catecismo, para ser útil, devia ser o instrumento, periodicamente renovado, para que, atento aos novos sinais dos tempos, pudesse fazer sínteses provisórias da inteligência das mudanças. O "depósito da fé" é a entrega inovadora ao movimento do Espírito de Cristo, a não confundir com o que há de residual na história do cristianismo. A fidelidade não é a repetição do mesmo, mas a evolução e a inovação dos começos em permanente actualização e que não pode deixar de contar com os desafios de cada época. O Espírito de Cristo actua na história humana e não apenas na história das comunidades cristãs. Na interpretação medieval, tudo o que é justo, bom e verdadeiro, é fruto do Espírito Santo, venha de onde vier. Se, para uns, o Catecismo não obedecia às exigências de mudança, para os conservadores e, sobretudo, para os lefebvristas, consolidava as "erróneas" inovações do Vaticano II.
3.Um conjunto de experiências, nos últimos anos, tem-me mostrado que o Catecismo - com todas as adaptações locais permitidas - pode ser um bom arquivo das convicções oficiais, mas sem capacidade para influenciar e orientar os católicos no mundo plural de projectos e valores, a nível social, político e religioso. A Igreja católica, em Portugal, continua a ser uma das instituições mais prestigiadas, mas o número dos católicos não praticantes não cessa de aumentar. Porquê? Porque as referências doutrinais e as normas morais da Igreja não dão para viver. Com o tempo, até os ritos de passagem - baptismo, casamento e funeral - serão para uma minoria. Para quem vive desligado das paróquias e dos movimentos, esses ritos serão, cada vez mais, apenas uma memória residual, não a marcação do ritmo da vida. Os símbolos e os ritos deixarão de dar que pensar, deixarão de provocar a vida dos mais velhos e dos mais novos. Serão metáforas mortas.
(...) Para já, importa que a Igreja institucional consinta na conversão evangélica que faria dela a Casa Grande de todos os que procuram um sentido e uma alma para a vida: "Na casa de meu Pai há muitas moradas"; "vinde a mim todos os que andais cansados e oprimidos, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" e "ai dos que impõem fardos insuportáveis!". Em vez de catecismos, são indispensáveis roteiros culturais e espirituais para caminhar com esperança no seio da família, na escola, na profissão, na política, no lazer e para formar comunidades de vida. No cristianismo, o divino e o humano só podem andar juntos.A busca de orientação e de sentido é tão antiga como a vida humana. Dela nasceram religiões e filosofias. A razão, porém, não é tudo nem a única instância. Também acreditamos em Deus por motivos afectivos, estéticos, vivenciais.
Maria, a católica que jejuou no Ramadão, e Hosam, o muçulmano que vai a Nazaré ver o Papa
Maria e Hosam são alunos da Mar Elias (Mar significa santo), em Ibillin, uma pequena aldeia árabe a uns 20 quilómetros de Haifa, no Norte de Israel. O vice-director da escola, Elias Abu-Ghanima, de 42 anos, olha embevecido para o que os alunos dizem e afirma: "Pessoas como eles dão-me esperança num futuro melhor. E eles não são terroristas".
O olhar de Abu-Ghanima mudará pouco depois quando mostra o único átrio de recreio dos alunos. Um descampado alcatroado e irregular, apenas com a sombra de três ou quatro pequenas árvores nos cantos. "Queríamos cobrir o átrio, mas não temos dinheiro. Porque é que eles não podem ter o mesmo que os outros? Eles vão a escolas judaicas, vêem as condições que ali há e perguntam porque não podem ter igual. E nós queremos dar-lhes o melhor."
Quando se chega a Ibillin, percebe-se uma aldeia espalhada por várias colinas. Para alcançar a escola, temos que descer e voltar a subir. Ladeiras íngremes. São sete os edifícios que compõem a escola - mais a Igreja das Bem-Aventuranças, construída nos últimos anos. Há miúdos a correr, outros à conversa, outros a rir ou a jogar, o ambiente de uma escola - que mais poderia ser? Os alunos vestem uma t-shirt azul, com o emblema da Mar Eias. "Ela unifica. Temos estudantes ricos e pobres, assim somos todos iguais", explica Abu-Ghanima.
O projecto cresceu a partir da iniciativa de Elias Chacour (na foto), que hoje é o arcebispo católico melquita de Israel. Mas era um jovem padre quando, em 1965, começou a aven-tura da escola de Ibillin com um pequeno grupo de 20 crianças. "Foi um projecto vital", diz o bispo ao PÚBLICO. Os miúdos não tinham acesso às escolas israelitas por falta de dinheiro para transporte ou livros.
Chacour quis dar-lhes um futuro. Hoje, a escola inclui 4500 alunos, até ao nível universitário. Desde há oito anos, os estudos superiores são uma extensão da universidade norte-americana de Indianapolis. O pedido para a criação formal da universidade em Ibillin - a primeira árabe em Israel - esperou cinco anos por autorização do Governo israelita, que chegou há mês e meio. O bispo Chacour diz que precisa de um milhão de dólares para pôr o primeiro ano da universidade a funcionar. "Se tivermos o dinheiro, daqui a quatro ou cinco anos teremos mais de quatro mil estudantes."
Para já, os alunos contentam-se com os projectos pessoais. Hosam Yasin, corpo franzino e olhar intenso, responde prontamente que quer ser "arquitecto, como o pai". O que o fascina na profissão é "poder ir de um país a outro e ver a arquitectura" de cada povo. "A mais interessante é a arquitectura islâmica. Gosto muito de uma mesquita no Egipto, é uma peça de arte muito gira, com muitas cores, corta-nos a respiração. Um dia gostava de construir uma mesquita assim", diz.
Yara Haidar, de 14 anos, olhos doces e voz tímida, quer trabalhar em ciência de computadores e usa uma "chave da vida" ao pescoço. Parece uma cruz, mas é arredondada em cima e simboliza a esperança, explica. Quem não souber, julga que é mesmo o símbolo cristão. Yara está atenta à visita do Papa: "Tenho que conhecer mais sobre as outras pessoas e não apenas sobre a minha cultura." Como se sente numa escola católica? "Somos todos seres humanos, aqui não há discriminação."
Adonis Azam, de 14 anos bem crescidos, é cristão e hesita entre computadores, como Yara, futebol ou guitarra. Irá a Nazaré com amigos muçulmanos. "Eles dizem que o Papa é uma personalidade importante, querem conhecê-lo."Maria Gorgora quer ser pediatra e promete tratar todas as crianças por igual. "O importante é que somos todos irmãos e irmãs", diz.
(Reportagem publicada no Público de 9 de Maio)
Quando o coração não deve bater a razão
Manuel Vilas Boas escreve hoje no DN e JN:
Ontem de manhã, no Monte Nebo, a 800 metros de altura, recordei-me da emotividade do Papa que foi actor. Nove anos depois e mesmo com os olhos na oliveira que Wojtyla aqui plantou em nome da paz repetiu-se a peça, mas sem alma. Unicamente calorosas as palavras de boas-vindas do ministro dos Franciscanos: o padre galego Jose Rodrigues Carballo, que me tinha avisado da tarefa no avião de Telavive para Amã. Para este seguidor de Assis, que abriu recentemente em Portugal as comemorações dos 800 anos do franciscanismo, a Terra Prometida a Moisés não pode deixar de ser uma oportunidade para todos, sobretudo os que vivem na margem. No momento, até a meteorologia fintou os olhos azuis do Papa alemão. Mas um Jordão enevoado ganha até maior simbolismo nos dias que correm.
Na descida da montanha de Moisés estava outra terra prometida: Medaba, a cidade dos mosaicos e um dos mais avançados postos de cultura e ciência da Jordânia e da região arábica permeabilizada de católicos e ortodoxos de competências ao mais alto nível há mais de um século.
Bento XVI organizou para aqui um discurso arguto: “o saber científico terá de ganhar em espaço de diálogo e compreensão. Doutro modo, abre-se a porta à corrupção da liberdade humana - avisou o papa - e também para a disfiguração da religião pela ignorância, o preconceito, o desprezo e a violência”. Puxando pelos galões de académico, o Papa recorda que “o conhecimento científico requer a luz da sabedoria ética”. Serão os estudantes de Medaba os construtores de uma sociedade mais justa e fraterna sem conflitos étnicos e religiosos? É pela cultura ética que este Papa quer ir.
A mesma tese foi defender Ratzinger junto dos muçulmanos na mesquita de Amã ainda feridos por Ratisbona. Para Bento XVI, o projecto é claro: o coração não poderá substituir sempre a razão. Impõe-se o diálogo como método para que a liberdade se exerça “mão na mão”, sugere Bento XVI, no centro de nova polémica. Desta vez, são os sapatos que tirou, que não tirou à entrada da mesquita do rei Hussein bin Talal. Não tirou. As imagens são claras. Mas quis tirar. Venceu a simpatia do arquitecto que lhe mostrava a originalidade desta obra sumptuosa.
Por fim, foi oportuno e justo o pedido à comunidade internacional para que impeça que o Iraque dizime os cristãos que lá existem. É que eles são filhos também de um Deus único.
Taizé em Sevilha, à espera do Porto
sábado, 9 de Maio de 2009
"Conscientes da origem comum"
"Muçulmanos e cristãos, precisamente por causa do peso de nossa história comum tão frequentemente marcada por incompreensões, devemos hoje empenhar-nos em sermos conhecidos e reconhecidos como adoradores de Deus fiéis à oração, ávidos em comportarem-se e viverem segundo as disposições do Todo-Poderoso, misericordiosos e compassivos, consistentes na postura de testemunhas em tudo o que é verdadeiro e bom, e sempre conscientes da origem comum e dignidade de toda pessoa humana, que permanece no centro do projecto criativo de Deus para o mundo e para a história".
Ver e ouvir o papa proferir estas palavras perante os líderes muçulmanos, na mesquita Al-Hussein bin Talal de Aman leva a reconhecer aquilo que parece ainda difícil de aceitar para tantos crentes do Islão, do Judaísmo e do Cristianismo: que há muitos caminhos e muitas confissões, mas que, ao fim e ao cabo, é o mesmo Deus que tantos povos, de muitos modos, buscam.
A liberdade religiosa no mundo
A Comissão indica também que, no que diz respeito à liberdade religiosa, importa estar vigiante em relação ao que se passa no Afeganistão, na Bielorússia, em Cuba, no Egipto, na Indonésia, no Laos, na Rússia, na Somália, no Tadjiquistão, na Turquia e na Venezuela.
Contra a manipulação ideológica da religião
Os cristãos do Oriente
O direito à dignidade da liberdade
Olhar Amã da cidadela que guarda o templo de Zeus e o museu arqueológico com documentos bíblicos do Mar Morto é contemplar uma cascata em redondel de tom cinzento por onde perpassam os sons intensos atirados dos minaretes das mesquitas. Bento XVI aterrou ontem aqui em território que não é seu, nem pouco mais ou menos. Os cristãos (incluindo os não-católicos) foram quase sempre minorias nestas paragens. O encontro de simpatia trocado entre os reis jovens e modernos da Jordânia e o chefe de Igreja Católica pode aumentar a esperança de tranquila convivência nesta mosaico de culturas e religiões. O rei Abdullah II apoiou o fórum entre católicos e muçulmanos que o Vaticano acolheu após as ondas de choque da Ratisbona. No discurso de boas-vindas, o rei jordano não esqueceu o caso, mantendo como missão real, a causa de Alá, sua fé tradicional.
Sendo Bento XVI também chefe de Estado, o rei muçulmano sentiu-se mais à-vontade para, aproveitando o momento mediático, enviar recados aos vizinhos fronteiriços: “que o povo da Palestina possa por fim à ocupação e que o sofrimento possa trazer-lhe o direito à dignidade da liberdade”. Semelhante pensamento defendeu Bento XVI na visita que fez ao Centro para Deficientes em Amã: “É preciso um amor salvador que não olha à condição das pessoas”.
O papa alemão poderá esta manhã transfigurar-se como Moisés num Monte Nebo, perante a Terra Prometida. Como intelectual que é, ele sabe que a tarefa do diálogo cultural não se pode fazer de modo piramidal como foi prática da Congregação da Doutrina da Fé, que dirigiu durante duas décadas no Vaticano. Aqui apressa-se a escutar a voz das universidades e dos que na religião, os muçulmanos, são maioria. Este é um passo firme do papa das polémicas que por aqui quererá refrescar o rosto.
sexta-feira, 8 de Maio de 2009
As religiões no meio dos conflitos
Não é raro ver imãs e xeques muçulmanos com discursos inflamados contra Israel e os judeus; nem é pouco frequente escutar rabinos judeus que só se referem à violência terrorista, sem entender que também há mortes inocentes entre palestinianos e muçulmanos; e ouvem-se muitos líderes cristãos a entrar no jogo da defesa de um dos lados, sem entender que o conflito (os conflitos, já que são vários) só se resolvem numa lógica de não-violência, perdão e reconciliação.
Hans Kung tem razão, quando defende que só haverá paz no mundo quando houver paz entre as religiões. E para isso é preciso que os responsáveis religiosos repitam cada vez, como João Paulo II antes da invasão do Iraque: “A guerra é uma derrota da humanidade. Nunca mais a guerra.”
Bento XVI no Regina Pacis: peregrinos a caminho de Deus; a paz para Jerusalém
Cada um de nós é um peregrino. Estamos todos projectados para a frente, resolutamente, no caminho de Deus. Naturalmente, tendemos todos a dirigir o olhar para trás, para o percurso da nossa vida – por vezes com pesar ou recriminações, muitas vezes com gratidão e apreço –, mas olhamos também para a frente: por vezes com trepidação e ansiedade, mas sempre com expectativa e esperança, sabendo que há também outras pessoas que nos encorajam ao longo do caminho.
O amor incondicionado de Deus, que dá vida a cada ser humano, aponta para um significado e para um objectivo para cada vida humana. O Seu amor é um amor que salva. Como os cristãos professam, é através da Cruz que Jesus de facto nos introduz na vida eterna, indicando-nos o caminho a seguir – o caminho da esperança que nos conduz, passo a passo, ao longo da estrada, de tal modo que nós próprios nos tornemos portadores de esperança e de caridade para os outros.
Diferentemente dos peregrinos de outras épocas, não trago presentes ou ofertas. Venho simplesmente com uma intenção, uma esperança: rezar pelo precioso dom da unidade e da paz, muito especialmente para o Médio Oriente. Paz para os indivíduos, para pais e filhos, para as comunidades, paz para Jerusalém, para a Terra Santa, para a região, paz para toda a família humana – a paz duradoura que nasce da justiça, da integridade, da compaixão, a paz que brota da humildade, do perdão e do desejo profundo de viver em harmonia como uma única realidade.
quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Um oásis de convivência pacífica em Israel
Já publiquei dois textos sobre Chacour - um deles está aqui, na edição 2007 do Janus - Anuário de Relações Internacionais. Mas tinha-o feito a partir da leitura de um livro e de uma conversa telefónica com o agora arcebispo melquita de Acre, Haifa, Nazaré e Galileia. Ver agora ao vivo a escola com 4500 alunos, onde se misturam professores cristãos, muçulmanos, druzos e judeus e alunos também destes diferentes credos (menos judeus, desde a crise de há três anos no Líbano) e poder entrevistar Elias Chacour foi um daquelas experiências e que nos sentimos realizados profissionalmente.
No cenário de violência que atravessa esta região, é comovente ver miúdos de 14 e 15 anos dizer que gostam de andar na escola porque aprendem as tradições, as festas e a cultura dos outros. Maria Gorgora, católica, 15 anos, disse mais: já tentou jejuar durante o Ramadão muçulmano. "É duro", confessou. Mas fê-lo com gosto. E Hosam Yasin, muçulmano, 14, diz que vai ver o Papa Bento XVI a Nazaré, porque quer conhecer melhor este líder religioso importante para os seus amigos. E o sudirector da escola, Elias Abu-Ghanima, 42 anos, pai de duas meninas, repetia que a escola é como um mosaico: "Ninguém está completo sem o outro". A reportagem sairá domingo no Público, mas o texto do Janus serve para entender a história de Chacour e de Ibillin. Um oásis onde se aprende outra lógica de vida para romper o círculo vicioso da violência.
terça-feira, 5 de Maio de 2009
Esperança e justiça contra a crise
Eis o programa, preparado pelo CRC:
Dia 7 de Maio
Economia da Ilusão e Sociedade Injusta
- Alfredo Bruto da Costa
- Ulisses Garrido
Desesperança e Apelo Solidário
- João Ferreira do Amaral
- Jorge Wemans
Crise dos Modelos as Novas Respostas
- Guilherme d’Oliveira Martins
- Margarida Marques
Há uma Esperança Global?
- Luís Moita
- Manuel Brandão Alves.
segunda-feira, 4 de Maio de 2009
"Falemos de Deus"
A iniciativa é do Movimento Nós Somos Igreja – Portugal.
O livro, escrito sob a forma de cartas pelas duas filósofas espanholas, pode ser legalmente descarregado AQUI.
O herói e o santo
1. (…) Hoje, numa sociedade de separação entre Igreja e Estado, deve-se deixar ao Estado o que ao Estado pertence: preservar e realçar a memória dos seus heróis. À Igreja compete recuperar a memória dos seus santos, não a dos heróis nacionais. No caso de Nuno Álvares Pereira, quem terá sido canonizado? O herói, pelas suas escolhas políticas e os seus feitos bélicos, ou o santo, aquele que abandonou o poder militar e a riqueza para se dedicar, no despojamento, à contemplação e ao serviço dos pobres?
Os que dizem que não é possível separar o herói do santo nem o santo do herói – embora tenha sido a tonalidade de algumas intervenções eclesiásticas e políticas – esquecem que, sem atender a essa diferença, seria desaconselhável a canonização. Ela celebra a viragem radical na vida de Nuno Álvares Pereira, não a consagração do herói da nossa identidade. A heroicidade das virtudes requeridas para a canonização não é a heroicidade que se requer no combate aos inimigos da independência de Portugal. (…)
Digo isto porque todos os discursos sobre ele podem ter as suas derrapagens. O Cardeal José Saraiva Martins – especializado a desencalhar canonizações – não se mostrou muito inspirado ao exemplificar a espiritualidade mariana de S. Nuno: “antes e durante as batalhas, ajoelhava e rezava a Nossa Senhora. Isto é muito significativo, muito importante, era um militar e fazer isso supõe um grande acto de heroísmo”. É certo que o Cardeal poderá argumentar que, também na Bíblia, se pede a Deus ajuda para derrotar os inimigos, constituído chefe do exército do povo eleito.
Essas partes das Escrituras só deixarão de ser lamentáveis se as considerarmos inspiradas a dizer, de forma brutal, o que nunca deve ser feito: confundir os nossos interesses tribais ou nacionais com a vontade de Deus. Se uma das jóias da nossa arquitectura celebra Nossa Senhora das Vitórias, mais conhecida como Mosteiro da Batalha, só indica a contaminação da devoção católica por essa aberração ancestral. Será que Nossa Senhora, aborrecida com os castelhanos, se vingou deles revelando ao condestável português a forma de os derrotar? Tomás de Aquino aconselhava os teólogos e os apologistas a terem cuidado com o ridículo.
2. Se esta canonização fosse para exaltar a capacidade guerreira do condestável, teria de se fazer um processo religioso à sua forma de combater. Mesmo que alguns discursos dêem isso como pressuposto, talvez estejam enganados. Dir-se-á que é preciso cuidado com os anacronismos. Sem dúvida, mas não é de nenhum anacronismo que se trata: não terá sido no nosso tempo que o ataque às torres gémeas e a guerra ao Iraque se apresentaram com motivações político-religiosas?
Não seria um bom milagre de S. Nuno se levasse os políticos e os militares de hoje a deixar a guerra – abrindo a mente e o coração ao imenso mistério da vida e da morte – e a distribuir os seus gastos em benefício das vítimas inocentes da crise actual? Diz-se que em qualquer situação é possível santificar-se. Talvez seja preferível santificar-se a fazer a paz do que a fazer a guerra.
3. É louvável recuperar antigas memórias portuguesas de santidade, embora, às vezes, possa levar a pensar que santos são apenas os canonizados. Repetiu-se que S. Nuno era o oitavo santo português! Há várias figuras exemplares da nossa história recente que devem ser lembradas. Destaco, apenas três: o padre Abel Varzim (1902-1964), imagem do catolicismo social português durante o regime de Salazar, que o procurou domesticar e acabou por perseguir, sem encontrar na Igreja a defesa de quem o devia proteger; o Padre Américo (1887-1956) que, como dizia, depois de “uma martelada” espiritual, se tornou o Padre da Rua dos abandonados, dando-lhes voz, no espantoso jornal, O Gaiato; Aristides de Sousa Mendes (1885-1954) que salvou, enquanto cônsul em Bordéus, a vida a dezenas de milhares de pessoas do Holocausto, desobedecendo, em nome da sua consciência humana e católica, às ordens de Salazar que o entregou à miséria, a ele e à família.
Tenho, na minha frente, uma entrevista a Isabel Jonet, católica, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome – dá de comer a 245 mil pessoas por dia – congrega uma multidão de voluntários na luta prática contra a pobreza. Ao ajudar a perceber que não vale a pena andar fascinado por bens que nada acrescentam à vida verdadeira, tornou-se também uma discreta escola de espiritualidade. Em vez de perder o tempo a enumerar tudo o que, em Portugal, corre mal, descobre e desperta vocações para a prática da solidariedade inadiável.
No seio do absurdo, os santos são aqueles que se convertem, rasgando a opacidade do Céu e a indiferença perante a miséria. São a face luminosa da fé.
domingo, 3 de Maio de 2009
Comunidade que nasceu duma "conversa com Deus"
"Mount of Oaks" ou Monte dos Carvalhos, lê-se a encarnado nas placas de um caminho isolado da serra da Gardunha, Póvoa da Atalaia, no Fundão. O local é deserto e desorganizado, com o cheiro quente das maias. Os cães ladram histéricos ao ver intrusos, mas é fácil perceber que são tão amigáveis como os seus nomes: Tom Sawyer, Huckleberry Finn e Violeta.
No final do trilho está uma comunidade que nasceu duma "conversa com Deus". Definem-se como monásticos e têm um grande cariz de intervenção social, sobretudo na aldeia da Póvoa da Atalaia. Aquecem a água do banho com lenha, cozinham bolos com o reflexo do sol, praticam uma agricultura de subsistência, mas, curiosamente, não dispensam o telemóvel e escrevem com regularidade num blogue (mount-of-oaks.blogspot.com).(...)
Continuar a leitura: AQUI.
Mudar de religião - um estudo nos EUA
É conhecido que no país de Barack Obama a relação das pessoas e da sociedade em geral com a religião adquire características significativamente diversas daquelas que se observam entre nós. Como este fenómeno de uma percentagem relativamente elevada (quase 50 por cento) ter mudado, ao longo da vida, pelo menos uma vez de religião.
Uma leitura e contextualização deste estudo pode ser lida AQUI.
sábado, 2 de Maio de 2009
Religiões e extraterrestres

O teólogo eminente Dr. Thaddeus sonhou que tinha morrido e seguido rumo ao Céu. Bateu à porta e disse que tinha dedicado a vida à glória de Deus. - Homem? - exclamou o porteiro. - O que é isso?
Ninguém, lá em cima, ouvira falar dessa coisa chamada "Homem". Mesmo assim, um bibliotecário, um ser esférico com mil olhos e uma boca, depois de ter ouvido o teólogo explicar que a Terra é parte do Sistema Solar, por sua vez parte da Via Láctea, com milhares de milhões de estrelas e uma galáxia entre milhares de milhões, mandou chamar um dos sub-bibliotecários, especializado em galáxias.
Umas três semanas depois, com o trabalho de cinco mil empregados, o sub-bibliotecário voltou e explicou que o ficheiro extraordinariamente eficiente da secção galáctica da biblioteca lhe tinha permitido localizar a galáxia pretendida.
Mas era preciso agora procurar uma estrela - o Sol -, uma entre trezentos mil milhões dentro da galáxia. Alguns anos mais tarde foi um tetraedro arrasado de cansaço que compareceu, dizendo que tinha finalmente descoberto essa estrela especial, mas não vendo grande interesse nisso. De qualquer forma, ela está cercada por corpos muito pequenos chamados "planetas", havendo nalguns deles "parasitas" e "essa coisa que tem estado a fazer perguntas deve ser um deles".
Então, o Dr. Thaddeus desatou num indignado lamento: - "Porque é que o Criador escondeu de nós que não fomos nós que O levámos a criar os céus? Servi-O diligentemente toda a minha vida. E agora até parece que nem sequer sabe da minha existência. Não posso aguentar isto. Não posso mais adorar o meu Criador. - Muito bem - retorquiu o porteiro. Então, pode ir para o Outro Lugar".
"Aqui, o teólogo acordou. E murmurou: - O poder de Satanás sobre a nossa imaginação adormecida é terrível".
Estaremos sós neste Universo estonteantemente gigantesco? Aí está uma pergunta que muitos farão, concretamente neste Ano Internacional da Astronomia.
No ano passado, o padre José Gabriel Funes, director do Observatório Astronómico do Vaticano, declarou, desencadeando imensa curiosidade: "Como há uma multidão de criaturas sobre a Terra, poderia haver outros seres, mesmo seres inteligentes, criados por Deus. Isso não contradiz a nossa fé, pois não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus". Poderíamos então falar do "nosso irmão extraterrestre". Aliás, o seu predecessor, padre George Coyne, já se tinha pronunciado no mesmo sentido, ao dizer que o universo é feito para fabricar vida, portanto, a existência de outros seres não põe problemas à fé: "É um desafio salutar que a engrandece em vez de encerrá-la". (…)
Após a detecção de "super-Terras", a procura de vida noutras paragens tornou-se objecto de investigação científica. Se alguma vez se der o encontro, será um acontecimento maior da História.
sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Os dois lados estão á procura de um entendimento sobre o estatuto legal e finaceiro das propriedades da Igreja Católica em Israel, bem como acerca das actividades comerciais de comunidades cristãs no país. As negociações foram retomadas em 2004 após um hiato de dez anos A Santa Sé e Israel estabeleceram negociações diplomáticas em 1994.
A visita do Papa Bento XVI é apontada no sítio oficial do Governo israelita para o acontecimento como uma "ponte para a paz". Mas ela decorrerá sobre um campo minado, com diferentes facções de ambos os lados do conflito a tentarem explorar a presença do Papa em seu favor, como explica Ruth Ellen Gruber aqui.
A viagem decorre de 8 a 15 de Maio e o Religionline irá dar atenção privilegiada ao acontecimento.

